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Mostrando postagens de 2008

Adeus Hábitos Velhos, Feliz Pessoa Nova

(Eu e meus dois nesse Natal, São Paulo, dezembro de 2008) Há muitos anos eu aproveito essa fase de fim de ano para repensar o passado e planejar o futuro. Eu sei que parece clichê, mas comigo funciona que é uma beleza. Ao olhar para o que vivi, com uma certa distância, consigo valorizar certas vivências que me passaram desapercebidas ou consigo não mais supervalorizar outras que me fizeram sofrer, enquanto ainda faziam parte do presente. (No aconchego do lar... Minha mãe, meu irmão e eu, sentindo falta da terceira filha ausente, Natal, São Paulo, dezembro de 2008) Eu e Renato fazemos isso desde que nos conhecemos, há doze anos. Sentamos juntos e meio que fazemos um balanço, num papo bem gostoso e sempre informal. É uma sensação boa começar o ano com alguns planos novos em mente. Esse ano fizemos isso numa saída a noite, enquanto o Ângelo ficava com a tia Dri dele. Tanta coisa mudou e tantos outros valores forams sendo acrescentados aos antigos. Como pai e mãe temos preocupações qu

"La isla bonita": o encontro de Somnia e Madonna na ilha da fantasia

Há uns vinte anos, dentro de meu quarto de adolescente na casa de meus pais, eu cantava (e dançava) escondida "Like a virgin" e "The girls just wanna have fun". Me fantasiava sozinha de Madonna e Cindy Lauper e sonhava em ser estrela nos palcos. Sonhava com tudo que era grande e meus sonhos provavelmente se pareciam com os de outros milhares de adolescentes e jovens da mesma época. Eu sempre soube que a gente facilmente se mira em algumas estrelas de cinema e televisão quando é jovem e é difícil ir tomando as rédeas da própria realidade e deixando a vida fantasiosa de lado. Na sexta-feira passada, entretanto, pulando lá do alto da arquibancada do Morumbi, olhando meio "de igual pra igual" para uma das estrelas de minha adolescência e para a noite quente e azulada de São Paulo eu tive mil pensamentos adultos e muitas outras fantasias de criança novamente. Quem me comprou o ingresso para o show da Madonna foi minha cunhada Dri e foi de última hora que al

''Meu Brasil brasileiro, vou cantar-te em versos...''

(Passatempo predileto das férias: ouvir histórias do Sr. Angelinho) Estou por aqui curtindo um calorzinho básico aqui. Teve direito a 36 graus antes de ontem e um mormaço quente hoje na praia, apesar da chuvinha. Ainda assim, a loucura é que o pessoal aqui tá achando que está meio ''friozinho''... Curti e tenho curtido o carinho, a comida e a companhia amorosa da mãe e dos irmãos, cunhadas, sogra e sogro. Recebi amigas adoradas em casa, consegui tomar chop com outros amigos, comprei legume e fruta fresquinha, tô usando vestidinho fresco todos os dias e minhas havaianas. É tão incrível ter o sol e a claridade todos os dias que a gente esquece o que significa isso. Sinto-me uma gringa na praia maravilhosa onde estou agora... Canto sozinha na areia, olho para o mar e agradeço o dia. Algumas coisas continuam sendo impossíveis, como dormir até mais tarde, porque nosso despertadorzinho acorda muuito cedo. Também não consigo me sentir totalmente relax, porque virei uma cha

Eu só quero que você fique sempre por aí...

(Marc Chagall, Traum der liedenden) Quando Sonildes desceu as escadas rolantes do aeroporto em direção onde estariam suas malas, ela estava sinceramente empolgada com o reencontro com o seu amado Brasil . O rapaz havia lhe garantido que estaria esperando por ela no saguão, então, Sonildes até fantasiou rapidamente uma cena piegas e deliciosa: ela pularia no colo de Brasil e daria muitos beijos em sua bochecha morena. E ele, como ela já bem conhecia, provavelmente daria algumas voltas com ela no colo, pegando-a com força e paixão. Se Sonildes sabia que não era merecedora de tanto amor gratuito assim, ela também sabia que Brasil estava com saudades e que não pensaria duas vezes em faltar do trabalho naquela manhã para pegá-la no aeroporto. Não foi bem assim, entretanto, que as coisas aconteceram. O olhar de Sonildes procurou pelo saguão todo algumas diversas vezes e nada encontrou. Na euforia a namorada infiel esqueceu que se Brasil era apaixonado e fiel ele era também esquecido e

Nevando, nevando, nevando...

( Snow) Tomei uma chuva danada de gelinho para ir comprar pão no mercado aqui perto e agora está nevando bastante lá fora. Flocos de neve gigantes, lindos de se ver caindo e de sentir na pele. O "barulho" da neve caindo também é uma experiência mágica.  Vou sair agora e resolver as últimas coisas e como não tenho tempo para fotografar, vai essa foto super artística aí acima para vocês. 

God Jul pra todos! God Jul pra todos!

("Feliz Natal e Bom Ano Novo", Olle ) Eu sei, ainda estamos só no início de dezembro e faltam quase três semanas para o Natal. Acontece que eu já estou total no clima de Natal, apesar da chuva que tem caído aqui em Malmö. E o fato de estar ansiosa com a viagem me faz tagarelar mais e mais, apesar de tanta coisa para fazer. As ruas da cidade estão iluminadas e enfeitadas, tais como as lojas todas. As pessoas estão pelas ruas passeando ( de preto , claro!), comprando algo ali e acolá, tomando chocolate quente ou glög e mandando ver nos quitutes da feirinha de Natal que fica entre o canal e a praça Gustav Adolf. Eu estou louca para passar o Natal com a família, mas também sinto de não poder curtir mais essa época por aqui. Sabe aquela atmosfera que a gente vê em filmes infantis que passam o dia todo na TV em época de Natal? É mais ou menos parecido e é uma delícia.  Depois que a gente conhece bem a paisagem daqui no inverno, entende porque o Natal europeu ou dos países fr

"Vou voltar na Primavera e era tudo que eu queria..."

(Foto de Flávio Cruvinel Brandão ) Amanheci cantando essa música, que eu conhecia na voz do Kleiton e Kleidir . Aqui dia muito escuro e chuvoso. Muita coisa por fazer, mas uma felicidade tamanha. Depois de quase nove meses vamos reencontrar a Primavera e todas as flores que amamos.  Vira virou "Vou voltar na primavera E era tudo que eu queria Levo terra nova daqui Quero ver o passaredo Pelos portos de Lisboa Voa, voa que eu chego já Ai se alguém segura o leme Dessa nave incandescente Que incendeia minha vida Que era viajante lenta Tão faminta da alegria Hoje é porto de partida Ah! Vira virou Meu coração navegador Ah! Gira girou Essa galera. Vou voltar na primavera E era tudo que eu queria Levo terra nova daqui Quero ver o passaredo Pelos portos de Lisboa Voa, voa que eu chego já Ai se alguém segura o leme Dessa nave incandescente Que incendeia minha vida Que era viajante lenta Tão faminta da alegria Hoje é porto de partida Ah! Vira virou Meu coração navegador Ah! Gira giro

Quer mais sobre a Suécia e a Escandinávia?

(Que tal um cruzeiro pelos fiordes na Noruega ?) Se você tem curiosidade de conhecer mais sobre a vida, os costumes e a natureza da Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia ou Noruega, acabo de inserir alguns novos links de sites super bonitos e bacanas, do lado direito do blog. Eles serão permanentes e poderão ser consultados toda vez que você tiver a fim.  Dois deles, o  Scandinavia, Tourist Boards e o  Visit Sweden,  são de turismo e estão nas línguas locais e em inglês. Neles você encontra imagens belíssimas dos países escandinavos, informações sobre hotéis, sobre as cidades mais visitadas, seu povo e seus costumes.  Se você não pretende tomar um avião e rumar por essas bandas para conferir o que eu falo, você também está convidado a fazer um tour virtual, porque as imagens já pagam a o investimento de tempo. (ou caminhar e passear de barco pela bela Estocolmo, na Suécia ?) O terceiro deles talvez lhe agrade ainda mais, porque está em português e é uma novidade bem legal. O

Boas e más notícias, quais vão primeiro?

"Em perfeito equilíbrio, Guyer Salles As más: 1a. Pegamos o tal virus " influenza ", danado de ruim, e passamos muito mal essas duas semanas. Eu, Ângelo e Renato. Até perdemos uns quilinhos... Por aqui, o problema não é passar frio, é ficar no escuro e doente.  2a. Fiquei sem condição de responder os comentários na semana que passou. 3a. O blog não poderá ser atualizado com tanta frequência nas próximas semanas, porque a Dona Barbuleta aqui vai alçar vôo para o Brasil, de férias. 4a. Não sei se terei internet lá, entonces, vou tentar postar aquelas sensações impossíveis de não serem colocadas, através da rede de algum bom samaritano. As boas: 1a. Estamos melhor, passou aquelas sensaçõezinhas suaves e adoráveis, tais como diarréia louca, vômito, ânsia, tontura e dor no corpo parecendo que ia morrer. E como perdemos um pesinho dá para chegar mais elegante no Brasil veronil pra pôr os biquinis sem tanta verguenza. Agora eu e Ângelo estamos parecendo duas dragas ma

A história de Preta e Branca e sobre o amor não dito

(Eu e minha irmã Sandra, talvez com seis e quatro anos de idade, posando assustadas para os fotófrafos de rua, Sumaré, 1977-78) Não sei exatamente quando meu pai decidiu adotar os apelidos "Preta", para minha irmã , e "Branca", para mim, só sei que quando me lembro da gente criança eu me lembro de meu pai nos chamando assim. O apelido tanto de uma, quanto de outra, não ficou. O que ficou, ao menos em mim, foi a lembrança de que todas as vezes que meu pai queria ser muito carinhoso conosco ele nos chamava assim. Lembro de ter usado "Preta" para falar com minha irmã, em ocasiões especiais, como em seu aniversário, em comemorações do fim do ano etc, numa tentativa de expressar a mesma intensidade de amor que eu sentia que meu pai o tinha feito no passado. Quem ele amava mais? De quem ele cuidava mais? Quem ganhava os presentes mais bonitos? Quem levava menos bronca da mãe e do pai? - "A Sandra!", diria a Sônia pequenina. - "Não! É a Sônia&

Para Sonildes agora é tempo de Brasil

Dentro muitas dúvidas cruéis, uma Sonildes não tem: quando Suécio se torna muito frio, é hora de se jogar nos braços de Brasil, com quem ela encontra o calor que precisa.  Depois de umas semanas sentindo o gelo de Suécio, aquele jeito estranho de novo de ser, aquela maneira de fazer esquecer o quanto ele pode ser carinhoso, amável e caloroso, Sonildes pensou que é hora de se entregar a Brasil por umas semanas.  Ela havia dado uma desculpa esfarrapada para o coitado do Brasil e estava no Rio com Suécio há algum tempo. Compreensivo, Brasil esperou esse tempo sem reclamar. Apenas dizia: "quando é que você volta? Estou com saudades!" E Sonildes saía escorregadia: "Logo, meu amor, assim que acabar o trabalho nesses eventos todos!".  E assim ela curtiu quietinha esse tempo com o belo Suécio. E curtiu sua casa colorida, seu jardim cheio de flores amarelas, seus amigos cheios de conversas gostosas. Entretanto, como todo mundo já sabe, a moça anda mesmo sem saber o qu

O tempo, a natureza e as mudanças: das coisas mais difíceis e bonitas da Suécia

A esquina de casa sábado passado, 23 de novembro de 2008, zero grau. A esquina de casa há quatro semanas atrás, 12 graus. Outubro,  de 2008. A esquina de casa, há oito semanas atrás, setembro, de 2008 - 22 graus. A esquina de casa, há seis meses atrás, maio de 2008 - 15 graus

A história de um amor côncavo e de outro convexo

("Equestrienne", Marc Chagall, 1931) Sonildes nunca fora alguém que se decidisse fácil pelas coisas. Não que ela não soubesse exatamente do que gostava, ela sabia, mas gostava de muitas coisas. E de coisas normalmente muito diferentes uma da outra.  Entre suas dúvidas mais cruéis sempre estava a dúvida do que comer num restaurante, por exemplo. Sonildes ficava horas tentando escolher algo no cardápio e olhava com aquela cara de "Ó... não acredito! O seu parece mais gostoso que o meu..." para quem estivesse com ela. No trabalho e nos estudos, o mesmo. Sonildes era garçonete de uma grande empresa de eventos e vivia fazendo "bico" nos fins de semana. Não se tratava apenas de ganhar uns trocados, mas de fazer algo diferente e divertido. Durante o dia dividia o tempo terminando um curso de psicologia e trabalhando como suporte técnico numa empresa de informática.  Era exatamente nesse seu lado cheio de incertezas que Sonildes pensava, enquanto ensaboava o

"Quem é você? Diga logo que eu quero saber..."

(No dia do aniversário... ) Olá gente toda que mandou recadinho no post sobre os 30.000 visitantes.  Publiquei comentários de muita gente, super demais, que está sempre por aqui, mas bateu atrasada no cronômetro. A coisa curiosa disso é que vocês podem ver lá recados de muitos visitantes queridos, mas não o do visitante 30.000. Eu ia deixar batido, sabe? Ia fazer de conta que não tinha colocado aquele post e dava um de "John Arm less". Acontece que muita gente me perguntou sobre o misterioso, ou seria tímido, ou seria desatento, visitante 30.000. E eu não tenho como deixar de dizer a verdade.  Aconteceu de novo a mesma coisa. Adivinha quem foi que bateu em nossa porta naquele exato momento 30.000? Sim, sim benhê... Você adivinhou rápido. Foi ela mesma, nossa querida Vivi. Ou Vicky. Ou Vitorinha, como preferir. O único problema é que a Vivi fica com esse negócio de anonimato e essa coisa medrosa de aparecer. Lembram de quando ela foi a visitante 6.000 e precisei falar tud

Meu querubim

(Eu e meu Ângelo, dançando, felizes da vida, em festa brasileira na casa da Mônica e do Conrado, Lomma, outubro de 2008) Meu Anjo Sim Não sei se tu tens um anjo Que eu tenho um anjo sim Meu anjo é um pequenino Que agora vai dormir Dorme meu anjo lindo Meu menino serafim Que o sono vem vindo Pra levar você de mim Porque está na hora Na hora de dormir Dorme meu pequenino Dorme meu querubim (Palavra Cantada, Composição: Sandra Peres/Zé Tatit)

Dicas mil: vida prática na Suécia - Escola infantil

(Aluninho do Klara Förskola) A querida e corajosa leitora Janaína Pesci, uma brasileira que está vindo morar em Estocolmo, deixou um comentário no post "Eram quatro horas..." e me fez algumas perguntas: "... Sou brasileira e mãe de três filhos (Felipe 4 anos, Murilo 2 anos e Nina 1 ano) e meu marido recebeu uma proposta para trabalhar em Estocolmo. Tenho muitas dúvidas é lógico, pois estaríamos indo com 3 bebês ... Gostaria de saber, se com visto de trabalho e permanecendo apenas 6 meses no país, meus filhos teriam o direito de frequentar escolinhas públicas ..." Sim Jana. Com visto de trabalho, todos os seus três fofíssimos poderão ir à escolinha pública. Com o visto vocês terão uma identidade sueca, isto é, uma carteirinha com um número pessoal que lhe dá direito a todo assistência e serviço público daqui. Se seu marido vem vindo por alguma empresa grande, eles provavelmente resolverão tudo isso para você. Com essa idade todos eles irão frequentar o mesmo tip

Quem bate? É o visitante número 30.000?

Dê uma olhada no contador do lado direito e veja se você é o visitante número 30.000. Deixa aqui um recado, deixa! Conte quem é você, mande uma foto ou mais o que quiser. Temos curiosidades mil a seu respeito. O que faz, como vem parar aqui nessa porta.  Será um prazer contar um pouco de você no próximo post e agradecer aos outros todos homenageando um de vocês. Hasta la vista baby e parabéns, hoje deve ser seu dia de sorte!!!

Sentados à beira do rio...

("No banco do Sena Rio, Bennecourt", 1868, Claude Monet) Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos...) Fragmento do poema de Fernando Pessoa (Ricardo Reis) ... Esses dias tenho escrito pouco e não tive tempo para responder os comentários atenciosos de alguns de vocês. Terminei o primeiro post da série "Dicas mil" e respondi agora os comentários dos textos antigos. Com isso, tomei as mãos de quem me escreveu e sentei à beira do rio... é assim que eu me sinto quando leio o que vocês me escrevem. Sinto que não estamos sentados sozinhos à beira do rio.  Ao contrário, em tantos momentos, sentamo-nos à beira do mesmo rio, enlaçamos carinhosamente nossas mãos, apesar da distância, e ficamos a fitar o curso dos mesmos sentimentos e acontecimentos. Adoro quando isso acontece. Quando, sentados, a

Dicas mil: vida prática na Suécia, "uma mão lava a outra"

É interessante como a gente se adapta rápido às coisas e aos lugares. Logo que desembarquei nessas terras, há um ano e meio atrás, a Suécia e a vizinha Dinamarca me pareceram tão mais diferentes, estranhas e desafiadoras do que hoje. Sinto que, com o tempo, fui me familiarizando com quase tudo e acabando por me esquecer de como os primeiros passos foram difíceis mim e para o Renato no começo. Acontece que sempre tem alguém legal me escrevendo, em posts recentes ou antigos, e me perguntando sobre alguns detalhes da vida aqui. Alguns me pedem dicas e têm questões muito parecidas com as que eu tinha antes de vir ou me decidir a vir para cá. Outros me perguntam sobre o sistema de saúde, sobre educação escolar, ou tentam partilhar experiências como o parto na Suécia etc. Essa semana, depois de mais um desses comentários, acabei fazendo uma lista mental de quantos inúmeros itens eu poderia escrever, tentando dar algumas dicas -talvez óbvias para quem já vive aqui, mas extremamente difícei

Eram "quatro e quinze da noite" quando tudo aconteceu...

Eram quatro e quinze da "noite" no relógio escandinavo... - quando a gente saiu do playground e parou nesse Café escuro, em frente de casa, quinta feira, para tomar um leite com chocolate, junto do Iven e da Nikol. - quando a gente preparava o jantar das cinco e meia para receber nossos amigos suecos Paulina, Babaqui e Kian, sábado passado... - quando Ângelo estava todo pulante na minha cama e a chuva e o dia caíam pela janela.  - quando encerramos o passeio do dia e deixamos o frio pro lado de fora... No outono sueco em que só se vê alguma luz do sol lá pelas oito ou nove da manhã e a noite chega as quatro e meia da tarde, a vida acontece sempre a qualquer hora da noite ou de uma quase noite.  Outono parece tempo de dormir com as árvores...

”Obama är snygg och solbränd”: Por que a Suécia não é um bom lugar para se aprender sueco?

A Suécia não é um bom lugar para se aprender sueco porque... quase todo sueco ou sueca também fala inglês, além de sua língua materna. Inglês bonito e fluente. Toda vez que mando ver meu suequinho "feloso" (feinho, essa palavra é uma invenção portuguesa minha) neles, recebo as respostas num sorridente inglês.  Há algumas gerações, os suecos têm oportunidade de estudar ao menos duas línguas diferentes na escola. Escola pública, é bom lembrar. A maioria fala muito bem o inglês, incluindo muita senhorinha de oitenta e tantos que fica tentando falar comigo em inglês. Tão bonitinho.  O inglês é obrigatório e o aluno tem a opção de escolher outra língua dentre algumas oferecidas, como o alemão, o francês e o espanhol que são bem comuns aqui como terceira língua. Além de ser mais fácil para eles falarem inglês com a gente do que a gente falar sueco com eles, muitos adoram treinar o inglês para as férias de verão ou para o futuro. A caixa do supermercado, o técnico da máquina d

Que jogo você prefere: "Just Ping" ou "Ping Pong"?

(Parece que como eu, ela não resiste a jogar um " Ping Pong ") Nikol , uma querida amiga que fiz aqui, usa uma expressão divertida para me explicar o que ela sente por determinados tipos de pessoas.  O tipo número 1 é aquele que irrita porque, numa conversa por exemplo, faz com que o jogo seja apenas "Ping", quando você tá louco para que seja "Ping Pong". É aquele que não faz a conversa render porque é tímido, ou porque tem preguiça ou porque é chato demais e acha qualquer assunto sem graça. Uma conversa típica com o número 1 seria: - Noossa! (diz você para ele, com cara de surpresa e de simpático) Você trocou a decoração dessa sala não foi? Está super bonita! Ao que o sujeito responde sem mudar suas feições: - É, troquei.   - Ahnnn... É... e você disse que estava fazendo um curso novo não era? Super legal, porque é bom mesmo pôr a cabeça pra funcionar... - ahã... É... (Continua ele com cara de jogador desinteressado). O número 1 faz você fazer o pape

O que e quem vive em mim

("Aniversário", Marc Chagall, 1915) Ontem foi dia de finados (acho muito feia essa palavra) aí no Brasil e aqui também. Contrariamente a alguns anos em que eu me lembrava bem dos amigos perdidos e do pai querido, eu não senti tristeza alguma. Lembrei deles com carinho, fomos passear, ri, comi, fiz tudo que faço num dia qualquer. Na sexta feira, eu ri olhando para uma melancia na feira daqui, quando me lembrei do povo todo vendendo melancias em caminhões perto do cemitério de Sumaré, quando a gente era pequena. Para uns dor, para outros, festa. Mas a verdade é que quando a gente perde alguém tão próximo, por um bom tempo é como se arrancassem de você uma parte do seu corpo. E não há um minuto sequer que você não sente aquela dor da dilaceração. Falta algo em você e não há como não chorar ou não ficar triste. E por mais que todos ao seu redor digam palavras consoladoras, a dor parece infinita e infindável.  Hoje, aqui, brincando com o Ângelo e o Re, sentindo falta de meus