Pular para o conteúdo principal

Segunda sueca


("Guldlock", Eva Dahlgren)

O dia em São Paulo amanheceu chuvoso. Céu cinza.
Apesar da baixa temperatura na madrugada, o dia não é frio, mas é um típico dia de inverno brasileiro.

Ao preparar o café da manhã ainda no escuro lembrei-me das muitas e muitas manhãs de inverno na Suécia. A atmosfera mais quieta, a névoa, o escuro e automaticamente precisei ouvir Eva Dahgren que para mim é a cara do lado frio e fechado da Suécia. Ao mesmo tempo a forma quieta e contida de ser dos suecos e suecas.

Esta música é linda, minha preferida da cantora quem, aliás, diz no início deste vídeo acima, antes de cantá-la, que é também a música que ela mais ama cantar.  Dá para sentir um peso na melodia, mesmo que não se entenda a letra... Lembro-me ter ouvido na casa de uma amiga também sueca e pedido emprestado. Amava mesmo antes de entender qualquer palavra, antes de estudar a língua.

Abaixo a letra em sueco e uma versão fraquinha tomada no google só para vocês terem uma idéia do sentido, já que não tenho tempo para fazer uma tradução melhor agora. Fiquem livres para contribuir com a tradução pra gente...

Guldlock significa originalmente algo como cachos dourados. Remete a uma fábula que acredito (ou inventei) ser sueca... Na música Eva dá o nome de Guldlock para alguém que ama... Bom esta é minha interpretação... e ela pode ser pura viagem... mas viagem boa mesmo é ouvir esta cantora. Experimente!

A entrevista é apenas alguns segundos e então você pode ouvir a música.

Ótima segunda-feira...


Guldlock

Kom guldlock med ögon blå
Kom nu för jag längtar så
Kom nu
Med din evighet
Som det enda svar jag vet

Kom stjärnöga ge mej tröst
Som vårvärme i mitt bröst
Kom liten till värld så stor
Du min himmel
Jag din jord

Så många mil som jag färdats
Och sökt
Nånting
Nånting
Nånting
Jag funnit kärlek lycka och lugn
Men i mej
I mej
I mej finns ändå tomma rum

Kom vildvind med rosenkind
En kort stund var bara min
Så lovar jag
Innan du ber
Att ge dig frid

Kom du som ser världen ny
Som aldrig sett dagen gry
Låt all skönhet på min jord
På nytt födas
Med dina ord

Så många mil som jag färdats
Och sökt
Nånting
Nånting
Nånting
Jag funnit kärlek lycka och lugn
Men i mej
I mej
I mej finns ändå tomma rum


...

Goldlocks

Goldilocks veio com olhos azuis
Venha Eu Gosto de Ver
vem agora
Com sua eternidade
Como a única resposta que eu sei

Vem me dar conforto estrelado
Como o calor da primavera no meu peito
Venha pouco para tanto o mundo
Você é meu céu
Eu sou o seu solo

Quantas mil como eu viajei
e procurou
algo
algo
algo
Eu encontrei a felicidade, amor e paz
Mas em mim
em mim
Em mim ainda há quartos vazios

Obter selvagem com vento aumentou face
Pouco tempo foi só a minha
Prometo
Antes que você pergunte
Para lhe dar paz

Você viu o mundo como nova
Como nunca se viu dia amanhecendo
Deixe toda a beleza da minha terra
No recém-nascido
Com suas palavras

Quantas mil como eu viajei
e procurou
algo
algo
algo
Eu encontrei a felicidade, amor e paz
Mas em mim
em mim
Em mim ainda há quartos vazios



Comentários

Beth/Lilás disse…
Carácoles! Que voz lindona essa gringa tem, amei!
Eu estava ouvindo uma outra cantora com voz forte e vibrante como ela, a Zélia Duncan e desliguei para ouvir a sua indicação. E percebo como as mulheres são ótimas intérpretes, cantam com muita vibração e eloquência.
Mesmo sem entendermos o que ela diz, dá pra sentir que fala de algo muito intenso expresso através de sua bela interpretação.
Esta é a segunda cantora sueca que você me apresenta e que eu fico impressionada. adorei!
beijinhos gelados, cariocas
Somnia Carvalho disse…
pois eu lillasss! eu adoro esse vozerao dela... fora que a cantora e cheia de personalidade, e meio down... eu adoro!

ah e ela tambem e assumidamente homossexual como zelia... quer dizer acho que a zelia e assumida total, nao sei de fato... mas a Eva e companheira da dona de uma grife de joias muito famosa na suecia...

vou indo! beijos

Postagens mais visitadas deste blog

Azulejos em carne viva? O que você vê na obra de Adriana Varejão?

( "Azulejaria verde em carne viva" , Adriana Varejão, 2000) Gente querida, Domingão a noite e tô no pique para começar a semana! Meu grande mural preto, pintado na parede do escritório e onde escrevo com giz as tarefas semanais, já está limpinho, com a maior parte "ticada" e apagada. Estou anotando aqui o que preciso e gostaria de fazer até o fim desta semana e, entre elas, está finalizar a nossa apreciação da obra de Adriana Varejão , iniciada há dias atrás. Como podem ver eu não consegui cumprir o prazo que me dei para divulgação do post final, mas abri mão de me culpar e vou aproveitar para pensar mais na obra com vocês. Aproveito para convidar quem mora em São Paulo a visitar a exposição da artista, em cartaz no   MAM , Museu de Arte Moderna, no Parque Ibirapuera, com entrada gratuita e aberta ao público até 16 de dezembro deste ano. ("Parede com incisões a La Fontana", Adriana Varejão, 2011) Para "apimentar" a dis...

Na Suécia também não tem... branco no Reveillon

Se você é brasileiro ou brasileira conhece, com certeza, a tradição da roupa branca na virada de todo ano novo no nosso país. Diz a lenda que o uso da roupa branca atrai boas energias. A claridade e a luz provindas do branco sempre remetem à paz, harmonia, pureza etc e, apesar de ser um costume tomado por brasileiros de todas as religiões, a raíz dele está na cultura e na religião dos negros africanos que também colonizaram o Brasil.  Eu, obviamente como boa brasileira, sempre soube que se não fosse de branco eu deveria ao menos escolher uma cor super alto astral ou de sorte, como o amarelo. Ou pôr umas calcinhas novas, também de cores "boas" para garantir um sucessinho. Eu normalmente passo reveillon em alguma praia então eu só tenho na memória gente vestida de branco, amarelo e, no máximo, um azulzinho. Ninguém quer atrair maus fluídos e entrar com o pé esquerdo no primeiro dia do Ano Novo. Ou quer? Bom, se você estiver cansado dessa tradição e opressão do branco sobre você...

Violeta Paz é que eu me chamo!

("Violeta Paz", detalhe da tela que fiz hoje, inspirada pela postagen lilás, Somnia Carvalho, abril 2010) Semana passada eu fui contagiada pelo vermelho de vocês e tentei, tentei ardentemente criar uma tela em vermelho... Eu queria mostrar como essa cadeia de influência, essa rede que se chama internet pode nos afetar negativa ou tão positivamente. Depois de ler a história do vermelho cabelo da avó da Glorinha eu queria pintá-la... queria pintar sua força e sua ingenuidade. Queria pintar sua feminilidade e queria pintar o amor de sua neta por ela. E como minha tentativa de expressar em cores o que sentia não funcionava fui tentando outras telas. Tentei em três telas diferentes algumas idéias... criar uma tela em vermelho (a partir de uma foto preto e branco) da minha sogra Irene no dia de seu casamento sendo pega pelo meu sogro Caetano, num ato espontâneo de amor... Depois tentei uma dançarina de tango e parei na metade... Depois minha linda amiga Liana ...