21 julho 2008

Uma abóbrinha, uma canção e um chororô


Semana passada ganhei dos meus amigos poloneses, Grzegorz e Agnieszka, duas abóbrinhas (Zucchini, em polonês) verdes deliciosas. Grzegorz tem cultivado uma horta, super saudável, no fundo da casa, desde que a primavera chegou.

Acabei por fazê-las, para mim e para Ângelo, picadinhas e regofadas, como minha mãe fazia para eu e meus irmãos. Imediatamente veio à minha memória cenas de minha infância. Minha mãe fazendo seu almocinho de todo dia, a gente fazendo uma bagunça danada...

Pulei, então, para a época em que meu pai e minha mãe começaram juntos uma horta e, entre alguns tapas e beijos, plantavam e colhiam legumes e verduras lindos e deliciosos. Eu a-do-ra-va passar lá nos fins de semana com o Renato e a gente escolhia o que iria levar para a semana... eu adorava gastar meu tempo lá com eles.

Foi rápido o salto que minha mente fez para algumas músicas que meu pai gostava e assoviava, enquanto trabalhava... Veio o Mário Zan, o Liu e Léu e algumas outras canções que ele também tocava em sua sanfona...

Ichi daí deu uma sôdade... Um aperto doído... 

Mas, então, Ângelo estava a puxar minha perna e dizer: mãmamãma... E então eu sorri de contente e pensei que, pra gente de raíz "mineira" assim que nem que eu, o pulo de uma abóbrinha para um chororô é rapidinnn que é uma coisa, mas só porque eu tenho lembrança gostosa pra chorar.


(Rê e Ângelo com Grzegorz e Agnieszka, no caminho de árvores ao lado da casa deles, junho de 2008)

...


Talvez a gente sempre vá relembrar o passado e a infância com tal nostalgia. Ao menos ouvi muitas vezes minha mãe e meu pai falarem de seu passado com o mesmo saudosismo que eu tenho agora do meu. E me lembro deles planejando voltar morar em algum sítio, quando a gente crescesse...

Isso e a música abaixo, provam que não sou a única manteiga derretida no mundo. Dêem uma olhada e uma "ouvida" nessa moda de viola do Liu e Léu e me digam se não é assim mesmo...



Jeitão de caboclo


Se eu pudesse voltar aos bons tempos de criança
Reviver a juventude com muita perseverança
Morar de novo no sítio na casa de alvenaria
Ver os pássaros cantando quando vem rompendo o dia
Eu voltaria a rever o pé de manjericão
A curruira morando lá no oco do mourão
Os bezerros do piquete e nossas vacas leiteiras
O papai tirando leite bem cedinho na mangueira

(Meu avô João, rodeado dos bisnetos, Júnior, Ângelo, Vitória e Luana. O tempo não pára... outubro de 2007)


Eu voltaria a rever o ribeirão Taquari
Com suas águas bem claras onde eu pesquei lambari
O nosso carro de boi , o monjolo e a moenda,
As vacas Maria-Preta, Tirolesa e a Prenda
Na varanda tábua grande cheia de queijo curado
E mamãe assando pão no forno de lenha ao lado
Nossa reserva de mato, linda floresta fechada
As trilhas fundas do gado retalhando a invernada

(Minha mãe e minha avó, as Marias que me ensinaram a amar coisas simples, como as abóbrinhas, novembro de 2007)


Queria rever o sol com seus raios florescentes
Sumindo atrás da serra roubando o dia da gente
O pé de dama-da-noite junto ao mastro de São João
Que até hoje perfumam a minha imaginação
O caso é que eu não posso fazer o tempo voltar
Sou um cocão sem chumaço que já não pode cantar
Hoje eu vivo na cidade perdendo as forças aos poucos
Mas não consigo perder o meu jeitão de caboclo.

(Liu e Léu)

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ps: Ouça essa chorosa cancão lá sessão de músicas, do lado direito do blog, e deixe sua memória voar...

6 comentários:

Irene disse...

Esta saudade mora no peito.Mas é uma saudade gostosa de sentir. Tem gosto de infãncia,de juventude. Tempo bão mesmo! Senti saudades do meu tio Chicão e da tia olivia. Que depois de um dia de labuta. As 17 horas depois de jantar,sentavam na varanda naquela cadeira de descanso.Na sala o velho rádio de madeira,com botões grande tocava as toadas de Liu e Léu. Eu ficava lá roubando um pouquinho daquele sossego,olhares perdidos no nada. Tinha muita paz,amor,bondade naquele casal de velhos que continuavam apaixonados !Saudades gostosa de sentir! Bão! Bão! Messsmo!!!
Beijos!!!!!

Ed. disse...

Voltei
muitas coisas aconteceram e uma bem importante foi o aniversario do angelino!
portanto parabens e muitos beijos atrasados!

espero que esteja tudo bem ai! saudades imensas de vc!

Dri disse...

Acabei de fazer uma abobrinha pra mim também....

Aqui ou na Suécia elas têm gostinho de casa.

Bjs e saudade.

Dri

Somnia Carvalho disse...

Irene, cê gostou da música?
Ela não tem cara de tio Chicão?
Boas lembranças... verdade!

Um dia eu quero ser uma lembrança legal assim... quem sabe na vida da Luana, do Ângelo...

Somnia Carvalho disse...

Querido Ed, tava sentindo muito sua falta! por aqui e lá no seu espaço!

a gente nunca volta com o mesmo! a gente volta sempre! sempre! diferente! mesmo que não pareça, logo de cara...

é bom te ter de volta!

Somnia Carvalho disse...

Dri,

outra coisa que tem gosto de casa: sopa da tia Dri, com mandioquinha e outras coisinhas!
aguardo minha ida, que ainda nao sei quando sera, para comer esse sabor de casa...