11 outubro 2011

"Somewhere over the rainbow"...


("Somewhere over the Rainbow", Israel "IZ" Kamakawiwoʻole)

Meu avô João era alto, muito alto. Quando aparecíamos para visitá-lo ele nos abraçava, meio entre lágrimas, e nos puxava ao peito. A mim sempre dizia no ouvido: "Cumadi Serafina!", porque ao seu ver eu era a cópia da irmã mais querida de minha avó.

Sua pele escura, segundo ele herança indígena, e seu pequeno bigodinho à moda antiga completavam a figura.

Ao sorrir, meu avô sempre levava as mãos na boca e então a gente se lembrava de que lhe faltava um dos dedinhos mindinhos.

Rude quando mais jovem, chato e mandão com os netos, tornou-se um avô choroso e carinhoso na velhice. Acompanhou os filhos e os netos todos crescendo, a maior parte, vivendo ao redor dele e da minha avó. Tentou em meio à vida um pouco menos dura da cidade, ter uma parte do que sentia falta da sofrida e saudosa vida nas Minas Gerais.

Plantava café, criava galinhas e colhia mangas maduras em sua pequena e simples casinha para que minha mãe me levasse, desde que me entendo por gente: "Leva pra Sônia, Zé! Ela gosta muito!".

O marido ciumento e mandão cuidava já há anos da fiel esposa cuja memória se perdia cada vez mais pelas veredas do tempo. O Alzheimer de minha avó provou como na verdade meu avô poderia ser companheiro. E como sabia também ele cuidar.

O Seu João, cuja existência simples, mas única, o mundo quase não sabia, faleceu esta manhã e eu não terei mais a oportunidade de revê-lo com vida.

Não fiz o álbum de fotografia com a família toda e nós na Suécia, como prometi ano passado e em todas as visitas dos útimos anos.
Não fui até lá para que ele fizesse o churrasquinho para Renato e as crianças comerem...
Nem ele voltou a viver no meio do mato como desejava nos últimos tempos, mas faleceu junto das duas filhas e dos quatro filhos queridos no hospital.

A gente sempre se perde no tempo e nas exigência dele. Mesmo quando sabe ser algo importante e urgente, ainda assim, a gente adia. Ou por imaginar poder controlar o futuro, ou por preguiça, ou por tantas outras coisas... "Amanhã, talvez!". "Se der, ano que vem!"

Há tantas urgências que somos levados feito garrafa vazia na onda.

Viver é fazer escolhas todos os dias, minuto e segundos. Isso nós já sabemos. O que não sabemos é se as escolhas feitas nos levarão ou não para os caminhos desejados. Talvez por isso elas sejam sempre tão difíceis de serem feitas.

Eu não estou lamentando. Estou obviamente triste. É sempre algo meio inexplicável, um vazio estranho, perder alguém com quem estamos ligados pelo sangue, pela história, pela memória.

É triste pensar no coração forte e destemido do meu avô cedendo ao tempo e morrendo. Penso, entretanto, que se não pudermos aceitar a morte nem mesmo quando ela chega num momento assim, quando a pessoa teve oportunidade de sentir um pouco a brisa da vida bater em sua face, então o que aprendemos?

O que vem depois? Eu não sei. Na verdade ninguém sabe... mas quem sabe, talvez, haja mesmo um algum lugar sobre o arco-íris...

"Tchau Vô! E obrigada!

...

Somewhere over the rainbow

"Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true

Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me
Oh somewhere over the rainbow blue birds fly
And the dreams that you dare to, oh why, oh why can't I?

Well I see trees of green and
Red roses too,
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world

Well I see skies of blue and I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark and I think to myself
What a wonderful world

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands
Saying, "How do you do?"
They're really saying, I... I love you

I hear babies cry and I watch them grow,
They'll learn much more than
We'll know
And I think to myself
What a wonderful world

Someday I'll wish upon a star,
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me.
Somewhere over the rainbow way up high
and the dreams that you dare to, why, oh why can't I?"

...

Em Algum Lugar Além do Arco-íris

"Em algum lugar além do arco-íris,
Bem lá no alto
E os sonhos que você sonhou
Uma vez em um conto de ninar

Em algum lugar além do arco-íris,
Pássaros azuis voam
E os sonhos que você sonhou
Sonhos realmente se tornam realidade

Algum dia eu desejarei em cima de uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão bem atrás de mim
Onde problemas derretem como balas de limão
Longe, acima dos topos das chaminés, é onde você me encontrará
Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
E o sonho que você desafiar, porque então, oh porquê eu não posso?

Bom, eu vejo árvores verdes e
Rosas vermelhas também
Eu vou assisti-las florescer pra mim e pra você
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

Bem, eu vejo os céus azuis e as nuvens brancas
E o brilho do dia
Eu gosto do escuro e eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris tão bonitas no céu
Também estão no rosto das pessoas que passam
Eu vejo amigos apertando as mãos
Dizendo, "como vai você?"
Eles estão realmente dizendo, "eu... eu amo você!"

Eu ouço bebês chorando e eu os vejo crescer
Eles vão aprender muito mais do que
Nós saberemos
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

Algum dia eu desejarei em cima de uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão bem atrás de mim
Onde problemas derretem como balas de limão
Longe, acima dos topos das chaminés, é onde você me encontrará
Em algum lugar além do arco-íris, bem lá no alto
E o sonho que você desafiar, porque, oh porquê eu não posso?"

5 comentários:

Beth/Lilás disse...

Ah, Soninha, que triste o dia está hoje então!
Por aqui o dia amanheceu com uma revolta grande nos céus, muitos raios e ventania, choveu muito de madrugada e viajei para a região dos lagos vendo o mato todo molhadinho, tudo com cara de fresquinho depois de uma longa temporada de seca.
Teu avô que gostava do mato, deve estar feliz vendo o verdinho molhado que estão os campos.
Lindas lembranças você tem dele e o desejo agora é que ele esteja num lugar melhor que esta terra.
um abraço afetuoso e meus pêsames.
bjs

Danissima disse...

Oi! Sinto pela tua perda... agora as mangas maduras terão outro gosto.
abraço apertado

Dri Cechetti disse...

Linda homenagem!

Lu Souza Brito disse...

Ô Sômnia, sinto muito pela perda do seu avô.
Por aqui estamos triste também, ontem se foi um tio querido, que era padrinho do Marcelo.
Mas a dor da lugar a uma saudade gostosa, por saber que aqui ele estava sofrendo muito, lutando a tempos contra a leucemia.
Um abraço bem forte, viu!

Luma Rosa disse...

Não podemos saber o dia que a morte nos fará uma visita e amanhã posso não estar mais aqui, ou você ou qualquer outra pessoa. Não sei se isso faz alguma diferença para o Todo Poderoso, pois para ele só mudamos de plano e assim também devemos acreditar. Seu avô agora está mais perto de você e poderá deixar as dores e preocupações de lado para só cuidar espiritualmente das pessoas que ama. Fica bem! Beijus,