Pular para o conteúdo principal

"I know... I have to go away!": quando somos só jovens demais...


("Pai e Filho", Cat Stevens)

Um querido amigo disse que seu pai sempre colocava esta canção na vitrola aos domingos e que eles tinham juntos um domingo feliz. A gente cresce e certas coisas ganham sentido, ou mais sentido, à medida em que vamos vivendo nossa vida.

O meu, sempre acordava tocando Mário Zan (sobretudo essa música maravilhosa aqui) em sua sanfona e, naquela época, eu não sei se eu tinha noção de que aqueles eram domingos também felizes.

Eu me lembro de acordar e ouvir minha mãe e meu pai falar de minhas peripécias e a de meus irmãos durante a semana... Era um jeito bom de me sentir no centro do mundo... Eu gostava.

Havia, ainda, os conselhos ditos uma, duas, muitas vezes por meu pai e minha mãe. Eles tentavam me ensinar algo, mas eu não sabia ainda que algumas coisas seriam boas de serem ouvidas. Me lembro de chorar por razões diferentes e eles me alertarem que aquilo iria se repetir muito e eu deveria mais ou menos me preparar para a vida... algo, na adolescência, quase impossível de se ouvir.

É difícil entender que certas dores e ausências podem ser superadas, sobretudo quando passamos da adolescência e cremos serem certas "escolhas" as perfeitas para nós e nosso futuro. No fundo a gente não acredita. E a gente não quer. Como crianças às vezes ainda relutamos em nos conformar em ter ganhado outra coisa que não o pedido... mas quase sempre o que precisamos fazer é só dar tempo ao tempo e as feridas, quase todas elas, acabarão por serem cicatrizadas.

Às vezes o melhor a fazer é aquilo que os nosso pais bem já sabem e repetir para nós mesmos: "I know... I have to go away", porque só assim o próximo capítulo terá chance de ser escrito...



Father And Son
Cat Stevens

It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy

I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you've found
Something going on
But take your time, think a lot
I think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not

How can I try to explain
When I do he turns away again
And it's always been the same
Same old story
From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

It's not time to make a change
Just sit down and take it slowly
You're still young that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy

All the times that I've cried
Keeping all the things I knew inside
And it's hard, but it's harder
To ignore it
If they were right I'd agree
But it's them they know, not me
Now there's a way and I know
That i have to go away
I know I have to go

...

Pai e Filho
Cat Stevens

Não é tempo de mudar,
apenas relaxe, vá com calma
Você ainda é jovem, esse é seu problema,
há muita coisa que você tem que saber.
Encontre uma garota, se afirme,
se você quiser, pode casar
Olhe pra mim, estou velho,
mas sou feliz.

Eu já fui como você é agora,
e eu sei que não é fácil
ficar calmo quando você
percebeu algo acontecendo.
Mas vá com calma, pense muito (por quê?),
pense que tudo o que você já conseguiu
para você vai estar aqui amanhã,
mas seus sonhos talvez não.

Como eu poderia tentar explicar,
quando o faço ele ignora
É sempre a mesma coisa,
a mesma velha história.
No momento em que eu pude falar,
fui obrigado a ouvir.
Agora há um caminho, e eu sei
que eu tenho que ir embora,
eu sei que tenho que ir.

Não é tempo de mudar,
apenas sente-se, vá devagar,
você continua jovem, esse é o seu problema,
há muita coisa ainda que você tem que enfrentar.
Encontre uma garota, se afirme,
se quiser, você pode casar,
olhe pra mim, eu estou velho,
mas sou feliz.

Todas as vezes que eu chorei
Mantendo todas as coisas que eu sabia dentro
E é difícil, mas é mais difícil
Ignorá-la
Se eles estivessem certos, eu concordaria
Mas são eles que sabem, não sou eu
Agora há uma maneira
e eu sei Que eu tenho que ir embora
Eu sei que tenho que ir

Comentários

Vanessa Souza disse…
Olá,
Encontrei o seu Blog, por uma blogueira de plantão, e achei bem legal.
E mais legal ainda, foi o concurso que vi você fazendo, me empolguei em participar, pra ser um intuito de rever fotos do passado também...é uma delícia isso né?!

Voltarei mais vezes por aqui, e quero ver se consigo escrever um texto legal pra te mandar, porque a foto já tenho em mente, rs.

Beijos.
Nina disse…
Oi!!

noooossa, música lá em casa era uma coisa tao normal qt tomar café de manha, mamae tirava os fins de semana pra colocar toda sua colecao de lps pra tocar, e era o dia todo! A música a fazia acordar de um bom humor incrível e ela que era uma mae mt ocupada e cheia de problema com meu pai, e nunca tinha mt tempo e paciência com os mts filhos, acordava a gente com cosquinhas nos pés e música. Era mt bom ouvir mamae cantando e dancando no fim de semana e ainda com pouca vontade de bater na filharada malcriada :-) A gente achava as músicas horríveis, mas no fundo no fundo, curtia a breguice tbm :-)

Adoro lembrar desse tempo...

Obrigada pelo convite, eu adoraria participar, mas só agora voltei pra casa e to com mt coisa pra fazer, mas a ideia das fotos e um história é linda, parabéns! Volto pra ler os textos outra hora.

Um bj
Flávia disse…
Olá!!!

Nossa, fazia tempo que não ouvia essa música e nunca reparava na letra... engraçado, ela faz mto sentido diante de alguns acontecimentos que ocorreram semana passada... Obrigada, Somnia!

Abçs,

Flávia

Postagens mais visitadas deste blog

"Ja, må hon leva!" Sim! Ela pode viver!

(Versão popular do parabéns a você sueco em festinha infantil tipicamente sueca) Molerada! Vocês quase não comentam, mas quando o fazem é para deixar recados chiquérrimos e inteligentes como esses aí do último post! Demais! Adorei as reflexões, saber como cada uma vive diferente suas diferentes fases! Responderei com o devido cuidado mais tarde... Tô podre e preciso ir para a cama porque Marinacota tomou vacina ontem e não dormiu nada a noite. Por ora queria deixar essa canção pela qual sou louca, uma versão do "Vie gratuliere", o parabéns a você sueco. Essa versão é bem mais popular (eu adorava cantá-la em nossas comemorações lá!) e a recebi pelo facebook de minha querida e adorável amiga Jéssica quem vive lá em Malmoeee city, minha antiga morada. Como boa canção popular sueca, esta também tem bebida no meio, porque se tem duas coisas as quais os suecos amam mais que bebida são: 1. fazer versão de música e 2. fazer versão de música colocando uma letra sobre bebida nel

Mãe qué é mãe mesmo...

(Picasso, Mãe e criança, 1921) Mãe qué é mãe mesmo... Já deu uma de cientista e foi até o quarto do bebê só para checar se ele respirava. Já despencou de sono em cima dele, feito uma galinha morta, enquanto amamentava. Já caminhou pela casa na ponta dos pés, como uma bailarina, só para não acordar o pimpolho. Mãe qué é mãe mesmo... Já perdeu a conta das mamadas e esqueceu qual o peito deveria dar. Já deu oi pro lindo rapaz que dormia ao seu lado e dormiu antes de continuar a conversa. Já adquiriu habilidades múltiplas como comer com uma mão só e fazer xixi com o bebê no colo. Mãe qué é mãe mesmo... Ama e odeia, ama e odeia. Às vezes chora e muitas vezes sorri. É ao mesmo tempo carrasca e heroína. Mãe... é uma garota crescida com uma boneca de verdade nos braços. Precisa de atenção e carinho tanto quanto seu brinquedo.

O que você vê nesta obra? "Língua com padrão suntuoso", de Adriana Varejão

("Língua com padrão suntuoso", Adriana Varejão, óleo sobre tela e alumínio, 200 x 170 x 57cm) Antes de começar este post só quero lhe pedir que não faça as buscas nos links apresentados, sobre a artista e sua obra, antes de concluir esta leitura e observar atentamente a obra. Combinado? ... Consegui, hoje, uma manhã cultural só para mim e fui visitar a 30a. Bienal de Arte de São Paulo , que estará aberta ao público até 09 de dezembro e tem entrada gratuita. Já preparei um post para falar sobre minhas impressões sobre a Bienal que, aos meus olhos, é "Poesia do cotidiano" e o publicarei na próxima semana. De quebra, passei pelo MAM (Museu de Arte Moderna), o qual fica ao lado do prédio da Bienal e da OCA (projetados por Oscar Niemeyer), passeio que apenas pela arquitetura já vale demais a pena - e tive mais uma daquelas experiências dificilmente explicáveis. Há algum tempo eu esperava para ver uma obra de Adriana Varejão ao vivo e nem imaginava que