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Mostrando postagens de maio, 2009

Você mora na Suécia e ainda não tem uma bicicleta?

(Ângelo, que já aprendeu o que é direita e esquerda na sua cykel, num passeio de domingo de sol,  Malmö, maio 2009) Quer sair por aí cantando "Every day is like a sunday?", então você precisa de uma bicileta. Desde que ganhei a Madalena , há alguns meses, mesmo em dias de 5 graus por aqui eu saio cantarolante que nem passarinho. O Renato me insistiu por anos por pedalar com ele nas nossas férias em montanhas no Brasil. Eu fazia, caía, ralava o joelhão e buáá, as férias acabavam. Eu, na verdade, detestava porque o esforço era muito grande. Além disso, eram minhas férias.  O mais legal de ter bike aqui é fazer do dia a dia suas férias, mas sem chororô. Além disso, a cidade é tão preparada para que a gente use bike o tempo todo que meus caminhos se tornam mais curtos e economizo tempo indo de Madalena do que indo de carro e ônibus. De carro é difícil estacionar e gasto em qualquer canto da cidade onde parar. De ônibus demoro 3 vezes ou 4 o tempo que demoro com minha bicicleta

O dedo de vocês na leitura da obra de Kurt Trampedach

("Morgen. Gruppe af kvinde og mand henholdsvis liggende og siddende på en seng",Kurt Trampedach, 1972-197 3) Vocês ainda se lembra da escultura do dinamarquês Kurt Trampedach, a última das três obras dinamarquesas que coloquei na seção "O que você vê nessa obra?". Sim, foi há quase dois meses e a minha mudança para a nova casa me fez esquecer de concluir a leitura com vocês.  A partir da minha tradução do título em inglês que havia abaixo da obra no Museu (já que eu não leio dinamarquês) foi que a maioria de vocês acabou por conduzir sua leitura a respeito da obra do artista. Eu traduzi o título "Morning. Group of Woman and Man, one lying and one sitting on a bed" como "Manhã. Grupo de mulher e homem, um mentindo e o outro sentado na cama. " Entretanto, minha tradução rápida não levou em conta que lying também pode ser entendido como deitado, prostrado. Minha tradução teve a ver, claro, com minha leitura da obra. Eu também vi um casal infeli

A música, o biquini e o véu que a gente não escolhe

(Os biquinis necessários) Eu imaginei que o post sobre minha colega iraquiana não passaria sem causar alguma polêmica, embora eu tenha até me surpreendido (positivamente) com a rapidez e animação com que vocês se manifestaram.   Desde que me mudei para a Suécia eu desvio do assunto quando penso em escrever um post sobre as enormes diferenças que há entre os estrangeiros vindos do oriente médio e o os vindos de outros cantos do mundo. Desvio porque sou o tipo que evita muita polêmica. Acho que os oito anos que trabalhei como professora de cursinhos, nos quais discutia três, quatro vezes por dia o mesma tema sempre muito polêmico, para tentar ajudar os alunos a pensarem argumentos que eles não haviam pensado contra a tese que sustentavam no início das aulas, e tinha que trabalhar de mediadora para que eles não se pegassem na sala, me deu uma coisa nas veias de sempre querer ver dois lados das moedas.  Além disso, o tema sobre o uso do véu e como os israelenses, iraquianos, paquistanese

O véu que cobre seu rosto é o véu...

(Minha colega de curso de sueco iraquiana, no meio de uma de nossas aulas, Malmö, 2009) O número de imigrantes do Oriente Médio na Suécia, e em Malmö sobretudo, é muito grande. No início muitos deles eram refugiados de guerra e, com os anos, foram trazendo suas famílias e parentes junto.  No Komvux, um órgão de ensino do Estado, que dá cursos gratuitos para estrangeiros, o número de iraquianos e israelenses é também muito alto. Então, em meio a gente do mundo todo, de culturas totalmente diferentes, há muitas mulheres desses lugares, como a moça que vocês vêem na foto, que usa o véu e uma roupa preta quando está na rua. No esquema que estou estudando aqui, no Språkverket, isto é, uma ala dedicada ao pessoal que já tem uma base do sueco, nós nos dividimos em quatro salas diferentes, nas quais são dadas aulas em que a gente mesmo se inscreve e planeja qual quer, com cinco professores diferentes também. O esquema é interessante, embora tenha alguns itens desfavoráveis. Ele também não a

"Na Suécia também não tem"... câmera no elevador

(Cartaz do fantástico livro de George Orwell, "1984", cujo tema é a sociedade vigiada) Uau! Vi agora o montão de comentário nota dez que vocês enviaram e estão enviando sobre o post dos sapatos na Suécia. Vou fazer um outro texto deles todos, porque eles merecem! Por agora só não aguento não comentar essa outra coisinha diferentésima da Suécia em relação ao Brasil. E se você vive em cidades grandes, como eu vivia em São Paulo, você vai notar a diferença com certeza! Há um bom tempo percebi isso, mas voltando agora há pouco da casa da Wilma, um amor de senhorinha carioca de quem eu comprei uns salllgadinhos bem brasileiros, me dei conta disso de novo. Eu estava lá no elevador e fiquei olhando pro espelho fazendo caras e bocas, medindo se meu cabelo tava acertado, se a sombrancelha tava tirada, contando o número de rugas do lado direito, sabe essas coisas? E aí me veio assim: "nossa! será que alguém viu isso tudo?". Por alguns segundos esqueci-me de onde estava e

Por favor você pode tirar o seu sapato?

Depois que escrevi aquele post sobre a gente ter de tirar os sapatos nas casas aqui na Suécia e de ter lido os comentários interessantíssimos de vocês eu fiquei pensando que as tradições familiares ultrapassam as tradições culturais de um país todo. Eu também nunca fiquei "de sapatos" dentro de casa no Brasil. Não porque minha mãe proibia ou algo assim, mas porque sempre adorei ficar descalço ou, no máximo, com minhas havaianas, legítimas ou não. O fato é que ouvindo tantos de vocês dizendo que as mães, as avós ou vocês mesmas adotam esse costume em casa, aí no Brasil, achei que a gente pode levar a conversa adiante. Eu não sei se quando escrevi o post todos vocês entenderam que se trata de não entrar na casa com o mesmo sapato que estava na rua. Isso também acontece nos hospitais, nas academias, em muitos outros lugares públicos, onde a gente deve colocar um plástico azul para proteger o chão da sujeira que estamos carregando nos sapatos. Então, embora no Brasil a gent

A vida segue bem boa. E eu sinto saudade...

(Domingo de passeio no campo de futebol para apoiar o papis na pelada, Malmö, maio de 2009) Hoje é feriado aqui. Os cristãos celebram a ascenção de Jesus aos céus. Eu havia confundido com o Corpus Christi, porque li rapidamente no calendário sueco (Kristi himmelsfärds dag - Dia da subida ao céu de Cristo ou algo assim). Depois de falar com minha irmã e ela dizer que Corphus Christi era só em junho eu vim aqui me corrigir.  Bom, aqui o dia está lindo, maravilhoso. Acordei com tanta, mas tanta saudade da família e dos amigos no Brasil que dá até raiva dessa diferença de cinco horas que não me ajuda a conseguir falar com ninguém direito. Estava ouvindo "Good morning Starshine" e todas as músicas de um cd chamado "This is 1969" que encontrei naquele Spotify sueco fantástico. Os meus queridos Renato e Ângelo estão ali no parquinho do jardim do prédio brincando na areia e minha função é escrever rapidinho aqui e fazer minha arrumação da casa pro almoço.  Passei então

"Na Suécia também não tem"... como entrar de sapatos na casa dos outros

("Um par de sapatos", Vincent Van Gogh, 1886) Eu incorporei tanto essa mania européia e também muito sueca de tirar os sapatos todas as vezes que visito alguém ou em minha própria casa que eu quase me esqueci que por mais de três décadas eu havia existido de jeito diferente. Lembrei-me disso outro dia na aula de sueco, durante um grupo de conversação. O tema sobre o que pegava bem e o que pegava mal de se fazer na Suécia acabou parando nessa coisa de tirar ou não os sapatos. O pessoal que estava no grupo era da Polônia, da Bulgária e da Inglaterra. Então o professor foi deduzindo algo assim, depois de todo mundo concordar que haviam de tirar os sapatos na casa de um sueco, ou ao menos perguntar se deveria ou não. Disse o coordenador do grupo: "ah! okey, parece que nisso há um consenso e em todos os países é igual. E então eu parei: "pera lá! No Brasil não é assim não..." Quando eu então expliquei que no nosso país a gente não tem esse hábito coisí

Quem levou o Eurovision foi a Noruega e quem dançou fui eu

(Alexander Rybak, ganhador do Eurovision 2009) Vocês não acreditam que lugar é aquele Turning Torso por dentro.  Que maravilha! Que vista!  Que moderniade! Que tudo! Mas se eu fiquei babando na vista de lá eu também fiquei de queixo caído quando fui vendo que dos 42 países votantes ontem, a maioria ia dando seu voto para Alexander Rybak, o menino russo, crescido na Noruega, que acabou levando o prêmio do Eurovision desse ano na noite de ontem. Eu dancei em todos os sentidos. Feliz da vida, eu dancei mooito na companhia do pessoal dono do apê e de minhas amigas Xu e Helena (eu vou falar do encontro em outro post, porque esqueci minha câmera e tô esperando fotos do pessoal). E dancei e cantei com eles e tiramos fotos e demos risada hahá hahá... mas dancei em não estar razoavelmente preparada para perder pra vizinha Noruega. Quem ganhou foi minha amiga Lu que vive por lá e eu devo confessar que fiquei tinindo de raiva... Ô ralhos! além dele ganhar tantos pontos, minha amiga opera si

O Princípio do Vazio

(Sentimento de vazio, Ben Goossens )   Já faz um bom tempo que eu não reproduzo textos de terceiros aqui no blog. Eu realmente só o faço quando gosto muito e faço de outros as minhas palavras. Recebi a versão de "O princípio do vazio" em espanhol de minha amiga Jéssica. O texto d Joseph Newton foi originalmente escrito em inglês, mas aqui divido a tradução para o português. Procurei mais sobre o autor, mas não encontrei nada além de milhares de reproduções desse mesmo texto em muitas outras línguas. Ótimo sábado ao som de música de coral em latim daquele meu programa fantástico... ... Princípio do Vazio Tens o hábito de juntar objectos inúteis, acreditando que um dia, não sabes quando, poderás precisar deles? Tens o hábito de juntar dinheiro, pois pensas que no futuro te poderá fazer falta? Tens o hábito de guardar roupas, brinquedos, sapatos, móveis, utensílios domésticos e outras coisas que já não usas há bastante tempo? … E dentro de ti? Tens o hábito de guardar

Nesse sábado no Eurovision vote na Suécia ou em Portugal

(A sueca Malena Ernman, no Melodiefestivalen que a elegeu para o Eurovision de 2009) Eu queria tanto escrever um post bem dos bons, cheio de análises e coisa e tal, sobre a final do Eurovision, a competição mais famosa de música aqui da Europa, antes de amanhã, mas não vai dar. Estou um caco e o fim do dia quer vai me empurrar pra cama já já. Entretanto, porém, todavia, não posso ir dormir sem dar uma passadela no que irá acontecer amanhã por aqui. Nessa terça-feira passada assisti a semi-final aqui em casa com as amigas Xu e Ângela e o Re. A última parte da versão sueca, o Melodifestivalen , em que os cantores suecos disputaram entre si em três etapas, eu havia visto com a Xu e um grupo de suecos na casa da sueca Helena, e foi então que eu acabei entrando pra essa roda.  Foi o Eurovision que lançou o ABBA ao mundo e essa competição faz com que mais da metade da Suécia pare para ver o programa. Amanhã, na final, a NOSSA candidata, minha amiga Malena Ernman   irá representar a Suéc

No meio do caminho havia... dois patos e cinco patinhos

(Cena do dia a dia estressante da primavera de Malmö, maio de 2009, foto da minha amiga Xu-Muié) Desde o início da Primavera todos os patos do mundo vieram voando pra Malmö e a cidade encheu-se deles por todos os lados, mas foi só depois dos danados, que vieram cheios de segundas intenções, terem se reproduzido aos milhares que a cidade literalmente tem parado pra ver. Essa é uma cena típica do nosso dia aqui. Em qualquer canto da cidade há famílias inteiras de patinhos atravessando as avenidas. Essa aqui é uma das grandes da região da praia e cruza a frente da minha casa. Com essa foto que minha amiga Xu tirou de manhã, indo pro trabalho, dá para ter uma idéia da vida estressante que a gente leva na Suécia. Tem gente que detesta. Eu, vocês já sabem de longa data, sou deslumbrete e adoro. Acho demais a família rebolando pra lá e pra cá atravessando a rua com cuidado. E sempre vai a mãe (eu imagino que seja a mãe porque é um pato menor) e o pai atrás protegendo suas crias de uma fo

Manhêêê!!!

("Ângelo dá um abraço na mamãe para a gente mandar a foto pra Vó!", eu e Ângelo hoje de manhã no meu abraço de dia das mães, Malmö, maio de 2009) Hoje é dia das Mães aí no Brasil. Os suecos comemoram (sem tanta farfalha no comércio) em outra data, a qual eu nunca me lembro. Eu teria tanto pra falar de minha mãezinha, Dona Maria, assim como você provavelmente pode falar maravilhas de sua mãe e pensar como seria sua existência sem essa criatura.  Eu também tenho um infinito de coisas pra dizer do que é ser mãe do Ângelo e de como eu me sinto diferente desde que o tive... mas eu não estou muito inspirada hoje para escrever coisas bonitas. (Eu e meu Ângelo no meio da Praça São Pedro, Roma, abril de 2009) Eu acordei cedo, Ângelo acordou chamando: "mamãe!" e estou aprontando o café da manhã enquanto os "meninos" tomam banho. Estou ouvindo música espanhola, as sevillanas que eu dançava quando aprendia flamenco. Eu estou feliz com o sol maravilhoso que invan

Ferlot mig! Parece que o CD só morreu na Suécia!

(Cd-morto, foto de Orion Optiglot) Descullllpa minha gennnnte! Após eu comentar no jantar agora há pouco com meu marido tecnologizado que vocês não estavam conseguindo acessar o Spotify , aquele site de músicas que sugeri que vocês usassem no velório dos cedês de vocês, ele me disse que ACHA QUE o site só está disponível onde? onde? Aqui, onde euzinha e elezinho moramos: na Suécia! O site é demais, mas por enquanto vocês terão que vir morar aqui ou passar férias comiga para aproveitar, ok? Como eu não sou nada ligada a nada eu dei esse furão com vocês, mas a gente continua amigo não é? Sabe como é né? morar em lugar assim super prafrentex é um negócio que faz até a gente aposentar coisa que ama... mas vendo pelo outro lado polianístico: vocês não precisam ir a velório algum! Nem vocês aí no Brasil, nem vocês de outros lugares tão supimpas quanto o Brasil, tipo o Sérgio e a Marilena , no Canadá, por exemplo! Enquanto eu, vejam só! posso até conseguir ouvir numa qualidade incrí

O velório do finado Zé Cedê

("O pianista", Somnia de Carvalho, 2004, acervo particular: Cindy Bataglia) Ontem foi a morte de um querido e amado meu, o CD e o que eu posso dizer é que o funeral tem sido animado e à base de música muito boa. O Renato, meu marido tecnologizado, já me dizia há alguns anos a mesma frase chatinha: "Sônia, pra que carregar esses cds para a outra casa? O CD morreu!". Ui, como eu detestava essa coisa dele, insistindo pra eu deixar meus cds velhinhos, de capas quebradas, onde eu coleciono gente que eu amo e que me acompanha todo santo dia. Eu sou o tipo que não vive sem música. Eu tenho música especial pro café da manhã, como Madredeus, Fortuna e clássico barroco. Eu tenho música pro dia feliz, como Cake e músicas do mundo e seleciono a dedo música pros dias tristes, pra ajudar no chororô. Eu preciso de música especial pra trabalhar na pintura, normalmente as instrumentais e fortes. Um exemplo foi como o Concerto número 3 do Rachmaninov que eu já amava, mas que dep

A visita da prima e a resposta aos comentários

(Foto da vista de um das dezenas de  "barcão" que  encantam o Ângelo e passam aqui em frente o dia todo, a pedidos da minha mãe, Malmö, abril de 2009) Bom dia, bom dia e ótimo dia! Fui tentar responder os comentários dos últimos dois posts, mas não entra. Eu consigo entrar para postar, mas não consigo responder. Vou esperar um pouco mais e ver se resolve o "porobrema", mas tento dar mais ou menos as respostas aqui... Aqui o sol deu uma sumida e está uma chuvinha há uns três dias. Ainda assim a claridade não deixa o dia ficar sem graça e temos tido um dia muito longo. O sol tem nascido muito muito cedo e praticamente ainda temos dia as dez da noite. Da vista que vocês viram a gente tem vivido esses dias como se fossem todos fins de semana. A Primavera na Europa faz a gente viver como se fosse passarinho, como se fosse um esquilo pelo bosque.  Em todos os blogs de colegas que vivem por aqui vocês verão algo parecido. As cores são muitas e muita alegria. É tanta

A ginga brasileira e os olhares suecos

(Grupo de brasileiros de uma escola da cidade, jogando capoeira no centro, Malmö, abril de 2009) Foi num final de semana desses aqui da Primavera que eu e o Ângelo estávamos passeando pelo centro da cidade. Numa das praças centrais, a Gustav Adolf, tinha uns moços e umas moças brasileiras sentados tocando o berimbau, chamando aos poucos o povo pra ver uma cena de capoeira. A sensação super gostosa de ouvir nossa língua e de sentir-se tão em casa no meio da Suécia fez com que sentássemos ali do ladinho deles e fez com sangue brasileirinho do Ângelo gritasse forte. Ele começou a dançar feliz, assim como algumas dezenas que estavam por ali começaram a chacoalhar seu esqueleto. Mais um e mais um grupo parando... "Capoeira. É do Brasil", alguns muito informados diziam. E então mais alguns cinco, dez, vinte, cinquenta... Uau! Em uns dez minutos a praça juntou umas centenas de pessoas em círculo. Tudo totalmente natural, tão natural quanto se junta gente em torno daqueles caras