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Eu tenho um sonho. E você?

("I have a dream", ABBA) Vocês já sabem da minha paixão escancarada pelo ABBA não é? Já até expliquei como meu amor brega por eles como menina dos anos 80, no interior de São Paulo, se transformou em algo como louca identificação vivendo na Suécia, morando na mesma cidade que um dos integrante; vendo nas paisagens dos clipes da banda a Suécia que aprendi a amar; vendo nos integrantes cada sueco e sueca que aprendi a conhecer e respeitar. Hoje em dia ABBA tem este misto de infância com sonhos que consegui conquistar. Eu sei! Podem rir! Nem faz sentido para tanta gente: música brega, produto de indústria cultural, mas gente, é sério, ABBA me dá sempre uma energia deliciosa. Acordei pensando nesta música hoje, porque também acordei pensando em muitos emails e mensagens que recebi sobre " O sonho da Dora e da Joana ". Eu estou emocionada, sem demagogia, com tanta gente dizendo: "Sônia, pode me dar o número da conta que quero colaborar". Sab...

A Dora, a Joana, um sonho em comum e você!

("Minha mãe costureira", tela de minha amiga  Eloísa Remédio , 2005) Gente minha querida que há tanto tempo passa por aqui, Há alguns anos eu falei para vocês da Dora , na época, uma moça que me inspirou uma pintura, depois de visitar minha casa e fazer uma capa de sofá pra mim. Na época eu havia visto um cartão postal com uma tela lindíssima da Isabelle Tuchband, Mãe África, e quando vi a Dora resolvi fazer minha versão daquela primeira. Ela era alta, imensamente alta, magra, negra, com um lenço colorido amarrado na cabeça como uma africana, uma beleza marcante e judiada. Dora era, como todas as faxineiras que conheço, moradora da periferia de São Paulo, ou da grande São Paulo e, como minha mãe foi quando eu era criança, costureira nas horas vagas. Depois de tantos anos reencontrei a Dora, há algumas semanas, aqui em casa com o mesmo propósito. A mesma voz suave, o mesmo domínio da fita métrica e a tesoura. Como eu, mais velha, e, no seu caso, ainda menos dentes ...

Ver através do olhar do outro: meus instagramers preferidos

(Um dia de chuva em Paris sob o olhar de @vutheara ) Uma das coisas com as quais sonhei, desde bem pequena , era poder viajar muito. Lembro da sensação maravilhosa de acordar de madrugada, eu e meus irmãos ainda crianças, enquanto meu pai e minha mãe ajeitavam as malas, para que fôssemos de férias para o litoral norte de São Paulo, numa Variant bege ou numa Brasília verde abacate. A preparação, a saída e aí a ansiedade do caminho para ter, finalmente, a alegria contagiante da chegada. Viajar sempre foi e continua sendo algo que me mantém viva. Mais do que estar viva, dá sentido à vida. Viajar para mim é explorar pessoas e lugares, cheiros e sons, línguas e costumes, objetos e história e posso viajar no meu bairro, na minha cidade, em outras cidades do meu país ou por outros países. Entre meus prazeres possíveis dos últimos tempos está viajar através do olhar de pessoas comuns, como eu, mas que vivem em cantos diferentes do planeta. As fotos do aplicativo instagram , ex...

"Somebody that I used to know"

("Somebody that I used to know", Gotye, feat. Kimbra) Bom demais de se ouvir e também de ver... Somebody That I Used To Know   Gotye - (feat. Kimbra) Now and then I think of when we were together Like when you said you felt so happy you could die Told myself that you were right for me But felt so lonely in your company But that was love and it's an ache I still remember You can get addicted to a certain kind of sadness Like resignation to the end, always the end So, when we found that we could not make sense Well, you said that we would still be friends But I'll admit that I was glad that it was over But you didn't have to cut me off Make out like it never happened and that we were nothing And I don't even need your love But you treat me like a stranger and that feels so rough No, you didn't have to stoop so low Have your friends collect your records and then change your number I guess that I d...

Qual seu sonho?

(Cena de " Os miseráveis ", em que o jovem pobre e o jovem rico se juntam para lutar contra a miséria de seu povo, musical baseado na obra de Victor Hugo) Hoje acordei "naqueles dias femininos" que quase todas nós bem conhecemos. Os dias em que os peitos incham, as saudades aumentam, os problemas do mundo, mais do que cansarem, doem em cada osso e a música do caminhão do gás nos faz chorar. Já ouvi " Les Miserables ", o que ajudou muito a chorar pelo mundo por quem já se foi, por tudo feito, pelo não feito e pelo que ainda se sonha a fazer, mas se imagina não poder... E também a pensar que o mundo hoje não é tão pior do que já foi e como tantas milhares de formiguinhas operárias eu estou aqui no mundo cumprindo minha parte. Depois de acordar assim, eu tive minha conversa de toda quinta feira com um colega (a quem chamamos de buddy) do grupo Landmark, pois sou assistente do Fórum Landmark e tenho o compromisso comigo mesma de manter viva a possibil...

Tá ouvindo o povo cantando?

("Do you hear the people sing?", Les Miserables ') Gente boa! Eu sei que chega a soar ridículo, mas já faz quase um mês e continuo com "Les Miserables" na cabeça. Continuo ouvindo suas músicas quase diariamente e com Victor Hugo na cabeça. Depois de meu último post fui novamente ao cinema, desta vez com outra amiga, e fico pensando que a humanidade já tem que valer muito a pena por ter tido um dia alguém capaz de escrever algo como "Os miseráveis". Vocês estão ouvindo as pessoas cantarem? Eu não páro de ouvir! Esta música aí acima encerra a história, faz parte da última cena que é tristíssima, mas, ao mesmo tempo, cheia de esperança. É a canção de um povo que não será escravo novamente! Do You Hear The People Sing? Do you hear the people sing? Singing a song of angry men? It is the music of a people Who will not be slaves again! When the beating of your heart Echoes the beating of the drums There is a life about to...

"Les Miserables" não é um musical, é uma experiência para ser degustada.

("I dreamed a dream", Anne Hathaway, em interpretação arrepiante de Fantine, de "Les Miserables") Esqueça tudo que você pensa e sente sobre ver musicais se este não é seu estilo preferido de filmes. Nunca foi o meu e eu só consigo pensar em " Les Miserables " depois do último sábado. Foram duas horas e meia presa a cadeira, olhos esbugalhados e coração a mil. O filme, inspirado no musical da Broadway e montado a partir do romance do francês Victor Hugo , é daquelas experiências marcantes, profundas, doloridas. Dolorida, como sempre é aprender história, como bem afirmou minha colega de profissão Graciete, numa reunião de pais semana passada. Ao mesmo tempo, capaz de fazer a vida fazer muito mais sentido. O romance, publicado em 1862, ao contrário do que se possa imaginar ao vermos as batalhas e bandeiras francesas na chamada do filme, não trata da Revolução Francesa, mas de quase um século depois, quando as promessas da revolução não haviam trans...