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Mostrando postagens de Julho, 2010

"Já está chegando a hoooora.. de ir..."

("O avião do Ângelo", Somnia Carvalho, tela que fiz há 2 meses a pedido do Ângelo para o quarto dele, julho de 2010) Desculpem aí os emails sem respostas, o mais ou menos silêncio dos últimos dias e os encontros fracassados. Não deu para fazer mais. Depois de uma festa surpresa de despedida ontem em que todos nos debulhamos em lágrimas, só o olho no amanhã e muita certeza de que tudo vai recomeçar com novo brilho e muita, muita alegria... Um beijo enorme e obrigada por todo o tempo em que estiveram com a gente nessa passagem da Borboleta pela Suécia... "Só me resta agora dizer adeus e depois o meu caminho seguir..." Tchau, tchau, bye bye, hej då! E deixa eu ir antes de começar o xororô de novo! Pessoal no Brasil, família querida, estamos quase caindo nos seus braços! Beijos!!! Sônia, Renato, Ângelo e Marina. Despedida Já está chegando a hora de ir Venho aqui me despedir e dizer Em qualquer lugar por onde eu andar Vou lembrar de você Só me resta agora dize

Carta da Rainha Silvia da Suécia à Embaixatriz Deslumbrette

("Hej då! Somnia!", Os recém casados Victoria e Daniel, príncipes da Suécia e a Rainha Silvia, dando seu último adeus à Borboleta Deslumbrette, julho de 2010) Gente, por esta eu não esperava! Tudo bem que nossos amigos mais chegados querem fazer programa com a gente a semana toda e a despedida tem sido difícil, mas, antes de ontem, por ocasião da minha mudança da Suécia e minha volta ao Brasil, recebi a seguinte carta da mãe de uma das primeiras amigas que fiz aqui : "Querida Embaixatriz Deslumbrette , Soube hoje pela manhã da sua repentina partida. Pensei em pedir que marcassem um encontro. Em seguida, mudei de idéia. Preferi registrar o que sentia por meio deste texto. Queria dizer que me emocionei com a alegria com que abraçou e aqueceu meu gelado país . Senti-me grata por ver como recebeu meu povo, como divulgou uma terra ainda pouco conhecida no seu verdadeiro lar. Então, parei para pensar porque você amaria tanto uma pátria passageira. Não precisei refle

"O tempo passa, o tempo voa e..." os medos mudam

Hohoho, Já estava a caminho do banho quando achei nem sei como um site de ortopedia, onde encontrei uma entrevista que dei há vários anos sobre o meu medo de dentista, citada num texto chamado " Medo atrapalha tratamento no dentista ". Meu! pra falar verdade nem sei para quem dei a entrevista na época, mas sei que alguém aproveitou bem o meu melodrama dentístico... (...) O medo também pode ter raízes no passado. "Muitas vezes, o paciente torna-se odontofóbico porque vivenciou dor ou teve alguma experiência negativa com dentistas na infância", afirma a odontopediatra Eliana Amarante. Foi o que aconteceu com a professora Sônia Maria de Carvalho Pinto, 32. "Acho que meu medo começou quando era pequena e fui a alguns dentistas ruins que fizeram o tratamento de qualquer jeito; até desmaiei por causa do medo de sentir dor", lembra. Já adulta, ela passou por outra experiência ruim: mesmo depois de seis doses, o anestésico não surtiu efeito, e ela foi obriga

"Dream about me": ainda sobre o amor de Sonildes e Suécio

("Girl in a Hundertwasser Landscape", Belinda Billylee ) Já passavam das onze e meia da noite e Sonildes fritava de lá pra cá, daqui pra lá na cama. Apesar do cansaço terrível o sono não vinha e ela se pegou tentando adivinhar o que aconteceria na próxima semana. Que tipo de sensação a tomaria quando estivesse finalmente não mais vivendo com Suécio? Sentiria muita saudade? Desejaria voltar? Choraria sem parar como quem perde um grande amor ou esqueceria voluvelmente como se tudo não tivesse passado de um de seus sonhos malucos? Não sabia... Não conseguia saber... Restavam-lhe apenas mais quatro noites antes de partir definitivamente para perto de Brasil de novo e cada noite a menos era um passo a mais perto do seu tão próximo futuro e, ainda assim, tudo lhe parecia apenas história para alguém dormir... A história de Suécio e Sonildes havia se firmado quando ela, decidida a viver só um de seus dois amores , havia escolhido provar da companhia, da calmaria, da segurança e

"(des) Encontros & Despedidas": o vôo de volta da Brobuleta, por Ju Moreira

("Mãe e filha", Natalia Tejera ) Como muitas e muitos de vocês, uma das primeiras coisas que fiz quando decidimos vir morar na Suécia foi pesquisar na Net tudo que podíamos sobre o lugar, as pessoas, as comidas, os costumes, as dificuldades etc do misterioso lugar onde deveríamos passar, inicialmente, os próximos dois anos de nossas vidas. No meio de coisas das quais me esqueci fácil e de outras bem legais encontrei o blog da Ju, uma jornalista do Recife, quem vive em Estocolmo com seu grande amor viking, com quem também já viveu na França. Passei a frequentá-la, ler seus posts e me inspirar e aprender um pouco mais da vida de alguém que mais ou menos se parecesse comigo e morasse na Suécia, Devorava seus posts, como os da Denise, do Síndrome , que havia vivido pouco tempo por aqui, mas escrito muito sobre. Tempo passou e me lembro bem de que tive seu blog em mente quando comecei a escrever o meu... Tentei aprender com elas como fazer blog, embora eu tivesse lá meu jeitã

Diálogos inesquecíveis com Ângelo: teoria darwinista e um pouco mais...

Ontem, eu e Ângelo voltávamos da escolinha dele. Ele na cadeirinha atrás no carro e eu dirigindo: E então ele diz quase em tom filosófico: - Mamãe só macaco sobe em árvore... - O que foi Ângelo?, respondi tentando me virar um pouquinho e confirmar a frase... - Só macaco sobe em árvore mamãe! - Hahá... É... bom... na verdade eles sobem, mas também tem outros bichos que sobem e a gente também pode subir em árvores. - Nããão mamãe!, disse ele negando e rindo de minha teoria super furada. - É sim! A mamãe subia na árvore com a tia Sandra quando a gente era pequena... - Ahhh...! Onde?, perguntou ele pondo minha afirmação em débito. - Na casa da Vó Maria, no quintal... Silêncio profundo. Reflexão. E então pura lógica talvez fundamentada na teoria de Darwin ou em alguma frase proferida na escolinha: - Mamãe... quando você era um macaco você subia na árvore?! Lógica angelista da história: se você algum dia subiu em árvores isso não prova que os macacos não são os únicos a subirem

"Idas Sommarvisa": pertencer a algum lugar é mais do que viver nele é partilhar de seus sentimentos

("Idas Sommarvisa", letra de Astrid Lindren) Logo no primeiro verão que vivi na Suécia, em 2007, ouvi essa música lindíssima e não consegui partilhá-la porque não sabia nome, não entendia a letra, não sabia nada a respeito... Hoje, penúltimo dia na nossa "Casa Nova" e há 9 dias de embarcar de volta para o Brasil, eu acordei com a mesma canção na cabeça e percebo quanta diferença esses três anos e meio fizeram. O que antes era apenas uma canção bonita hoje é algo o qual faz todo sentido para mim. Não apenas entendo o que se canta nela, mas sinto que ela expressa exatamente aquilo que também sinto e vivo. Olho para meu termômetro e confiro os 25 graus que estão fazendo já as 8 da manhã. Sol forte, céu azul intenso e muitos pássaros cantando lá fora... Muita gente na praia, quietinha, tentando aquele seu contato mágico com a natureza. O verão sueco chegou com toda sua beleza, com toda sua mágica e agora sei dizer a vocês que " Idas Sommarvisa ", a cançã

"Ohhhh I want to break freeeeee yeah yeah!!!"...

(Sem saber da semana de homenagens à frida pensei que nem Mulher Maravilha nem nenhuma outra poderia me dar espírito mais libertador e forte que Frida Kahlo!, julho de 2010) Sem tempo para o falatório, para os agradecimentos, para as legendas nas fotos e tudo o mais, mas aqui algumas das quase quatrocentas fotos que tiramos no sábado passado... Dia de festejar anos do Ângelo e dia de dizer adeus a maior parte dos amigos que fizemos aqui! E o modelito e a alegria não deixaram nada por menos! Em ritmo de quase flash back a gente se esbaldou ao som do Queen de novo... Homens, molerada e criançada bem no espírito do "I want to break free!", como Frida Kahlo, como Fred Mercury como tanta gente inspiradora... Valeu pessoal!!! (Sim!!! Nós queremos nos libertar!!!, eu e molerada na festa de despedida, julho de 2010) <

Em-pa-co-tan-do, simbolica e literalmente falando

Gente boa, É tarde, tô morta de cansada e tem muito pra fazer. Quinta é o dia D e sexta dia de carregamento... Sentirei saudades, mas volto quando for possível... Por enquanto o futuro espera para que eu o organize em muitas caixas de papelão... Beijos, Somnia.

"Heroes of war"...

("Heroes of war", Rise Agains t) Faltam apenas mais treze dias e noites que temos ainda nessa nossa segunda casa chamada Suécia... O dia é bonito, o termômetro já marca 25 graus, apesar de ser apenas nove da manhã. Com dezenas de mesas, cadeiras e bexigas começo a arrumar a casa e o jardim para a nossa grande festa de Despedida que é também a festa de aniversário de três anos do nosso Anjo ... Em meio à empolgação com minha fantasia (surpresa) para a festa do Spider Man, o cansaço da barriga pesada e dos movimentos fortes de alguém aqui dentro de mim, vou preparando tudo com carinho... Celebraremos mais um ano de vida de uma pessoinha que significa tanto para nós junto dos muitos amigos que fizemos aqui e para quem diremos já um pequeno adeus. Enquanto isso, sinto ao mesmo tempo uma onda de lembranças tomando conta de mim... Todas elas muito boas, todas elas muito profundas... Um arrebatamento, um choro do fundo do coração de saudade, saudade de tanto que vivi e do que

Dicas Mil: vida prática na Suécia: comida, tempero e cozinheira brasileira só para você!

Creio que entre a lista de simbologias, objetos e coisas as quais mais nos liga a um lugar e mantém nossa memória afetiva conectada, a comida está entre as principais delas. Sentir o mesmo cheiro, o mesmo tempero, comer algo que alguém lhe preparava com carinho ou que lhe remeta a uma situação passada é simplesmente muito prazeroso... Depois de aproveitar uma manhã de sol na praia de Holviken, paramos num restaurante no centrinho da cidade para almoçar e, como boa grávida, fui direto procurar o banheiro. Nos fundos do restaurante encontrei um outro, todo informal e vi logo umas panelas de ferro numa das mesas... O cheiro de alho (na Suécia não se usa quase alho como no Brasil) sendo refogado, uma música que reconheci logo na vitrola e uma placa onde se lia "Capirinha a tantas coroas" me deixaram em povorosa. "É um restaurante brasileiro?", perguntei logo em português. "Sim", respondeu a cozinheira... E foi assim, totalmente por acaso, que descobrimo

Por que beleza é fundamental?

("Mulher nu com colar", Pablo Picasso, 1968) Desde que o regresso ao Brasil foi confirmado eu tenho ouvido das mais diferentes pessoas, sendo a maioria suecas ou brasileiras, a mesma pergunta: do que eu sentirei falta ao deixar a Suécia? Em todos os casos não hesitei em dizer que há, com certeza, muitos itens na minha lista, e passei a citar alguns deles, mas a insistência da pergunta ou de uma resposta mais objetiva, como a que um amigo francês e uma sueca me fizeram: "Não, Sônia, do que você vai MAIS sentir falta?" me fez eleger sem sombra de dúvida o que para mim é o mais forte, a liberdade. Foi, porém, só o repetir do meu argumento me levou a perceber que minha resposta é ainda muito complexa. Na minha experiência de vida aqui e dado o tipo de pessoa, de formação e do que espero de uma sociedade e das pessoas eu sinto que sentirei falta de liberdade em inúmeros sentidos e vou começar a lista de posts citando um dos quais já há tempos não me sai da cabeça: a

Quer sua vida com fundo musical? Spotify agora liberado para todos os países!

(Nelson Freire interpreta Gluck, "Melody") "Hoje é domingo, pé de caximbo..." Sim. E domingo para mim é dia de acordar com calma, tomar café da manhã mais cuidadoso com a pequena família ao som de música clássica. Normalmente piano. Aprendi a gostar de música clássica já "velha", com uns vinte e poucos anos, depois de conhecer minha amiga Ludmila , na universidade que, além de ter na sala de sua casa um lindo piano que sua mãe tocava todas as manhãs, também tinha uma bagagem musical excelente porque cantava e estudava música, além de filosofia, e acordava com seu pai ouvindo música clássica todos os domingos de manhã... Uma das muitas boas consequências disso foi então eu conhecer, por exemplo, Nelson Freire , um dos melhores pianistas brasileiros (sobre quem também vi um dos filmes mais marcantes de minha vida ), da mesma forma como os maiores compositores do mundo... E foi ao som dos Noturnos de Chopin que terminei o café, vesti o meu "molequ

As telas das ganhadoras do concurso com um pouco de filosofia e psicanálise de botequim

("Sigmund Freud", Andy Warhol, Se vocês forçarem um pouco a memória aí lembrarão do concurso que fiz em março para as leitoras que deixassem resposta à pergunta "Que tipo de coisa consegue lhe deixar realmente feliz" , num post feito por ocasião de meu aniversário . Devem também se lembrar que as ganhadoras Mariahh, do Alentejo, Lilás, do Rio de Janeiro e Liana, de Malmö, foram as vencedoras e talvez nem mesmo elas se lembrem que receberam a promessa de uma tela minha de presente. Depois de muito pensar, de tentar alguns rabiscos e telas que coloquei de lado, finalmente aqui estão as telas de presente para as três. Entretanto, como já conhecem de outras datas, minha empolgação com arte, filosofia e psicanálise não me deixa apenas postar as fotos dos três quadros. Isso porque, enquanto fotografava e olhava para as telas feitas, fui pensando como não existe nenhuma ação nossa que não seja resultado de muitas outras ações, de pensamentos e vivências que tivemos.