Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2011

O poder inegável da retórica

(Ângelo em noite de pintura do sete no meu ateliê na sacada de casa, junho 2011) Tentando convencer Ângelo a ir comigo até uma lojinha no bairro a fim de comprar uns dinossauros de madeira para a festinha de 4 anos, cujo tema foi totalmente idealizado por ele para celebrar com os amiguinhos, eu pergunto: - Ângelo! Vem com a mamãe na loja de dinossauro pra gente comprar aqueles ossos de madeira! - Ãhnnn... Vai você mamãe (todo simpático) e eu espero aqui em casa. - ... mas a mamãe vai comprar aqueles dinossauros que você queria e eu não entendo direito qual é mais legal. Eu preciso da sua ajuda para escolher... - Sabe o que é? (com ar de esclarecido). No "napa" (nós tínhamos olhado no google maps o local) mostrou que é longe... E vai cansar meus pés... - Não é longe não! A gente desce junto e sobe de ônibus... São só umas cinco (meio mentindo) quadras para ir e umas cinco para voltar. - Não. Eu vi é muito longe! - Mas a gente vai rápido e passa naquela lojinha

Quando o olho não só vê, mas sente: sobre Maria Larsson e seus eternos momentos

(Cena do filme sueco "Maria Larssons eviga ög onblick") (O post abaixo foi publicado originalmente na Revista Brassar.se  em 08 de março de 2009 e não havia sido publicado aqui no blog ainda) Foi num desses dias de neve aqui em Malmö que eu tive o prazer de ver o belíssimo, comovente e artístico filme de Jan Troell, "Maria Larssons eviga ögonblick" ("Eternos momentos de Maria Larsson) no Biocentrum, em Limhamn. O filme, lançado ano passado, conta a história real de Maria, a de uma dona de casa sueca que vivia em Gotemburgo no início de 1900. Pobre e noiva de Sigfrid, Maria tem a idéia de comprar um bilhete de loteria, cujo prêmio era uma câmera fotográfica. Os dois ganham a câmera no sorteio, mas é Maria quem fica com ela e a guarda com carinho em casa. O casamento rapidamente se mostra frágil, quando Sigfrid começa a chegar em casa bêbado, após o trabalho e a se tornar cada vez mais violento. Sigfrid trabalha com serviço bruto numa fábrica e vai, aos po

Na Suécia também não tem... Festa Junina, quentão ou quadrilha

(Eu e meu caipira literal, Ângelo, e eu e Marinacota em festinha Junina da escolinha do Ângelo, junho de 2011) De algumas coisas eu sentia uma baita saudade do Brasil quando estava na Suécia. Se fosse junho e julho e alguém me falasse que estava indo numa Festa Junina aqui no Brasil aí dava daquelas saudades meio sem explicação. De repente era como se minha personalidade "brasilerística" aflorasse eu sentia assim: "não tem jeito! tá vendo? Eles não são iguais a mim! Eles nem sabem o que é uma Festa Junina!" Talvez por essa razão eu nunca nem tenha tentado fazer uma delas enquanto vivia por lá... E era assim... A gente festejava outras coisas em junho, sobretudo a chegada do verão com as festas típicas do Midsommer . Era bom por outros motivos, mas a festa não batia lá dentro de mim. Não havia identificação com aquele tronco de árvore cheio de fitas ou com as danças. Era muito divertido, mas não era algo celebrado genuinamente. Na Festa Junina no Brasil eu r

"Eu já canto, pio e silvo"

"Eu canto pio e silvo", Somnia Carvalho, inspired by Ikea, 2011 (Tela que pintei ao som de Mônica Salmaso e acabei de terminar. Pode buscar Irene!) Canto Em Qualquer Canto Vim cantar sobre essa terra Antes de mais nada, aviso Trago facão, paixão crua E bons rocks no arquivo Tem gente que pira e berra Eu já canto, pio e silvo Se fosse minha essa rua O pé de ypê tava vivo Pro topo daquela serra Vamos nós dois, vídeo e livros Vou ficar na minha e sua Isso é mais que bom motivo Gorjearei pela terra Para dar e ter alívio Gorjeando eu fico nua Entre o choro e o riso Pintassilga, pomba, melroa Águia lá do paraíso Passarim, mundo da lua Quando não trino, não sirvo Caso a bela com a fera Canto porque é preciso Porque esta vida é árdua Pra não perder o juízo Monica Salmaso (ouça aqui ) Composição : Ná Ozzetti / Itamar Assunção

Hej! Eu tenho que te dizer uma coisa e precisa ser hoje!

("I feel good", James Brown) Hoje faz exatos 10 meses e 17 dias que eu embarcava em Copenhaguem cheia de malas para voltar ao Brasil! Ou seja, quase 1 ano! Hum? E daí? Por que estou falando de um dia tão quebrado assim? Porque foi hoje, minha gente, somente hoje, depois de tantos meses de volta que tchum! Aconteceu! Eu finalmente me readaptei! Não! Eu não estava vegetando o ano que passou e nem fiquei parada. Na verdade eu não parei um minuto correndo atrás de pôr a vida toda em ordem de novo... Não quer dizer que eu tenha apenas sofrido estando aqui até agora também. Não! Eu vivi, eu sorri, eu fiquei feliz por estar com os velhos amigos e a família querida e com minha pequena e amada familinha. Uma coisa, no entanto, eu não posso negar: eu nunca tinha conseguido estar feliz de ter voltado. Sempre foi nestes meses todos um misto de raiva com frustração. Uma chatice vindo de dentro e me fazendo olhar para tudo aqui e pensar: "lá era muito melhor!" No fund

Somnia, a trapaiada

Gente! Enquanto meu vizinho dá murros e grita "ah! não, Pô-rra!" porque o Santos está dando algumas bolas foras ali na final da Libertadores (é final né?), aproveito o ensejo para dizer o mesmo e avisar que fiz uma besteirona aqui e perdi todos os meus gadgets, toda minha lista de blogs, sites etc. Fui atualizar o template de um novo blog que estou construindo (não adianta perguntar que é surpresa!) e queria inaugurar ainda esta semana e peguei por erro o html do borboleta. Acreditam? E quando percebi... p...q...p! Usei todo meu requinte e conhecimento em literatura. Apliquei a teoria do direito de Millôr do início até o fim! Então peço, de início, paciência! Vou inserir com calma tudo de novo, os links de vocês, os breguetinhos todos mas até lá ... Até lá... O Direito ao Palavrão  Millôr Fernandes "Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidad

Na Suécia também não tem... babá de branco, nem de preto, nem de rosa, nem de...

(Pai e mãe querem sempre experimentar a dor e a delícia de ter filhos, família sueca típica, fonte: Sweden.se) Suecos e suecas não são perfeitos. Nem o são sua sociedade, apesar da gente fantasiar que sim. É só dar uma olhada no número enorme de imigrantes, vindos de todas as partes do mundo, sobretudo da Ásia (e não pensemos apenas na Ásia Oriental, japoneses, chineses, coreanos etc, mas também a Meridional e no Oriente Médio) e de todo o leste euroupeu o qual executam grande parte dos trabalhos braçais ofertados no país. Suecos dificilmente aceitam trabalhos muito pesados ou de salário muito baixo e não é raro que se coloquem sob a guarda dos seguros desempregos até conseguirem o emprego desejado. É bom lembrar o seguinte: a maior parte dos  trabalhos braçais  existentes no Brasil não existem ou normalmente ninguém paga para que outra pessoa os execute na Suécia. Alguns fatores são o alto desenvolvimento tecnológico do país, a super organização em quase todos as esferas

A Corcunda de Notre Dame

(Lembrem-se crianças: não existe perguntas idiotas, apenas interlocutores) Tem pelo menos quatro coisas das quais eu me lembro muito bem a respeito da minha infância na primeira escola: 1) Eu era muito alta e muito magrela, 2) Eu era fraca fisicamente e vivia mais internada do que em sala de aula, 3) Eu era extremamente cdf, isto é, adorava estudar, sentava nas primeiras carteiras, tirava ótimas notas apesar do item número 2 e 4) Eu já era corcunda. Com estas características dá para imaginar como eu não era popular com a turma da sala, embora fosse a queridinha de muitas das professoras. Eu era, por assim dizer, uma aluna fácil. Eu me matava para aprender, para recuperar notas, para provar onde residia meu valor etc. Até aí nada demais. Eu era só uma garota boba do interior tentando, de forma literalmente torta, ganhar meu lugar ao sol. Exatamente pelo fato destes itens terem meio que caminhado comigo minha vida toda eu sinto que atribuo grande dose de culpa aos meus educa

700

Oi povo Bond se conversar! Só para partilhar com vocês o sucessinho do Borboleta: o último post " Na Suécia também não tem ... fila preferencial " foi meu post de número 700 e fico bastante feliz e orgulhosa com isso. Em quatro anos de blog este tem sido um canal para lá de emocionante para mim. Não virei filme, mas me sinto sempre numa ótima aventura quando escrevo por aqui e posso partilhar algo com vocês! Obrigada!

Na Suécia também não tem... que pegar fila indiana

Não! Não se deixe levar pela aparente inutilidade da afirmação! Eu já havia escrito no blog sobre o fato de não existir filas preferenciais na Suécia, mas hoje lembrei-me de outra característica das filas lá! Voltei agora pouco do Pão de Açúcar, um mercado adorável (e caro) que tenho na esquina de casa, onde fui para comprar presunto para nossa lazanha e me dei conta de uma coisa: na Suécia eu nunca peguei fila indiana. Explico: se você vai a muitos lugares na Europa, mesmo em um lugar trés chique como Paris, por exemplo, para comprar pão de manhã, você irá ficar numa fila cheia de gente desejosa de comprar uma deliciosa baguete ou um croissant tal como você. A fila vai andando, o pessoal vai enfiando a baguete debaixo do sovaco até que chega sua vez. Isso é o que acontece em quase toda padaria aqui no Brasil e também nas padarias ou açougues dentro dos supermercados brasileiros, falando apenas em lugares correspondentes aos que fui agora a noite. Nosso sistema de filas é quas

Na Suécia também não tem... vizinha andando de salto no andar de cima

(Na rua todo tamanho e estilo vale, sapato de verão da marca sueca H&M) Meo! Se tem uma coisa na vida capaz de me tirar literalmente o sono e a paciência é vizinha andando de salto alto na minha cabeça a noite e de madrugada. Acabei de pensar nisso porque vi um recado do novo síndico para as moradoras que não descem do salto nem às altas horas da noite e porque estava lá acabadésima, louca para fazer a bebê Marina voltar a dormir para que eu também pudesse descansar e o som estridente do salto da provavelmente sempre elegante vizinha ressonava em nossos ouvidos. Lembrei-me então do silêncio impagável de Malmö city. Of course! não tem como comparar lé com cré: São Paulo é por si só barulhenta dia e noite, 365 dias do ano, mas não se pode negar o quanto o hábito de não usar sapatos dentro de casa ajudava nesta questão. Nunca ouvi barulhos de sapatos no andar de cima e isso, ah! isso era uma benção sueca! Falei há tempos aqui sobre este costume europeu e de como os suecos

Que tipo de tradição deve se manter de geração em geração?

(Ângelo aprendendo com minha avó Maria : depois de colher, escolher a manga mais docinha.., Sumaré, dezembro 2008) No fundo da casa onde cresci no interior paulista havia alguns pés de manga.  E eles eram gigantes. Os galhos grossos e fortes.  A gente, eu e minha irmã , acompanhava a flor que virara fruta. E a fruta verde ir se colorindo de amarelo. E então era hora de subir lá no alto e escolher a manga perfeita.  Descascar e comer sem pratos e talheres. Se deliciar com uma, duas, três... A vida era doce, tão doce quanto as frutas da nossa mangueira... (... e se lambuzar de doçura, Ângelo e eu, Sumaré, dezembro 2008) (Marina começando as aulas sobre as coisas doces de seu país, S. Paulo, junho de 2011)