30 maio 2009

Você mora na Suécia e ainda não tem uma bicicleta?

(Ângelo, que já aprendeu o que é direita e esquerda na sua cykel, num passeio de domingo de sol,  Malmö, maio 2009)

Quer sair por aí cantando "Every day is like a sunday?", então você precisa de uma bicileta.
Desde que ganhei a Madalena, há alguns meses, mesmo em dias de 5 graus por aqui eu saio cantarolante que nem passarinho.

O Renato me insistiu por anos por pedalar com ele nas nossas férias em montanhas no Brasil. Eu fazia, caía, ralava o joelhão e buáá, as férias acabavam. Eu, na verdade, detestava porque o esforço era muito grande. Além disso, eram minhas férias. 

O mais legal de ter bike aqui é fazer do dia a dia suas férias, mas sem chororô. Além disso, a cidade é tão preparada para que a gente use bike o tempo todo que meus caminhos se tornam mais curtos e economizo tempo indo de Madalena do que indo de carro e ônibus. De carro é difícil estacionar e gasto em qualquer canto da cidade onde parar. De ônibus demoro 3 vezes ou 4 o tempo que demoro com minha bicicleta.

Eu ando tentando convencer as brasileiras amigas que ainda não tem bicicleta a comprar uma. A vida, eu juro, eu prometo! é outra! Como a Suécia é planinha planinha não tem chorumelas nem joelho ralado. 

Eu já havia falado que no contador próximo a minha casa antiga, no centro, marcava em média 6 mil bicicletas passando por lá por dia. E lá é apenas um cruzamento das ciclovias que a gente tem por aqui. Pois é... desde que a Primavera chegou tem marcado 8.000. E a Prefeitura não pára de investir em incentivo. Há propagandas espalhadas pela cidade toda incentivando o uso das Madalenas da vida. E eles também tem renovado todas as ciclovias da cidade, deixando lisinho lisinho.

Além da Suécia, ao menos a Dinamarca que eu conheci e a Noruega que o Renato conheceu, parecem ir na mesma onda. Muita gente de bicileta e costume desde pequenininho. Cena bem comum é ver os pais pedalando as suas bikes e os pequenos pedalando cada qual sua pequenininha. Em Copenhaguem a gente vê umas bikes mais poderosas, cheias de coisas para levar a molecada. É muito legal de se ver!

(Mãe e filhos pedalando em Copenhaguem, Imagem de Lunkens blog)

Todo santo dia que tô indo pro mercado, pra escola, buscando Ângelo, academia, o que seja, eu deixo sentir a brisa no rosto e agradeço pela oportunidade de viver um tempo sem o trânsito e a fumaçã escura no rosto da gente. Ver tanta gente pedalando pela cidade o dia todo e andando três, cinco, dez quilômetros todos os dias para ir e voltar do trabalho ou de seus afazeres, incluindo senhores e senhoras de 50, 60 e 70 anos, eu penso que a Madalena me deu muitas oportunidades: de me sentir livre toda manhã que pedalo, livre do vidro fechado do carro, livre da lerdeza do ônibus ou do metrô abarrotado de gente, como o que eu tomava em Sampa. Me fez reparar mais na paisagem da cidade, me fez conhecer as centenas de ciclovias da cidade que me ajudam a tomar caminhos mais e mais diferentes todos os dias. Me fez perceber que ter uma vida saudável e aproveitar essa oportunidade de exercitar-se é auma das coisas que faz um sueco optar pela sua bicicleta, inclusive quando ele tem em casa um ou mais carros importados e caros da família que ele usa no fim de semana ou nas férias. A outra todo mundo sabe: sueco adora gastar pouco e bike é baratinho que só. A terceira, creio eu: eles aqui estão bastante preocupados e comprometidos com a questão ambiental. Oito mil bicicletas na rua significa ao menos a metade de carros a menos. 

Essa é uma lição incrível que alguns países deveriam ensinar pra gente. Quando passeio por cidades de praia do Brasil, que são planas, pequenas e nas quais a população e turistas querem usar bicicleta não entendo, não entendemos eu e Renato, como não há incentivo para isso. É tristíssimo de ver sei lá, Caraguatatuba, Bertioga, Ubatuba, só para citar o litoral paulista, com aquela falta de estrutura para biciletas. 

É por isso que eu insisto com você, se está aqui, não deixe passar: deixe sua vida mudaaaarrr! 

Beijos e ótimo sábado para vocês que não estão na Suécia tombém!




(Ângelo "consertando" sua bike, "mamãe, rrumá cyclel", porque cada um aqui tem que assumir sua responsabilidade desde cedo...  Vida dura na Suécia, Malmö, maio 2009)

12 comentários:

Mariel Stupp disse...

Bicicleta è a cara da minha infancia! Desde que vim pra Floripa, porèm, doei a minha pra uma criança conhecida. Aqui além de muuuuito perigoso (falta infra-estrutura e os carros sao convencidos de que a cidade é deles), tem muitos morros, fica difìcil.
Mas jà recebì a maravilhosa notìcia que a minha sogra vai comprar uma nova e eu vou herdar a dela, com pneus de inverno pra usar no norte e tudo! O Erik està sùper animado, jà combinando passeios no centro, etc.
Muito gosto e saudàvel, jà que pelo menos no inverno o que a gente menos faz é se mexer, né?

Jo Ann v. disse...

Tenho um pavor de bicicleta, acho que não sei andar com ela em cidade, tenho medo da estrada, do passeio, de tudo ! :-/

Uma foto que tirei na Holanda: http://wordless.blogspirit.com/archive/2009/05/10/bikes-galore.html

Luciana Håland disse...

Comprar uma bicicleta estava nos meus planos para esse verão, mas acabei não comprando. Acho que não dou umas pedaladas desde que tinha 16 anos, tenho até medo de não saber mais o que fazer, mas dizem que a gente não esquece, né?!!!
Aqui onde eu moro tem muita ladeira, tenho que vencer esse medo de descidas também e melhorar meu desempenho físico pras subidas.
Mas não deixei o plano da bicicleta de lado não, falta só incluir no orcamento.
E concordo com você, é bom e saudável demais.

Beijo

Má disse...

Oi Somnia!
Engraçado que aqui no Brasil temos a imagem só dos chineses como andadores de bicicleta né :) ou os holandeses no máximo. E no caso dos chineses a imagem que é passada é de um caos, nem sei se é bem retratada nas matérias. Não temos essa noção de como se utilizam ela no norte da europa.
No Japão onde morei, tb se anda muito. Mas eu mesma morro de medo de andar por aqui por causa do transito ...
E essas bicicletas p crianças junto é tudo de linda!

Abração!

Beth/Lilás disse...

Primeiro, recadinho prá Luciana: a gent nunca sesquece de andar de bicicleta, podes crer!

Quando eu morei numa na cidade de Macaé-RJ, meu marido me deu uma Ceci rosinha com cestinha e tudo, parecia uma Barbie velha. haha Que nada! Naquele tempo eu ainda tinha meus 30 anos e curti muito andar de bicicleta na região em que eu morava, pois era tranquila e um grande condomínio.
Depois fui prá Petrópolis e lá é impossível, tudo montanhoso e não tinha infra-estrutura disponível para praticar este 'esporte'.

Aqui, em Niterói, cidade praiana, com uma orla linda, onde se vê todo o outro lado do Rio de Janeiro e suas praias, não tem nem projeto de uma ciclovia. Uma vergonha isso, né!
Mas, os governantes não tão nem aí prá esse negócio de economizar, poluir ou não o ambiente e o tráfego de carros é absurdo, carros aos montes e sinais de trânsito em cada esquina. Um saco prá se dirigir!
Seria maravilhoso que houvesse aqui um incentivo como esse, mas milagres não acontecem mais neste brasil.
Aproveitem bem o doingo com suas bikes.
bjs cariocas

Cristiane A. Fetter disse...

Voce sabe que muitas cidades do interior do Brasil tem na bicicleta seu principal meio de transporte?
Poderia ser assim também nas grandes capitais.
Eu adoro, e olhe que aprendi a andar bem tarde, já estava com 23 aninhos, rs.
bjks

Irene disse...

Sair pedalando uma bicicleta pelos caminhos é a melhor recordação que tenho de minha infância.Nunca tive uma pra chamar de minha.Aprendi a pedalar em bicicleta de amigos que me deixavam sair pedalando uma vez ou outra.O Ângelo é que está aproveitando toda esta estrutura,aí na Suécia,voltada para a circulação das bicicletas,que tive a opurtunidade de conhecer de perto.Gosto muito da musica A bicicleta do Toquinho.Conhece ?
Beijos da Vavá!!

Lúcia Soares disse...

Oi, linda! Eu não sei andar de bicicleta! E agora, nessa altura da vida, nem pensar, ainda mais que tenho um problema no joelho direito, que me limita muito.
Claro que em uma cidade preparada para isso, onde deve existir respeito pelo ciclista e do ciclista, a coisa funciona. Mas o que vejo por aqui é um desrespeito total, tanto de quem anda quanto de quem passa por um ciclista.
Adorei saber que por aí se anda com leis e respeito a elas. Por que uma das frases que mais falo, quando estou dirigindo e vejo um ciclista é: "Deixa ele passar! Odeio ciclista"! Rsrsrsrs Isso porque eles "barbarizam" e a gente é que fica com medo de machucá-los. Igual aos motoqueiros. Não respeitam nada, são mortos às centenas, diariamente, nas grandes cidades, e ainda assim nada se faz pra melhorar a circulação deles.
(Ufa! Quase um post!)

Eveline disse...

Olá, eu sempre amei andar de bicicleta, mas hoje em dia a única bice que piloto é minha ergométrica, hehehe.
No Brasil é realmente complicado praticar esse esporte e esse hábito, em Ivoti então, precisaria de muito folego, cada lomba (morro)......
Beijos

Jana disse...

Oi coraçao! Passei pra dar sinal de vida! Estou sem computador, e sem poder ler seu blog! QUE SACO.
rsrs
Como vai por ai? E o verão ta chegando, ou já chegou por ai? Aii deve estar um tempo tao lindo! Morro de saudades de vc e do Angelo.
Ainda nao tenho uma data certa de quando irei por ai, espero que em breve.
Mil Bjuuus!

Mariel Stupp disse...

ps: Nao suporto usar capacete!! Tu usa?
Eu nao tiro os méritos da segurança que traz, mas nao gosto nem um pouco daquela coisa gigante apertando os pensamentos!!! rsrs

Affordable Logo Design disse...

You know that many cities in the interior of Brazil has the bicycle their primary means of transportation?
It could be so in the big cities.
I love it, and look what I have learned to walk late, he was already 23 year old, lol.