Pular para o conteúdo principal

"Uma foto, mil lembranças": Do que vivem as almas poetas? texto de Glorinha de Lion


A Glorinha (Café com Bolo & Poesia) é conhecida de muitas e muitos de vocês. É a nossa escritora profissional da blogosfera. É a pessoa quem me inspirou a pintar umas telas cheias de cores no ano passado, quando criou sua blogagem colorida - em meio a dias pessoalmente nada coloridos para ela - e quando eu estava cheia de fertilidade na Suécia.

Da dor, da lida do dia a dia, e até do desânimo ela faz poesia. Dizem que quem isso consegue tem mesmo alma de poeta! Dizem também que só assim sobrevivem os poetas!

Então, com orgulho, aqui vai de presente para o fim de semana de vocês outro excelente texto participante do nosso concurso (que está esperando você agora!) "Uma foto, mil lembranças".

.....

Esperança

"Muitas vezes caminhei no escuro das noites, achando que ela havia me abandonado...Olhava os caminhos, áridos, secos onde o vento levantava a poeira que me entrava pelos olhos, lacrimejantes de cansaço e solidão.


Muitas vezes caminhei de mãos vazias, achando que nada valia a pena, que a batalha seria inútil. Achava tudo feio, triste e sem graça. Nem mesmo as flores aqui e ali, ou as borboletas voando me davam alguma alegria.


A batalha tem sido dura. Nesse mundo não se mata um leão por dia, pois nem há mais leões, pobres coitados, todos mortos pela ganância e a estupidez humanas. A batalha mais feroz é da gente conosco mesmos. A guerra é guerreada todos os dias na luta pelos sonhos, pelas realizações pessoais, para manter nossa integridade, para que nossa essência não seja conspurcada pela sujidade do mundo.


No entanto, nos momentos mais tristes, quando estamos prestes a desistir de tudo, quando o poço onde nos encontramos parece tão profundo e sem ar, eis que ela vem. Sai de seu esconderijo, ali, à vista de todos e nos dá as mãos. Nos salva de nós mesmos, não nos deixa sucumbir.


Já a vislumbrei muitas vezes. Ela já me estendeu seus braços diáfanos, incontáveis, inumeráveis vezes. Porque então, acho que dessa vez ela não virá? Porque não confiar que ela não falhará?


Sim, ela caminhará ao meu lado, mesmo que eu não a veja. Ela me guiará mesmo que eu não sinta as suas mãos. Ela me fará continuar escrevendo e tentando e muitas vezes, ao cair, me levantará. Ainda que sua presença seja invisível, ainda que seus passos sejam silenciosos, ela sussurrará em meus ouvidos: Você pode. Você já conseguiu. Conseguirá novamente.


E eis que ao segurar a caneta para autografar meu livro, erguerei meus olhos e a verei sorrindo, me olhando, em meio ao buquê de flores que recebi de presente.


Ela, a ESPERANÇA."

Gloria Chimenti Leão

Comentários

chica disse…
Glorinha é maravilhosa e aqui, não podia ser diferente!beijos,às duas,chica
Lúcia Soares disse…
Sem ela não viveríamos bem.
A esperança é que nos move. Estamos sempre à espera de algo que, muitas vezes, nem sabemos o que é, mas que nos tire da mesmice.
Muito sucesso, muitos autógrafos e dedicatórias pela vida, Glorinha.

Um texto que é "a cara" dela, Sônia. Uma mulher inteligente, que vai à luta e busca seus ideais. Acho que sabe bem que fácil não é. Mas é possível.
Esperar, sempre.
Não desesperar, jamais!
Beijo na Glorinha.
Beijo, Sônia!
Beth/Lilás disse…
É assim que eu gosto de te ver e ler, cara amiga!
Esperança é o que nos move, o que apesar de ser invisível, diáfana, pode ser quase palpável quando sentimos que não há nada mais a fazer, ficar então com ela é a nossa alternativa para que tenhamos pensamentos positivos.
Você vai conseguir tudo o que almeja, por que seu talento é incontestável e ainda por cima é lutadora, continue fabricando textos lindos e material bastante para que quando lhes derem a oportunidade que tanto busca, seja enfim a vez de abrir este imenso baú cheio de lindas estórias e doces versos.
um grande beijo carioca
Wilqui Dias disse…
Hola querida blogueira....
Vim lhe pedir um favorzinho...... se você poder divulgue entre sua amigas blogueiras também esse link
http://wilquidias.blogspot.com/2011/08/carolina-artesanias-211-mi-1-fiesta.html#links.

Pois dia 31 de Agosto será o dia do blog. vamos fazer algo diferente, dizer como e por que começamos fazer um blog e o quanto ele mudou e acrescentou muitas coisas as nossas vidas, a ideia é bem bacana, por isso vim pessoalmente lhe pedir que se vc poder, por favor divulgue. Desde já obg. bjs

OBS: MENINAS..Eu deixei esse mesmo texto em muitos blogs que eu sigo, por isso é um texto padrão o mesmo irá pra todas viu? nao deu pra fazer um pedido personalizado, meu dedo começou doer, entao fui pro copiar e colar, espero que entendam. bjs de novo.
Obrigada meninas, não pude vir aqui ontem. Mas mesmo atrasada agradeço à Soníssima e à vcs, amigas, pelo carinho, beijos,
She disse…
Ahhhhhh que bela participação! Adorei! ;)
Beijo, beijo!
She
angela disse…
minha querida writer Glorinha, vc sempre me surprende, cada vez mais e melhor, bjs
Lindo texto inspirado em uma foto de um momento tão importante!
bjs
Jussara
Somnia Carvalho disse…
Glorinha faço minhas as palavras de quase toda esta molerada ai em cima!

eu estava pensando naquela sua entrevista do youtube sobre o livro... dai fui ver de novo e pensei como voce passa uma coisa boa so de falar do livro!

e acho incrivel quem tem o poder de transformar quase todos os sentimentos em literatura!

parabens e obrigada por ter aceito o convite e participado do concurso!
Oi gente, obrigadíssima pelas palavras de incentivo! Nem imaginam como ando precisando desse colinho...bom demais! beijos a todas,
Celina Dutra disse…
Glorinha,

Que está mais para nhão que para nha... Texto bom de ler vindo de você: ESPERANÇA!

Girassóis nos seus dias.
beijos

Postagens mais visitadas deste blog

"Ja, må hon leva!" Sim! Ela pode viver!

(Versão popular do parabéns a você sueco em festinha infantil tipicamente sueca) Molerada! Vocês quase não comentam, mas quando o fazem é para deixar recados chiquérrimos e inteligentes como esses aí do último post! Demais! Adorei as reflexões, saber como cada uma vive diferente suas diferentes fases! Responderei com o devido cuidado mais tarde... Tô podre e preciso ir para a cama porque Marinacota tomou vacina ontem e não dormiu nada a noite. Por ora queria deixar essa canção pela qual sou louca, uma versão do "Vie gratuliere", o parabéns a você sueco. Essa versão é bem mais popular (eu adorava cantá-la em nossas comemorações lá!) e a recebi pelo facebook de minha querida e adorável amiga Jéssica quem vive lá em Malmoeee city, minha antiga morada. Como boa canção popular sueca, esta também tem bebida no meio, porque se tem duas coisas as quais os suecos amam mais que bebida são: 1. fazer versão de música e 2. fazer versão de música colocando uma letra sobre bebida nel

Mãe qué é mãe mesmo...

(Picasso, Mãe e criança, 1921) Mãe qué é mãe mesmo... Já deu uma de cientista e foi até o quarto do bebê só para checar se ele respirava. Já despencou de sono em cima dele, feito uma galinha morta, enquanto amamentava. Já caminhou pela casa na ponta dos pés, como uma bailarina, só para não acordar o pimpolho. Mãe qué é mãe mesmo... Já perdeu a conta das mamadas e esqueceu qual o peito deveria dar. Já deu oi pro lindo rapaz que dormia ao seu lado e dormiu antes de continuar a conversa. Já adquiriu habilidades múltiplas como comer com uma mão só e fazer xixi com o bebê no colo. Mãe qué é mãe mesmo... Ama e odeia, ama e odeia. Às vezes chora e muitas vezes sorri. É ao mesmo tempo carrasca e heroína. Mãe... é uma garota crescida com uma boneca de verdade nos braços. Precisa de atenção e carinho tanto quanto seu brinquedo.

O que você vê nesta obra? "Língua com padrão suntuoso", de Adriana Varejão

("Língua com padrão suntuoso", Adriana Varejão, óleo sobre tela e alumínio, 200 x 170 x 57cm) Antes de começar este post só quero lhe pedir que não faça as buscas nos links apresentados, sobre a artista e sua obra, antes de concluir esta leitura e observar atentamente a obra. Combinado? ... Consegui, hoje, uma manhã cultural só para mim e fui visitar a 30a. Bienal de Arte de São Paulo , que estará aberta ao público até 09 de dezembro e tem entrada gratuita. Já preparei um post para falar sobre minhas impressões sobre a Bienal que, aos meus olhos, é "Poesia do cotidiano" e o publicarei na próxima semana. De quebra, passei pelo MAM (Museu de Arte Moderna), o qual fica ao lado do prédio da Bienal e da OCA (projetados por Oscar Niemeyer), passeio que apenas pela arquitetura já vale demais a pena - e tive mais uma daquelas experiências dificilmente explicáveis. Há algum tempo eu esperava para ver uma obra de Adriana Varejão ao vivo e nem imaginava que