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Mostrando postagens de Maio, 2011

"Yo estaba bien por un tiempo...": acerca de nossa insistente angústia com o futuro

(Rebekah Del Rio, LLorando, versão para Crying , Roy Orbinson, para filme Mulhohand Drive , Cidade dos Sonhos) Ontem, fiquei sabendo pelo blog de Glorinha , que Renata , 45 anos, uma blogueira a quem eu não conhecia, faleceu vítima de um infarto. Seu último post foi a respeito do tempo, de sua angústia e incapacidade em controlá-lo. Fiquei numa tristeza estranha, profunda, mesmo sem nunca ter dela sabido. Provavelmente por ser ela alguém comum como a gente. Triste por ter tido seus sonhos lançados ao vento e pela dor de sua família. Num dia assim a gente se sente indefeso e percebe que a vida é sim muito frágil e fugaz. O futuro totalmente incerto. O que nos resta então? O agora. O nosso e o daqueles a quem amamos. Subitamente hoje acordei muito feliz, mais feliz do que normalmente sou, munida de uma felicidade necessária e pondo em dia minha lista de coisas das quais não desejo serem arrancadas pelo tempo. ... Llorando (versão espanhola de Crying) Yo estaba bien p

Na Suécia também não tem... bebê com brinco na orelha

("Não tem brincos: é menino ou menina?", criança sueca posa para grife Polarn O. Pyret ) Nove em cada dez vezes que alguém no Brasil tenta ser simpático com uma grávida ou alguém com um bebê de colo a pergunta é sobre o gênero da criança. Menino ou menina? Já repararam? Embora essa pareça ser a única pergunta possível para tanta gente, a verdade é que ela diz muito sobre nosso modo de ser e pensar e a importância que damos ao sexo e a escolha sexual de uma pessoa. Tomemos outra situação: quando alguém olha para um bebê menino nas ruas no Brasil você acredita que haja alguma expectativa quanto a algum sinal, uma marca, deixando claro e evidente se tratar de um menino? E quando encontra uma menina? Bom, fato é que nossa menina Marina agora tem 8 meses e eu simplesmente não tenho condições de contar as dezenas de vezes em que fui parada nas ruas em São Paulo por alguém perguntando se tratar de uma menina ou de um menino.  Até aí nenhum problema! Bebês no começo não tem

Crescer dói

(Peraltices no jardim, Ângelo, S. Paulo, maio de 2011) Semana passada no tapete preto fofinho da sala, rolávamos eu, Marina e Ângelo. De repente, uma conversa filosófica: - Mamãe eu sou maior do que a Marina! - É sim Ângelo. Bem maior! - E a Má vai crescer e ficar do meu tamanho! - Vai sim meu amor, mas aí você já vai ser bemmmm grandão! - Nãããooo..., indignado. - Vai sim..., rindo. - Mas eu não quero!, decidido. - O que você não quer? - Eu não quero crescer mamãe! se aconchegando nos meus braços com voz desolada... - ... mas Ângelo... todo mundo cresce meu amor... A mamãe também era pequena e cresceu, o papai... todo mundo... É legal crescer também porque a gente pode fazer um monte de... - Não! Eu não quero crescer! Eu não vou crescer mamãe..., decide ele, embora sabendo que sua decisão não lhe daria tais poderes, e me abraça bem apertado. Ah! Se eu pudesse parar o tempo...

"Faltando um pedaço" ou machismo tem cura?

("Faltando um pedaço", Djavan) O segundo episódio de SOS Casamento colocou na arena sexta-feira passada um casal cujo modo de se tratar era tão desolador que me deixou com uma pulga bem grande atrás da orelha: é possível curar o machismo em uma pessoa? Sérgio é o tipo de homem quem põe tudo dentro de casa, no sentido financeiro do termo. Andréa, a responsável única pelo cuidado da casa e dos filhos. Os dois parecem ter se conhecido e fundado sua família no mesmo alicerce que nossos avós e também os meus pais ainda fundavam e pareciam também ter funcionado por um bom tempo até que tais papéis foram sugando o indivíduo existente em cada um. Um modelo ainda bem primitivo de relação se se tomar em conta a forma como Sérgio encara sua esposa e a família: como ele paga pelo sustento deles ele acredita que tenha posse sobre eles e que estes devem, portanto, agir conforme suas expectativas. Andréa, por outro lado, cumpre bem o papel de esposa submissa, pois por mais que reclame

É possível ter a vidinha de Malmö em São Paulo?

("Casa no Campo", Elis Regina e Zé Rodrix) Hoje de manhã saí empurrando Marina no carrinho a todo vapor para vaciná-la contra a gripe e voltar antes de Renato sair para trabalhar, já que Ângelo está em casa gripadíssimo. Foram só uns 3 minutos caminhando, mas muitas coisas me vieram à mente sobre como temos tentado trazer um pouco da vida calma, super pacata levada em Malmö (+- 273.000 habitantes), na Suécia, para a nossa nova casa em São Paulo que é nada menos do que a quarta cidade mais populosa do mundo só perdendo para as cidades de Tokyo, Seul e México. Se é impossível? É bem difícil inclusive porque a maior parte dos itens responsáveis para se ter realmente qualidade de vida, como segurança por exemplo, não depende exatamente de um desejo ou uma postura apenas nossa. Entretanto é sim possível reproduzir algumas atividades e se adequar para não se sentir tão frustrado e ser mais feliz com o que se tem. Alguns exemplos dos quais me lembrei na rápida caminha de hoj

Síndrome de Homer, episódio no. 2: A Rainha do Fora

Vejam bem se vocês não vão concordar comigo... Depois do recente episódio do carro no estacionamento , ontem, eu respondia um email cujo título era " parei no tempo e no espaço " de minha amiga Xu, quem eu conheci na Suécia, mas agora vive no Japão e tem andado muito atarefada, viajada etc. De minha parte eu tinha outras razões. Muito cansaço, noites mal dormidas etc não são novidades para quem tem criança pequenininha em casa. Certo? E duas crianças, durante o inverno (ainda que seja inverno no Brasil) então? Tem trabalho de montão, cansaço demais e sono de menos. Eu, entretanto, não perco a compostura e tentava ter com ela uma conversa (escrita) de gente normal... foi aí quando emendei uma frase dizendo como o lance do vulcão recente do Japão deve ter tirado o sono dela etc etc... Vulcão? Não... "não aconteceu nada com vulcão nenhum (por enquanto) por aqui... foi SÓ terremoto e tsunami, respondeu ela com um monte de kkkkkkk junto. Foi aí que me dei conta! Eu s

Na Suécia também não tem... problema de dar de mamar em público

( Amamentando Ângelo em praça na frente de Museu em Göteborg, Suécia, 2007) Provavelmente vocês também ficaram sabendo do " Mamaço ", uma manifestação feita por mais de 50 mães no Itaú Cultural como protesto à proibição sofrida pela antropóloga Marina Barão de amamentar seu filho no local, em março passado. A notícia me trouxe à tona novamente algo que sempre me marcara na vida na Suécia e da qual por muitas vezes pensei em trazer para vocês: a questão da amamentação em público. Ângelo, meu primeiro, nasceu lá, como vocês também sabem. E talvez o fato de ter aprendido a ser mãe e aprendido a amamentar por lá tenha me dado um desprendimento para amamentá-lo em público ao qual infelizmente muitas mulheres brasileiras são privadas. Declarada ou mascaradamente. Por um ano e meio eu andei pela Suécia, por suas inúmeras cidades, restaurantes, bares, museus, shoppings e praças públicas. Por onde quer que ia não havia nenhuma dúvida. Ângelo com fome, eu sacava o peito de onde ti

Prefácio Esperançosíssimo

(Lhasa de Sela, Rising ) "Havia uma tristeza que eu não sabia ao certo de onde vinha. Um medo latejando bem no centro do peito Que ardia. Havia um nó de marinheiro na garganta Gasta, de tanto gritar. As mãos trêmulas e pernas que não obedeciam. Estáticas. Presas ao solo que se desfazia. Havia granizo, vento, vidros, lascas, pulsos, corações, fragmentos Explodiam. Numa fração de segundo me dei conta, tentando me apoiar no vazio. Era o mundo. O meu. Que ruía." Trecho de " Ele não sabia dançar ", Ed Cruz . "Ed Cruz tem uma chaga aberta. Seu coração pulsa e pulsa num peito aberto. A vida quase não lhe cabe. Tudo é intenso demais, porque viver não é simples. Nas páginas de "Ele não sabia dançar" temos o encontro com seu Eu mais verdadeiro. Talvez um pouco fantástico, mas Ed Cruz só sabe ser com intensidade. Chega a São Paulo fugindo da quase mutilação que uma vida no interior paulista poderia lhe proporcionar, mas é para lá que o Ed sempre volta. A v

Ghost blogger

(Eu sou o fantasma do Blogger e vim para assombrar sua vidinha virtual... uaahahaha) Pessoal, Ceis devem esstar sabendo do pane do blogger que fez desaparecer posts de vários blogs conhecidos e também comentários. Não sei quanto aos posts anteriores, mas ao menos no último deles " Amor e ódio caminham juntos " sumiram vários comentários, além do que o sistema apagou todas as modificações e inserções que moá havia penado para inserir ontem e antes de ontem. Os botões do facebook, aquele monte de dedinho levantado dando okey (não outra coisa não) e os retwitter tudo escafedeu-se. Me disseram também que o "Borboleta" tá abrindo e travando. Adianto: não é culpa minha! A culpa são dos fantasmas do Blogger quem continuam assombrando nosso mundinho. Isso tudo me fez lembrar uma conversa tida com Guru Renato tempos atrás: se um dia o meu blog, os posts etc poderiam simplesmente desaparecer e serem substituídos por outra coisa ou perdidos. Lembra? A resposta dele me f

Amor e ódio sempre caminham juntos: por que "SOS Casamento" ainda funciona?

("O abraço", Gustav Klimt, detalhe de "A árvore da vida", 1905-1909) Em meio às eternas brigas entre meu pai e minha mãe durante toda minha infância lembro-me bem de uma trégua dada, logo depois dos dois terem participado de um "Encontro de Casais", organizado pela Paróquia da cidade onde morávamos. Depois de sangue, suor e lágrimas para convencer meu pai (20 anos mais velho que ela) a participar daquele fim de semana, encontrei pela primeira vez, em minha ainda curta vida, os meus progenitores emocionados pela mesma causa. Minha mãe visivelmente feliz vinha de mãos dadas com aquele estranho homem em cuja face eu reconheci meu pai. Recebi deles, primeiro dele, um forte e amoroso abraço. Dela, um olhar quase confirmando "sim! deu certo!". Parecia a salvação do casamento dos meus pais e, ao menos foi, se não ao meu olhar, creio que foi ao deles. Foi curioso como este episódio me veio à mente, após ter visto " SOS Casamento &qu

A grama do vizinho ou "El sueño de la razón produce monstruos "

("O sono da razão produz monstros", Francisco Goya, 1799) Você de vez em quando tem a ligeira impressão de que todo mundo dá conta de tudo menos você? Eu tenho. Lembro-me sempre da sensação horrível que me invadia quando, recém chegada na Suécia, saía às ruas de Malmö com meu bebê recém nascido no carrinho e dava de cara com aquelas mães suecas seguras, louras e esguias, bonitonas e descoladas, empurrando os seus bebês perfeitinhos, silenciosos e passando por mim com pinta de quem resolvia tudo-sozinha-sim-obrigada! Por um instante ao menos eu as odiava. O tempo passou e também me lembro de ao fim dos quatro anos ter um dia passado por uma mãe descabelada, cansada, perdida com os berros do bebê no carrinho. Senti por ela, mas sorri para mim mesma porque daquela vez eu era a mãe toda bonitona, segura de mim, pedalando com meu menino pelas ruas e cantarolando com ele. Pois é. A grama do vizinho nem sempre é a mais verdinha! Apesar de já saber disso, tal sensação de "

Neuras, neuroses, neuróticas: Dani nariz de batatinha

(Olhando para essa pele, esses olhos, esse sorriso e essa barriga confessem que vocês só reparar é que ela tem nariz de batatinha dela vai!) Em dezembro de 2010 publiquei um post " Neuras, neuroses, neuróticas " convidando vocês a escreverem sobre as baboseiras ditas pelo mundo, pelas pessoas distantes e as mais próximas, as quais lhes põe uma correntinha fazendo de vocês (e eu também) gato e sapato delas. Todas aquelas exigências básicas do dia a dia como ser bonita, hetero, competente, bem sucedida profissional e financeiramente, independente emocionalmente, simpática, boazinha, atraente, carinhosa, responsável, tudo isso obviamente combinado com ser magra , são apenas alguns itens da lista incontável de desejos e obrigações impostas a nós todos os dias de nossa curta existência. Tais qualidades, embora impossíveis de serem todas encontradas ao mesmo tempo numa única pessoa, são vendidas por diversas fontes (incluindo hoje em dia o amante de todos, facebook) como algo