05 julho 2008

Por que a Suécia é quase um paraíso para a criançada

(Piquenique com os amigos suecos do Ângelo, cujas mães conheci no grupo de mães, no Pildamnsparken, Malmö, abril de 2008)

Vira e mexe, principalmente num desses dias de quase 30 graus no sol, as amigas que fiz aqui, brasileiras ou não, dizem: "não fosse o inverno, por que a gente um dia iria embora desse lugar, Sônia?". 

E é verdade. Eu acrescentaria, "não fosse o inverno e a saudade da minha gente e da minha terra...".

Claro que viver por aqui, ainda bem mais do que outros países europeus, obriga a gente a viver o esquemão sueco de vida "simplória". Já falei, num post que escrevi logo que cheguei, "Cadê meu entregador de pizza?, sobre como a gente precisa mesmo dar conta de tudo, absolutamente tudo, da vida particular, sem ajuda, porque tem pouquíssima gente no setor de serviços. E você terá que dar conta mesmo que, no Brasil, fosse alguém que pagasse por muito tipo de serviço.

Então, sem contar o inverno (que tem o seu lado peculiar também), que judia da gente e obriga a uma preparação de uma hora e tantos para atravessar a rua e comprar pão, por exemplo, o resto! hum... é muuuito legal mesmo.

Olhando para a vida que as crianças, incluindo o Sr. Angelinho, acabam tendo aqui, tenho a impressão de que é um vidão bom que só vendo. Tomando Malmö e minha realidade, eu citaria as seguintes coisas:



- Playground para a criançada:

(Tem parque infantil pra escolher, bem do lado de casa...)

Dezenas de parquinhos, super equipados e cuidados, por cada quadra que se anda. Por causa disso, mesmo no inverno, o pessoal fica sempre fora de casa, aproveita muito a vida nas ruas e, sem exageros, a gente fica mais fora de casa com os bebês, mesmo com uns 5 ou menos graus no termômetro, do que ficamos com 30 aí no Brasil.


- Segurança:



Segurança para andar com os tais bebês pra todo canto, incluindo o que algumas vários pais fazem que é deixá-los no carrinho, do lado de fora, enquanto tomam um café ou fazem uma compra rápida. Sem roubo. Sem sequestro. Sem medo. Sem sequer pensar que alguém pode querer fazer mal a um bebê. Aliás, medo de não estar segura na rua é algo que eu não sinto mesmo há um ano e meio.



- Parques Ecológicos:
(Ângelo e Caroline, dando comida aos "bambis", num parque dentro da Mata, ao lado da casa de minha amiga Márcia, julho de 2008)

Inúmeros Parques, abarrotados de árvores e animais. Alguns soltos, como patos e coelhos que circulam pela cidade e param o trânsito, outros em pequenos zoológicos, nos quais as crianças ficam quase junto dos bichos. Perto de casa posso contar 3 grandes parques, nos quais chega-se a pé em 5, 15 ou 20 minutos. Dá para ir todo dia, num fim de tarde ou em qualquer tempinho que sobra.


- Trânsito seguro. 
Embora eu já tivesse experimentado a boa sensação de atravessar uma faixa de pedestre e ver os carros parando para que eu continuasse, aqui realmente funciona. No Brasil, vi algo parecido em Vitória, mas não era generalizado. Em alguns lugares, as pessoas paravam, em outros não. Tanto em Malmö, quanto Estocolmo, por exemplo, para tomar exemplos de uma cidade menor e outra bem grande, há faixas de pedestres e placas indicando que eles têm preferência pela cidade toda. A gente fica tão acostumado que pluft, vai se enfiando na faixa e atravessando. A simples intenção de atravessar uma faixa faz com que ônibus, caminhões (que praticamente não existem pelo centro), carros, parem para você passar. 


- Ar fresco, fresquinho que é uma delícia.


(Caminho de árvores que dá na casa do casal de amigos poloneses, Grzegorz e Agnieszka, que conheci no curso de sueco, junho de 2008)

Isso melhora na Primavera e no Verão porque as árvores estão verdes e cheias de folhas. Tudo bem que tem a tal alergia do pólen na Primavera, a qual pega muita gente, mas o ar é tão bom que, mesmo no inverno, as mães colocam os bebês para dormir do lado de fora, só para tomar o ar fresco, evitando, assim, lugares fechados e as chances de pegar doenças.


- Milhares de bicicletas que substituem os carros.

(Um dos modelos de bicicletas muito usados por aqui, embora sejam mais comuns em Copenhaguem)

Também já falei longamente das bikes, num post do ano passado. É lindo. Ecologicamente correto e faz um bem danado pra saúde. Aqui perto, circulam umas 6 mil bikes por dia. Gente que vai e volta do trabalho, de uma cidade a outra. Grávidas, de barrigão, pais e mães que levam suas crianças na escola, com bikes tipo canguru. A gente quer muito comprar uma dessas daí da foto, para eu levar Angelito na creche em agosto. 

É claro que o fato de ter ciclovia em todas as cidades, que continuam paralelas às estradas e te levam de um lugar a outro, fazem toda a diferença. Ah... e quanto mais velha for a bicicleta, melhor e mais chique, além de evitar quaisquer problemas com possíveis furtos, embora a maioria estacione mesmo sem cadeado nenhum pela cidade.


- Piqueniques.

(Ângelito tentando enfiar o dedo no olhinho da suequinha enquanto todo mundo tá distraído, Pildamnsparken, abril de 2008)

A idéia que a gente tem de farofa, por aqui, fica chique e glamorousa. Piquenique é algo que a gente faz todo dia, se o tempo deixar. O pessoal já sai com cestinha, compra do supermercado e tudo o mais. Além de não se ter os quiosques que a gente tem por aí em praia e outros lugares, a comida de casa é mais barata e saudável.

- Praias bem suecas: calminhas, calminhas...


(Ângelo e o amigo Iven, o alemãozinho, na praia de Falsterbö, durante a semana, início da Primavera, maio de 2008)

No inverno eu tinha me esquecido. Malmö, nossa pacata "fazenda" é uma cidade de praia. Então, no verão, o pessoal sai do trabalho lá pelas 4 da tarde e vupt! praia nos bebês! Cada vez que vou na praia daqui morro de saudade da nossa (tentarei explicar o porquê em outro post, outro dia), mas tudo bem! é bom ver o marzão azul, ver as crianças se deliciando na água...


- Mães e pais de licença por um ano:

Esse item merece um post só pra ele, mas só pra resumir: as mães têm licença remunerada total por seis meses, mas podem esticar até um ano e meio, tendo remuneração parcial. Elas também podem dividir com seus maridos a tarefa. Conheço inúmeros pais que estão de "licença paternidade" e passam o período integral cuidando da molecada que... adora!

Viver na Suécia é assim. Você assume tudo de "ruim" e "dificurtoso", mas você tem essas coisas que, em minha lembrança, a gente podia ter há uns 20 ou 30 anos nas cidades interioranas brasileiras. 

Dois lados da mesma Suécia.


4 comentários:

Anônimo disse...

Somnia-Muié

Amei este post "polyannês" (rs). É muito bom lembrar de todos estes lados positivos da Suécia... que às vezes passam despercebidos, né?
Só pra acresentar... uma das coisas maravilhosas daqui é esquema de trabalho. Quase ninguém trabalha até + tarde e tem a oportunidade de curtir a família, os amigos e vc mesmo. Outra coisa boa é a informalidade das roupas, pessoas e cargos. Acho q este assunto tb vale 1 post no futuro.

Beijos
Xu-Muié

Somnia Carvalho disse...

Uhuhuhu!

você precisa me pegar aqui em casa, oferecer um vinho em sua casinha e me dar essas dicas sobre os temas de trabalho, porque, flor, eu só sei dos parquinhos... rsrsrs...

Tia Dri disse...

Oi Sô...

Deu vontade de ser criança na Suécia! Pela cara de fascínio do Ângelo em cada foto, parece bom mesmo!

Muito chique tb ver q seu blog é acessado mundo afora. Parabéns!

Da leitora fiel,

Tia Dri.

Somnia Carvalho disse...

Tia Dri,

Eu e Ângelo temos um trato: ele sempre faz caras bonitinhas de deslumbrette nas fotos que eu ponho no blog! hehe...