18 outubro 2011

E finalmente o prêmio do 1o. lugar...

(Fugacidade n. 21: Modelo em laço rosa)
ténica mista,
papel aquarela, 19 x 25 cm
Somnia Carvalho, 2011

Um amigo, muito sensível e curioso, perguntou outro dia como era o processo de criação de cada quadro meu. Ele tinha em mente esta série de mulheres feitas sob o conceito de tempo,  beleza e moda no qual venho trabalhando nos últimos tempos. Em especial, meu amigo Diego Valverde, tinha em mente a tela Fugacidade n. 15, Modelo em lenço e flor:

 Mas me ajuda... rs! Quando é que vc deixa de pertencer à pintura e ela começa a te pertencer??? Quando… em que momento? Vc, quando começa a pintar, já sabe aonde ela vai chegar??? Ou é imprevisível??? Esse olhar dela seria o seu olhar?

Com uma, melhor, tantas perguntas complexas (todas feitas pelo facebook, onde recebo a maior parte dos coments sobre as telas) prometi fazer um post sobre o assunto que, obviamente, nunca saiu. Hoje, quando terminava a tela acima, Fugacidade n. 21, Modelo em laço rosa, tais questões me vieram à mente de novo, porque me dei conta de como, acima de tudo, meu processo de criação tem a ver com meu estado de ânimo interior.

Normalmente é impossível criar algo se não me sinto tomada por um "espírito criativo" muito intenso. Por mais que eu deseje, ou tenha prazos ou tenha uma encomenda eu preciso esperar aquele dia especial, quando tudo flui, quando as idéias fervilhantes conseguem ser passadas à tela ou ao papel da forma como desejo.

O estado de tensão me trava. Cansada ou estressada nunca consigo criar nada, mas o mesmo não acontece se estou triste. Tristeza e alegria me movimentam para além de mim. Exercem uma necessidade de extravasamento. Como se Eu não pudesse estar contida em mim mesma e precisasse ser literalmente vomitada para fora.

Em cada pintura eu sinto necessidades diferentes, mas em cada série eu sigo, mais ou menos, uma linha de conduta. E para as mulheres, da série que têm enlouquecido meu interessante amigo Diego, o processo segue uma ordem bem clara. O primeiro passo é selecionar, entre milhares de imagens de modelos do mundo da alta costura, rostos que me atraem por uma gama de coisas, como o que vestem e como olham. Sobretudo, se, aos meus olhos, elas são lindas. Se algo nelas é uma marca da moda, do mundo fashion do momento: cabelo, chapéu, lenço etc.

Ainda penso também com quais cores poderei trabalhar a tela e se as combinações possíveis irão me agradar.

Antes de iniciar a pintura eu trabalho cada foto e tiro delas toda cor. Saturo até ficarem totalmente "sem vidas", azuladas e não uso mais o modelo original. Talvez as cores iniciais interfiram na minha escolha, mas normalmente não é o que ocorre. Busco uma combinação de cores dentro de opções que eu mesma faço.

A pintura é feita em papel aquarela, após a impressão desta versão "sem vida" conseguida antes e a última fase é também a mais delicada: depois de pronta, a pintura passa pela impressão de uma montagem de jornal (todos artigos do caderno de cultura, selecionados minuciosamente, com discussões acerca de arte, cinema etc) que faço em minha impressora, e qualquer erro pode me fazer perder todo o trabalho. Algo, aliás, experimentado por mim algumas vezes... snif...

Se eu escolho a pintura ou ela me escolhe? Bom, eu escolho as modelos, mas eu também poderia dizer que elas me escolhem. É a forma como olham, como viveram aquele segundo único na passarela de suas vidas que me leva a escolhê-las.

Se é imprevisível? Sim. Apesar de ter um projeto claro de como desejo fazer e onde quero chegar, a combinação de cores ou até mesmo um erro pode me levar para outro caminho. A pintura vai se criando enquanto é feita e a experimentação de uma pincelada após a outra é responsável pelo resultado final.

Se o olhar dela seria meu olhar? Acredito que sim e também uma combinação deles a exemplo de como ocorreu com estas três telas feitas para o concurso.

Para uma delas, a primeira, eu já tinha a foto selecionada anteriormente e outras não. O fato de ter selecionado cada uma exatamente na data em que foram feitas tem a ver com o que eu sentia no dia: mais introspectiva e reflexiva, na primeira, mais ligada às minhas raízes, na segunda, e mais eufórica e alegre, na de hoje. Na escolha das cores, idem. Em outras palavras: elas são uma mistura muito forte entre o que vejo, o que desejo, o que sinto, o que tenho em mãos para trabalhar e o acaso. Tudo isso constuído de maneira muito experimental.

Assim finalizei Fugacidade n. 21, Modelo em laço rosa, para a autora, ou autor, do texto a ser mais votado no concurso... A diferença, para a magnãnima ou magnãnimo, entre esta tela e as outras é que esta tem o dobro do tamanho das outras duas.

Faltam apenas 5 dias para o final da votação, sendo o último no domingo à meia noite do Brasil,

A Grace continua firme e forte no 1o. lugar (alguém aí se atreve a desbancá-la?) enquanto a Célia, a Dri, o Ed e a Stela disputam, quase a tapas (brincadeirinha), o segundo e terceiro lugar. Ainda assim, é cedo para saber quem leva o Oscar no final... Tem outras pessoas também bem votadas, Beth e Ana Flávia, as quais podem ainda surpreender! Tem gente que já jogou a toalha e gente ainda quem não votou nem em si mesma (pôxa vida pessoal, vamu lá ânimo!), mas eu queria ressaltar o quanto, apesar de premiar o primeiro, segundo e terceiro colocados, a participação de vocês foi incrível! Maravilhosa! Lindíssima! Se eu pudesse, juro!, eu daria um prêmio a cada um de vocês!

Bom, eu não vejo a hora de saber o resultado e enviar as telas para cada um de vocês! Além de... saber se vocês gostaram desta experiência tanto quanto eu!

Você já votou?
Eu sou muito lerda para este tipo de coisa e não havia concatenado lé com cré, mas minha cunhada me lembrou de que é possível votar dos celulares com acesso à net... então para quem está em dúvida fica mais fácil! Estou guardando 1 voto meu pro final!

Hasta la vista Baby!

Um comentário:

http://graceolsson.com/blog disse...

kkkkkkkkkkkkk


nao atica....kkkkkk