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Mostrando postagens de Setembro, 2010

A Chuva... "Tillbaka till samtiden"

(Das paisagens que nunca mais sairão da minha cabeça, Småland , setembro de 2009) É noite. Me acalento no som intenso da chuva que cai. Retorno à infância, quando costumava deitar-me sob as cobertas em dias chuvosos e sorrir no escuro sozinha. A chuva caindo assim tão pesada é algo mais brasileiro do que a caipirinha e o carnaval. Adoro. Há pouco tinha em minhas mãos um longo e caprichado encarte de uma banda sueca, Kent , presente que um amigo querido ofereceu ao Renato antes de nos desperdirmos. Algumas fotos abstratas feitas a partir de paisagens suecas, a dedicatória escrita em inglês, na letra corrente do amigo alemão - "Eu lhe desejo tudo de melhor meu amigo, obrigado for todos os momentos bons..." - deixaram meus olhos marejados... A água da chuva, a água em meus olhos... O passado, o presente... (De momentos que adorarei lembrar, a assanhada e a tímida, Xu e Nikol ao som de Dominguinhos, festa do Midsommar na Casa Nova , julho 2009) Sinto tão verdadeiramente

Brothers and sisters... Ângelo e Marina

(Na saída do hospital, com a roupa vermelha da sorte, dada pela tia Dri, S. Paulo, Marina, setembro de 2010) A nova fase começou. Estamos em casa desde terça-feira, depois da Marina ser liberada do banho de sol contra icterícia. Ela é calma e serena. Nem sequer chora. Faz uns barulhinhos ou dá uns gritinhos solos se é hora de mamar ou de ser limpa. Estou me recuperando dos inconvenientes do pós parto e tudo caminha muito, muito bem. De tudo só tenho a agradecer, inclusive ao carinho de tantas de vocês aqui... Confesso que dá uma coisa tão boa toda vez que vejo no meu email algum recado novo no blog. O Borboleta continua a ser muito bom em minha vida. Só me falta agora sentar e escrever os posts que estão na cabeça... Estou feliz que só! E de tudo, ver o amor do Ângelo pela irmã, o jeito como fala com ela e quer protegê-la é indescritível. Até agora o ciúme se revela em pequenos gestos, como querer que eu faça tudo para ele ou como ontem ao pedir que eu me deitasse com ele em sua

Bem-vinda Marina!

(Marina, que nasceu ontem as 8:11 da manhã, São Paulo) Sem tempo para delongas, mas com algum para partilhar a alegria de termos aqui berrando no quarto, Marina, embora a foto de irmã de angelinha acima negue o que digo... De parto normal, 3 kilos e 48 cm, chegou ontem, 9 dias antes da data chegou quem tanto a gente esperava! Beijo enorme para quem sempre esteve aí mandando energias super positivas! E bem-vinda Marina! (Como é que eles podem sair tão prontinhos?, eu, Marina e minha vã filosofia, setembro de 2010)

O que você vê nessa obra? "Bleu", Somnia Carvalho

("Bleu", Somnia Carvalho, Malmö, maio de 2010) Lendo o comentário da Dani no post abaixo, Bleu , e suas "viagens", sensaçães acerca do que vê na tela que postei, fiquei com desejo de recuperar aquela antiga série de reflexões de pinturas e obras de arte e perguntar: " O que você vê nessa obra ?" Essa é a primeira vez que coloco uma tela minha na série. A a última foi uma de Munch, " Garota na Ponte ", a qual teve bastante participação. Minha motivação é apenas e tão somente a curiosidade de entender o efeito de cores, composições, idéias e o efeito da arte em cada um de vocês. Saber como algo que criei pode ou não afetar as pessoas. Se passa em branco, se faz pensar, se irrita, incomoda, se faz refletir. É claro que se alguém disser que gostou da tela é bom de ouvir, mas o que você sente e o porque de você sentir é o mais interessante. Divague com isso e se deixe levar mesmo que seja pra dizer: me sinto péssima! odiei! rs...

Bleu: porque somos pura complexidade

("Bleu", Azul, Somnia Carvalho, Malmö, maio de 2010) Estava fazendo uma recordação da Suécia com Ângelo ontem. Ele gosta de ver fotos e vídeos de vez em quando e é triste notar que sua cabecinha de três anos já tem substituído tão rápido suas lembranças. Ele começa a esquecer nomes, lugares onde foi, músicas e até mesmo o sueco, língua na qual era tão fluente... Difícil lutar contra a natureza, me parece... É curioso pensar que tantas milhares de recordações, experiências pelas quais vivemos em nossa vida na primeira infância ficarão perdidas na memória ... elas inspirarão atitudes e sentimentos, mas serão como um sonho, um filme distante. Vejo isso quando Ângelo franze a sombrancelhinha tentando lembrar algum vídeo em que se vê fazendo algo na Suécia, lugar onde nasceu e viveu desde que tinha nascido até algumas semanas atrás. Dias desses eu discutia exatamente isso com uma antiga amiga quem veio nos visitar, Ludmila . A Lud perdeu sua mãe pouco antes do Natal passado. E

39... tic tac, tic tac...

(À espera de Marina, eu ontem em casa, setembro de 2010) Esse fim de semana brinquei com minha cunhada Adriana de fazer umas fotos e guardar para, ao menos, mostrar para Marina como sua mãe estava no final da gravidez... Agora começando a semana 39 o que fica na gente é mesmo aquele negócio assim: quando será? hoje? Amanhã? Durante a noite ou de dia? Minha bolsa vai estourar ou minhas contrações ficarão fortes até eu começar aquelas cenas de corre-corre de filme? Como eu não páro o dia todo fico imaginando que de repente vou sentir assim um quente entre as pernas, a bolsa estourando no meio da rua e eu toda feliz ligando para o Renato: "chegou a hora!"... Na Suécia, minha barnmörska , uma mulher especialíssima de nome Kerstin , dizia que pesquisas mostram que grande parte das mulheres tem o mesmo sonho nessas semanas: uma janelinha pequena se abre na barriga e o bebê sai por ela... Só não sei se a pesquisa incluía mulheres brasileiras, já às mulheres brasileiras, já que

"Mirem-se no exemplo..."

("Mulheres de Atenas", tela que pintei há mais de seis anos, nunca mostrei a ninguém e vive no depósito de casa. A idéia esquisita que a inspirou foi a de que cada mulher tem em si multi personalidades e nenhuma de nós é igual a outra. Nossa beleza é de sermos únicas, ainda que estranhas, Somnia Carvalho, 2003) Era o ano de 1983 e eu tinha 12 anos de idade. Cravada no interior de São Paulo, no meio de uma vilinha da COHAB, eu vivia junto de minha família como se o Universo todo fosse o caminho que ligava minha casa à escola. Pega-pega na rua, bonecas, esconde-esconde e outras brincadeiras se somavam à rotina da sexta-série. Sessão da tarde na tevê com meus irmãos, o pôster de Michael Jackson na parede e o "Like a Virgin" da Madonna (quem na época eu nunca sonhava encontrar ) no rádio velho do meu pai . Eu não pensava em muito mais, ou ao menos não me lembro de pensar. Minha vida era simples e eu era só mais uma garota boba do interior. Ou ao menos assim o mund

Quase lá... mas não ainda

( La coqueta VII ) Nem é justo que alguém que suma assim como eu ainda receba emails preocupados, telefonemas carinhosíssimos e comentários ávidos por informação. Eu sei disso! Estou tentando há semanas fazer umas fotos desta minha última gravidez, dessa preparação toda e não consegui ainda. Queria registrar o momento, minha barriga pontuda e já caída e só vou daqui pra lá e de lá pra cá todos os dias. Me emocionei agora pouco vendo um vídeo do parto normal, enquanto tentava contar as contrações, embora eu já tenha visto milhares de vídeos assim antes do parto do Ângelo. O bercinho pequenino da Marina está arrumado. Ângelo espera por ela ansioso, assim como toda a família. Eu acordo muitas vezes a noite com contrações e bexiga cheia e estou naquela fase do quando será? Tenho três centímetros de colo aberto, foi o que disse meu médico ontem! Contrações fortes, às vezes compassadas que vêm e desaparecem. Meu corpo se prepara intensamente para a grande jornada e mal posso esperar par

"Até que você não tenha tudo, você não será livre"

(Ser e não ser livre, cena do filme "In to the wild", Na natureza selvagem) Eu tenho mania de "beber" na fonte de diferentes lugares em diferentes situações. Não sou o tipo que consegue ser leitora assídua de nenhum canto, seja por conta do tempo que tento otimizar, seja porque minhas necessidades não são as mesmas todos os dias. Ah! isso nunca são! Talvez de ninguém o seja... Dias desses, tentando beber por aí em fontes agradáveis, voltei ao blog do Luis Coutinho , um portuga de quem já tinha falado outra vez aqui ... Lá Luis filosofava poeticamente (porque os portugueses não sabem fazer diferente!) sobre o que realmente importa na vida e a contradição em que sempre nos colocamos entre a vida que pede mais e mais para termos coisas em detrimento de exigir que sejamos alguém. Junto ao belo post uma música inspiradora, tema do filme que com certeza irei logo assistir e cujo título em português é "Na natureza selvagem". Tomei esta canção, a voz de Vedder