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Aprendendo a patinar: 1 ano de Suécia

(Brian Jourbet, um dos melhores de 2007 ) Há um ano atrás eu acompanhava, pelo canal de esporte da TV daqui, o Campeonato Europeu de Patinação Artística no Gelo. A gente tinha acabado de chegar do Brasil para viver aqui por dois anos e ficamos um mês em Lund até acertar apartamento em Malmö. Naqueles dias frios, chuvosos e com neve, eu saía, com uma pequena barriga de grávida, e caminhava muito por Lund, sedenta por conhecer tudo, e vivia me desequilibrando nas ruas, quando a neve caía. E quando vi que todo mundo andava junto às paredes e ia se segurando para não cair, fui tentando fazer o mesmo. Estava começando tudo novo, num lugar todo diferente e vivia carregando o laptop e os livros, porque tinha uma tese para ser terminada. E, em meio àquilo, foi muito gostoso acompanhar aquelas finais de patinação, quando voltava para o apê quentinho. Me lembro perfeitamente de algumas apresentações e de alguns patinadores. Alguns deles tiravam o fôlego da gente, fazendo saltos (não sei os n...

A alma das Tulipas

Finalmente, os dias estão começando a ficar mais claros por aqui. E hoje deu para passear alguns minutos enquanto  o sol aparecia, sob a chuva fina. Que coisa boa que a sábia Natureza sabe dosar o escuro do inverno com as cores de algumas flores. Pela cidade a gente vê tulipas para comprar em todas as esquinas. Lindas! Coloridas! Vivas! Acho que minha mãe me passou o gene dela de ser louca por flores, ao ver tantas tulipas pelas barraquinhas aqui,  me sinto que nem criança num parque infantil. Toda saltitante e feliz.

O que os olhos vêem o coração muito sente

(Tela da artista plástica  Eloísa Remédio ) O blog da minha amiga Daniela  trazia esses dias uma breve reflexão sobre a função da cultura. E eu rapidamente pensei que, para mim, cultura é coisa que se vive todo dia. É algo que tem que estar em nós para fazer com que nos sintamos sintonizados com o Universo. Tem dias que basta uma música, simples ou complexa, não importa... Basta que eu tome alguns dos meus livros e veja alguns trechos que grifei há algum tempo... Basta que eu olhe algumas pinturas, ou fotografias de gente amada... Num segundo meus olhos se enchem de beleza. E a vontade de pintar um milhão de telas, de compor dois milhões de músicas, de dançar alguns trilhões de tangos, e de viver prazerosa e intensamente aquele momento de vida  toma conta de mim. Talvez seja para isso que sirva a cultura. Para fazer que a gente se lembre de viver. Encher os olhos de pintura Pintura,  poesia colorida, música silenciosa, prece sorridente, livro de uma página só.   Possibilidade de inter...

Pequeno Manual Invernoso

Três coisinhas simples que a Deslumbrette adora no Inverno na Suécia: (Tulipas, Tulipas e Tulipas) 1. Comprar tulipas pelo preço de crisântemos: 2. Ter tulipas coloridas e lindas a semana toda em casa: 3. Comer guloseimas, sem culpa, e esconder a silhueta dentro do casaco: Três coisas que a Deslumbrette acha muito chatas no Inverno na Suécia: (Colégio St. Paul, na esquina da nossa nova moradia em Malmö, às três da tarde, na semana passada ) 1. Acordar, tomar café e almoçar sem ver o Sol. 2. Não saber se são duas da tarde ou sete da noite. 3. Pegar gripe forte o tempo todo.  

"Traduzir-se"

("Mulher em camisa", Andre Derain) Traduzir-se (Ferreira Gullar) "Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir uma parte na outra parte _ que é uma questão de vida ou morte _ será arte?"

"Amigos a gente encontra"

("Mulerada" na cozinha da Ivone - de vermelho, à direita - em seu especialíssimo jantar de Natal Brasileiro) Quando eu dava aula aí no Brasil, a chegada dos vestibulares nos cursinhos era sempre muito parecida. Me lembro bem dos meus alunos e alunas queridos, cuja tensão e ansiedade era tanta que muitos adoeciam. E ser professora nessas horas difíceis é ainda mais recompesador. A gente dá o ombro, o colo, oferece palavras de ânimo, fica horas a mais para tirar dúvidas, perde o sono junto com os alunos e sofre com eles também. E era nessa mesma época que eu me punha a "fazer a cabeça" daqueles que pensavam em jogar todo o investimento de energia e dinheiro, de um ano todo, em apenas uma universidade, só porque ela ficava na mesma cidade onde moravam. "Saiam!" "Mudem de cidade, de ares, de vida!", eu sempre repetia. E me lembro também que um medo comum deles era o de perder os amigos e estar longe da família. E aí eu entrava com o meu discursão s...

"Com que roupa eu vou?" ou A moda inverno x O humor infantil

(Mulecadinha sueca, toda encapotada, em passeio da escolinha, pelas ruas de Malmö) As crianças e os bebês suecos, bem como os rapazes latino americanos, nascidos na Suécia, detestam a moda inverno. Isso porque não importa se para brincar no jardim de casa, no parque, ou para atravessar a rua e ir ao supermercado com os pais, é sempre preciso enfiar sua criança num macacão apara vento, chuva e frio e só então pôr o nariz par fora de casa. Veja abaixo, nosso modelo Ângelo, mostrando com que cara eles ficam, após colocarem as necessárias quatrocentas e cinquenta peças de roupas do dia-a-dia do inverno. (Ângelo no modelito socorro-me-tirem-daqui) E veja abaixo, minutos depois, com que cara eles ficam após se livrarem das referidas roupas. (Ângelo no modelito tô-me-divertindo-pra-caramba) Nosso modelo, que hoje completa 6 meses de vida, nem precisou fazer teatro para a foto. Ele segue odiando usar o modelo número 1 e festeja sempre que é colocado no modelo número 2. Talvez daqui alguns muit...