Pular para o conteúdo principal

Foi num dia de verão...

(Paisagem à beira da estrada, indo para Zoológico em Höör, Suécia, agosto de 2008)


Este fim de semana foi incrivelmente azul e quente. E, apesar de eu até estar com vontade de ficar em casa um pouco, acabei por concordar com o Renato quando ele me disse mais ou menos assim:

- Sônia, logo a gente não vai ter escolha. Quando chegar o inverno, não há como voltar mais, não há como pedir sol, nem pedir um dia diferente. Então, melhor a gente sentir o sol o mais tempo possível, porque ao menos saberemos que não perdemos um dia sequer, quando ainda era possível. 

E eu concordei totalmente com ele. Passamos o sábado e domingo, feito os suecos, passeando por zoológico, praia, rolando na areia e na grama com o Ângelo. Pusemos o rosto no sol e ficamos sentindo o calor na pele. É assim que as pessoas fazem por aqui, numa atitude natural, como da flor que se vira para o lado do sol.

O fim do verão traz uma coisa estranha pra todo mundo aqui: é como se um grande, muito precioso amigo estivesse indo embora e a gente fica com nó na garganta. Sensação estranha, triste e valiosa. 






Poema de Fim de Verão

"Quando eu sair outra vez
A voar em busca de um verão,
vou levar fragmentos dos dias
de risos, de sonhos e de querer.
Haverei de ir mais longe...
como a que buscar
uma lembrança...
ou a suplicar bonança
em forma de calor.

Minhas asas de cera e poesia,
abertas ao despencar do dia.
se recolherão, e...
como num abraço de irmão
me protegerão da saudade.

Nas rotas mais improváveis
rasgarei o azul anil,
e de encontro aos ventos
estarei a te guardar alí...
Na linha do horizonte
que me divide minha alma
em duas metades
tão desiguais
e tão sem você."

Comentários

Anônimo disse…
Olá Sonia!!

Existe uma música sueca que se chama "sommaren är kort" (O verão é curto) de Tomas Ledin que só ao ouvi-la vc entende o porque dessa fixacao pelo sol...

Desta música, tem sempre quatro frases (q nao sao cantadas juntas) que para mim revelam a essencia e a importancia de um dia ensolarado aqui...

Sommaren är kort (O verão é curto)
...
Hösten kommer snart (O outono está chegando/ou chega logo)
Så lyssna på mig (então, me escute...)
Solen skiner kanske bara idag (O sol talvez brilhe/esteja brilhando apenas hoje)

xero
Beth/Lilás disse…
Ah, que coisa linda!
O que você escreveu deixa evidente esta paixão e necessidade do ser humano pelo astro-rei.
Aqui, neste hemisfério quente e quase sempre ensolarado, até nem damos o devido valor a esta importante estrela. Mas aí, com a escassez que virá a partir de alguns dias, todos parecem mesmo flores (como você disse)voltadas para ele, recebendo seus milagrosos raios aquecidos e benéficos.
É tão bom quando a gente é grata à natureza pelo que ela nos dá de graça, totalmente para nosso benefício, né mesmo!
E você fez o que toda esposa inteligente deve fazer nestas horas - ouviu o marido.
Que vocês tenham uma linda semaninha, ainda aquecida.
beijo carioca
Somnia Carvalho disse…
Olá Ju!

que coisa essa canção que você colocou aí! Você tem toda razão. Ela traduz perfeitamente o que Renato tava dizendo e o que esse povo aqui parece sentir com relação ao verão.

Não sei se com você já é parecido isso, mas a gente agora vive meio em função desse Sol também...

Como adorei a tradução que você colocou aí desses versos, acabei achando a música no youtube e a letra.
Pena meu sueco ainda ser um rapaz fraquinho, mas deu para entender alguma coisa.

Abração, Somnia.
Somnia Carvalho disse…
Ah! Ju, coloquei a música num link ao lado do blog e depois ela vai para a lista de músicas do Borboleta. Assim o pessoal que lê pode ver a letra toda e ouvir também...
Somnia Carvalho disse…
Hey Lilás! ha-ha-ha!
morri de rir com o final do seu comentário!

Quer dizer que mulher inteligente ouve o marido? haha... só fiquei pensando: sera que ela falou serio ou era uma piada carioca? haha...

eu costumo tentar dar ouvidos ao meu marido sim, boa parte do que ele fala vale a pena pensar, mas como ele é engenheiro, virginiano, costuma dar pitaco em tudo, então, não dá para ouvir sempre, senão enloquece! haha... entendeu?

Ele mandou, veja bem: mandou! eu dizer a voce que voce esta coberta de razão e que é para eu seguir mais os seus conselhos aqui em casa..

Então, é linda a relação desse povo com a natureza. Eu sei - e todo mundo sabe - que os europeus detonaram com a natureza há muito tempo atrás, mas o suecos, ao menos, fogem à regra nesse quesito.

Acho que o Sol é esse astro rei que impõe respeito mesmo... adoro sentir, olhar, ver, pensar no sol...

beijao!!! e me diz uma coisa so: seu marido costuma dar bons conselhos também?
Beth/Lilás disse…
kkakaka
Você é danadinha, heim!
Pois saiba que meu marido também é engenheiro e canceriano. Pior ainda, né!E mais velho que o seu, já imaginou então!

O negócio é que eles (men) se tiver um sol brilhando lá fora, dirão logo que preferem um passeio ao ar livre, praia, parque,ver corrida de caranguejo, sei lá, etc....Enquanto que nós, pensamos primeiro num shopping, cinema, algo não tão natural, mais fechado, mais limpinho digamos assim. Nesses casos é sempre melhor ouvi-los, porque no final são bons os passeios.

Agora, eu, sou daquelas que geralmente "finjo" que ouço, se é que me entende.
Quando a gente fica mais velha esta é uma das nossas virtudes, ou seja, deixar que eles acreditem que os ouvimos e somos por eles comandadas.
Pssssiii, não deixa o maridão saber, tá.

beijo carioca
Somnia Carvalho disse…
Entendo Lilás!

parece que as mulheres têm o dom de ser excelentes atrizes, quanto mais inteligentes, mais exepcionais atrizes a gente pode ser! hahahaha...
A J Lobone disse…
Fiquei muito feliz de ver um escrito meu por aqui...
Um beijo com carinho moça.
Anderson Julio Lobone

Postagens mais visitadas deste blog

Azulejos em carne viva? O que você vê na obra de Adriana Varejão?

( "Azulejaria verde em carne viva" , Adriana Varejão, 2000) Gente querida, Domingão a noite e tô no pique para começar a semana! Meu grande mural preto, pintado na parede do escritório e onde escrevo com giz as tarefas semanais, já está limpinho, com a maior parte "ticada" e apagada. Estou anotando aqui o que preciso e gostaria de fazer até o fim desta semana e, entre elas, está finalizar a nossa apreciação da obra de Adriana Varejão , iniciada há dias atrás. Como podem ver eu não consegui cumprir o prazo que me dei para divulgação do post final, mas abri mão de me culpar e vou aproveitar para pensar mais na obra com vocês. Aproveito para convidar quem mora em São Paulo a visitar a exposição da artista, em cartaz no   MAM , Museu de Arte Moderna, no Parque Ibirapuera, com entrada gratuita e aberta ao público até 16 de dezembro deste ano. ("Parede com incisões a La Fontana", Adriana Varejão, 2011) Para "apimentar" a dis...

Na Suécia também não tem... branco no Reveillon

Se você é brasileiro ou brasileira conhece, com certeza, a tradição da roupa branca na virada de todo ano novo no nosso país. Diz a lenda que o uso da roupa branca atrai boas energias. A claridade e a luz provindas do branco sempre remetem à paz, harmonia, pureza etc e, apesar de ser um costume tomado por brasileiros de todas as religiões, a raíz dele está na cultura e na religião dos negros africanos que também colonizaram o Brasil.  Eu, obviamente como boa brasileira, sempre soube que se não fosse de branco eu deveria ao menos escolher uma cor super alto astral ou de sorte, como o amarelo. Ou pôr umas calcinhas novas, também de cores "boas" para garantir um sucessinho. Eu normalmente passo reveillon em alguma praia então eu só tenho na memória gente vestida de branco, amarelo e, no máximo, um azulzinho. Ninguém quer atrair maus fluídos e entrar com o pé esquerdo no primeiro dia do Ano Novo. Ou quer? Bom, se você estiver cansado dessa tradição e opressão do branco sobre você...

Violeta Paz é que eu me chamo!

("Violeta Paz", detalhe da tela que fiz hoje, inspirada pela postagen lilás, Somnia Carvalho, abril 2010) Semana passada eu fui contagiada pelo vermelho de vocês e tentei, tentei ardentemente criar uma tela em vermelho... Eu queria mostrar como essa cadeia de influência, essa rede que se chama internet pode nos afetar negativa ou tão positivamente. Depois de ler a história do vermelho cabelo da avó da Glorinha eu queria pintá-la... queria pintar sua força e sua ingenuidade. Queria pintar sua feminilidade e queria pintar o amor de sua neta por ela. E como minha tentativa de expressar em cores o que sentia não funcionava fui tentando outras telas. Tentei em três telas diferentes algumas idéias... criar uma tela em vermelho (a partir de uma foto preto e branco) da minha sogra Irene no dia de seu casamento sendo pega pelo meu sogro Caetano, num ato espontâneo de amor... Depois tentei uma dançarina de tango e parei na metade... Depois minha linda amiga Liana ...