Alma sueca x alma brasileira e alma portuguesa...

(Eu, a brasileira, Kerstin e Helena, as suecas e Xu, a brasileira-portuguesa, orgulhosas das nossas guirlandas de Natal, no curso de decoração de Natal que fizemos juntas, Malmö, dezembro de 2009)


Na noite de sábado passado, assisti a primeira parte do Melodiefestivalen de 2010, na casa de uma amiga sueca, a Helena. Com nós estava lá também a Kerstin.

Rimos, cantamos, torcemos, falamos da voz, do cabelo e da roupa dos cantores. Erramos nos preferidos que irão concorrer com os melhores da Suécia em Estocolmo e depois irá representar a Suécia no Eurovision. Estava tudo muito engraçado, patati patatá e o papo acabou no que a Kerstin, a simpática, sorridente e solteira sueca, havia feito naquela manhã de sábado com zero grau no termômetro.

Será que algum de vocês seria capaz de adivinhar? Hummmm... Tentem...

Kerstin narrou animada que havia ido à sauna, uma que fica aqui na praia onde moramos e que é bem popular no verão também. Até aí, normal, não?

Daí que então o ritual da amiga na sauna (que eu até sabia como era no verão) incluiu sair do meio da fumaça muuito quente e pular direto na água do mar. Sim! Na água do mar... E, detalhe: peladona!

Eu ri e disse: "Há há há.. até parece! pelada!"... E elas: "Sim, Sônia, é verdade..."

Foi quando eu então expliquei que isso teria que ser assunto num post meu, entendem? Elas me questionaram o porquê e eu dei detalhes de como isso soaria só como coisa de "sueco maluco" para vocês. Hábitos estranhos de gente esquisita! Elas riram e a Kerstin disse que achava super legal se eu contasse então...

Conversa de pelada vai, conversa de pelada vem e comecei com minha teoria de como as pessoas dos países quentes parecem ser mais suscetíveis a dores do que as de países frios. Em minha teoria eu tive mais dor de parto do que minhas amigas suecas, porque elas são acostumadas a sofrer (vide o episódio da sauna) as condições do clima no corpo, por exemplo, do que nós brasileiras e latinas. Eu deduzi isso depois de viver 3 anos aqui e eu ser a única (entre as suecas, of course!) a reclamar mooooito das dores do parto.

A Helena respondeu que não concordava. Na teoria dela a diferença é que nós, latinas no que tange ao que sentimos, somos mais autorizadas a revelar nossas emoções. As suecas, ao contrário, não. Delas é cobrado que sejam fortes, que dêem conta de tudo sozinhas, que carreguem os mesmos fardos que os homens. Elas precisam mostrar-se forte, independentes e capazes de sofrer o que for, sem reclamar. Isso, creio eu, por conta de que há mesmo isso de "a diferença do sexo não nos diferencia em nossas capacidades...

Ela disse que mesmo quando expressa o que sente as pessoas não dão bola, incluindo quando fala de uma dor de cabeça, por exemplo. E aí eu emendei... De fato, a gente fala da dor, do que sente de um jeito único. Enquanto ela diria: "Hoje estou com muita dor de cabeça, ponto final."... Eu diria: "Hoje eu estou com uma te-rrí-vel dor de cabeça que vai da nuca até a testa e que está quase me ENLOUQUECENDO, com ponto de exclamação".

Rimos juntas e meio que concordamos que talvez tenha mesmo a ver com a forma de expressão, mais do que a forma como sentimos.





Fato é que hoje de manhã, fuçando num blog que eu gosto muito e do qual estava com saudade, do Luiz Coutinho, um português meio poeta, discreto e que normalmente não responde comentários, quando ouvi uma música maravilhosa de outro português, Rodrigo Leão. "Vida estranha", na voz apaixonante da portuguesa Évora me deixou sem fôlego de tão profunda.

Apesar de, nesse momento, eu não ter me identificado com a tristeza da letra eu a compreendi profundamente. É assim que me sinto em alguns dias. E então me lembrei dessa discussão com as amigas suecas e de como nós, brasileiros, portugueses, latinos, no geral, conseguimos pôr pra fora o que sentimos e pensamos de uma maneira tão cheia de emoção. A música é poética, mas ela fala de dor, de uma dor do vazio... E como dizer isso se não for com poesia e muuuita emoção?

Acho que é esse jeito de expressar que me faz ter até hoje, sempre em algum canto diferente da casa, um livrinho de poemas do Fernando Pessoa, presente de uma amiga adorada portuguesa*, com quem perdi contato já há alguns anos e que vivo a folhear... Ontem mesmo eu folheava um dos poemas novamente...

Do que é, então, feita a alma brasileira e alma portuguesa?
Creio que de muitos sentimentos e de força de expressão...
E a alma sueca? De sentimentos e discrição...

...


* Se você quiser me ajudar nessa procura desesperada: minha amiga, Irene Carvalho, ex-freira carmelita, viveu no Brasil alguns anos, onde nos conhecemos, estudamos juntas e trabalhamos juntas na comunidade. Depois que abandonou o hábito nos encontramos em Paris e perdemos contato. É enfermeira e sua família vive numa aldeia em Braga... Ela me ligou algumas vezes no Brasil, mas nunca mais consegui o telefone dela... Como tenho tantos leitores da terra querida, vai que algum de vocês sabe um email da Irene ou algo assim... obrigada! :=)

"Para dizer que eu não falei das.."

(Ângelo deslizando no parquinho de onde moramos na manhã de domingo, foto do pai Renato, Malmö, fevereiro de 2010)

... carinhas felizes que também se faz na neve...

Outro dia, quando postei uma foto do Angelito de sunga, debaixo do guarda sol no Brasil junto de outra aqui na neve, no dia que chegamos, todos vocês foram unânimes em dizer o quanto ele parecia mais feliz aí no calorzão.

De fato era verdade. E mesmo que eu explique que ele estava gripado naquela foto na neve a gente já sabe que a explicação não basta.

Mesmo os suecos, nascidos e crescidos aqui, reclamam demais do inverno. O longo inverno, diga-se de passagem, já que eles adoram as mudanças que as estações trazem, assim como eu aprendi a amar.

Por outro lado, é notável como todo mundo por aqui tem um brilho no olhar, tem um sorriso quase pronto no rosto nos dias de primavera e do verão. É assim... somos feitos de sol, somos feitos de energia e dela precisamos. É natural. É humano...

E esse é um dos argumentos que mais me deixam "down" quando penso no Brasil... A gente tem isso todo (quase todo) Santo Dia! Mesmo agora com as chuvas das quais quase todos reclamam, se não contarmos os problemas de enchentes, provocados mais por problemas de planejamento e miséria, a chuva vem uns minutos e vai. Cai aquela torrente toda e o sol brilha logo depois. O céu é azul de novo.

Quando estive na praia em janeiro e em dezembro, no litoral paulista, era isso. E poder desfrutar do sol e do céu azul é um presente que a gente tem. O difícil é que vivendo num lugar que haja isso sempre a gente não perceba mais. E aí é fácil reclamar de um sol meio escondido ou de 25 graus meio nublados.

Uma amiga me disse que andava deprimida no Brasil porque estava a chover demais. Escuro demais! "Escuro demais?, cê ta brincando?", perguntei. "Não... eu não suporto esse escuro..." E eu então disse: "Você com certeza então não sobreviviria à Suécia!"...

Bom, o fato é que não tem escuridão no Brasil. Nossa escuridão vem de outros terríveis problemas, mas a mãe natureza foi bondosa demais com a gente aí. Não tô dizendo que não há do que reclamar, claro que há! E também a gente tem problemas como qualquer outro e tem que superá-los. A vida tem outras dificuldades aí! O que tô dizendo que é exatamente o que vocês constaram: o calor e o sol são capazes de proporcionar sorrisos como os que vocês viram outro dia no Angelinho.

Talvez seja por isso que eu continue apreciando muito a posição das pessoas aqui quando um solzinho no início de abril começa a aparecer e os dias com aquele azul anil. Virados em direção do sol, como animais que agradecem a mãe natureza, eles ficam quietos só "bebendo" da energia. Eles fazem isso nos pontos de ônibus, à beira da praia de roupas, numa cadeira na praça. E eu penso que falta mais isso a gente...

Bom, aqui vamos curtindo a neve que não desgrudou do chão desde que cheguei. Os dias estão bonitos. Ainda não são todos de sol não, mas ao menos são azuis. E eu amo azul. Com quem falo estão todos a rezar pelo começo da primavera. A Prima Vera que faz a gente desabrochar de novo para os sorrisos sem conta. E eu também estou nessa espera ansiosa.


(... e se jogando na neve fofa, foto do pai Renato, Malmö, fevereiro de 2010)
...

Mudando de pato para girafa: estou devendo várias respostas de comentários. Várias! Recebi comentários e emails lindos de leitores e realmente peço desculpa pela ausência. Estou ausente também do blog de vocês e rapidinho eu explico o motivo... Talvez semana que vem eu consiga. Não tem absolutamente nada a ver com descaso ou com estar "brigada" com alguém (viu Lucinha?), mas tem a ver com o meu tempo... Eu conto logo mais e adianto que não se trata em absoluto de motivos tristes.

Beijolinos para todos vocês!

Para você que esteve aqui comigo eu desejo...

(Ângelo "fazendo cavalinho" no pai, Rivera de São Lourenço, Brasil, janeiro de 2010)

Na primeira semana de janeiro eu estava lá com minha máquina fotográfica clicando os meus dois, de férias, com meu par de havaianas e as regatas, num calorzão danado, curtindo mais uns dias de sol e praia antes de voltar ao batente.

E, então, o circular verde com os letreiros que você vê acima invade minha foto. Foi naquele instante de segundo que eu pensei em cada um que visita este blog. Pensei até mesmo naqueles que eu não conheço. Juro! Imaginei que era a foto perfeita para eu desejar um super e feliz 2010 e: click!

Com algumas semanas de atraso, aqui vai a foto e meu desejo bem forte de que esse ano você consiga se livrar daquilo que não lhe deixa feliz ou realizada e realizado.

Que você se sinta capaz de dar um passo em direção de coisas que deixou para trás, mas das quais se arrependeu. Que nada lhe pareça impossível demais e que mesmo nos dias mais tristes dos meses que virão você consiga se agarrar às pequenas e realmente importantes coisas que têm.

Eu desejo, do fundo do meu coração, que você tenha poucas perdas e, se as tiver, que esteja crente de que de perdas a vida é feita e que isso lhe permita seguir em frente.

Eu desejo que você passe mais por aqui e que, se passar, se sinta a vontade para dar sua contribuição, se assim quiser. Que se sinta sempre bem vindo e que se lembre que, apesar de ter a voz, eu não tenho a razão, eu apenas tenho a minha razão e a partilho com você. E que escrevendo eu aprendo, aprendendo eu me conheço melhor e cresço.

Sendo assim, aproveito também para dizer obrigada pela companhia, pelo incentivo, pela leitura, pela troca com comentários, por ter me levado a escrever e partilhar um pouco do que vivo, sinto e penso. Isso, com certeza, foi de grande ajuda no ano que passou e assim espero continue sendo este ano.

Um grande beijo, bom dia e Feliz Ano Novo para você!

A Felicidade mora..., 1a. parte

(... no colo carinhoso e anônimo das brasileiras, moradoras do Japão e que iam de férias para o Brasil, vôo de Frankfurt para o Brasil, dezembro de 2009)

(... numa festa de casamento, com noivos jovens, lindos e apaixonados. Casamento da Lúcia e Gabriel, no qual Ângelo foi pajem, Brasil, dezembro de 2009)


(... nas alianças trazidas pela daminha e nos caixinhos mais cobiçados da noite. Casamento da Lúcia e Gabriel, Brasil, dezembro de 2009)

(... no orgulho da avó e na fama invertida... Ângelo com Cris Polly, a Super Nanny brasileira, que sabia quem era o Ângelo que ainda não sabia quem era ela. Casamento da Lúcia e Gabriel, Brasil, dezembro de 2009)


(... na babação da tia lindona... Tia Dri, vavá Irene e Vô Caetano matando a saudade. Casamento da Lúcia e Gabriel, Brasil, dezembro de 2009)

(... nas dezenas de presentes dados com amor por aqueles que nos amam. Ângelo brincando no amigo secreto do Natal, Brasil, dezembro de 2009)

(... e na festa de Natal celebrada em família. Ângelo com a vó Maria, Luana, Gustavo e Júnior, Brasil, dezembro de 2009)

(... na festa de aniversário da Bizavó, com direito a canção em português e sueco, dirigida pelo Angelinho. Niver da Dona Conceição, Brasil, janeiro de 2010)

(... nos primos de quem sentimos falta e pedimos para ver, mesmo depois de voltar à Suécia. Ângelo Luana e Júnior, Brasil, dezembro de 2009)

(... numa história contada por uma amiga e em noites inesquecíveis. Luana e Ângelo ouvindo minha amiga Fá lhes contar uma história... e os dois dormiram felizes até o outro dia... Brasil, dezembro de
2009)


(... numa imagem que queremos guardar na lembrança...Foto pedida pelo Ângelo, antes de minha família ir embora no dia da nossa despedida do Brasil. (minha mãezinha Maria, eu, Re, minha irmã Sandra, cunhada Vanessa com Gustavo, irmão Lê, Ângelo, Jú e Luana), Brasil, janeiro de 2010

A durona mãe Suécia


(Os quatro lados que cercam nossa casa, antes da tempestade forte de ontem que colocou 20 cm de neve no meu quintal, Malmö, janeiro de 2010)

Pessoar,

Esse post é para registrar que a Deslumbrette aqui não tem só dias de pura felicidade e que a Suécia não é bolinho para qualquer um não, como vocês já devem imaginar. Além disso, certa vez uma amiga me cobrou dizendo que eu tenho mania de frisar o que tem de bom aqui, mas acabo omitindo o lado duro e dou uma idéia meio Pollyanna demais da vida que levamos.

Verdade é que sou o tipo que detesta reclamar. Obviamente eu vivo reclamando de várias coisas, sou tão chata como qualquer outro, mas eu não gosto de oficializar minhas reclamações e de dar vazão para o que não é bom, entende? Além disso eu reclamo normalmente de coisas que eu sei que poderiam ser diferentes, mas não o são por falta de esforço meu ou de outrem.

Então, pulando para essa narrativa menos Deslumbrette depois do meu post "Halleluja"...

Mal cheguei , pus os pés na neve e estava cantarolando de felicidade quando uma virose, ou infecção alimentar, seja lá o que for, pegou a mim e ao Renato. Passamos uma noite inteirinha no banheiro, pondo tudo para fora, por todos os lados que tínhamos direito. Horrível! E nem sei se tem a ver com estar na Suécia ou não, parece que foi um queijo que compramos para o jantar ou talvez seja um tal vírus novo de gripe que disseram estar aparecendo por aqui.

Bom, resultado foi que o dia de ontem passamos imprestáveis, jogados pelo chão, nos revezando para alimentar e brincar um pouco com o Ângelo que ainda se recuperava de uma gripe pega aí no Brasil.

Isso tudo só para dizer que a Suécia é lindona, fantasticamente diferente e dá mesmo razões da gente não querer sair daqui de jeito nenhum. Por outro lado, é uma mãe dura. Sem avós, tios e tias para dar aquela mãozinha ou com todas as secretárias do lar que as amigas brasileiras contam a coisa pega num dia assim.

Lembro-me bem de uma vez, quando Ângelo contava com uns quatro meses e tinha cólicas terríveis todos os dias. Eu com ele, balançando pra lá e para cá, com compressas e tudo o mais e sozinha, já que Renato estava na China a trabalho. No skype meu cumpadi Ênio me manda um recado perguntando as novas e conto que estava com o tal probleminha. Ele me diz então, todo inocente, sem noção do que eu vivia por aqui:

- Sô leva ele num pediatra ou no pronto socorro...

E eu desconversei e tal. A situação era: 2 graus negativos no termômetro, neve e ventania por todo canto. Sem telefone de pediatra, porque a gente não tem um pediatra, como no Brasil. Ninguém telefona para o médico fora do horário. As farmácias funcionam até, no máximo dez da noite, sendo que a maior parte fecha as seis da tarde. A enfermeira que cuidava do Ângelo também não dava telefone fora do trabalho e qualquer urgência eu precisava primeiro ligar num número 1177 (e, detalhe, falar em sueco que eu não sabia ou em inglês no qual eu me sentia insegura) para ter certeza que era caso de ir mesmo a um pronto socorro. Isso porque a idéia, sobretudo no inverno, é não expor uma criança pequena a outras doenças e vírus se ela não precisar. Isso tudo sem contar que o carro estava ali fora na calçada, todo coberto de gelo branco, porque no centro da cidade onde morávamos não havia garagens para carros por ser tudo muito antigo.

Bom e eu sabia que a cólica era aquilo e não mudaria até a adaptação dele ao mundo passar.

Então tal como naquele dia, ontem a neve e a ventania corriam soltas aqui. De manhã -9, durante o dia melhorzinho. A paisagem em frente a minha casa continua estupenda! De cair o queixo. Não paro de olhar e admirar. É tudo lindo, lindo, lindo!

Linda só não está a situação da minha casa com todas as malas abertas e tudo jogado para lá e para cá aguardando o início de toda a arrumação..

Devo lembrar entretanto que ser filho da Suécia significa cuidar de si sozinho, ser forte e aguentar o vento e a tempestade, aguardar com calma a chegada do tempo bom e da primavera que já se anuncia através das revistas de moda que chegaram ao meu correio.

Hoje a tempestade lá fora é ainda mais forte que daquela noite de 2007, mas se precisar consigo falar bem inglês e me viro no sueco. Sei onde tudo fica e quais os "prontos socorros" onde posso ir direto sem ter que ligar para alguém. Aprendi a planejar tudo, inclusive o que não é muito planejável. A gente aprende vivendo e aprende sofrendo mesmo. E cresce...

Ainda que eu queira deixar registrado esses "causos" não tão super animadores, meu lado Deslumbrette não me deixa concluir que a gente deve mesmo é "enjoyar" o máximo que se pode cada momento, como pelo menos eu fiz na terça feira, porque nada melhor do que um dia após o outro, já que se há dias bem difíceis depois da tempestade vocês já sabem...

Thanks!!!

(Alguns dos amigos que pude encontrar esse fim de ano: Franco, Lu, Alessandra, Ferracini, Samanta, Malu, Lu, Re, Ângelo, Fá, Guido e Jorge, São Paulo, janeiro de 2010)

Amigas e amigos,

O Borboleta tem me proporcionado umas coisas tão legais, que de vez em quando merece ser divulgado.

Uma delas ocorreu quando reencontrei uns amigos da faculdade nessa visita ao Brasil. Qual minha surpresa ao saber que uma delas, Samanta, uma psicóloga por quem eu sempre tive admiração devido seu dedicado e carinhoso trabalho com crianças da APAE, ter me dito que ela e meu amigo Ferracini, filósofo, acompanhavam o blog de pertinho, amavam os textos e que ela ainda repassava alguns deles para amigos professores e outros.

Isso não era totalmente novidade, porque outra amiga da literatura, a Gláucia, tinha me dito algo parecido há um tempo, quando disse trabalhar os textos nas aulas de redação. Ainda assim saber que gente como elas e como outros de vocês possam apreciar coisas que passam pela minha cabeça é super gratificante.

Fiquei sabendo num churrasco com a família que uma das primas, Vanusa, com quem eu convivia na infância também virou leitora assídua. Quero dizer que é algo muito bom que eu, de alguma forma, consiga estar tendo uma troca com essas pessoas, mesmo com toda esta distância e que isso acabe servindo como uma injeção de ânimo e criatividade para mim.

Bom, a surpresa maior foi essa semana, quando cheguei e verifiquei a caixa de emails do Borboleta. Lá, num email perdido entre muitos spans, uma leitora, a Suyaen, me dizia que ao visitar meu blog de pintura, resolveu fazer a tradução do texto de apresentação de minha primeira exposição. O texto, escrito pela Dri Cechetti, minha cunhada, era lindo e havia perdido muito quando eu tinha feito uma tradução muito chinfrim numa noite corrida.

Agora meu blog de pintura, que já era bilingue, ganhou uma apresentação chiquerrérrima e à altura da artista que eu sou... :=) Só falta eu pintar mais!

Abaixo, a tradução da Suyaen... (assim que tiver um link ou souber mais dessa leitora, que eu só conhecia através de comentário deixado no blog, eu falo mais dela aqui...)

Obrigada Su! Obrigada gente toda que me anima sempre!

...


Painting in G Major

"Somnia Carvalho was born in Pedrinhas, a small town in the state of Säo Paulo, Brazil, but lived most of her life in Sumaré. As a child, she used to draw women in small pieces of paper and dare give them away as presents to her classmates. Some years later, still in Sumaré, she did not only work but also had a lot of fun organising and decorating parties and religious events.

For many years Somnia kept quiet the desire to devote more time to the art, because she was in love with her philosophy course at university. However, philosophy helped Somnia return to her previous passion as some years later she decided to study aesthetics. In 2005 Somnia had her first exhibition and her paintings reflect the union of these two passions, philosophy and art.

Her exhibition, Painting in G Major, brings out her taste for lively, vibrant and strong colours. Her topics are varied and even though there is a predominance of women from Somnia’s world, her choices are guided by an intensification of the themes and the way she feels them."


Original text: Adriana Cechetti
Translation: Suyaen Andersson

Brasil e Suécia: tudo ao mesmo tempo agora

(Ângelo curtindo praia, sol e suco no verão brasileiro, há uma semana, Riviera S. Lourenço, São Paulo, janeiro 2010)


(... e deslizando pela neve em frente de casa hoje de manhã, Malmö, janeiro de 2010)

Hallelujah!

(Three Trees, foto de Rutger Blom)

Deixamos o Brasil no domingo depois de mais de seis semanas de calor acima de trinta e cinco todos os dias. Depois de beijos e abraços gostosos. Depois de amor regado a comida gostosa. Depois de ficar mergulhado no mar morno do litoral paulista estamos de volta.

Do alto do avião eu vi que nossa casa estava mergulhada numa brancura só. Tudo branquinho e apenas umas casinhas que se destacavam com alguma cor. Na grande ponte, de cima do mar, deu para ver o amarelo e vermelho do pôr do sol, entre toda a neve que sumia ao longe.

São quase quarenta graus de diferença no corpo, mas a paisagem em frente a minha casa está tão tão maravilhosa que eu só consigo sorrir com os olhos.


("Rutsborgs Road", foto de Rutger Blom)

Já corri com Ângelo na neve. Ele já deslizou gritando no trenó e relembrou seus passeios de bike. Ainda que pareça inacreditável a temperatura está de-li-ci-o-sa. É verdade! Sem vento, com sol, céu azul e roupas apropriadas não se sente o frio. Brincamos e agora ele está explorando os brinquedos antigos deixados me perguntando a todo tempo "Mamãe quem me deu esse binquedo?". Isso porque ele recebeu tantos presentes dos avós, tios, tias, primos e primas e amigos que agora quer entender quem lhe deu os que ele já tinha. É como se ele enfim tivesse compreendido que também foram dados com o mesmo amor que recebeu no Brasil.

Voltar para casa depois de tanto vivido aí provavelmente não serão só flores. O frio deixa tudo mais difícil e provavelmente quando a novidade da neve passar a saudade do verão brasileiro aumentará. O que digo por enquanto é que estou feliz. Muito feliz. Feliz apesar de saber que preciso conviver com a distância.

Vi rapidamente que muito aconteceu na vida de vocês também. Vou começar a visitá-los com a calma que merecem e vou dando mais notícias.

Esqueci o descarregador de minha câmera fotográfica no Brasil e não consigo postar nenhuma foto minha agora. Aqui vai uma de um holandês, Blom, que tem 32 anos, vive por estas bandas e tal como eu parece que vive louco pela paisagem daqui.

É assim que está a frente, os lados todos daqui da minha janela onde escrevo. Assim como "rezei" nadando no mar transparente e quente brasileiro agora eu sinto o mesmo olhando para tudo isso... Estou aqui ouvindo e cantando com Jeff Buckey, seu Hallelujah... porque da comparação entre esses dois mundos e as duas vidas que tive em algumas semanas eu só consigo ter certeza de que é preciso saber agradecer tanta vida quando se tem porque o resto é nada...

Bom dia e um beijo para todos vocês! Já estava com muitas saudades!

Praia, chuva e o Haiti: tudo que passa pela minha cabeça agora...


Chove lá fora e não sei exatamente como começar este post, depois de milhares de anos sem escrever...

Estou numa lan house (é assim que se escreve?) com umas dezenas de crianças que jogam desesperadamente em seus computadores, matando seres estranhos que aparecem na tela. Por um segundo me preocupo com o fato de que um dia terei que saber pôr limites ao tempo de jogo do Ângelo, evitar e saber entender que essa "matação" fará parte da adolescência dele...

Escrevo da praia, em Riviera de São Lourenço, no litoral norte paulista, onde o sol me deixou total bronzeada, lindona para encarar a neve daqui uma semana em Malmoeee again.

Sim! Eu seiiii! O que estou fazendo numa sala assim enquanto deveria estar aproveitando o final das minhas férias? A verdade, super verdadeira, é que bateu uma vontade danada de conversar com vocês...

E a outra parte da verdade é que está chovendo... rs... Sem contar o fato de que meu coração está disparado, acelerado de bobeira. Eu sei que vocês não vão entender, mas desde que cheguei ao Brasil parece que meus olhos e ouvidos de mãe estão mais aguçados. Talvez sejam tantas desgraças que dizem todos os dias na TV e no rádio... sejam as notícias ruins que sempre ouvimos... sei não... eu não sou maluca de ficar imaginando desgraça, mas é fato que preciso estar sempre muito mais atenta aqui. Seja a atravessar uma rua na faixa, onde ninguém pára, mas acelera o carro sobre a gente, seja dentro de um carro a noite, sem esquecer que sequestros são comuns... Seja na piscina... pois é...

Estava na piscina com Ângelo e ele insistiu em tentar pular do alto, sem bóias, na piscina grande, porque apesar dos dois anos e meio ele acredita ser invencível, lindo e poderoso. E ele vai se jogando de tudo, sem medo de nada... E eu? Eu berrreeiii aos quatro ventos até ele se paralisar e entender o perigo! Resultado foi que todo mundo olhou para mim como seu eu fosse louca e ele começou a chorar... Ao menos não se jogou na piscina funda! Fiquei tão "nelvosa" que precisei sair e deixei-o curtir os avós enquanto eu curto um momento meu aqui só com vocês... Aqui quietinha vendo a chuva cair pelo vidro.

Enquanto cheguei no Brasil tanta coisa aconteceu... Comigo e no mundo... Hoje vi notícias do Haiti, embora eu tenha mania de evitar televisão e qualquer coisa assim quando estou de férias... Difícil não ficar petrificado em frente à TV num caso assim... Teve uma época em que eu conheci algumas pessoas, padres, freiras ou muitos outros que já tinham ido ao Haiti e à República Dominicana apenas para ajudar... Para eles a vida só valia a pena se era vivida em prol de quem mais necessitava. Eu sempre achei bonito. E talvez tenham sido pessoas assim que me fizeram procurar alguns conventos para tentar ser a Irmã Sônia que eu nunca fui.

Na mesma época eu conheci, de longe, o trabalho da Zilda Arns, porque eu trabalha com a pastoral do adolescente e ela fazia um excelente trabalho com a Pastoral da Criança. E foi aí que hoje eu fiquei pensando que eles de fato deram a vida pela causa na qual acreditavam. Ela e tantos outros brasileiros que lá estavam...

E hoje não me sai da cabeça o Caetano cantando sua "Haiti", da qual eu já havia falado aqui antes.

Creio até mesmo que foram essas pessoas e esssa época, além da filosofia e da sociologia na universidade, que me fizeram estar aqui nesse lugar lindo e prestar atenção em tanto "detalhe".

Num espaço construído pela Veja, onde há várias atividades culturais para quem está de férias eu já trouxe o Ângelo em teatro, minha sobrinha em oficinas etc... Ontem, entretanto, eu me lembrei do que é mais duro nesse meu Brasil veronil. É não se esquecer nunca de que a miséria e a desigualdade existe. E isso não nos deixa descansar. Enquanto a gente "descansava" dezenas de funcionários contratados para esse fim de ano e que vivem na região de Bertioga reclamavam de seu patrão e contavam as horas para o dia acabar. Os trinta reais que um dos seguranças disse que ganharia pelo dia todo de trabalho talvez tivesse sido gasto em um drink qualquer na praia por mim antes...

E aí as mulheres que varriam, varriam e varriam o lugar o tempo todo, porque o chefe cobra que elas não parem... Suas faces sofridas, sua cor que não nega o racismo de séculos... O mesmo percebi no salão de cabelelereiros do meu bairro... Terça foi chocante quando vi uma moça lindíssima entrar pela porta. Chocante porque ela estava um pouquinho fora do peso, mas passava uma super segurança, mas sobretudo porque foi só aí que notei que ela era a única cliente negra... A única entre umas quarenta... A única que eu vi em muitos anos que vou lá...

Eu sei que isso pode parecer horrível... mas eu não sou rica... não frequento lugares de ricos! Nada disso! Eu sempre fui pobre de marré de si e hoje em dia eu de vou a lugares "normais", quer dizer que eu gostaria que fossem normais para todo mundo que desejasse ir... mas não é.

Qualquer graninha no Brasil nos diferencia de um povão todo que sofre e que luta todo dia, mas que nunca vai ter nem uma pontinha do que a gente consegue ter...

Não é para deprimir... Não quero deprimir vocês logo depois de eu demorar tanto a aparecer... mas é isso! Estar aqui, ainda que seja maravilhoso em alguns sentidos, é como se não fosse permitido relaxar...

Bom, a mocinha veio me avisar que meu tempo está acabando e tem teens na fila para brigar de matar monstrinho!

Eu vou ali e volto provavelmente só depois de estar em casa novamente.

Ah!!!!!! O concurso da Lola terminou e a Tina foi quem ganhou o concurso! Parabéns Tina e parabéns para todas que estiveram lá! Já fiz boas amizades só com este concurso e fiquei mucho feliz com isso! Eu não tive lá um votação representativa! Fiquei em sétimo lugar e fiquei tristinha, claro! Todo mundo quer sempre arrebatar votos!

Mas a verdade é que meu texto era longo demais, creio eu e os textos que ficaram nos primeiros lugares eram de fato bons!!!

A outra, disse minha cunhada, eu fiz a pior campanha da história! rs... Segundo ela do jeito que falei do concurso e sobre todo mundo ter que ler os 25 textos para votar depois assustou qualquer um...Não sei... pode ser, mas não tem poroblema! Me inscrevo de novo e vou participando! Vou concorrendo e conhecendo gente!

Agora: fui! Beijossss e abraços apertados!!!! e visito vocês em breve!

Enquanto isso em Malmoeee....

(Sacada de casa depois da primeira nevasca desse inverno, Malmoe, dezembro de 2009)

Chegamos bem em Sampa e logo no caminho do aeroporto, atraves da feia e pobre marginal Tiete, pensei por que era mesmo que eu ainda pensava que valia a pena voltar a morar por aqui e porque tanta gente pode dizer amar este louco lugar.

E ai o dia seguiu assim: almocamos com a familia, passeamos a pe pelo bairro gostoso onde moravamos, cabeleireiro, conversa com amiga, pastel e caldo de cana. Poucas horas depois eu mesma me lembrava qual era a resposta para a minha pergunta da manha...

Estou emprestando o micro na casa da cunhada agora bem rapidinho para mandar um abraco apertado para voces e para postar essa foto do quintal de minha casa, em Malmo, que minha amiga Xu tirou para mim ontem...

Estamos curtindo demais o calorzao daqui. Estou delirando com o sol azul e poder estar de vestido e descalca o tempo todo, mas eu a-do-ra-ria poder estar pisando nesta neve que esta na minha sacada...

Quem e que disse mesmo que nao da para ter tudo de bom ao mesmo tempo agora (isso e uma pergunta, nao consigo usar acentos e simbolos nesse micro!)

Tudo, tudo de bom para você que esteve aqui este ano!!!


Ao som da voz de uma norueguesa, cuja música deliciosa conheci através do blog da Camilinha estou aqui tentando terminar de enfiar as últimas peças nas malas. Único detalhe é que enquanto ponho uma, Ângelo tira outra, mas assim vamos... Ainda me falta muita coisa, sem contar na zona que se transformou a casa nesses dias.

Sem pensar muito nesse lado prático chato eu estou mesmo é super ansiosa para chegar. Quero ver a família logo ali no aeroporto e abraçar todo mundo, embora eu ache que minha mãezinha não conseguirá aparecer por lá e o abraço tem que ser adiado mais uns dias.

Ontem começou a nevar forte e agora a neve e é levada pelo forte vento lá fora. Incrível como sempre é maravilhoso ver a neve caindo... Ano passado nevou muito no dia que fomos e hoje dizem que começará uma grande nevasca por aqui.

Em momentos assim a vida toda parece perfeita! E provavelmente ela seja mesmo! A gente pensa em quem ama, pensa em encontrá-los e fica feliz por saber que ainda estão todos lá e bem, mesmo os avózinhos e avózinhas que estão mais velhos.

Essa é sempre a parte mais difícil de se viver longe... você não sabe, não tem garantia de que quando voltará de novo todos estarão por lá e tudo estará como antes... Algumas coisas boas não mudam, como o jeito cheio de amor como minha mãe me olha e me abraça, ou mesmo as coisas ruins, como o cheiro da marginal que me conduz do aeroporto até em casa.



O sentimento que antes era muito ambíguo agora já não é mais. Sinto que aqui é minha casa, mas aí também é. Pelo menos por enquanto tenho dois lugares que amo e nos quais me sinto no "lar doce lar".

Este blog não ficará abandonado. Não tenho internet em meu apê em Sampa, mas posso usar na casa dos parentes de vez em quando para dar alguma notícia e falar de feelings dessa experiência do reencontro. Posso visitar vocês talvez rapidinho. Penso só que essa coisa de blog parece meio ingrata. Uns dois dias sem postar significa metade do pessoal passando por aqui e não importa se temos 500 posts escritos. A verdade é que o blog é pro já e posts antigos quase não aparecem. Talvez eu possa postar de novo alguns bem antigos que eu tenha gostado muito.

Por hora, peço desculpas para meus leitores queridos que enviaram suas fotos. Ainda ontem perdi o sono pensando: "não terminei!" "não escrevi o post!", mas cansei de prometer para amanhã e não fazer. Farei, mas não vou fazer promessa para mim mesma e para me sentir tão culpada depois.




O post está maior que o esperado e vou encerrar desejando que vocês tenham encontros e reencontros muito bons e emocionantes esse fim de ano. É bom aproveitar os momentos convencionais para dar aquele abraço em quem a gente ama, mas não se sente a vontade para demonstrações de carinho... Escrever um cartão e confessar amores e culpas, escolher um presente que simbolize mais o amor do que o que você pode comprar, repensar os porquês de sua felicidade não poder ter sido completa o ano que passou e pensar se há algo que está mais em seu poder do que no do outro... E mudar...

A mudança nos faz melhor, faz sentir que não empacamos numa verdade só e que somos os únicos certos, os únicos que sofrem, as únicas vítimas, os únicos ocupados, os únicos que amam... Sair de si e olhar o outro eu creio que seja uma das atitudes mais maduras que podemos exercer na vida.

Obrigado pelas visitas. Obrigado pelo apoio em cada momento aqui. Obrigado por me fazer até acreditar que o que escrevo serve mais do que para mim mesma e obrigado por eu aprender com vocês. Aprendi quando visitei seus posts, aprendi quando recebi comentários...

Obrigado e Bom Natal, Ótimo início de Ano Novo! E que em 2010 a gente se encontre muito mais!

Beijos meus, do Renato e do Ângelo.

...

ps: não tenho tempo de corrigir o post agora... perdoem possíveis erros e idéias truncadas...


Glögg, pepparkakor e Santa Luzia: os vários Natais suecos do mesmo dezembro

(Kenth, o Papai Noel metade sueco, metade brasileiro, assustador de criancinhas, nossa festa de Natal em casa, Malmö, dezembro de 2009)

Sexta-feira passada, enquanto o Renato celebrava com o pessoal do trabalho o fim do ano, eu recebi em casa dois casais de amigos. Um francês, Jocelyn, namorado da sueca Maria e os dois já conhecidos Gus e Xu. Além de nós, o cheio de cachos, Ângelo.

Me dei conta então que aquele era mais um dos muitos encontros que já tivemos esse mês de dezembro por conta do Natal. Não se trata apenas do nosso famoso amigo secreto. Aliás não é nem comum a brincadeira nessas reuniões.

Comum mesmo é tomar uma bebida típica deliciosa e quentinha, o glögg, que vende mais que água e que parece dar um certo trabalho para se preparar. Disse minha amiga Paulina, uma sueca que nos preparou outras dessas reuniões pré natalinas no domingo, acompanhada de um glögg que ela havia preparado ano passado com sua irmã. A receita que leva de batata e pimenta à canela, passas e vodka é o que não pode faltar em qualquer celebração que antecipe o Natal por aqui.

Normalmente, toma-se a bebida como aperitivo e só aí começa-se a comer toda a mesa de frios, peixes crus em conserva ou batatas, salsichas e almôndegas.

(Nina, a sueca derretida e de voz maravilhosa, cantando uma canção típica de Natal para a gente, nossa festa de Natal em casa, Malmö, dezembro de 2009)

Aliás, ingredientes parecidos como canela, cravo, pimenta é o que também vai numa bolachinha típica tradicional dessa época, a pepparkakor (receita aqui) que também acrescenta gengibre. É tradição que as famílias ensinem as crianças a fazerem suas peppakakor, assim como o pãozinho de Santa Lucia, as almôndegas e outras comidinhas do Natal. Leia um pouco mais com a Denise, que também viveu por aqui e presenciou as mesmas festanças e comilanças e também nesse site bem bacana.

(Ângelo em meio a molecadinha da escolinha. Com frio nas mãos não há brasileirinho que cante a música da Santa Luzia direito!, Malmö, dezembro de 2009)

O clima dessas celebrações é simplesmente delicioso. E há as cantorias, como a da Santa Luzia (que em sueco escreve-se Lucia, e lê-se Lucíía), nas quais a criançada se veste de Luzia, anjos, Papai Noel ou de Pepparkakor, que tem inspiração em histórias infantis.

Na escolinha do Ângelo os pais foram convidados, há duas semanas, a uma tarde com comilança e preparação de cartões de Natal. Eu, Ângelo e todos seus amigos e pais deles usamos purpurina, canetinhas, adesivos de Natal e preparamos os cartões que agora estão na nossa árvore de Natal em casa.

Sexta passada foi o dia da cantoria de Natal e o brasileirinho Ângelo que "se apresentou" em cima do sofá para mim, me pedindo para dizer "Bravo!", sucumbiu ao frio e ficou de muito mau humor no páteo da escola. Não era para menos! Três graus e na correria as "tias" suequíssimas não conseguiram pôr as luvas da molecada a tempo.


(Eu, Ângelo, Nikol e Iven concentrados no Tönten e sua thurma, Eslöv,, dezembro de 2009)

O Natal é por aqui, como em muitos outros países da Europa, a celebração da família. E mesmo a família do menino Jesus, sua mãe Maria e seu pai José foram tema de uma festa com almoço que nós três fomos com nossos amigos alemães (Nikol, de barriga de 5 meses, Nik e Iven) num restaurante, com cara de casa de fazenda, que celebra o Natal de forma típica há 39 anos. Se quiser conferir, tem um vídeo do Renato nesse link.

(A Luzia da festa do Restaurante e seus ajudantes, Malmö, dezembro de 2009)

Com uns cantores velhinhos linnndos, tocando sanfona e flauta, a gente dançou, cantou, bateu palmas, comeu e se sentiu total num clima de Natal Escandinavo. Em meio às festas, presentes, danças e cantorias, a Mamãe Noel, mulher do Papai Noel (Tönten, que se diz "Tommtem", em sueco e cujo nome foi motivo de piada do Renato, claro! já que Tönten lembra...) disse o seguinte:

- Estava todo mundo esperando a chegada do Tönten, mas não é sobre o Tönten que o Natal trata. É sobre Jesus, um menino que nasceu...

(Os dois velhinhos suecos simpáticos que me pediram para escolher uma música e não pararam de falar do Brasil comigo depois, Eslöv, dezembro de 2009)


A Suécia não é um pais religioso. A maior parte de sua população ou é atéia ou se afirma protestante. As igrejas ainda mantém a mesma decoração da época católica, antes da Reforma, mas o suecos adoram manter as celebrações típicas que relembram alguma história do Cristianismo. Todos eles adoram dizer que os suecos típicos vão três vezes à Igreja: quando são batizados, quando se casam e quando morrem, já que quase 90% dos velórios são feitos nas Igrejas.

É verdade que pouca gente é frequentadora de missas e celebrações, mas nessa época, como no Brasil, é comum alguns irem buscar algumas energias e alegrias para o ano que virá. O que me pareceu é que se eles não ligam muito para seguir as normas religiosas eles adoram aproveitar as festas todas e os feriados que a Igreja um dia instituiu.

(Papai Noel sueco é prático, jovem e sem frufru: o Tönten de óculos que cantava e fazia teatro do restaurante, Eslöv, dezembro de 2009)

(Presentes típico para as crianças: o calendário de dezembro em que cada portinha do dia abre um chocolatinho, Eslöv, dezembro de 2009)

Eu agora entendi porque minha amiga Lilás disse num comentário que ainda nem começou a pensar no Natal. Eu celebrarei o Natal no Brasil com minha família e a família do Re no nosso apê no Brasil. Estar com eles é o mais importante pra gente. E me lembro que celebrar na Igreja, quando eu era carola moderninha, era algo sempre renovador também, incluindo o tempo todo do Advento que eu adorava.

Advento significa para os cristãos o tempo de preparação espiritual para o Natal e aqui significa mais ou menos o mesmo, mas com uma prática um tanto diferente. A alegria da Noite do Natal se espalha pelo dezembro inteiro, inclusive porque oficialmente o Natal na Escandinávia começou sábado, dia 13 de dezembro e vai até a Noite do dia 25.

A dica de Madame Sônia é que você tente começar a comemoração do Natal antes. Pegue as receitinhas dadas neste post, convide uns amigos chegados, cante, dance e beba à moda sueca. O Natal fica muito mais divertido que sendo em um dia só e todo o trabalho de correr para lojas em busca de presentes, enfeitar casa e se preparar para a festa acaba rendendo mais alegria do que o que normante rende! Embora, claro, possa render umas gramas a mais também!


(E come e come e come... mesa do restaurante e só o início da festa, Eslöv, dezembro de 2009)


"Sigam-me os bons!"


Faltam exatos 7 minutos para meia noite e apenas mais um dia para que eu embarque junto com os meus dois para o Brasil.

Então eu deveria ter ido dormir, mas como, depois de vir morar aqui, eu já acho que Natal sem neve não tem graça nenhuma, assim como blog sem comentário e sem resposta aos leitores também não, então aqui vai alguns recados rápidos, já que eu preciso mesmo ir tentar dormir para o dia longo que virá:

1. Respondi os comentários supimpas que vocês fizeram nos últimos posts...

Eu ainda não consegui responder os comentários recentes do post "Nove porteiras" que está no concurso, embora eu tenha ficado super mega feliz com o que vcs escreveram.

Ainda falta responder uns posts que eu gostei muito de fazer e que estão aí abaixo, e cujos comentários foram muuuito lindos e bons. Não consegui, mas ainda tentarei.

2. Passaremos quase um mês e meio na terrinha e vê se vocês pedem para pararem a chuva aí. Tomei chuva aqui os dois meses que passaram inteiros e não aguento mais cinza e chuva. Eu tô precisada de sol, céu azul e calor! Please!!! rs...

3. Obrigada, do fundo do coração mesmo, a todo mundo que votou no meu post lá no blog da Lola. Obrigada por quem também está incentivando o concurso de alguma forma.

A votação e o concurso se encerram no fim do mês, então, se você não passou por lá ainda há tempo. Eu já conferi que há textos muito bons por lá e já fiz "amizade" com uma molerada danada autora dos textos... apesar de eu também não ter dado conta de ler tudo ainda. Apreciem! Sem contar o que vocês ganham conhecendo o pessoal também é um jeito de fazer-se presente na blogosfera.

Bom! Não esqueçam do concurso! Eu vou partir, mas não partam meu coração! ó que brega!!!!

4. Ah! Por último ainda farei outro post de despedida para o Natal, mas infelizmente não está dando tempo de visitar o canto de vocês! Por outro lado, consegui resolver quase tudo por aqui, fechando o ciclo de 2009... É a primeira vez que estou realmente organizada e com as malas quase prontas! eu não procrastinei! oba!

5. Agora um beijo de boa noite! Puss-puss! (acabo de ouvir o Ângelo chorar na cama, sonhando, e chamando por mim no sonho... Engraçado a gente ser a figura central da vida de alguém tão pequenininho.... Fui!)



Update: sobre os outros blogs e o 2010 da Borboleta

(Eu, na casa da amiga Flávia, num dos trabalhos que "estava fazendo", no gerúndio infinito deste ano, mas que não terminei por conta da falta de tempo... muitos projetos para 2010...)

Pessoal,

Divulguei há pouco tempo o endereço de dois outros blogs meus, mas senti a necessidade de mudar endereço, cara e tudo o mais, depois do workshop que dei e depois de mais uma pessoa me pedir umas pinturas para comprar.

A idéia desse fim de ano, depois de encerrar o curso do SFI (suecos para estrangeiros) que eu estava fazendo e me virar com a língua é de me dedicar ano que vem a aperfeiçoar meu inglês, que eu vi que dá para o gasto, mas que precisa de uns toques para dar os workshop que pretendo. Ensinar é fichinha para mim, mas em português. Em inglês eu ainda patino e, embora eu saiba que domino o assunto, as palavras que digo precisam confirmar isso.

Aprender sueco foi fantástico! Sinto que o aprendizado da língua local me faz entender melhor o que vivo, as pessoas que conheço e é essencial em alguns casos, como ontem quando tive uma reunião na escolinha do Ângelo com a professora e entendi uns 98% do que ela falou, além de poder perguntar, questionar etc. Nas escolinhas (ao menos na que vou) elas fazem questão de não falar inglês com a gente, embora elas saibam. A verdade é que muitas entendem o inglês, mas não se sentem fluentes, daí que você pergunta e elas respondem em sueco. Tive a impressão que elas meio que forçam para que eu fale a língua que meu filho fala na escola... esse foi meu julgamento. Por essas razões todas, vou continuar o sueco num nível avançado, mas apenas durante duas horas por semana e não mais 4 horas todos os dias como fiz este ano.

Além disso, vou abrir aquela empresa no meu nome o que torna a coisa um pouco mais séria e viável. Quero continuar o curso de cerâmica que adorei e que me ajuda a pensar a arte em outras esferas e pintar... pintar e, aí, tentar vender. Não há como vender telas se não me dedico horas pintando.

Então, meu novo blog, onde pretendo incluir apenas os trabalhos e deixar para contato é:

painting and decoration

Exclui dois outros e mantive aquele de fotos, atualizei a apresentação e as imagens. Nele, pretendo manter as paisagens mais marcantes de cada canto que passamos. Não está em ordem cronólogica. Vou inserindo conforme me lembro da foto, inclusive porque temos um arquivo de umas 8 mil fotos aqui.

Se quiserem viajar com a gente visitem:



Sejam sempre bem vindos em qualquer um desses meus cantos.
Ah! inseri os links no alto do canto direito do blog para ajudar na localização, quando tiverem a fim de conferir o que rola por lá.

A Maternidade no terceiro concurso de blogueiras da Lola: leia e vote!

Do concurso:

Lembram daquele terceiro concurso de blogueiras da Lola do qual falei há um tempo atrás e incentivei vocês a participarem?

Acaba de sair uma lista fresquinha com 25 posts de diferentes blogs que minha amiga* Lolíssima selecionou entre outros mais. Todos eles tem a Maternidade como tema e os assuntos variam muito. Nem todos foram escritos por mulheres mães e os textos são suaves e bem humorados, julgo eu a ler apenas os títulos.

A idéia da autora do blog é incentivar que mais pessoas conheçam o conteúdo de blogs legais escritos por mulheres e provar que, apesar da fama que só os blogs masculinos têm, os femininos não deixam a desejar.

Ao meu ver o concurso também tem o super mérito de dar uma injeção de ânimo na gente, já que ao divulgar o post mais pessoas acabam lendo nosso texto e acabam trocando idéia sobre o que escrevemos. O concurso também ajuda a divulgar os blogs incritos e cria um intercâmbio de idéias muito frutífero. Fato é que com os últimos concursos (o primeiro foi tema livre e o segundo sobre Feminismo) eu entrei em contato com outros blogs e mulheres e passei a fazer parte o conhecer melhor o universo delas e o meu.

Para ler os textos desse visite esse link aqui e vote no canto direito do blog da Lola.


Das participantes:

Entre as vinte e cinco blogueiras está minha amiga* Lu, com o polêmico texto "Filhos, tê-los ou não tê-los", o qual fui eu mesma quem indicou para o concurso. Infelizmente ficou em cima para eu indicar o textão da Lilás sobre sua in-experiência com a Maternidade que ela descreveu no "Uma foto, mil lembranças: a jovem Beth Q.".

Também entre os posts está aquele meu "Nove porteiras: o longo caminho até o paraíso das mães", que escrevi em setembro desse ano.

O que eu realmente peço a vocês é que não votem na Borboleta só porque são minhas amigas e visitadoras do meu humirrde blog ou por conta da cor dos meus lindos olhos. É claro que ganhar voto e ganhar concurso é bom demais, mas é legal saber que quem votou leu outros textos e que comparou para votar, não é?

Sendo assim, vale a pena tentar ler o maior número possível de posts e votar naquele que realmente nos marca mais, sendo ele ou não da Borboleta ou da Luluzinha.

Sintam-se livres para votar em qualquer uma, embora, claro, você deva saber que corre o risco de ser riscado do meu caderninho... para sempre... rs...


Dos ganhos e da divulgação:

Você também está convidada e convidado a divulgar o concurso se quiser. Pode inclusive colar o selinho que tá aí em cima que foi "moá", euzinha mesmo, quem fez. Não julguem a qualidade do meu texto por essa minha obra de arte aí... rs... Eu adorei fazer o selinho... fiz a pedido e incentivo da Lola num exercício de liberdade.

Minha idéia foi destacar a figura da mãe com sua criança, claro, como qualquer imagem sobre o assunto acabe pedindo, mas ao colocar o tema Maternidade escrito em muitas diferentes cores e tamanhos eu quis destacar a variedade e a complexidade de sentimentos e pensamentos que envolvem o tema.


Da "viagem na maionese" no selinho:

Se você fizer uma análise um pouco mais complexa desse selinho vai ver que a mamãezinha não está com aquele ar sublime retratado nas pinturas renascentistas. Nem tampouco está apenas feliz da vida, com cara de que é a mulher mais sortuda do mundo. Ela tem (assim desejava a super artista que a compôs) um ar meio de interrogação. Não dá para ter muuuita certeza do que ela sente.

- "O que eu faço com essa criatura agora?", talvez tenha pensado ela.
- "Maternidade é ótimo, mas..."
- "Eu sempre sonhei em ser mãe, mas agora que sou como devo mesmo me sentir?
- "Eu não sou mesmo a pessoa mais sortuda do mundo? Sou não é?"

Não tenho intenção de que todo mundo "leia" o selinho assim, mas foi assim que imaginei quando fiz o deseinho.

Dessa vez vai todo mundo ler os textos e votar, inclusive aquele rapazinho chamado Renato, sabem? marido da Somnia que não votou no primeiro concurso? Então... até ele! Só falta vocês!

"Enjoyem"! Esse é mais novo verbo do dicionário somnístico.

...

* Hoje eu estava falando com minha colega Belinda, uma africana super simpática e inteligente, que me contou ter um blog, mas que fica desanimada com o pequeno número de comentários. Aí eu emendei e disse em sueco, toda metida:

- Eu tenho uma amiga que tem uns 1.000 visitantes por dia e deve ter uma porcentagem de 5 a 6% de comentadores..., comentei pensando no blog da Lola.

Daí eu pensei comigo: deixa a Lola saber disso! De que eu sou a maior amiga que ela tem na Suécia! rs... A verdade é que essa intimidade, esse carinho que a gente cria por pessoas que nunca vemos vem da forma como nos identificamos não só com seu jeito de pensar, mas de escrever. A escrita tem um poder que só... Então eu me sinto amiga dela e de você e daquele e daquela outra também que sempre me escreve... entende?