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Mostrando postagens de Setembro, 2008

Coisinhas simples que eu adoro...

(It is when in solitude, when you look at the most simple things. It is in solitude, when you enjoy these simple things. It is then, when you look at your own life with a more simple point of view. In solitude, and in silence. in: Mr. Tuli) Há muitos e muitos anos atrás, ganhei um livrinho infantil magnífico com dez coisinhas muito simples que a autora gostava de fazer. Os "deseinhos" lindos e as rimas até hoje estão na minha cabeça. Lembro-me de ter presenteado alguns amigos com ele e também de ter trabalhado em sala de aula uma dinâmica mais ou menos assim: todo mundo deveria escrever 5 coisinhas simples que adorava. Eu fazia isso no início do semestre para que os alunos se soltassem um pouco na escrita e começassem a pensar que um dia poderiam sim ir bem na prova de redação do vestibular. O resultado era sempre algo pra lá de profundo e cheio de ternura.   Penso nesse livro com muita frequência, praticamente toda vez que faço algo assim, super simples, mas que tem m

Nossa noite estrelada

("Noite estrelada", Vincent Van Gogh, 1889) A Lilás deixou comentário super sincero a respeito de meu último post de "gosto amargo". A ela e a quem mais se sentiu com nó ruim na garganta, dedico esse aqui.  Lilás, Há esperança sim.  Somos nós mesmos.  Mais nada. E mais ninguém. Só de nós, Só em nós, mora quieta alguma chance de mudança. Um beijo pra todos vocês e uma terça-feira cheia de coisa boa, como essa poesia do Drummond... ... Viver não dói Definitivo, como tudo o que é simples.  Nossa dor não advém das coisas vividas,  mas das coisas que foram sonhadas  e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer,  apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,  um tempo feliz.  Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos  o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projecções irrealizadas, por todas

A primeira vez que senti medo na Suécia

("Ashes", Edvard Munch, 1894) Há algumas semanas atrás eu estava indo para a academia de ginástica no finalzinho da tarde, quando ainda estava claro e muita gente e carros circulavam pelas ruas. Como de costume, estava perdida no meu mundinho particular e cruzando a ponte do Canal da cidade. E de repente tive aquela sensação estranha que temos quando sentimos que alguém está nos olhando ou acompanhando. Um cara muito grande, largo e alto, meio estabanadão vinha se aproximando de mim. Apertei o passo rapidamente e ele veio mais e mais e senti um arrepio de medo terrível. Parei e saí do caminho dele com o coração num compasso muito acelerado. O grandão loiro e estranho, esbarrou e passou por mim como quem procura por outra coisa. Foi então que percebi que ele falava sozinho. Parecia alguém mais doido com seus botões do que normalmente a gente já é e notei que ele não perseguia a mim, mas estava apenas mais enfiado em si mesmo do que eu. Um outro rapaz estava próximo e pe

Receita de um santo remédio para...

(Eu, papeando com Lujan, enquanto os moleques brincavam na areia do parque, Londres, setembro d e 2008) Depois que escrevi o post a respeito da amizade , na semana passada, a Irene me mandou a belíssima música do Renato Teixeira . Ela disse que foi a lembrança foi automática. O curioso é que na visita a minha amiga, em Londres, a gente também tava ouvindo o Renato, embora não essa mesma música.  Aqui fica a letra e o vídeo para vocês, neste domingo de muito vento, mas sol e céu azul por aqui. E que a gente se aconchegue nos braços dos amigos e das pessoas queridas, porque é um santo remédio para o mau-humor, a tristeza, a solidão e para uma porção de coisas mais. ... Amizade Sincera A amizade sincera é um santo remédio É um abrigo seguro É natural da amizade O abraço, o aperto de mão, o sorriso Por isso se for preciso Conte comigo, amigo disponha Lembre-se sempre que mesmo modesta Minha casa será sempre sua Amigo Os verdadeiros amigos Do peito, de fé Os melhores amigos Não

Voltei! e tô pensando o quanto é bom ter um amigo...

Voltamos de Londres quarta a tarde e ainda tô tentando pôr minhas coisas em ordem.  Tenho muito para falar de Londres, da visita a minha amiga Lujan e de quanta coisa passa pela cabeça da gente numa viagem assim.  Eu já tinha estado em Londres há dois anos atrás, mas daquela vez era só eu e Renato. Dessa vez, com um bebê foi tudo diferente. Tudo novo, desafiador e excitante. A cidade me pareceu não só linda, como louca. Em poucos dias a gente pode viver muito, pode pensar, pode mudar. Por isso eu adoro viagens e talvez por isso, desde que fiz minha primeira viagem sozinha (de Sumaré a Bragança Paulista, tudo no interior de São Paulo) eu sinta isso. Das coisas mais fortes que ficaram da viagem foi a sensação do quanto é valioso ter bons amigos. Visitar minha amiga Lujan , Ted-pai e Théo-baby foi renovador. Eles são o tipo de pessoa que dão tudo o que têm. Eles dão o pouco ou o muito que têm. São o tipo de pessoa que sempre abrem suas portas. Eles não têm amarras, nem apegos, alg

"Everything's gonna be alright", lá lá, lá lá...

(Posando para as "tias suecas" da escolinha, Ângelo, Suécia, setembro de 2008) Foi numa tarde do fim do inverno passado que eu timidamente voltei a fazer academia. Eu nunca tinha sido o tipo de ficar horas malhando e sempre odiei as máquinas em que você trabalha sozinho. Eu adorava mesmo eram minhas aulas de Body Combat e de Yoga que eu fazia aí no Brasil. Por conta da gravidez eu havia parado os exercícios e, aqui, só havia feito uma deliciosa hidroginástica especial para gestantes . E, então, após a minha primeira e exigente aula oficial desse ano, eu me acabei não foi na bicicleta, foi é no relaxamento. Uma música muito pop, das que eu nem tenho para ouvir em casa ( No one, Alicia Keys ) tocava alto na caixa e, ao som do refrão "E verything´s gonna be alright ", com toda a adrenalina correndo nas veias, chorei brasilianamente no tapete de borracha. Em meio àquela gente toda que eu nunca havia visto na vida, em meio a uma experiência que eu sabia me record

"Me paso la vida pensando..."

("A Cigana", Isabelle Tuchban d , 2007) Hoje fiquei dançando com o Ângelo aqui e me deu uma saudade danada de minhas aulas de flamenco no Brasil. Me lembrei especialmente da música " Lo bueno e lo malo " que embalava a mim minha amiga Daníssima nas aulas e, depois nos levava felizes pelas ruas de Campinas de volta pra casa.  Abaixo a letra e lá na "Rádio Atividade" o link com o vídeo... ... Lo bueno e lo malo Me paso la vida pensando en lo bueno y lo malo mi mente está triste me siento algo extraña  mi cuerpo se agota,  mi alma lo nota  de ver en el mundo  mentiras de otras bocas  la loca envidia que trae la mentira palabras tan falsas que por mi mente pasan,  hoy pasan.  El tiempo se pasa,  y los años me cansan  me enervan mentiras  que trae gente vana  el tiempo está en vilo  yo sé que me pasa, mentiras, palabras y todo es una farsa  tengo un momento de ansias mundanas  quisiera decir lo que siento en mi alma  que la vida pasa, hoy pasa.  Y e

Gente que não paga a pena

("Saturno devorando seu filho", Goya, 1820-23, Acervo: Museu do Prado , Madrid) Os suecos esperam em filas gigantes do supermercado, quietos. E não reclamam. Os suecos da minha academia de ginástica gostariam de ter mais aulas a noite. Mas não pedem. Muitos dos suecos ficam irritados quando alguém não cumpre o protocolo ao qual estão acostumados, mas não sabem conversar. Eles são sérios demais e ocupados demais para isso.  E alguns deles, quando isso acontece, mandam mensagenzinhas por baixo da porta da gente. Medrosos, incapazes de resolver qualquer situação numa boa conversa entre vizinhos, eles se sentem no direito de serem agressivos, de expressarem a frustração do mercado, da academia, de muita coisa na vizinha estrangeira. Eles resolvem com bilhetinhos entre vizinhos. Assim são muitos dos que vivem no prédio bem legal onde moro aqui. Noventa por cento suecos. Alguns deles, incluindo o dinamarquês que vive acima de mim, me mandam mensagens grossas, quando desconfiam

Português que te quero ouvir

("La musique", Matisse, 1939) Desde que cheguei aqui, há um ano e meio, toda vez que conheço alguma sueca ou sueco na rua, no playground, num restaurante ou um lugar qualquer, é bem comum eu ouvir os seguintes comentários: - Que língua você está falando? - Português. - Ah... pensei que fosse francês! Ou então, se percebem ou depois de perceberem que não é francês, eles acrescentam: - Nooossa... que lindo ouvir você falar com ele (o Ângelo). Acho português do Brasil uma das línguas mais lindas de se ouvir... E eu? Eu fico toda cheeeia de mim. E toda orgulhosa de falar meu lindo "portuguêsss"!!!

As gerações, as revoluções e as generalizações necessárias

(A beleza de podermos ocupar cada uma o seu lugar... "Chacun à sa place, Isabelle Tuchb and ) I. As gerações e as gerações que se miram naquelas: No último post, Geração x: a geração que pensa demais , eu escrevi dezenas de linhas a respeito do que eu creio ser o maior dilema de grande parte das mulheres da mesma geração que eu, ou seja, as nascidas nos anos 70 e na casa dos trinta. Eu falava da nossa tentativa de lidar com inúmeras exigências que a vida moderna e a sociedade toda nos pede. E refletia o quanto todas essas cobranças vêm de fora ou de nós mesmas e como esse conjunto de coisas reflete em nosso comportamento e nos leva a uma vida ao mesmo tempo excitante, exaustiva e frustrante.  Eu sabia que ao falar desse dilema de forma generalizada sobre minha geração eu estava correndo o risco de cair na generalização que não leva à nada, mas tive que correr esse risco, embora eu saiba que generalizar sempre seja impreciso, mas necessário, em alguns casos.  Me baseei em min

"Geração x": a geração que pensa demais

( Maitena, in: Mulheres Alteradas) Eu simplesmente adorei essa charge da cartunista argentina  Maitena.  Quem me mandou foi minha amiguíssima Dani, que vive em Baden, e que me também me informou que a charge é parte do livro "Mulheres Alteradas" da mesma autora. A verdade é que, há alguns dias, vinha pensando em um post a respeito de uma gostosa conversa que tive com Inga lil , a primeira enfermeira que o Ângelo teve aqui e que acabou por se transformar em uma grande amiga. Depois de meses sem nos vermos, ela passou uma tarde toda comigo e com Ângelo pelas ruas de Lund, onde ela agora trabalha.  Enfermeira há uns trinta anos, ela é mãe de três filhos e é separada do marido, de quem agora é muito amiga e com quem ela viveu por quase três décadas junto, incluindo o tempo que viveram nos Estados Unidos. Nesse encontro, a Inga lil, mulher que eu admiro demais, ficou me elogiando. Me disse várias vezes o quanto estava surpresa pelo Ângelo já estar andando, tentando falar algu

As duas frases mais ditas na Suécia e algumas variantes

(Renato, no seu primeiríssimo dia de trabalho na Suécia e o primeiro dia de neve do ano passado, às 8 da matina, Lund, janeiro de 2007) 1a.   "O tempo está ruim hoje!" "Hum... o tempo não tá nada bom hoje..." "Hoje o tempo tá bem ruim, ontem tava melhor..." "Que nhaca de tempo hoje..." "Ô saco de tempo que tá fazendo hoje... ..." (Eu e Ângelo, no meu barrigon, curtindo um tempo muito bom, Öland, Suécia, julho de 2007) 1a.   O tempo está bom hoje! " Hoje o tempo tá melhor que ontem..." "É... hoje tô bem feliz porque o tempo amanheceu bom..." "Noossa! o tempo tá muito bom hoje!" "Caramba! Que delícia de tempo tá fazendo hoje!"

Domingo em prosa

Na semana passada, a Denise Arco Verde escreveu um post belíssimo sobre a passagem dela por alguns lugares e algumas casas que marcaram sua vida. De Recife, onde teve sua adorada Bia, passando por Estocolmo, na Suécia e Washington, nos Estados Unidos, ela agora embarcou rumo a uma nova, aventureira e enigmática vida em Seul, na Coréia do Sul.  O texto da Denise me trouxe à memória inúmeras coisas, inúmeros assuntos que penso sempre em abordar aqui no Borboleta, mas que sempre dão lugar a outros e outros temas. Entre eles, a falta que sinto de meu pai querido, de sua sanfona chorosa, de suas piadas e de como ele mesmo perdia fôlego ao contá-las; ou sobre o outro lado árduo de viver fora, de deixar casa, pais, amigos etc.  Acontece que, no fim de seu post, a Denise pediu aos leitores que falassem como é essa experiência de mudar de casa e de vida. Do que gostamos e não gostamos, etc. Acabei escrevendo uma resposta num sopetão e, desde então, fiquei com vontade de simplesmente fazer

Visitando o super-ultra-mega discreto zoológico escandinavo

(Ângelo, curtindo o zoológico adoidado com Renato e Babaqui ao fundo, Höör, agosto de 2008 ) Em abril, ainda durante o inverno, mas quando os dias já estavam mais claros, a gente foi passear no Skånes Djurpark , o zoológico de animais escandinavos que tem numa cidadezinha chamada Höör, há menos de uma hora de Malmö. Naquela ocasião eu havia tirado muitas fotos com a paisagem extremamente seca e marron, bem como de todos os animais que consegui enxergar com uma "lupa de colorir" que eu tinha comigo. Apesar de tentarmos, não conseguimos que Ângelo visse um animal sequer. Além dele ainda ser meio pequeno, só deu bola mesmo para os parquinhos e nada mais. Nada de acenar para os bichos, inclusive porque os animais escandinavos são todos eles marrons. Marrons, beges, preto sujo de barro, sendo o mais colorido deles, uma avezinha branca. Chegamos à conclusão, naquela época, que animais escandinavos são como o povo escadinavo: super, hiper, ultra, mega discretos. E então, como a

Madalena, nossa nova companheira.

(Eu e Ângelo, hoje de manhã, saindo para brincar e estudar..., Suécia, setembro de 2008) "Madalena, Madalena, você é meu bem querer. Eu vou contar pra todo mundo, vou contar pra todo mundo que eu só quero você!" Há uma semana troquei as caminhadas e o carrinho do Ângelo por pedaladas. Ganhei a Madalena de presente do Renato e agora é só alegria! Levo 4 minutos para deixar o Ângelo na escolinha e é como se a gente saísse para festa toda manhã. Vamos cantarolando pelo caminho, dando gritinhos de felicidade pelas excelentes ciclovias da cidade. O Ângelo tem adorado e fica todo feliz quando vê seu super capacete. A Madá, foi assim que eu batizei minha amiga, é muito versátil. Escolhida a dedo pelo Renato engenherístico, ela tem lanternas, buzina, um freio de segurança no pedal, pára barro na roda traseira, cadeado próprio e tantas coisinhas que nem sei o quê. Bicicleta aqui não é para pôr no carro e levar para o parque, bike é meio de transporte. A gente usa o dia todo, pra

Foi num dia de verão...

(Paisagem à beira da estrada, indo para Zoológico em Höör, Suécia, agosto de 2008) Este fim de semana foi incrivelmente azul e quente. E, apesar de eu até estar com vontade de ficar em casa um pouco, acabei por concordar com o Renato quando ele me disse mais ou menos assim: - Sônia, logo a gente não vai ter escolha. Quando chegar o inverno, não há como voltar mais, não há como pedir sol, nem pedir um dia diferente. Então, melhor a gente sentir o sol o mais tempo possível, porque ao menos saberemos que não perdemos um dia sequer, quando ainda era possível.  E eu concordei totalmente com ele. Passamos o sábado e domingo, feito os suecos, passeando por zoológico, praia, rolando na areia e na grama com o Ângelo. Pusemos o rosto no sol e ficamos sentindo o calor na pele. É assim que as pessoas fazem por aqui, numa atitude natural, como da flor que se vira para o lado do sol. O fim do verão traz uma coisa estranha pra todo mundo aqui: é como se um grande, muito precioso amigo estivesse