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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Uma caipira quase sueca na capital paulista, 1

("Abelha", Redmachined ) "Nós continuamos estrangeiros"... Essa foi uma curta e sábia frase dita pelo meu querido Renato, sábado passado, quando nos dirigíamos a um restaurante e após eu fazer algum comentário do tipo "eles acham que", me referindo a algum modo comum de agir dos brasileiros. Na Suécia "eles" eram os suecos. Nos sentíamos e éramos muito diferentes dos que por ali haviam nascido e crescido. Apesar de respeitar, admirar, negar ou copiar seus modos e jeito de pensar tínhamos a consciência de que suecos nunca seríamos. Éramos brasileiros e ponto. Ou ao menos isso era o que pensávamos na época. Sábado, um mês depois de nossa volta, a frase do Renato resumia nosso sentimento de agora não se reconhecer como brasileiro e, de muitas vezes, negar o vínculo que temos com o povo daqui. Bom, a minha frase "eles acham que" vinha logo depois de eu ter sentido sacudir meu ventre todo numa pancada muito forte que duas paulistanas d

Estranhamento no. 2: Minha deusa, a tevê

("Acerca do futuro 1984" 58/365, TwistedPrincess ' photo stream) Eu já havia escrito várias vezes sobre a r elação quase doentia que acredito que nós brasileiros temos com a televisão, sobretudo em dois posts da série "Na Suécia também não tem... ". O primeiro deles sobre TV em consultório e hospital" e o segundo sobre câmeras no elevador ". Por essa razão não imaginei que esse seria tema dos meus muitos estranhamentos na volta ao meu país. Tenho pensado em escrever sobre o tema há vários dias, mas hoje vendo a constatação do Leo (morador de minha antiga cidade, Malmö), sobre o que ele ainda acha impressionante de ver na Suécia , eu quis muito falar a respeito desse meu estranhamento e adiantei o que deveria ser o número três na sequência dos posts. Logo na primeira semana de retorno ao Brasil, com virose e dores abdominais, fui parar num hospital lá pelas cinco da matina. Para ser simpática (e porque um hospital particular tem desses luxos &qu

"Jag vill tacka livet", quero agradecer à vida hoje, mas em sueco...

("Jag vill tacka livet", Arja Saijonmaa , versão de Gracias a la vida de Violeta Parra) Em vários momentos diferentes dos últimos anos eu postei ou citei a maravilhosa canção de Violeta Parra aqui... (Provavelmente a maioria de vocês já ouviu na voz da sempre doce Mercedez Sosa ...) Em dias em que olhava para o mar Báltico azulzinho em frente da antiga casa na já longígua Suécia. Normalmente em manhãs em que sempre me dava conta de que a vida pulsava em mim e à minha volta nas pessoas que amava tanto... Hoje acordei pensando na antiga "Casa Nova", a forma como Ângelo sempre se referiu à casa onde ele mais viveu até hoje e tive muitas saudades. Ao mesmo tempo tudo parecia quase parte de um grande sonho, sabe? um lugar onde se acordava de frente para o mar, ouvindo passsarinhos, vendo o colorido das flores na primavera e o branco da neve no inverno... onde eu me locomovia sentindo o vento nos cabelos em minha " Madalena " preferida junto com Ângelo.

Estranhamento n. 1: a minha, a sua, a nossa língua portuguesa

("Rasgado", Catherine G McElroy ) O primeiro dos muitos estranhamentos sentidos por mim, neste meu retorno ao Brasil, depois de quase 4 anos na Suécia, deu-se ainda no Heathrow, maior aeroporto em Londres, onde fazíamos conexão. Na Escandinávia vivem e passam muitos brasileiros, como em todo canto do mundo, mas quase nada se compararmos com as mais famosas capitais mundiais. Quando você chega lá, você nota facilmente isso, o que talvez lhe deixe triste por não conseguir decifrar nadica de nada do que se fala nas ruas, nos shopping center, nos bares e restaurantes. Mesmo no aeroporto em Copenhaguem, de onde se faz conexão do sul da Suécia para cá, por exemplo, é muito raro ouvir português e na Suécia eu poderia contar as vezes em que encontrei brasileiros falando pela rua. A Escandinávia não é, sem sombra de dúvida, o destino de turismo escolhido pela maior parte dos brasileiros. Foi por conta disso minha primeira sensação muito esquisita no imenso aeroporto inglês: comec

"Ando devagar..."

Continuo escrevendo rapidamente de uma mesinha mi+núscula e baixinha no único cantinho do meu apê onde consigo ter acesso à internet. Isso significa que para além das muitas coisas que ando a resolver fora de casa, aqui dentro ainda falta muito para ajeitar, inclusive porque o barrigón pressionado só aguenta uns 15 minutos aqui parado. Desde que saímos da Suécia há quase 3 semanas, acho eu, tenho em mente uma série de posts sobre as primeiras impressões. Escrevo-os mentalmente e estão todos aqui guardados para serem partilhados. Não tenho fotos para partilhar, sorry Lucinha! Nossa bagagem havia sido dividida entre as que trouxemos dos dias do hotel, algumas caixas por avião com coisas urgentes e a grande, vindo por navio. Cabos e muitas coisas não estão aqui. Estamos mesmo vivendo com o que trouxemos na mala do hotel. A lentidão, burocracia estupidamente exagerada brasileira faz com que tudo nosso esteja ainda na Inglaterra. Boas notícias são que Ângelo já passou por adaptação num

Sou feliz porque Sou...: sobre a relação de causalidade entre maternidade e da felicidade

(Eu, Marina e o Mar, Litoral Paulista, agosto de 2010) Gente boa, Só para linkar para vocês dois posts da Lola a respeito do quanto se é ou não feliz tendo ou não filhos. Assunto interessante e quase sempre espinhudo também. Esses dias deixei um comentário sobre o assunto lá, quando ela refletia humoradamente (" Mentiram para mim: ter filhos não traz felicidade ") sobre uma pesquisa que provava que ter filhos não garante felicidade para grande parte de quem os tem. Hoje ela fez um outro texto muito legal ("Mães extremamente felizes respondem) tratando do meu comentário e o de outra leitora. E por falar em Lolíssima aproveito para divulgar o novo concurso de blogueiras que ela está promovendo. Passem lá, se inscrevam, divulguem posts legais porque a troca vale muito a pena! Bom, deixa eu ir comer a comidinha deliciosa da minha mãezita Dona Maria, porque disso eu andava mesmo com muita saudade...

"Disseram que eu voltei americanizada...": sobre o retorno ao "lar" a e os primeiros estranhamentos

("As costas de Luísa", Sami Charmine ) Queridas e queridos, o post abaixo foi escrito por mim logo no início da semana passada, numa madrugada em que havia perdido o sono por conta do fuso. Salvei no word e só hoje estou conseguindo postá-lo da casa de minha mãe. Não vou reler porque possivelmente me decidiria por não publicá-lomais. Vi abaixo vários comentários carinhosos me pedindo notícias. Muitos amigos me mandaram emails e querem telefone, celular, respostas pela internet. Estou meio sumida aqui também. Nossa primeira e segunda semana foi assim um turbilhão de coisas acontecendo. Desde chegada com virose brava minha e do Ângelo, passando por reforma sem água no prédio onde moramos e atraso total das nossas bagagens por conta da burocracia brasileira. Foi um tempo de procurar escolinha, rever a família próxima, fazer exames e acertar o parto e tudo que podem imaginar de uma volta ao país de origem com 8 meses e meio de gravidez. Tudo corre bem. A (re) adaptação não é