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Mostrando postagens de Maio, 2010

Uma vernissagem e o início do fim de um ciclo

Esta aqui é a versão em português (ou quase, já que nem percebi que não havia traduzido o título do evento) do convite da modestíssima Vernissagem que farei aqui em casa e vocês estão todos convidados!

Você também não sentiria um comichão de torcer para a França na Copa?

(Jessy Matador, "Allez, olla, olé", Final Eurovision, Oslo, 2010) Vi a final do Eurovision, no último sábado, no apê dos adoráveis amigos suecos, Thomas e Magnus , com quem também vimos o show no ano passado, lá na torre do Turning Torso. Não mais na Torre, mas numa vista de não esquecer nunca, de frente para o Mar Báltico, a ilha de Ven, Copenhaguem e uns barcos passeando, acompanhei já em clima de saudade, a final do festival de música europeu. Devo admitir que lá do apê foi bem difícil não levantar do sofá e começar a chacoalhar o esqueleto todo quando Jessy Matador (foi a primeira vez que eu soube do cantor) e sua trupe francesa entrou cantando a música que também será o jingle da França na Copa... Apesar de não terem levado o prêmio e não estarem entre os mais votados, a música é africanamente contagiante, por mais francesa em que seja cantada e por mais história da França que o "Allez olla olé" retome. É a aquele tipo de música que não só gruda na cabeça,

A Suécia e algumas histórias (3): Eileen, a escocesa cuja pátria é o mundo

(Eileen Laurie, em frente de sua instalação "As Baleias", na abertura da exposição que participou) Eu já tenho ciência da porção de coisas das quais vou me lembrar com orgulho um dia no futuro sobre esse período vivido na Suécia, mas talvez eu possa resumi-las em duas grandes categorias: a natureza, com suas estações tão marcadas e as cores nunca vistas e sentidas antes por mim, assim como das pessoas com quem tive contato. Eileen Laurie, uma escocesa quem deixou sua terra natal há muitos anos para viver a vida conhecendo outros países e pessoas, é uma delas. Em sua corajosa jornada, Eileen (que se pronuncia "Ailin" e eu acho lindo) contou que sempre ouve alguém cantando alguma canção ao se apresentar, já que há várias canções com seu nome. Contou também que foi depois de passar por inúmeros países e viver neles que veio parar na Suécia onde acabamos por nos encontrar no curso de cerâmica que terminei na semana passada, na Folkuniversitet . Além da personalidade

"Marina, Marina, Marina..."

(Eu, feliz e literalmente de pernas pro ar (não vai pensar mal de mim!) Ales Stenar, Kåseberga, verão, 2009) Há várias semanas, movidas pela energia da Glorinha , a gente decidiu falar, pensar e escrever sobre as cores. E viajando nelas a gente descobriu uma energia diferente vindo de cada uma e, nessa última postagem, a "Pintora Imaginária" nos pergunta sobre nossa cor preferida. Eu não posso falar de cor preferida, mas sei falar do quanto a cor está em minha vida: nas paredes de minha casa, nos meus quadros, nas roupas, na comida, em todo canto... E é exatamente pela força que a cor exerce em mim, o modo como ela pode me tirar de um estado de ânimo e pôr em outro que preciso falar do azul... Estou há três anos nessa Suécia eu já tinha dito aqui que o amarelo sempre vai me lembrar este lugar, para sempre!, mas não mais que o azul... Há três anos vivendo aqui minha sensação é que nem as nossas praias brasileiras são mais azuladas, contrariando o poema...

Dança comigo?

("Goodnight moon", Shivaree) Cê quer dançar comigo no meio da sala? Então embala aí essa música fantástica da trilha do Kill Bill 2... Tá aqui uma outra coisa que eu vou mor-rer de saudade dessa Suécia! Meu programa de música grátis Spotify ! (o programa só funciona legalmente na Europa) Não vai ter graça nenhuma ter que voltar pros meus cedês véios e arranhados (porque eu sou o tipo de arranha cd), limitados ao tanto que pude comprar até hoje , ou o i-tunes mirradinho... Acho que entre as coisas mais divertidas proporcioandas pelo programa sueco é descobrir, sem querer, uma música maravilhosa atrás da outra... Ontem ouvi umas valsas do Chopin que eu não conhecia, quando procurara por uma que adoro... e aí descobri essa da Shivaree, quando acessei a trilha sonora do filme do Tarantino, Kill Billl... Clique aí e vê se não dá uma vontade de dançar e uma alegria danada apesar de ser segunda-feira? Sei lá eu porque! mas dá! Dança comigo vai! Solta essa franga! E se quiser

Amizades nada virtuais: Sonildes e Camilitas: a Noruega, a Suécia, o Brasil no mesmo jardim

(Os opostos se atraem, Lars norueguês, quietinho e discreto com sua Camila falante e toda brasileria, Malmö, 2010) Este fim de semana rolou churrasco com direito a um solzão lindo em frente de casa e 20 graus no termômetro. Não fosse eu explicar para meus amigos daqui como conheci senhorita Camilíssima , nossa amizade passaria por uma outra qualquer. Conheci Camilitas através de nossos blogs. Não me lembro quem descobriu quem primeiro. Foram trocas de comentários e muitas idéias em partilhadas. Adorei logo seu jeitão direto de falar, suas falas super críticas e o conteúdo de vida que trazia através de tanta jornada pelo mundão afora dentro de um navio gigante. Fui ficando íntima, desse jeito que a gente é íntimo pela internet... Celebrei com ela seu casamento e sua alegria ao encontrar A-ha e chorei as lágrimas da perda de seu pai aqui de longe... Trocamos alguns emails e desejamos um encontro... (As amigas de centenas de posts papeando e comendo juntas, repare no detalhe do Tor

Do lixo ao luxo, parte 3: a história de uma cadeira esquecida

Há algum tempo tenho tido um siricutico danado por pegar peças do lixo ou objetos usados e antigos e tentar transformá-los. E isso começou mais propriamente com a história de uma cadeira, mais de um ano atrás, o que também me inspirou a escrever a sessão " Do lixo ao luxo " e também outros posts acerca do cuidado com o meio ambiente . Eu queria muito dar nova vida e novo lar a algo já usado e esquecido por alguém, por essa razão havia sugerido à amiga Xu (que tem uma mala linda do seu avô em sua sala moderna) o empreendimento. Tendo ela topado, compramos primeiro um tecido que ela gostasse de ter em casa, numa cadeira, em uma das lojas de departamento daqui, a Ahléns . Estacionamos num sábado qualquer num dos Second-hand (loja de segunda mão) de uma cidadezinha ao lado de Malmö, a fim de achar uma cadeira velha, surrada, mas com condição de ser transformada. Logo de cara bati o olho nessa cadeirinha aí. De madeira excelente, tinha uns formatos interessantes, embora o te

Sonhando num cavalo branco...

("Cavalo sonhador", Sascalia ) Estava aqui entre uma pilha disso e daquilo para fazer quando recebi uma rápida ligação de minha amiga Nikol , aquela alemã de quem já falei muito aqui antes. Depois de 41 semanas e 4 dias (na Suécia e em quase toda a Europa não se força a cesareana se tiver tudo bem com o bebê e a mãe) a Nikol deu à luz a um menino chamado Luís. ("Mãe e filho", Sascalia ) Ter acompanhado sua gravidez desde o início e ouvi-la falar dos planos com o segundo menino... Assim como sua angústia das últimas semanas, depois que ela parou de trabalhar e estava apenas a esperar sua criança e ver sua carinha saudável... E agora, depois de ter ouvido sua voz cansada do parto ao mesmo tempo tremida de emoção, juntamente de um chorinho leve de bebezinho recém nascido me deu uma alegria tão tão imensa, uma emoção incontrolável que parei o que estava fazendo para escrever. Pintei uma tela que não gostei com uma Marian vestida de branco para o post da semana da

Maluca beleza, com certeza!

(Suco de maça, cerveja sem álcool, chop, tudo que se tem direito para celebrar o encontro e talvez a despedida de 11 amigos em Praga, Kenth, Ângela, eu e Ângelo e o pessoal invisível do outro lado, Fabinho, Liana, Tiago e Gigi, República Tcheca, maio de 2010) Estava escrevendo esta resposta lá nos comentários e estava tão gigante que achei melhor virar um postezinho, já que perto do tanto que escrevo ele é quase pequeno... Aqui vai... "Molerada querida que me escreveu no último post e quem leu e ficou tristonho com ele, Quer dizer então faço todo mundo chorar as pitangas junto comigo? rs... Obrigada, de coração, por toda essa torcida para que tudo dê muito certo na nossa nova velha vida no Brasilzão desse nosso Deus! Obrigada pelos elogios tão sinceros de quem lê o blog e gosta... "das veiz" eu não acredito muito que os textos possam agradar a alguém, daí vocês me lembram que sim, que muitos gostam, se sentem bem e tal e me dá aquela vontade de novo! E muitas vezes

Os ventos do Norte que movem moinhos

O que nos leva daqui pra lá e de lá pra cá como uma pena ao vento? Essa pergunta feita pelo ser humano desde sua existência, tema de acirradas discussões religiosas ou filosóficas tem inúmeras e diferentes respostas. Cada qual de nós provavelmente terá a sua própria, embora não saibamos exatamente qual delas é a correta. O que sei é que desde o início deste blog, o destino, as escolhas diretas e indiretas que vocês e eu fizemos nos fizeram cruzar caminhos. E foi neste ir e vir, nesse voar ao sabor do que sentia no momento que me fez escrever 553 posts em quase três anos . Foi a Borboleta Somniando e vivendo na Suécia. Foi o desejo de se jogar no mundo e de ser levada por outros ventos, como os ventos do Norte. E esses mesmos ventos trouxeram na semana passada a Denise pela primeira vez por aqui enquanto o contador do blog virava para 100 mil visitas. (Hanns Zimmer, tema de abertura do filme Forrest Gump) Sei pouco dela, mas sei que tem um blog , onde tece idéias, divide son

Um abraço e um aplauso para o visitante 100 mil diretamente de Praga!

Gente boa, Chove bastante aqui hoje, o dia está feio e estou fazendo as malas enquanto o Ângelo brinca. Eu havia perdido um tempão terminando um post que queria muito publicar ainda na semana da postagem verde da Gloríssima . Perdi todas as correções que fiz hoje e inserções por conta de falha no blogspot. Fiquei verde de raiva, mah tudo bene! Só não tenho mais tempo de refazer tudo novamente (o post era bem grande!). Vou viajar sem o post da semana e sem conseguir responder comentários, emails etc. Farei tudo semana que vem, depois de voltarmos. Estamos indo conhecer Praga, capital da República Theca, lugar que sempre tive uma curiosidade infantil de conhecer, já que uma de minhas tias, Vicentina , se casou com meu tio João, cuja família vinha de lá, através de um programa de rádio da época. Lembro dela contar que se encantou por ele ser "meio estrangeiro" e desse lugar tão distante. Lembro-me de pensar tanto nesse lugar distante e tentar imaginar como era a terra de onde

Do Brasil e de Cabo Verde: duas almas perdidas e achadas na Suécia

("Artista inspirada", Marc Chagall) Há vários meses eu conheci bem por acaso uma cabo verdiana chamada Edith, moradora aqui de Malmö também. No encontro casual no meio do circular trocamos umas palavras e email, mas nunca mais nos falamos. Lembro-me que logo de cara eu adorei ouvir aquele sotaque tão franco de um português de Portugal , o qual me fez tomá-la primeiramente por uma portuguesa. Só depois entendi que a terra da Edith era a mesma de Cesárea Évora, quem aprendi a ouvir na voz de uma amiga do Porto . A terra da Edith tivera os mesmos colonizadores que a minha. Nossa língua a mesma, nossa história tão semelhante. Ambas apaixonadas pelas artes plásticas (ela é artista plástica profissa e professora na rede privada de Malmö), as duas provindas de países quentes, onde a semelhança está no sangue africano que corre nas veias, no ritmo das músicas, no jeito caloroso de ser. Hoje, voltando com Ângelo num ônibus do centro topei com Edith novamente. Seu sorriso logo se

Delícia é encontrar raparigas aralanjadas como nós

("Fertilidade", Somnia Carvalho, 2006, pertencente à amiga Vanessa Pinto) Antes de me decidir engravidar pela primeira vez eu vivia entre a dúvida cruel de terminar o doutorado, dar minhas aulas e "parar tudo" para ter um filho, porque na minha cabeça as duas coisas pareciam mesmo não muito conciliadoras. Me dedicando a um eu não faria direito o outro e vice-versa. Aquele meu pensamento tinha obviamente um fundo de verdade. Não é possível mesmo fazer tudo que se fazia antes de ter filhos ao mesmo tempo que se tenta cuidar bem deles. É preciso priorizar uma coisa ou outra. Ao contrário, porém, do que eu esperava da gravidez e daquela fase que eu imaginava meio que levar literalmente empurrando com a barriga consegui me sentir ativa, cheia de energia e criatividade. E com o segundo barrigão não tem sido diferente. Hoje comecei o dia lavando as muitas janelas de vidro de casa, limpei, arrumei, organizei a casa, cozinhei etc. Algumas atividades que normalmente eu tent

Sobre as afinidades eletivas que nos conectam aos outros e aos nossos vários eus

(Daníssima que sabe exercitar bem a alegria de ser livre, no Alles Stenar em visita à Suécia, 2009) Uma das grandes "brigas" que a gente tinha em casa, quando eu era adolescente, era o fato de viver meio que na rua, na igreja, onde quer que fosse com amigas e amigos. Eu passava quase o fim de semana todo organizando festas, quermesses, o santo a quatro, só para passar na companhia de minhas amigas e nos divertirmos. Sim, eu era quase uma santa adolescente! Até uma freira carmelita me dizer com todas as letras "você não tem vocação para ser freira, querida", vá namorar! Lembro de minha mãe sempre dizendo de sua tristeza por eu parecer "preferir" as amigas ao invés da companhia da família, embora, no fundo, ela nunca tivesse me proibido ou dificultado meu desejo de sair sempre para o mundo. Seja quando quando pensava que seria freira, depois quando quis largar o trabalho para estudar filosofia em tempo integral e depois quando vim morar na Suécia. Naque