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Mostrando postagens de Janeiro, 2008

Aprendendo a patinar: 1 ano de Suécia

(Brian Jourbet, um dos melhores de 2007 ) Há um ano atrás eu acompanhava, pelo canal de esporte da TV daqui, o Campeonato Europeu de Patinação Artística no Gelo. A gente tinha acabado de chegar do Brasil para viver aqui por dois anos e ficamos um mês em Lund até acertar apartamento em Malmö. Naqueles dias frios, chuvosos e com neve, eu saía, com uma pequena barriga de grávida, e caminhava muito por Lund, sedenta por conhecer tudo, e vivia me desequilibrando nas ruas, quando a neve caía. E quando vi que todo mundo andava junto às paredes e ia se segurando para não cair, fui tentando fazer o mesmo. Estava começando tudo novo, num lugar todo diferente e vivia carregando o laptop e os livros, porque tinha uma tese para ser terminada. E, em meio àquilo, foi muito gostoso acompanhar aquelas finais de patinação, quando voltava para o apê quentinho. Me lembro perfeitamente de algumas apresentações e de alguns patinadores. Alguns deles tiravam o fôlego da gente, fazendo saltos (não

A alma das Tulipas

Finalmente, os dias estão começando a ficar mais claros por aqui. E hoje deu para passear alguns minutos enquanto  o sol aparecia, sob a chuva fina. Que coisa boa que a sábia Natureza sabe dosar o escuro do inverno com as cores de algumas flores. Pela cidade a gente vê tulipas para comprar em todas as esquinas. Lindas! Coloridas! Vivas! Acho que minha mãe me passou o gene dela de ser louca por flores, ao ver tantas tulipas pelas barraquinhas aqui,  me sinto que nem criança num parque infantil. Toda saltitante e feliz.

O que os olhos vêem o coração muito sente

(Tela da artista plástica  Eloísa Remédio ) O blog da minha amiga Daniela  trazia esses dias uma breve reflexão sobre a função da cultura. E eu rapidamente pensei que, para mim, cultura é coisa que se vive todo dia. É algo que tem que estar em nós para fazer com que nos sintamos sintonizados com o Universo. Tem dias que basta uma música, simples ou complexa, não importa... Basta que eu tome alguns dos meus livros e veja alguns trechos que grifei há algum tempo... Basta que eu olhe algumas pinturas, ou fotografias de gente amada... Num segundo meus olhos se enchem de beleza. E a vontade de pintar um milhão de telas, de compor dois milhões de músicas, de dançar alguns trilhões de tangos, e de viver prazerosa e intensamente aquele momento de vida  toma conta de mim. Talvez seja para isso que sirva a cultura. Para fazer que a gente se lembre de viver. Encher os olhos de pintura Pintura,  poesia colorida, música silenciosa, prece sorridente, livro de uma página só.   Possibilidad

Pequeno Manual Invernoso

Três coisinhas simples que a Deslumbrette adora no Inverno na Suécia: (Tulipas, Tulipas e Tulipas) 1. Comprar tulipas pelo preço de crisântemos: 2. Ter tulipas coloridas e lindas a semana toda em casa: 3. Comer guloseimas, sem culpa, e esconder a silhueta dentro do casaco: Três coisas que a Deslumbrette acha muito chatas no Inverno na Suécia: (Colégio St. Paul, na esquina da nossa nova moradia em Malmö, às três da tarde, na semana passada ) 1. Acordar, tomar café e almoçar sem ver o Sol. 2. Não saber se são duas da tarde ou sete da noite. 3. Pegar gripe forte o tempo todo.  

"Traduzir-se"

("Mulher em camisa", Andre Derain) Traduzir-se (Ferreira Gullar) "Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir uma parte na outra parte _ que é uma questão de vida ou morte _ será arte?"

"Amigos a gente encontra"

("Mulerada" na cozinha da Ivone - de vermelho, à direita - em seu especialíssimo jantar de Natal Brasileiro) Quando eu dava aula aí no Brasil, a chegada dos vestibulares nos cursinhos era sempre muito parecida. Me lembro bem dos meus alunos e alunas queridos, cuja tensão e ansiedade era tanta que muitos adoeciam. E ser professora nessas horas difíceis é ainda mais recompesador. A gente dá o ombro, o colo, oferece palavras de ânimo, fica horas a mais para tirar dúvidas, perde o sono junto com os alunos e sofre com eles também. E era nessa mesma época que eu me punha a "fazer a cabeça" daqueles que pensavam em jogar todo o investimento de energia e dinheiro, de um ano todo, em apenas uma universidade, só porque ela ficava na mesma cidade onde moravam. "Saiam!" "Mudem de cidade, de ares, de vida!", eu sempre repetia. E me lembro também que um medo comum deles era o de perder os amigos e estar longe da família. E aí eu entrava com o meu dis

"Com que roupa eu vou?" ou A moda inverno x O humor infantil

(Mulecadinha sueca, toda encapotada, em passeio da escolinha, pelas ruas de Malmö) As crianças e os bebês suecos, bem como os rapazes latino americanos, nascidos na Suécia, detestam a moda inverno. Isso porque não importa se para brincar no jardim de casa, no parque, ou para atravessar a rua e ir ao supermercado com os pais, é sempre preciso enfiar sua criança num macacão apara vento, chuva e frio e só então pôr o nariz par fora de casa. Veja abaixo, nosso modelo Ângelo, mostrando com que cara eles ficam, após colocarem as necessárias quatrocentas e cinquenta peças de roupas do dia-a-dia do inverno. (Ângelo no modelito socorro-me-tirem-daqui) E veja abaixo, minutos depois, com que cara eles ficam após se livrarem das referidas roupas. (Ângelo no modelito tô-me-divertindo-pra-caramba) Nosso modelo, que hoje completa 6 meses de vida, nem precisou fazer teatro para a foto. Ele segue odiando usar o modelo número 1 e festeja sempre que é colocado no modelo número 2. Talvez daqui

Terapia na cozinha

(Pôster da 2a. temporada da série americana "Desperate Howsewives", na qual as protagonistas lindas, visivelmente bem sucedidas e felizes estão mergulhadas em pequenos e íntimos pecados diários) Churrascos e almoços de família sempre foram um material de sérias reflexões para mim. E eu sempre achei realmente muito engraçado e curioso como o bate papo entre os homens rolava algo entre os últimos gols e o placar do campeonato não sei qual ou por qual empresa andava o fulano de tal agora. E se você se achegasse às mulheres a conversa renderia, até o fim do encontro, material para encontros terapêuticos e muita, muita intimidade. A conversa entre as mulheres, me parece, sempre ia para além do "o que você está fazendo?" para o "como você está no que está fazendo?". E esse post não tem a intenção de ser feminista, nem nada disso. Talvez a nossa natureza mesmo nos tenha dado uma facilidade para a abertura, embora, obviamente, nem toda mulher fale o que sente

Somnia Deslumbrette na Terra do ABBA

Gente! Depois de anos "chacoalhando" meu esqueleto todo ao som de "Dancing Queen" e outras tantas canções do grupo sueco ABBA eu finalmente entendi: o ABBA só poderia ter nascido aqui. Acordei ouvindo o grupo e tive um insite assim, um lampejo em meio à essa escuridão dos nossos dias de inverno daqui: sabe a música? É... os instrumentos e toda a composição das músicas do ABBA? tem o sentimento daqui... É louco! é verdade! Se você ouve o ABBA num dia como hoje, por exemplo, é perfeito! Eu sei... você poderia me dizer: "qualquer dia pode ser perfeito para ouvir o ABBA !" Se você é um fã como eu... Eu sei. O que quero dizer é que essa paisagem, esse clima, tudo isso, ajuda a entender de uma forma mais "acabada", não sei a palavra, o porquê da música deles ser ao mesmo tempo alegre e triste, ao mesmo tempo brega e apurada... Não sei explicar, perdoem! Essa sonoridade, o som, aquele jeitão deles, as letras sempre meio "brega-dow&quo

Ser um e ser outro: a Primavera e o Inverno.

(Moinho de vento em Parque de Malmö. Foto tirada no meio do dia por Adriana Cechetti, Inverno, dezembro de 2007) Em cada estação somos um Acordo às oito da manhã e abro a persiana da janela à procura de luz. Nada mais vejo que o cinza do céu, o cinza do asfalto e o cinza dos carros. O dia permanece noite. As pessoas estão silenciosas em suas casas. Só o piano do vizinho não quer calar. A fala é baixa e a quietude parece ser a melhor companhia. Algumas almas em negro cruzam a esquina, passam e voltam, correm logo para dentro. Todos estão em busca da mesma luz que eu, Todos estão quietos e profundamente reflexivos, é o inverno em cada um, é a espera silenciosa e contemplativa pela Primavera. é o entregar-se completamente à sensação de cada estação. (Vista de campos à beira da estrada, próximo de casa, Malmö, Primavera, abril de 2007. Foto: Somnia Carvalho)

Guia de como ter idéias muito férteis em apenas dois passos.

("Mãe e filho", Picasso) Receita Prática para pessoas do sexo feminino: Preparo e Ingrediente: 1o. passo: - Engravide e tenha um bebê. 2o. passo: - Amamente.  Lembre-se de seguir corretamente as indicações dadas nos principais livros sobre amamentação e se esforce, logo nos primeiros minutos de vida do bebê, para garantir que ele goste muito de ser amamentado ao peito e o faça pelos próximos seis meses, ao menos. Quanto maior o tempo de amamentação, maior o tempo em que você poderá se dedicar a ter muitas e muitas idéias. Está pronto! Resultado: Você conseguirá ficar, em média, 4 horas por dia amamentando seu bebê.  Poderá, então, aproveitar este lindo momento para ter algumas idéias brilhantes. Poderá escrever um blog ou um livro na cabeça. Poderá planejar desde a arrumação da casa à formas de melhorar o trânsito das ruas de cidades caóticas. Você, incrivelmente, terá na cabeça os próximos anos de sua vida e como organizará as férias de 2010. Você, certamente

"Cada Coisa"

(Crisântemos, Paul Cézanne) Cada Coisa (Fernando Pessoa, Ricardo Reis) Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. Não florescem no inverno os arvoredos, Nem pela primavera Têm branco frio os campos. À noite, que entra, não pertence, Lídia, O mesmo ardor que o dia nos pedia. Com mais sossego amemos A nossa incerta vida. À lareira, cansados não da obra Mas porque a hora é a hora dos cansaços, Não puxemos a voz Acima de um segredo, E casuais, interrompidas, sejam Nossas palavras de reminiscência (Não para mais nos serve A negra ida do Sol) — Pouco a pouco o passado recordemos E as histórias contadas no passado Agora duas vezes Histórias, que nos falem. Das flores que na nossa infância ida Com outra consciência nós colhíamos E sob uma outra espécie De olhar lançado ao mundo. E assim, Lídia, à lareira, como estando, Deuses lares, ali na eternidade, Como quem compõe roupas O outrora compúnhamos. Nesse desassossego que o descanso Nos traz às vidas quando só pensamos Naquilo q

Detalhes são importantes

(Sr. Angelinho Linho Linho, porta voz da Embaixatriz Somnia Pollyanna Deslumbrete de Carvalho) O Sr. Angelinho Linho Linho, porta-voz da Embaixatriz Deslumbrete quer chamar vossa atenção para dois detalhes deste blog que podem vos ser interessante. Se vos apetece ver a temperatura local da cidade de Malmö, para ter material para compreensão, pesquisa e comparação com o tempo em vostro país, clique no link ao lado desta página, onde consta: - Web can ao vivo de Malmö. Caso ocorra dos senhores encontrarem uma imagem branca apenas, significa que o aparelho filmador está, ele também, coberto de neve. Datavenia, na maioria das vezes é possível ter uma boa visão da cidade da senhora Embaixatriz. O segundo detalhe para que peço que vos atentem é que a senhora Embaixatriz Deslumbrete criou um blog acerca de suas pinturas. Afirma ela que, dependendo da oferta e procura, irá anexando outras obras , mas que, por ora, está iniciando da forma como conseguiu organizar seu tempo até aqui. 

"Um sonho que se sonha só.."

(O Lê, meu "irmãozinho" menor, me mostrando como era correr de kart, ano passado) Quando eu tinha sete anos, chegou em casa o bebê Alessandro, maior orgulho de meu pai. Se o ciúme da irmã do meio, Sandra, foi logo se manifestando, o meu, irmã mais velha, foi logo canalizado para o papel das irmãs mais velhas: do menino, eu tentei cuidar. Amei, tentei indicar alguns caminhos e, "maternalmente", proteger. Sonhei algumas coisas, como que ele fosse um grande designer ou um arquiteto, porque seus desenhos eram perfeitos.  Sonhei coisas bobas de se sonhar, quando a gente ama e fica imaginando que o melhor é o melhor do pouco que conseguimos imaginar. Mas na inocência e bobeira dos meus sonhos o que eu queria mesmo era que ele fosse extremamente feliz. E que ele e a Sandra estivessem sempre protegidos. E salvos. Porque as irmãs mais velhas estão sempre pensando em deixar seus irmãos menores a salvo dos perigos do mundo, embora não façam muito para isso acontecer. E o

"Não adianta bater"...

(O quintal de casa ontem depois da neve da noitinha) "Quem bate? É o frio... Não adianta bater, Eu não deixo você entrar As Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas,  Lãs e cobertores, eu vou comprar Nas Casas Pernambucanas E nem vou sentir o inverno chegar..." Você se lembra do comercial que as Casas Pernambucanas tinham para o inverno? Eu me lembro bem da versão mais "moderninha" dos anos 80 (moderninha para quem tá véinha que nem eu), com uma música gostosa ao fundo e uma porção de edredons no comercial. Hum... dava uma sensação gostosa de quentinho, de casa aconchegante e todo mundo juntinho. Por aqui tenho me lembrado muito dessa sensação, vendo a neve cair lá fora e a gente todo quietinho em casa... (Se deixar o carro na rua, cê vai ter um trabalhinho amanhã na hora de ir pra "firrrma") Mas é engraçado pensar que eu passava mais frio aí no Brasil do que na Suécia. Eu odiava tomar banho e pisar no frio e acorda

Estive em Palma de Mallorca e lembrei-me de você!

(Praia sim, banho de mar não. Palma de Mallorca, jan/2008. Foto: Renato Cechetti) "O que é uma ilha? Ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados. " Eu sempre adorei as aulas de geografia do primário e me lembro muito bem da aula em que a professora ensinou o decoreba sobre o que era uma ilha. A objetiva, porém vaga explicação só me deixou mais curiosa sobre como seria estar numa ilha. Talvez por isso sempre que estive em uma eu me lembro do trecho acima e fico assim toda orgulhosa de, finalmente, entender aquela aula de geografia. E esses últimos dias tive oportunidade de conferir a explicação novamente. Se o Natal já tinha sido super gostoso e animado com a visita carinhosa da tia Dri (a Super Nanna que o Angelinho fez de gato e sapato), o início de 2008 foi revigorante. Deixamos a gelada, escura e cinzenta Suécia em busca de Sol. "Soooool! por favor!" era tudo que pedíamos e precisávamos. E já que o Brasil e a família estavam longe dem