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"Boca aberta, dentes à mostra": o encontro necessário com a arte no dia a dia

("Boca aberta, dentes à mostra", montagem de Zoe Leonard, Statens Museum , Copenhaguem. Foto de Somnia Carvalho, janeiro de 2008) Qual impressão que você teria ao se deparar com um exército de bonecas, exposto de forma linear, num sala grande e branca de um museu? No mês de novembro fui rever uma exposição no Stadt Museum , em Copenhaguem que havia me causado certo impacto. A curta distância entre Malmö, cidade onde vivo no sul da Suécia, com a capital da Dinamarca é tão pequena que permite essa troca bastante produtiva entre os dois países e seu povo. “Reality Check”, como foi intitulada, tratava-se de uma exposição de arte contemporânea na qual o visitante era convidado a duas coisas. Primeiro, perceber como a realidade foi sentida e captada pelos artistas que ali estavam expondo. Segundo, vivenciar a exposição a partir de uma percepção própria daquela realidade testada antes pelo artista e traduzida por ele para uma outra realidade. Dividida em várias zonas espalhada...

Pinto o sete e aceito encomenda!

("Borboletas Atírias", última tela que pintei no Brasil tão correndo que não tive tempo de assinar. Tela de Irene e Caetano, janeiro de 2 009) O que você guarda aí escondido? Eu não sei se você tem aí um desejo escondido, do tipo que você acredita que não se realizará nunca. Ou se você tem assim um dom para uma coisa super bacana e diferente, motivo pelo qual as pessoas o elogiam e dizem: "Nossa! Você escreve, costura, dança, conta piadas, pinta, joga tão bem e gosta tanto de fazer isso né?!". Pena que isso não dê futuro... Bom mesmo é ser médico, advogado, engenh... Pois é. Muita gente no mundo tem uma paixão lá, amassadinha entre um monte de obrigações e pensamentos de sucesso profissional e financeiro, a qual o tempo vai apagando. Conheço uma dona de casa que sonhou sempre em ser cantora lírica. Um engenheiro que era louco para fazer curso de dança e sair dançando pelos bailes da cidade. Uma bióloga cujo sonho era montar seu espaço zen de massagem e uma linguista...

O Brasil e alguns encontros transcendentais: "Carlos", o taxista musical

Entre o corre corre do penúltimo dia no Brasil, resolvi tomar um táxi entre o metrô Sumaré e minha casa. Estava sozinha. Ângelo havia ficado com a Vavá dele. O calor era imenso. Eu estava exausta e ansiosa por terminar tudo. Havia passado o dia andando de lá para cá, de cá pra lá na loucura de São Paulo e tudo que desejava era chegar em casa o mais rápido possível. O táxi era para mim apenas um meio para se chegar ao fim.  Quem o dirigia? Não pensei nisso. Eu havia tomado inúmeros táxis nas últimas semanas e nenhum deles, de longe, me fizeram lembrar "J ohn", o táxista inglês . Um ou outro era indiferente, estava a cuidar de sua vida como eu da minha. Um outro teve a coragem de dizer que não entendia porque nós mulheres resolvemos dirigir carros, já que a única coisa que deveríamos pilotar seria o fogão em casa. Esse um, que dirigia mal pra caramba e ia todo nervoso na direção, não mereceu nem mesmo uma palavra minha. Nem mesmo um olhar. Só o dinheiro que eu fui obrigada a lh...

"se um dia eu voltar muito estranho..."

("O subúrbio do realengo, segundo o quadrinista francês Jano", in: Marcelo Coelho , Folha) O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela A Baía de Guanabara O antropólogo Claude Levy-strauss detestou a Baía de Guanabara: Pareceu-lhe uma boca banguela. E eu menos a conhecera mais a amara? Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela O que é uma coisa bela? (Caetano Veloso, O Estrangeiro) Tenho pensado bastante na idéia antropológica de que quando um indivíduo sai para viver fora do lugar onde nasceu, cresceu e viveu a maior parte de sua vida e aculturar-se em um território novo, ele acaba sofrendo um tipo de estranhamento .  Essa idéia não me deixou as primeiras semanas de férias aí no Brasil, embora essa tenha sido a terceira vez que volto, desde minha vinda há dois anos para a Suécia. Saindo de nossa realidade, aquela que se tornou normal, aceita e, muitas vezes, quase a única realidade possível, a gente leva ...

Dicas Mil: vida prática na Suécia: vacinação infantil

(Garotinho sendo atendido num Vårdcentral sueco ) Tentando dar continuidade àquela série sobre dicas da vida prática por aqui, vou aproveitar a pergunta da Talyane, uma querida "ouvinte" que nos escreve de Kalmar, aqui mesmo na Suécia. A Talyane, com um barrigon de 7 meses, vive nessa cidadezinha gostosa, onde tem um castelo que já paga a pena viver por estas terras geladas e me pergunta o seguinte: "(...) Bem eu estou grávida de 7 meses agora e estou com uma dúvida muito grande e creio eu muito importante, está me deixando de cabelo em pé... rs. E me lembro de suas matérias sobre maternidade... bem, como é o esquema de vacinas aki na Suécia? Estou com medo pq as principais vacinas são até os 6 meses de vida e minha filha vai estar sempre indo ao Brasil, até pq nos estamos aki de passagem pode-se dizer assim, e então ficoo muito preocupada com esse assunto. Como vc fez com seu bb? Melhor como é aki na Suécia, podemos pedir as mesmas vacinas? elas existem por aki?" ...

Valeu!!!

(Escritoras pós colonialismo ) Acabei de atualizar as respostas aos comentários dos posts todos que escrevi nas últimas seis semanas.  Eu gosto bastante quando faço comentário em blogs que leio e tenho resposta do autor, porque parece mesmo uma conversa e acrescenta ainda mais ao que pensei. Sei que em muitos blogs isso não é possível, mas não é o nosso caso aqui. Por isso me desculpem pela demora. Alguns comentários me pedem respostas mais complexas, as quais eu tentarei responder criando posts para isso.  Passe para ler sua resposta e manda mais se for o caso. Eu prometo a mim mesma escrever mais posts, porém mais curtos neste ano, embora eu não abra mão de aprofundar em um tema ou outro. Um beijo e obrigadíssima pela presença nos comentários. Sem eles, o blog seria uma conversa de Chitãozinha para as paredes. Mais vazio, com menos sentido. Valeu!!!

De volta à ilha de Lost ou "Meu querido paiol"

("Mããe, lá, aião, mião, tator!", Ângelo encantado com o aeroporto de Frankfu rt, janeiro de 2009) Olá gente querida, gente que ficou, gente com quem vou me encontrar ainda. Chegamos ontem a tarde, embora do dia eu não tenha visto nada por causa da escuridão. No meio do caminho, por cima da Alemanha, dezenas de cidades estavam branquinhas com a neve e o dia estava tão claro que a gente podia ver tudo lá em baixo. Aqui, ao contrário, tinha tanta nuvem que quando o avião pousou ainda não dava para ver a pista. Viagem tranquila até Frankfurt. Tive a impressão de estar viajando com um mocinho e não com um bebê de um ano e meio. Entretanto, o maior problema para vir para os países escandinavos, é quase sempre a conexão. Dá para encarar as doze horas até o primeiro ponto, mas depois vai ficando difícil... Mesmo o excelente humor das quatro horas de espera do Ângelo no aeroporto na Alemanha não sobreviveram a mais um entra e sai de avião. Na chegada em Copenhaguem o cansaço tomou con...