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Mostrando postagens de Junho, 2008

Tem dias que vou de Brecht e outros, de Clarice

Nada é impossível de mudar "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar." Bertolt Brecht .... " Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa.   Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar   as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector

"Sexy and the City", eu e as suecas assanhadas

"Sex and the city" na série e as conexões possíveis A convite de minha amiga alemã, a Nikol, fui pela primeira vez ao cinema, aqui na Suécia, e vimos "Sex and the city", o longa baseado na famosa série. No Brasil assisti a todos os episódios, todas as temporadas, em DVD, em casa e sozinha. Um ou outro apenas vi com minha querida cunhada, a Dri. E a gente adorava. Ria muito e ficava naquele tititi feminino por horas. Sozinha, era muito bom pegar minha pipoca ou uma porcaria qualquer pra comer, bem no fim da noite, e ter um pouco de diversão e distração.  Eu não gosto de comédias. Não consigo rir com elas e não tenho paciência, mas eu ria com "Sex and the city". E me via em inúmeros episódios e identificava os meus ou os problemas e dilemas existencias de tantas de minhas amigas. E não foram poucas as vezes em que algum episódio foi tema de conversa gostosa e descontraída com elas. E a gente brincava de pensar em qual delas nos enxergávamos mais. E até

Mistura Fina

Hoje de manhã voltava meio com pressa pra casa e encontrei meu vizinho, imigrante da Malásia, que é casado com uma sueca com os quais, normalmente, eu falo em inglês. Acenei rapidamente e disse: - Oláá! tudo bem?, em português. E ele ao mesmo tempo: - Hey! Hey! Parece confuso, mas a gente se entende que é uma beleza.

"A Arte de ser avó", por Rachel de Queiroz

("Avó", Marion C. Hono rs ) Em resposta ao post de ontem , a Irene, assídua leitora do blog e avó do Ângelo, me mandou este sensível texto da Rachel de Queiroz, o qual não pude deixar de dividir com quem ainda não conhece.  "Enjoyem" a leitura!  .... A arte de ser avó "Netos são como heranças, você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu... É como dizem os ingleses, um Ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade trata-se de um filho apenas suposto. O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, filho do filho, mais filho que filho mesmo... Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as suas compensações: todos dizem isso, embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto, mas acredita. Todavia

Aos avós, com carinho ou Homenagem especial numa segunda-feira comum

Os Avós "Ya ya ya oh! Quem é que deixa fazer tudo que a mamãe nunca deixou Ya ya ya oh! É a vovó e o vovô! O vovô não fica sério Faz o tipo brincalhão É a vovó quem manda o tédio Passear, lamber sabão. A criançada pinta o sete Faz o avô de cavalinho A vovó brinca de pique De boneca e de carrinho. Hambúrguer no almoço E sorvete no jantar Dormir sem tomar banho Só os avós que vão deixar. Quem te livra do castigo e te deixa ver televisão E não briga com a roupa Espalhada pelo chão. A mamãe fica zangada Com tamanha confusão Se os avós liberam tudo A bomba estoura em sua mão. Mas no fundo ela entende Que é uma prova de amor Pois eles sabem tudo A vida já lhes ensinou. Aprendemos a lição Que os avós são outros pais Que tem a gente no coração. (Autor Desconhecido, fonte: http://www.clubedospais.pt)

O que se perde

(Sonho, Somnia Carvalho, 2004, tela feita para Luciana Dias) O que se perde "....o que é que se perde num rasgo de chuva, Marinho?!... não sei... mas me pergunto curiosa e talvez você possa responder... o que é que fica na gota que se espatifa nos meus olhos quando um homem se comove do outro lado da linha, e eu, abestalhada, porque isso é tão raro, não sei o que fazer?!... o que é fica na gota, também salgada de saliva, da boca desse homem quando ele dói como vaga marinha em forma de poesia?!...eu não sei... mas ouço o que ele fala, como quando pela primeira vez ouvi o mar na concha de um caramujo... eu sou do sertão das gerais que não tem mar... só muito mais tarde fui saber da imensidão de água que as montanhas não me deixavam ver... eu primeiro imaginei o mar, Marinho, com os meus ouvidos de ver... e deve ser por isso que eu gosto tanto de poesia... e deve ser por isso que quando alguém me pergunta, como você ontem me perguntou, criatura em busca do criador, aonde ele est

Estocolmo: um outro lado da Suécia e dos suecos

(Estocolmo, vista de um dos lados da cidade ) Estocolmo por ela mesma Estocolmo, a capital da Suécia, é uma das capitais mais bonitas em que já estive.  A cidade é recortada por imensos canais, onde centenas de barcos circulam com turistas passeando pela cidade. É impossível pensar em Estocolmo sem os barcos. A água e eles parecem ser a vida da cidade. Não à toa uma das amizades que fiz aqui, o Tobias que veio de lá, diz que a coisa que ele mais sente falta é do barquinho que tinha.  Se você vai a Estocolmo é preciso tomar um desses barcos para ter uma idéia geral da cidade, porque só andando é difícil chegar a alguns pontos, já que a cidade é bem grande. (Curtindo o passeio de barco, que fez Ângelo enlouquecer e apontar o dedinho pra todo lado ) Em nosso rápido passeio de três dias, também incluimos uma visita ao imperdível Wasa Museum. Nele a gente entra na história de um imenso navio, que esteve no fundo do mar por mais de trezentos anos e foi encontrado nos anos 60, em con

Inspiração ou a Arte é e não é um exercício individual

"Fertilidade", Somnia Carvalho, 2003 Demétria A partir do quadro Fertilidade, de Somnia Carvalho Por minha graça os botões se abrem em pétalas túmidas os seios crescem flores rosadas fontes lácteas pólen se exala se instala entre lábios pequenos e grandes ventos e fluidos carregam sementes ventres se expandem campos se cobrem cantos embalam sono e trabalho. (Juliana de Souza D´Assis) .... Há alguns anos pintei o quadro "Fertilidade" a partir de uma belíssima imagem de Demétria que minha amiga Juliana trazia em suas cartas. Inspirei-me na imagem dessa mulher fértil, numa época em que começava a desejar engravidar e ser mãe e num momento em que sentia brotar essa necessidade de se sentir fértil em muitas outras coisas. Trabalhei com Lia, como Juliana é conhecida, como professora do antigo Cursinho DCE e, juntas, a gente viveu, aprendeu e aprontou muito. Tempos depois, outra querida amiga, a Vanessa, do mesmo grupo de professores, comprou a tela,

A gente ta de volta!!!

(Angelo curtindo praia no Dia Nacional da Suecia, 06 junho de 2008) Apesar de notavel e sentida falta de comentarios neste blog, a gente ta de volta ! As avos fizeram chororo e morreram de saudade   por falta do skype , mas nem elas reclamaram a falta do blog! Brincar de ' escritora' nao e facil !  Mas, ainda assim , sem saber para onde e que vao as frases desse meu espaco , eu estou aqui. Me perdoem ainda a falta total de acentuacao. Meu antigo mac era sueco e o teclado era totalmente diferente. Esse aqui e americano , entao to tentando achar as coisas ainda. Tambem desculpas pela falta de respostas  aos poucos, porem preciosos comentarios dos posts anteriores, dos emails e pela ausencia total nos msn e skypes da vida. A gente vai tentar aparecer agora. Eu , Renato e Sr. Angelinho , claro ! Tenho na cabeca algumas dezenas de posts a respeito da Suecia e Brasil, ja que aqui as coisas estao uma an

O Dia Nacional da Suécia e a Festa dos Formandos do Ano

(A festa dos formandos suecos, fonte: http://www.gonomad.com/roundworldphoto/ ) Sexta-feira foi feriado aqui na Suécia: o Dia Nacional da Suécia. O povo todo aproveitou o dia muito quente para ir à praia e torrar, sem chapéu, sem guarda-sol e sem protetor solar. Nada de celebrar o feriado político. As comemorações da semana ficaram mesmo por conta dos formandos do terceiro ano. Com o fim do segundo grau, os jovens e as jovens suecas fazem festa por uma semana toda, pelo menos. Eu fiquei lembrando das nossas formaturas do segundo grau, chaatas que só vendo, pelo menos até as que eu ainda frequentava. Provavelmente eles também têm a parte formal, eu imagino, mas a festa é bem diferente do nossa valsinha e do "Coracao de Estudannnnnte". A mulherada usa vestido de festa, branco. Mais ou menos o que usamos para grandes festas de reveillon aí, mas um pouco mais exagerados. Salto alto, cabelo arrumado, maquiagem, tudo que tem direito pra ficar loira, alta, linda e exageradament

"Soy loco por ti America!"

(Um dos muitos especiais, carinhosos e queridos amigos: Pinta e Ênio, com o lindao do Pedro) Fim de semana passado estivemos na casa de um casal sueco com quem fiz amizade aqui e foi muito bom. Mas louca a sensacao de ter ainda mais saudade de quem está aí. Saudade das minhas amigas mui malucas, das mais certinhas, das que tiveram filhos e estao com a vida atribulada. Da família toda. E, embora seja realmente muito legal que esses suecos tenham aberto suas portas para a gente, coisa que eles demoram a fazer, fico sempre com saudade de amizades antigas. Amizade antiga é que nem namoro antigo, a gente nao precisa se preocupar muito e vai direto aos beijinhos. Estar longe da América faz a gente desejar ardentemente seu calor, sua cor e seu jeito único de nos acolher. Soy loco por ti, América "Soy loco por ti, América Yo voy traer una mujer playera Que su nombre sea Marti Que su nombre sea Marti Soy loco por ti de amores Tenga como colores la espuma blanca de Latinoamérica Y