21 dezembro 2011

Aos fãs e aos loucos por nós...


Gente querida,

Eu havia divulgado aqui o primeiro livro virtual  ("A menina da saia de tule") do meu amigo Ed Cruz, aquela pessoa simpática e competente que participou do concurso "Uma foto, mil lembranças".

Este é uma parceria divertida entre eu e Ed, dois viajantes cheios de idéias e projetos mirabolantes. O Ed entra com a parte fácil, tipo ele escreve o livro... rs... e eu faço todo aquele trabalho chato e duro de revisar, publicar e manter o blog. Não é justo não? Mas com o sucesso dele eu tô pensando em investir nele e ganhar uma dinheirama às custas do mocinho do interior.

Ontem, quando publiquei o terceiro capítulo tivemos 10 curtidas em menos de 4 minutos. Isso tá pra lá de bom não está não? O Borboleta ganha um curtida a cada 10 posts e olhe lá! :(

Acabei não divulgando o capítulo 2 na época e agora venho para dizer que acabo de publicar o Capítulo 3, intitulado "Paixão de Primavera".

O Ed tem trabalhado duro e havia me entregue o 3 e o 4 há dua semanas, mas moá, como vocês sabem, estava um pouquinho só ocupada sendo costurada... rs... adoro um drama! rs...

Então ontem saiu o 3 e prometo que segunda-feira de manhã tem o 4!!! Passem para conferir!

Beijos e ótimo fim de semana pra vocês!

19 dezembro 2011

"Você também faz parte...", uma reflexão sobre a cor, o status e o status quo

("Você também faz parte II", Nelson Leirner, 1964. Somos mais uma fechadura funcionando bem na engrenagem? Estamos trancados? Ou temos a chave para abrir outras possibilidades?)

A vida é dura, reclama a maior parte das pessoas que conheço.
Sim, ela com certeza é em muitos momentos.

Ontem, entretanto, o óbvio ficou grudado na minha mente: ela é dura, mas dependendo da cor da tua pele, meu camarada, ela com certeza será também muito injusta.

Fui participar de uma confraternização de Natal do condomínio onde vivemos em "Sumpaulo", um bairro gostoso porque tem algumas árvores, mas básico e simples, já que não tem nada mais do que algum comércio, casinhas, muitos prédios e fábricas antigas. E então eu tive um choque. Sim, um tipo de choque.

Vocês sabem que há coisas com as quais convivemos desde o dia em que nascemos. Crescemos e vemos iguais, pouco mudam e aí assumimos como sendo o que são. Não questionamos mais. Não lamentamos, não desejamos mais gastar algumas horas da semana para transformá-las, porque nós simplesmente estamos bem e mesmo quando não estivemos e a culpa nos corroía, ou tentávamos de algum modo ir contra a corrente, elas permaneciam mais ou menos estáveis.

Quando cheguei no salãozinho de festa havia, entre outras mesas com suas respectivas famílias branquinhas, duas mesas com famílias negras e, embora seja quase ridículo eu ter coragem de afirmar isso, eles me chamaram muita atenção. Meus olhos foram imediatamente de encontro a elas porque, só aí  minha consciência se deu conta de que eu nunca vejo moradores negros aqui.

As pessoas na mesa eram alguns moços e moças com quem falo todos os dias, topo o dia todo, mas uniformizados para o trabalho no prédio. Junto também alguns bebês e crianças, filhos desses funcionários. E o fato de ter constatado que as únicas mesas com famílias não brancas eram as deles eu fiquei realmente muito desolada, triste mesmo!

E aí eu me lembrei de novo de algo que também me deixara tristíssima quando voltei da Suécia para viver de novo no meu velho Brasil que era o fato de em quase 150 famílias das torres deste atual condomínio haver apenas 1 (u-ma) única família negra. Há pessoas morenas claras, ou pele clara, cabelos pretos, mas negras só nesta família. E não é uma família pobre. Eles tem muito mais recursos, bens materiais e funcionários que a maior parte aqui. Eles, no entanto, são uma ENORME exceção.

Sim eu sei. Esta é a realidade. "Você não sabia disso hein Sônia?". Sim eu sabia. É a nossa realidade, mas vamos concordar que é uma realidade muito, muito injusta. Uma realidade permissiva, nojenta e viciada.

Ela é a estampa do quanto ainda somos extremamente preconceituosos em nosso país, ao contrário do que gostamos dizer sobre a miscigenação das "raças". Ela é uma vergonha, porque os rapazes eficientes e muito gente boa, ou as meninas trabalhadoras da faxina viajam todos os dias algumas horas para trabalhar aqui que já não é uma região central. A cor da pele pode ser vista na cor da linha do metrô ou para onde segue a linha final do ônibus.

Empregadas domésticas, babás, carpinteiros, seguranças em sua maioria, negros, que lotam o transporte público que vai para as periferias gigantes da cidade continuam servindo aos brancos. A nós, por acaso nascidos brancos. A muitos de nós que vão sempre justificar a falta de acesso a boas escolas, à cultura, à leitura, viagens etc que este povo não tem dizendo que ao menos conseguimos dar a eles empregos. O que eles fariam sem nós? Sim! Claro! Que bom que ao menos emprego para comer eles tem! Mas qual tipo de trabalho nós estamos sempre dispostos a oferecer mesmo? Qual tipo de trabalho eles estão aptos a conseguir? E apesar de todos os trabalhos terem sim seu valor se perguntássemos ao Gilson, ao Paulo, à Luciana do meu prédio será que nenhum deles teria um sonho branco? O sonho de ser médico? O sonho de ser engenheiro? Piloto ou advogado como o são a maior parte daqueles que eles vivem para servir e proteger?

Sim eu também sei. Não há como esgotar algo assim num postezinho de blog, mas isso tudo me levou a outras constatações que minha consciência adormecida vê, engole seco, e tenta me confortar dizendo "pára de ser neurótica!": aqui no prédio a maior parte dos trabalhadores que não são negros-pretos ou mestiços são as babás, porque babás vocês sabem, frequentam festinhas infantis das crianças que cuidam,  ficam em cena muito mais tempo que as domésticas e elas também lidam diariamente com as crianças. Então quanto mais "clarinhas" parece ser o melhor.

As fotos das domésticas e babás em agências de empregos virtuais, como essa aqui por exemplo, são sempre "bonitinhas", clarinhas, porque, claro, se tiver uma empregada doméstica com a cara de que são realmente a maior parte das empregadas domésticas brasileiras a demanda não será muito boa. Veja só eu não estou dizendo que uma empregada doméstica não possa ser apresentável e bonita por si só, estou dizendo que o fato delas serem bonitas e brancas parece as colocar num patamar superior às que assim não sejam.

Isso tudo é apenas uma daquelas verdades horrorosas de serem constatadas e sobre as quais a gente nem mesmo gosta de falar e perceber, porque o que isso vai dizer pra gente? Que somos horrorosos! E ser mais um na engrenagem horrorosa e preconceituosa que é a nossa tão misturada sociedade brasileira não é nada agradável. Porque aí é preciso ou se conformar ou mudar alguma coisa.

A miséria e a pobreza tem cor sim, a cor negra, e isso sempre me faz relembrar "Haiti" do Caetano. E a pobreza, quando não estampada no tom exato da pele, também está quase sempre estampada nos cabelos quebradiços, na pele sem cremes, nos dentes não cuidados da infância, na fala errada, na bolsa do camelô, no olhar sofrido e nas mãos calejadas. Em detalhes para os quais a gente pensa não dar importância, mas se vê avaliando e julgando alguém exatamente por ter esse e não aquele estereótipo.

A pobreza com certeza tira do caminho muitos sonhos que a pessoa nem sequer teve o direito de sonhar e se essa pessoa nasceu com o tom de pele tido como "errado" para os padrões branquinhos de beleza que vendemos então a vida dela será dura, será injusta, será cheia de mágoa, ainda que contida, de não ter a liberdade de ser e viver bem com aquilo tudo que ela é.

Na semana passada, na nova linha do metrô, a amarela, subia nas escadas rolantes uma mãe com seu filho pré-adolescente. Ela ia num carinho tão grande com ele, mãos no ombro, com um cuidado enorme, um zelo e proteção. Ele ia feliz, sorrindo e os dois encostaram a cabeça uma na outra confidenciando alguma coisa muito boa que haviam conversado ali... Eles eram negros. Suas roupas eram muito simples. O calcanhar dela estava todo rachado na sandália de liquidação. Talvez o mesmo lugar onde comprara o tênis do filho querido. E eu juro pra vocês, sem vergonha de ser tão piegas como sempre sou, que eu rezei em silêncio por aquela família. Eu desejei, como outras vezes o fiz, pará-los e dizer algo. Dizer "Parabéns! Vocês são inspiradores!", mas a pressa e os pensamentos me impediram sem contar o fato de que até minha atitude poderia ser em si mesma entendida como preconceituosa (bem como este texto corre o risco de ser sem querer) porque eu estava vendo neles mais do que eram em si mesmos, mas estava lendo neles o preconceito no Brasil.

Eles tomaram seu caminho e eu o meu. E fiquei apenas na torcida para que aquele menino pudesse ter o mundo à disposição e escolher seu futuro ao invés de se tornar mais um na multidão de meninos invisíveis do país.

10 dezembro 2011

Montanha Russa


("Dança da vida", Matisse)


Sábado de manhã e, desde há muito tempo, não tenho plano algum para o fim de semana.

Os últimos dias vivi, como disse Rui Castelhano, líder do curso do qual participei semana passada, eu estive numa enorme montanha russa. A sensação já teria sido exatamente essa em ter ficado 3 dias inteirinhos e quatro noites com um grupo de 89 pessoas no Fórum, mas na última quarta-feira eu também fiz minha cirurgia de tireóide.

Estou aqui me recuperando e por isso a parada.

Tenho muita coisa para dividir, mas a zonzeira e outros sintomas não me deixas pensar muito claramente.

Uma das coisas mais estranhas é me lembrar do momento em que apaguei totalmente quando recebi a anestesia. E depois como fiquei entre um ir e vir, tentando acordar e pum! apagando de novo.

Foi uma experiência totalmente extra sensorial e foi como se por algumas horas (acho que levei mais de 12 horas para de fato entender o que havia ocorrido) eu tivesse numa outra dimensão. Um portal branco em que a realidade se confundia com um sonho real. Uma coisa muuuito maluca!

Quando me chamaram pela primeira vez eu estava numa sala branca e algumas macas com pessoas na mesma situação que eu lá deitadas... Vi um velho de boca aberta e agora entendo que naquele momento eu acreditei estarmos todos mortos, numa outra vida, já na porta do "céu" ou coisa assim.

E isso durou um bom tempo... Estranho não?

Bom, retirada a tireóide e o carcinoma (ou seja, eu tinha um câncer* de tireóide, mas decidi manter isso meio quieto porque não queria ninguém muito desesperado me desesperando e omiti inclusive para familiares) com todos os muitos nódulos etc me resta um vazio. Este vazio na garganta não é em hipótese nenhuma ruim.

Estou leve.

É um espaço.

Me sinto muito mais saudável e cheia de energia para começar o ano!

Fiz e farei algumas entrevistas de trabalho esta semana e estou cheia de vontade!

Da mesma forma, com relação a minha vida toda, eu sinto uma tranquilidade muito, mas muito grande e isso eu devo as reviravoltas causadas em mim após o Fórum Landmark. Este curso do qual eu vou, com certeza, falar muito aqui!

Vejo saídas nunca vistas antes. Sinto as pessoas e o mundo ao redor de uma maneira muito clara. É real, sem fantasias e nhenhenhéns, mas muito mais bonita.

Na quarta de manhã, antes da cirurgia, eu estava serena, segura e confiante. Foi assim e tem sido até agora...

Sim! 2012 será um ano cheinho de possibilidades e e espero compartilha´-las todas com vocês e saber das suas!

Beijos e Ótimo Fim de Semana!

...

* Não se assustem com essa palavra. Este tipo de doença é facilmente tratável e praticamente controlado com a retirada da tireóide. Agora já sei tudo a respeito! :)

29 novembro 2011

Quando a arte nos dá um delicioso soco na boca do estômago!

(Um dos mapas de Nelson Leirner, o mundo dominado, economica e culturalmente, pelo Mickey Mouse e sua turma)

Semana passada, nos intervalos entre um caminho e outro, acabei caindo na Galeria de Arte do Sesi da Paulista, aquele num formato o qual lembra uma meia pirâmide, onde também fica a Fiesp.

As salas estão todas ocupadas pela exposição "Hobby" de Nelson Leirner, cuja obra eu só tomei conhecimento ali, naquele momentinho só meu no museu.

Toda a exposição, com exceção de uma primeira na entrada, é composta de pequenas instalações, uso de uma infinidade criativa de objetos grandes, como uma pedaço de porta de madeira antiga até objetinhos como santinhos feitos de barro. A única pintura de toda a exposição tem uma frase com mais ou menos os seguintes dizeres: "quando ainda não era artista"

O que eu poderia falar sobre essa exposição eu pretendo realmente escrever num artigo mais longo, concentrado sobre o artista e sua obra, mas não consegui deixar de vir aqui e dizer: se você tiver oportunidade até 11 de dezembro, vá! Por favor!

Não sei se terá a mesma impressão geral que eu, mas enquanto caminhava pelas salas eu senti um soco, bem no meio da boca do meu estômago! Sim, o artista me chamava a olhar o mundo de uma outra forma.

A obra de Leirner é totalmente questionadora, mesmo quando ele afirma não estar com todos esses objetivos em mente. É uma obra belíssima, embora em certos momentos tenha composições feias, mas não no sentido tradicional do belo. O artista tem o dom de instigar todas as formas e esferas da vida de forma muito tranquila. Ele questiona o papel das grandes nações em detrimento da liberdade de expressão das menores. Ele questiona nossa fraqueza e nossa necessidade de apego as muitas crenças. Coloca sob a mesma ótica da reflexão budistas, cristãos, consumistas de plantão, fanáticos por futebol, carolas, críticos de arte e até mesmo o próprio conceito de arte.

As muitas instalações do artista se compõe de objetos recolhidos ao longo de sua vida. Como colecionador e alguém fascinado pelos pequenos apegos humanos ele vai recolhendo os objetos que de alguma forma parecem fazer sentido em sua mente e os agrupa de forma a desnudar seus sentidos.

Nelson Leirner parece, em última instância, falar do livre arbítrio e de como, ao contrário do que possa nos parecer em muitos momentos, a sociedade contemporânea também tem formas de impedi-lo. Somos tão guiados por escolhas alheias e tão fascinados por formas diferentes de poder que nesse copia, reinventa nosso espelho pode nos revelar nossa grande faceta: a de meros macacos repetidores.

("Qualquer semelhança não é mera coincidência". Nelson Leirner vai além da semelhança apontada por Darwin no passado da humanidade, as semelhanças permanecem!)

Os macacos estão em muitas das obras de Leirner e a mais intrigante delas na exposição era uma em que ao lado de um retrato de macaco e uma macaca há um espelho para que nosso reflexo narcicístico apareça e nos surpreenda com a semelhança.

Se você imagima com isso que a obra de Nelson Leirner seja pesada, chata, está enganado. Eu ri sozinha em muitas das salas. O artista tem também domínio da arte do riso. Com títulos engraçados, faz de conta e uma dose grande de imaginação ele nos coloca diante de nós mesmos com uma dose grande de realidade ao mesmo tempo em que nos faz rir de nossa própria condição.

Bom, meu texto curto está se alongando e preciso ir... mas você pode continuar aí se consegui aguçar sua curiosidade.

Se você é, como eu fã de levar alguns socos no estômago ou de cutucões do tipo "hej! acorda de novo, porque você está agindo feito macaco again!" então não perca!

O site do artista: http://www.nelsonleirner.com.br/

Galeria do Sesi, Centro Cultural Ruth Cardoso, Avenida Paulista, 1.313, próximo ao metrô Trianon-Masp.



10 novembro 2011

Saiu o 1o. episódio de "A menina da saia de tule"!


Quer participar de um projeto que une interação na rede, criatividade e literatura?

Então acesse A menina da saia de tule. Lá você poderá acompanhar a história da menina da saia de tule, livro do amigo Ed Cruz, que começa, hoje, a ser escrito e publicado simultaneamente online.

E boa viagem!

09 novembro 2011

Pra quê novela e série se a gente tem o Ed!?

(meu amigo, muito maluco e adorável, Ed Cruz, autor do próximo sucesso das 8!)

Olá tutti brava gente que passa por aqui!!!

Tenho uma coisa legal para dividir com vocês!

Um dos duzentos e setenta projetos que eu tenho (tinha) na gaveta é escrever um livro virtual o qual fosse se construindo diariamente. Isso porque tenho gravadas algumas horas de entrevistas com um amigo querido da Suécia, Kenth Lundgren, sobre quem sonho em escrever uma história.

Sabe aquelas pessoas cuja meia vida já dá um bom livro? Então!

Bom... mas o projeto do livro do Kenth ainda está aguardando, porque o meu bem precioso, o tempo, está carente. Entretanto, ontem, depois de ler pequenos e maravilhosos fragmentos de uma história a qual meu amigo Ed (Cruz, aquele moçoilo do texto "Felicidade" do concurso e do prefácio!) está tentando também fazer sair do papel, tive uma idéia! :) O Ed tem muito mais talento, está usando seu tempo para investir na escrita e, como eu e talvez você, sofre de procrastination!

Falei (escrevi) com ele um tempo e trocamos idéias! O Ed topou de cara adotar minha idéiazinha: amanhã começa a funcionar um novo blog, cujo nome leva o título do livro que Edíssimo tem em mente: "A menina da saia de tule". Eu entro com ajuda simbólica técnica e ele com a criação e o trabalhão rs...

O Ed vai deixar lá o comecinho da história, provavelmente o que tem escrito até agora, e continuará a escrevê-la todas as vezes que desejar e se sentir inspirado. Ele me disse (coisa de escritor!) que tem praticamente a história toda em mente. O outro livro dele o rapaz escreveu em 2 semanas!

Bom, eu convido então, de coração, vocês todas e todos a acompanhar tudo, palpitar, se emocionar, o que com certeza motivará ainda mais o autor a fazer a história acontecer.

E é isso! Um projeto conjunto para a gente se inspirar em rede!

Amanhã a gente tem boa leitura, diversão gratuita garantida e o melhor de tudo: de uma história inédita para aguçar a curiosidade de gente como eu!

Não perde não, porque eu já adianto: ô menino que escreve gostoso demais esse Ed Cruz!!!


08 novembro 2011

Nossos universos paralelos

("Os amantes", René Magritte)

Vi esses dias apenas a chamada para um programa do Discovery Channel, Universos Paralelos, daí o título "super original" do meu post!

Na verdade venho pensando em outro tipo de universo paralelo. Em como nossas vidas, a minha, talvez a de vocês, nossos amigos e gente bem conhecida nossa segue tão solidamente por diferentes caminhos, quase sem se cruzar de fato.

Pensei isso quando li algumas amigas, colegas questionando atitude de alguns estudantes uspianos nas últimas semanas, nas quais alguns alunos protestam contra a presença de policias no campus. Como eles poderão achar trabalho ou coisa parecida com atitudes assim?, perguntavam-se muitos em seus facebooks da vida. Coisas de vagabundos!, repetiam outros. Ao mesmo tempo, amigas e colegas mais liberados defendiam ardentemente a liberdade total dos estudantes em seu campus porque, claro, A polícia é sempre assim! 

Uns poucos com posições menos xiitas em vários sentidos, ao mesmo tempo em que amigos intelectuais (eu até tentei entrar numa delas!) discutiam bem intelectualmente os porquês da mídia tratar assim ou assado o assunto. Enquanto uma amiga super-mega-ultra zen publicava dezenas de vídeos com orações, mantras etc tentando "captar" e ajudar alguém a perceber o realmente importante da vida...

Eu gosto de conversar, e muito, além disso tenho amigos e amigas muito queridos. A queixa deles sobre diferenciados problemas em suas vidas me mostram algo mais ou menos como a tela de Magrite: queremos ser amantes, amigos perfeitos, mas estamos fechados ao outro. E não ver o outro e não se questionar é também não ver a si mesmo.

Talvez a gente fique sempre muito mais chata e pessimista quando no fundo está centrada no próprio umbigo e eu tenho estado, nas últimas semanas, ou meses, um tanto centrada no meu umbigo, ou devo dizer, na minha tireóide.

Descobri, por conta de exames e dores na coluna, imensos nódulos na tireóide. Daí também que tenho hipertiroidismo (aquele com o qual o corpo produz excesso de hormônios) e que tá tá tá... uma chatice de explicações e probleminhas... mas que resultam na necessidade da retirada da tireóide.

Eu sei. É algo simples, tranquilo tá tá tá... Tô fazendo todos os setecentos e cinquenta e três exames durante todos os três únicos dias em que tenho a Claudete para ajudar na faxina e tudo vai ficar bem! Espero fazer logo a tal cirurgia... mas como eu ia dizendo, nossos universos paralelos...

Quando olho ao lado (e também para dentro) é como se a gente vivesse tão enfiado nas antigas crenças e ações e nunca mudasse! E a gente parece fingir ouvir o outro e fingir que tem algo novo para dizer, mas a gente diz o que sempre disse! Entende? E diz com uma convicção!

Como poderemos mudar o mundo se nós estamos todos fechados nos nossos grupinhos e umbiguinhos...   Um sapato novo, um namorado novo, um emprego novo, um presidente novo, mas a gente não se comunica! E vivam as nossas necessidades pessoais! E salvem os nossos pontos de vista!

Eu sei que há brechas (pequenas!) no sistema! Eu sei que há trocas acontecendo o tempo todo (assim como eu tive há pouco visitando de novo blogs que adoro e não consigo tempo para rever), mas me parece tão pouco!

Parecemos olhar sempre de um pedestal: "Ah! os conservadores!" "Ah! as feministas!" "Ah! os maconheiros!" "Ah! os corruptos!" "Esses materialistas!" e "Esses viajantes da maionese!" Isso sem contar com nossa obrigação santa de todos os dias de manter o pão! E corre-se para lá, depois corre-se para cá! Quando é preciso mais, dá-lhe do mesmo!

Caminhamos muito educadamente em nossos próprios universos e eles caminham muito bem, obrigada, paralelamente a tantas outras crenças, idéias e atitudes. Mudar? Claro que não! Se estamos todos nós tão certos! Os outros é que mudem!

O problema é que não estamos de fato atentos. Não ouvimos. Não dialogamos. Então seguimos a vida. E seguimos aqueles cujas respostas sejam parecidas com aquelas que desejamos ouvir. E assim caminha, em universos bem paralelos, a maior parte da humanidade.

28 outubro 2011

Sextas bacanudas até o Natal!

Gente boa e amiga!

Corre que corre, mas minha pintura saiu a tempo de aparecer nesta sexta-feira deliciosa e anunciadora de um verão super mega quente!

Além da novidade sagrada do "Toda Sexta-Feira" queria também avisar por aqui que até o Natal eu farei assim: a cada nova sexta-feira uma das telas lá do blog estará com 50% de desconto (isso pode ser visto na loja virtual). Só para tentar motivar quem quer comprar a mandar ver para si mesmo ou para quem gosta presentes, diríamos assim, menos convencionais, mais criativos e cheios de personalidade! Convencida eu não?

É verdade... artista bom não é artista morto! E todo artista quer mesmo duas coisas: pintar o que gosta e vender! Então vamuquivamu!

Não vejo Natal como data para comprar, acumular, gastar ou mostrar que podemos dar presentes aos outros, mas vejo como época em que afeição e amor devem tentar ser demonstrados sim! Porque a gente passa a vida achando que precisa sair para trabalhar, estudar, fazer bonito, se dar bem na carreira, ficar magrinho, parecer bem na fita, dar presentes, mas esquece de que afinal importa mesmo o que?

As relações... os laços...

Então, tô aqui apenas como alternativa. Se você por acaso já estava pensando em gastar com algo neste fim de ano então ficarei sim extremamente feliz se for com algo algumas pinturas nada fugazes...

Passem por lá para conferir Fugacidade n. 22 com layout novo e dinâmico no blog (façam testes e me digam se ficou legal e se está abrindo bonitinho para vocês) com a primeira tela (propositadalmente bem simbólica!) das sextas bacanudas.

Beijocas! Muitas!!! Porque hoje é sexta e a gente merece moito amor e carinho!

27 outubro 2011

Flickan som lekte med böcker: A menina que brincava com livros


Marinacota, em um de seus muitos momentos de "vou pôr fogo na casa" a la personagem de Stieg Larsson, na semana passada... Fazendo pilha e escadinha com os livros que a mãe dela um dia usava para fazer coisas inacreditavelmente malucas como... ler!

25 outubro 2011

Com vocês, as ganhadoras do 1o. "Miss Redação"!

 

Meu amigo, e também participante do concurso, Ed, disse outro dia que se ele ganhasse o "Miss Redação" (nome dado por ele ao concurso e que eu adorei!) ele estaria "de longo, chorando, segurando um buquê e agradecendo os amigos que votaram e acreditaram" nele... hihihi...

Pois então, esta é a parte chata de um concurso. Nem o Ed, nem a super Célia quem despontou por dias na votação, nem outros de vocês com votação expressiva puderam ganhar o concurso. Vale lembrar, porém, que não ganhar o concurso não mede a qualidade do seu texto por si só. Ele mede também o quanto a pessoa se envolveu em divulgar o concurso e a votação e creio que foi isso somada à visível qualidade dos três textos ganhadores que fizeram diferença.

Eu serei sincera em afirmar que fiquei muito feliz com o resultado. Eu adorei os três textos vencedores, da Grace, Stela e Dri, mas também admito que havia tanto texto bom que foi muito difícil para my self escolher dois deles, usando os dois laptops que tenho em casa. Creio, entretanto, que o valor máximo do concurso não está na eleição, mas na participação. E não estou falando por falar não! O resgate da memória. A escrita. A leitura. O texto. Esses eram os objetivos centrais do concurso.

Repito como eu me emocionei com os textos de vocês. Só para tomar um exemplo eu havia enlouquecido com o texto do Ricardo (2 votos), da Glorinha (2 votos), da Gislaine (7 votos) e tantos outros, com alguns que inclusive não receberam voto nenhum. Eu mesma precisava escolher entre um e outro e foi tão difícil. Acho que acabei votando no texto que mais havia me feito chorar, na história que eu quis repetir para quem encontrava, pois todas as vezes em que eu tentava lembrar de cada história eu me via pensando naquela, em especial.

Há a possibilidade (descobri meio tarde isso!) de fazer com que a escolha seja múltipla. Então poderíamos votar em vários textos ao mesmo tempo e não ficar num dilema para decidir em qual deles votar. Talvez essa seja uma boa saída para a próxima edição.

Eu sou coração mole e fiquei super triste de não poder mandar tela para todos vocês. Ou ao menos para quem foi bem votado (cest la vie! :).

Foram 430 votos distribuídos entre 13 pessoas, já que três delas (também com textos de tirar fôlego) não receberam votos. Eu sei que muitos não tinham intuito de concorrer, mas de participar sem contar outros problemas. A Loide, por exemplo, estava em plena mudança de Portugal para a Suécia e assim vai...

Os textos que mereceram destaque na votação foram:
1o. lugar: Grace Olsson, Há mais amor entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia, do blog Grace Olsson, fotografi".
2o. lugar: Stella Bataglia, Alegria, alegria! Esta foto é nossa!
3o. lugar: Adriana Cechetti, Sempre existirá Paris.
4o. lugar: Célia Barbosa, "O primeiro vôo solo da minha pequena"
5o. lugar: Ed Cruz, Onde mora a Felicidade?, do blog "O vermelho nítido no vestido branco".
6o. lugar:  Ana Flávia, Quando Euripa conheceu a Europa (do blog "Europrosa").
7o. lugar:  Beth Q., Para sempre em meu coraçãodos blogs "Mãe Gaia" e "Me and you".

A vocês um abração apertadinho de obrigada!
...

Com vocês... as "misses" quem são mais do que apenas um textinho bonito...


Bem, eu pedi às três vencedoras que me enviassem algumas palavras para dizerem ao seu público como foi participar do concurso. As três se vestiram maravilhosamente, nuns longos brilhantes e cheios de plumas e paetes, colocaram a faixa, tomaram o microfone e disseram assim:








3o. lugar: 
(Fugacidade  n. 19 para Adriana Cechetti)

Pra mim, participar do concurso foi mais importante do que possa parecer. Desde pequena eu adoro escrever. Decidi ser jornalista ainda menina porque sabia que era das palavras que eu gostaria de sobreviver. Assim o fiz, me formei jornalista, passei anos escrevendo textos pra algumas revistas, mas um outro sonho atravessou meu caminho: trabalhar em televisão. Desde então, as letras ficaram um pouco esquecidas. Por isso, achei que não conseguiria mais escrever. E foi graças ao concurso que me reencontrei com o universo que tanto me fascina.

Obrigada a todos que votaram! E parabéns a todos que aqui se dedicaram a dividir histórias profundas e emocionantes: uma foto, mil lembranças e muitas sensações!

Adriana Cechetti, "Sempre existirá Paris".


2o. lugar:
 (Fugacidade n. 20 para Stela Battaglia)

Alegria foi o sentimento de participar do concurso do blog de Sônia, a borboleta pequenina que um dia pousou em minha sala de visitas - uma "filha mais velha", adotada e querida, companheira de estudos e conversas onde está hoje o famoso pianista pintado por ela, inspirada em Rachmaninoff.
Arriscar a colocar um texto na internet foi bom. Foi bom o gosto de expressar em palavras o tanto que a vida trouxe em acontecimentos. Foi aconchegante receber votos ( cada um, para mim, representava uma espécie de "torcida" para a história vivida pelos protagonistas do texto). A expectativa, as atitudes de amigos cercaram este tempo de emoções; e a participação plena de empenho do velho garotão loiro, ainda cheio de charme, trouxe mais vida ao texto criado. Por isto, alegria, alegria, esta tela é NOSSA!
Receber uma tela sua, Sônia, é ver concretizado,também em pinceladas, o sentir revelado pela primeira vez na tela digital. É guardar este tempo em cores, num espaço da minha casa, da minha intimidade.
Foi bom estar ao lado de pessoas sensíveis, que expuseram e compartilharam suas lembranças. Todos os textos tiveram forte carga de emoção e beneficiados foram os seus leitores, entre os quais me incluo.
A disputa final, Sonia, é um reconhecimento do valor de seus quadros para nós, participantes. Obrigada pela oportunidade!
A vocês, que leram meu texto, obrigada, também! Só fez crescer em mim o desejo de escrever. E compartilhar!

Stela Battaglia, "Alegria, alegria, esta foto é nossa!"

1o. lugar:  
(Fugacidade n. 21, para Grace Olsson)


Para mim foi bom participar por que eu descobri que, com um simples concurso, a gente tira grandes lições. Vibrar com cada votinho que ia mudando no marcador.
Foram meus colegas da faculdade de Direito quem deram a maior parte dos meus votos; Além de blogueiros, amigos do Facebook, e amigos dos meus filhos. Esse concurso trouxe meus amigos de volta. Alguns que nem lembrava mais e que se lembraram de mim quando souberam do concurso.
Com este texto eu comecei a exterminar meus fantasmas, porque a perda daquele menino doeu demais. Aliás, ainda dói até hoje. Nao há um dia em que eu nao chore. O que eu aprendi com o concurso é que os amigos dos meus filhos só votam em texto depois de lerem. Isso me deixou feliz. Ouvir de meus filhos que seus amigos, só votariam em meu texto depois de lerem todos os textos, sinaliza de que a juventude tem jeito. Nao pensei em nada novo quando eu decidi participar.


Grace Olsson, "Há mais amor entre o céu e a terra, do que julga nossa vã filosofia"

Parabéns meninas! E se você não participou nesta edição não se preocupe, já tenho aqui o tema para a próxima! 

24 outubro 2011

Parabéns Grace, Stela e Dri!!!


Adriana Cechetti, "Sempre existirá Paris"
  71 (16%)
Ana Flávia, "Quando Euripa conheceu a Europa"
  17 (3%)
Beth Q., "Para sempre em meu coração"
  14 (3%)
Célia Barbosa, "O primeiro vôo solo da minha pequena"
  51 (11%)
Daniela Zuim, "O mundo é grande e não cabe na tela"
  4 (0%)
Ed Cruz, "Onde mora a Felicidade?"
  45 (10%)
Elaine Carvalho, "Uma foto ruim e intrigante de uma época boa"
  3 (0%)
Gislaine Widmer, "Duas meninas (ou três, quatro...)
  7 (1%)
Glória Leão, "Esperança"
  2 (0%)
Grace Olsson, "Há mais amor entre o céu e a terra do que julga..."
  130 (30%)
Kátia Celeiroz, "Tempos Felizes"
  0 (0%)
Loide Branco, "Lembranças em preto e branco"
  0 (0%)
Maariah, "Um momento de alegria"
  0 (0%)
Marina Barbosa, "Memórias do Alto Rio Negro"
  3 (0%)
Ricardo Perez, "Sobre sonhos e memórias"
  2 (0%)
Stella Bataglia, "Alegria, alegria! Esta foto é nossa!"
  81 (18%)


Gente querida, é tarde e embora eu vá escrever com detalhes sobre o final deste concurso amanhã, queria agora apenas registrar o último resultado antes de ir para minha caminha quentinha. Boa noite!  E muitos abraços apertadinhos para vocês!


Faltam só 3 horas para finalizar o 1o. concurso "Uma foto, mil lembranças"


Oi gente boa!

Eu passei o fim de semana todo passeando com a família e vi agora pouco (inclusive também recebi um email da Grace falando o mesmo) que o tempo restante para o final do concurso estava errado no blog. Alguma coisa devia estar configurada errada no meu computador, então ao invés de 3 horas restantes estavam dando 7 horas.

Acabei de acertar isso, pois este é um recurso o qual consigo alterar. Faltam então apenas 3 horas para encerrar o mais lindo, emocionante legal, entusiasmado, mega-master-blaster concurso de textos "do mundo!":), já que o anunciado como limite era a meia noite de hoje, horário do Brasil.

Loguinho saberemos quem serão as três vencedoras, pois pelo jeito o nosso homem concorrente - Edíssimo - do pedaço talvez não chegue mesmo mais perto das três primeiras danadinhas...

Beijocas a todos e todas que passaram por aqui para votar! Obrigadíssima! E ótimo fim de fim de semana!

20 outubro 2011

Na Suécia também não tem... quem não tenha lavadora de louça em casa

("Sua mãe não trabalha aqui", pano de limpeza com dizeres que os suecos adoram, na loja Lagerhaus)

Em uma das cenas de "Rachel getting married", um filme americano o qual vi e escrevi sobre, algumas semanas atrás, o pai da noiva e o noivo fazem uma disputa para ver qual deles consegue colocar as louças na máquina de lavar de forma mais rápida e eficiente, isto é, aproveitando melhor o espaço e colocando o máximo de louças possível.

Renato, quem assistia ao meu lado, riu. Nós dois sempre achamos graça de cenas assim, porque isso é algo com o qual estávamos tão acostumados na Suécia. Lá, o dono ou a dona da casa, bem como seus convidados, sempre vão terminar a festa, o jantarzinho, qualquer encontro enchendo a máquina de lavar de louça e ajudando na arrumação de tudo.

Não se deixa a louça para a empregada lavar no outro dia e vocês já sabem o  porquê não?

- Essa cena só faz sentido porque não é um filme brasileiro, comentei eu com ele.

E é muito verdade.

Eu visitei muitas casas de gente sueca, brasileira, dinamarquesa, alemã, iraquiana, iraniana, grega etc, quem como eu, vivia em Malmö. Isso quer dizer que a renda familiar dessas pessoas com quem fiz amizade era muito diferente. Apesar da Suécia ser exemplar na distribuição de renda, quando se compara com países de terceiro mundo, obviamente eles não extirparam todas as diferenças. Ainda assim não houve uma casa sequer em que eu tenha ido e não houvesse uma máquina de lavar louça. Levante a mão aí quem vive na Suécia e acha que estou mentindo? O mesmo para as lavadoras e secadoras de roupa, já que o inverno impede a secagem ao ar livre durante a maior parte do ano e máquinas e eletrodomésticos são mesmo uma constante na vida deles.

Só para se ter uma idéia um casal amigo, ambos empregados da mesma empresa que Renato, ambos com diplomas e viagens pelo mundo, haviam comprado muitas máquinas e colocado eles mesmos (sim! com a mão literalmente na massa!) o piso e o telhado etc da casa toda que estavam construindo.

Sim. Aqui, a gente praticamente não usa máquina de lavar louça. A máquina de lavar até faz parte da decoração de muitas casas e apartamentos, mas no dia a dia quem lava a louça será provavelmente a empregada, se a pessoa tiver uma. Chances maiores de que ela lave na mão, seja para economizar energia, seja porque o pagamento do seu salário inclui que, oras bolas, se esforce um pouco e não fique na folga!

Aqui em casa é difícil a visita que se habilite a colocar as louças na máquina. É como se tívessemos um objeto teletransportado de outro planeta, assim como se fosse uma tecnologia incrível e praticamente ninguém se atreve a tentar aprender a usar. Não é uma crítica, é só uma constatação :). Além disso, o discurso dos nossos queridos amigos brasileiros e da família é meio parecido "o tempo que leva colocando eu já fiz na mão". Eu duvido, mas tchudo bem! Além disso, experimenta fazer isso duas, três vezes por dia todos os santos dias de sua vida! Ah! okey! é só pagar uma em? pregada! Ou deixar para a esposa do lar fazer!

Bom, o fato é que na Suécia ter uma ou um empregado doméstico não é exatamente uma opção. E se ela existe ela é muito, mas muito cara! Absurdamente cara porque os salários são muito mais parecidos entre as categorias do que os são no nosso país.

Isso significa que o pai de família, a mãe de família irá chegar cansado do trabalho, irá cozinhar, cuidar da prole, pôr a roupa numa máquina e a louça em outra. As máquinas são parte essencial da nossa vida por lá porque elas ajudam demais. Custa muito menos do que o empregado diarista, mas, claro, obrigam a pessoa a fazer ela mesmo o "serviço sujo", coisa que os suecos não parecem se preocupar mesmo em fazer! E digo mais: muitos sentem certo orgulho em fazer! E eles não são uma exceção, talvez nós sejamos...

Muita gente vai discordar de mim, mas eu creio que não usar máquina em casa porque tem um empregado para fazê-lo é normal por aqui e em países em que a revolução industrial trouxe melhorias inacreditáveis, mas não ainda para toda uma população.

Olhando nossos lares eu ainda sinto que é como se reproduzíssemos a maneira a la anos 80 de nossas mães cuidarem da casa. Ou das empregadas de muitas delas. Usamos rodo, pano e balde. Usamos mãos, bucha e sabão nelas. Isso tudo pode parecer tão metido à besta, mas é sério!

E mesmo na maior parte dos lares de gente abastada a coisa não muda muito de figura. Muda a decoração, mas não necessariamente a forma como tudo funciona.

Houve dois momentos nos últimos meses nos quais eu pude ver como a maioria de nós ainda acha que lavar a própria louça, roupa ou limpar sua casa é coisa que só prova o baixo nível financeiro da pessoa. Como associamos ser bem sucedido com o número de empregados que temos. E mesmo os empregados pensam isso sobre os patrões!


Quando o mocinho Princípe Willian se casou e fez um churrasquinho no dia seguinte com o sogro e a família, eu pude ler muitos comentários assim nas redes sociais (tão badaladas e muitas vezes tão senso comum): "eita pobreza!", "o churrasqueiro não foi?", "não sobrou dinheiro para pagar o buffet?" e coisas assim super "desenvolvidas" e de gente de "moito nível".

Gente é tão deprimente o fato de tantas pessoas acharem que para fazer um churrasquinho com uns gatos pingados é preciso sempre ter buffet, garçom e churrasqueiro, porque fazer nós mesmos é prova de que não podemos pagar para outro fazer por nós. Até ser uma opção é algo totalmente compreensível, mas ser uma obrigação ai! cansa até a beleza!


No mesmo naipe foram comentários no facebook de uma amiga quando ela postou uma foto incrível do Paul McCartney (sim! ele!) e Michael (o Jackson! can you believe that?) lavando louça juntos. E não era um comercial para vender panelas! Não! Era a vida real de dois astros da música pop, mas ninguém se conformava: "como assim? que cena surreal!". 

Onde quero chegar com tudo isso? Eu sou louca e prefiro fazer tudo eu mesma? Adoro lavar a louça ou tô dizendo isso só porque não posso pagar uma empregada todos os dias?

Não, não é exatamente isso. É que ter alguém para fazer absolutamente tudo para nós em casa,  com nossos filhos é muito antiquado. Vai na contramão do desenvolvimento, porque desenvolvimento - insisto em dizer isso - significa que todo mundo possa estar em casa nos fins de semana para cuidar de seus próprios filhos e não os alheios.

Semanas atrás, no playground e jardim de onde moro, vi um monte de copos descartáveis jogados no chão onde alguns adolescentes acabavam de se levantar. Indignada perguntei: "será que foram esses grandões os responsáveis por toda esta sujeira?". Nete, um amor de pessoa, babá super simples, respondeu rapidamente: "nossa! com certeza os pequenos não foi, porque  se fossem eles as babás com certeza já tinham pegado! A gente nunca deixa nada sujo!".

Tadinha da Nete...

Fui reclamar com a secretária do condomínio se a gente não poderia escrever uns cartazes etc, já que a cena é corriqueira e ela me afirmou que isso não resolveria, mas ela estaria "avisando os funcionários para não deixar nada sujo por lá, porque era obrigação deles pegar esses lixos jogados".

Qual o problema dessas moçoilas e moçoilos? Seus pais provavelmente pagaram uma Nete para pegar os copos jogados no chão. E também uma para lavar qualquer pratinho sujado durante o dia... E a máquina de lavar ficava parada e nem eram eles quem a enchiam em competições logo após encontros entre amigos.

Na Suécia não tem quem não tenha lavadora de louça e também não tem quem não ensine seus filhos de que ao menos algumas de suas sujeiras são eles os responsáveis poe pegar.

Sim... minha chatice não mudou nada depois que voltei, obviamente. E muito pouco muda, porque a gente só percebe problemas quando eles acontecem em escalas gigantes e nos afetam diretamente. Ou então porque eles poderão afetar alguns de nossos netinhos ou bisnetos no futuro, como os desastres de um efeito estufa (no caso extremo do descuido com o lixo), ou da violência exacerbada (no caso extremo da desigualdade). Essas coisinhas bobas como cozinhar para si mesmo, limpar a própria louça e a própria sujeira é coisa de gente pobre, gente que provavelmente mora em lugares como... a Suécia?



19 outubro 2011

Eu tenho meda dos escritores malucos do concurso!!!


(Para a parte do concurso de talentos, eu vou circular por aí de biquíni e salto alto)

E aí gente boa?

Eu estava dando o concurso como encerrado. Toalhas jogadas, final imaginável e garantido, prêmios já quase com o endereço no envelope... mas olha que a gente não perde por esperar! Dêem uma olhada no placar de alguns minutos atrás:

Destaque para:

Grace Olsson, "Há mais amor entre o céu e a terra do que julga..." ............ 46 

Ed Cruz, "Onde mora a Felicidade?".............................................................43 

Stella Bataglia, "Alegria, alegria! Esta foto é nossa!".................................... 41

Célia Barbosa, "O primeiro vôo solo da minha pequena".............................. 39

Adriana Cechetti, "Sempre existirá Paris"...................................................... 38 


E no geral:

Adriana Cechetti, "Sempre existirá Paris"
  38 (14%)
Ana Flávia, "Quando Euripa conheceu a Europa"
  17 (6%)
Beth Q., "Para sempre em meu coração"
  14 (5%)
Célia Barbosa, "O primeiro vôo solo da minha pequena"
  39 (15%)
Daniela Zuim, "O mundo é grande e não cabe na tela"
  3 (1%)
Ed Cruz, "Onde mora a Felicidade?"
  43 (16%)
Elaine Carvalho, "Uma foto ruim e intrigante de uma época boa"
  3 (1%)
Gislaine Widmer, "Duas meninas (ou três, quatro...)
  7 (2%)
Glória Leão, "Esperança"
  2 (0%)
Grace Olsson, "Há mais amor entre o céu e a terra do que julga..."
  46 (17%)
Kátia Celeiroz, "Tempos Felizes"
  0 (0%)
Loide Branco, "Lembranças em preto e branco"
  0 (0%)
Maariah, "Um momento de alegria"
  1 (0%)
Marina Barbosa, "Memórias do Alto Rio Negro"
  3 (1%)
Ricardo Perez, "Sobre sonhos e memórias"
  2 (0%)
Stella Bataglia, "Alegria, alegria! Esta foto é nossa!"
  41 (15%)


Bom, parece que até domingo eu tenho diversão garantida na minha rotina exaustiva de todos os dias! Uhulll! Apesar de que eu já tô até com meda desse pessoal! Vai saber o que eles andam vendendo, prometendo ou arriscando por aí?!!! aiaiaiaiai!

Brincadeirinha!

E você? Já votou em alguém? Vai lá que eu quero é moita emoçãoooo!!!