04 junho 2010

"Na Suécia também não tem"... como emprestar açucar do vizinho

("Minha casa, meu templo", casinha típica sueca de cidades pequenas, onde ficamos de férias para pescar lagostinha, Småland, setembro de 2009)

Semana passada, em mais uma de minhas idas ao mercado aqui do bairro onde moro, topei com um casal de idosos suecos que são vizinhos de frente do apê onde vivo, há mais de um ano.

Emiti um sonoro "hej hej!" toda sorridente porque a gente se cruza diariamente no corredor, apesar de não ter intimidade com eles e praticamente não ter tido uma conversa com eles desde que me mudei. Meu "oi", assim de cara, fez o casal se assustar. Os dois baixaram a cabeça e continuaram em direção ao mesmo mercado.

É claro que o evento me irritou profundamente naquele minuto e nem conseguia saber se eles haviam ou não me reconhecido. A cada passo que dava em direção de casa eu fui me lembrando do quanto já havia pensado em escrever mais sobre vizinhança, mas sempre adiara, porque normalmente acabo no mesmo raciocínio e aí a raiva perde o sentido.

Lembrei também de que esta "frieza" dos vizinhos é uma realidade a qual tomamos consciência assim que chegamos na Suécia. Algo que não necessariamente vai mudar com o passar do tempo.

Os suecos são amantes da privacidade. Eles tomam irritantemente conta da vida deles o melhor que podem e esperam que você faça o mesmo. Sem pedir ajuda, claro, porque eles não lhe pedirão.

Quando jovens, aos 18 anos, mais ou menos, eles são "expulsos" de casa pelos pais. Terminado o colegial é hora de cada um se responsabilizar por sua vida. Ter seu próprio espaço (ainda que isso signifique morar em condições muito inferiores e simples das que os pais viviam), pagar suas contas, dar conta da faculdade, de seus namoros e amizades sozinhos.

Os pais entendem que tal situação forçará o crescimento e amadurecimento dos filhos. Os filhos desejam tal independência porque entendem que viver sobre o mesmo teto que os pais significa estar sobre suas regras, o que não faz mais sentido quando se encará esta fase como já adulta.

E isso acontece mesmo com a maior parte das jovens e dos jovens.

Fora de casa eles irão arrumar um trabalho (garçons, vendedores, caixas, ajudantes de várias atividades) com o qual consigam se sustentar. E é aí que começa mais claramente essa obrigação e também necessidade de manter a vida pessoal reservada.

Esta mesma semana fui servida num restaurante por um menino sueco jovem, lindo e de família com nível social bom. Ele é neto de uma amiga que vive aqui. Apesar de ter tido opção de ser modelo e viver um pouco na farra no Brasil, ele voltou e optou por ir à faculdade, trabalhar e levar sua vida como os outros jovens suecos levam. Seu jeito discreto de ser se encaixa tão perfeitamente aqui que não conseguiu se adaptar com o jeito que achamos perfeito daí.

Acontece que um sueco dificilmente se comoverá (salvas maravilhosas exceções que encontrei quando cheguei e narrei aqui e ali) com nossos problemas de adaptação no país ou com problemas diários que possamos ter. Se não consigo instalar algo em casa, se não sei onde fica o lixo reciclável do prédio, se preciso de ajuda braçal ou emocional, se tenho medo da aranha gigante que está na entrada do prédio e tenho medo de matar...

Isso não é com eles. É um problema meu que me pertence e com o qual eu preciso lidar.

A olhos brasileiros isso pode ser lido como falta de cavalheirismo, egoísmo, frieza, desinteresse, grosseria. A verdade é que os suecos não nos subestimam, ao contrário, eles entendem que somos capazes de instalar a torneira, dar conta do inverno rigoroso, matar a aranha sozinha ou carregar a sacola do mercado. Não importa se sou jovem, mulher ou uma velhinha de 85 anos. Ainda porque o comum é que as pessoas em tais situações recusem ajuda ou preferências, daí não existir tais filas preferenciais as quais, no Brasil, entendemos como algo obrigatório e de direito de todos.

Se eu pedir ajuda simples eu terei. Normalmente com simpatia, mas talvez a ajuda será "é só você ler este manual aqui!".

Obviamente não se trata de um exército de robôs escandinavos. E não estou falando de amigos e amigas suecas, mas de vizinhos. Eles tentam ser simpáticos na medida do possível. Normalmente lhe recebem com um sorriso e um "Hej!" também sonoro, exceção para o casal amargo da minha porta em frente e outros. Há exceções para ambos os casos: no primeiro lugar onde vivi no centro da cidade, um casal de professores suecos com 3 filhas adolescentes (todas elas viviam em algum canto do mundo estudando e trabalhando) fez questão de nos receber para um café de boas vindas. E foram tão amáveis que nos enganou um pouco sobre como seriam os próximos vizinhos que viríamos a ter.

Quebrar esta barreira fria não é fácil. Quando se consegue não se tem mais um vizinho para dar "oi", mas um amigo fiel e companheiro para a vida toda, desde que você queira.

A vizinha de quem falo me dava boas vindas e nossa comunicação meio falha (eu não falava sueco e ela falava pouco inglês) nos permitiu algumas trocas no ano que lá morei. Quando saí ela repetiu muitas vezes que eu a telefonasse para visitá-la e tomar café no jardim, quando fosse verão. Nunca o fiz, embora tivesse prometido que sim.

A diferença que eu vejo no comportamento dos meus vizinhos suecos e brasileiros são muitas. E não são.

Vivi 5 anos na cidade de São Paulo em três apartamentos diferentes. Meus vizinhos, os porteiros e todos me recebiam calorosamente. Ao menos aparantemente. E a cada vez que descia do prédio alguém me perguntava se estava indo tudo bem etc. Em todos esses lugares, sem exceção, as vizinhas de frente se ofereceram para me convidar para um café de boas vindas. Um dia! A gente precisa marcar, diziam. E o tempo passou. Vivi, elas perguntavam como ia a vida, o Ângelo etc, mas nunca tomei café na casa de nenhum vizinho no Brasil.

A promessa não parecia ser uma dívida a ser paga. Não nego, porém, que o jeito de receber crie na gente uma sensação de maiora colhimento, já que como brasileiros temos esta necessidade de ser bem recebidos e até amados, mesmo que, na prática, isso não signifique algo tão diferente do que é com os suecos.

No mais quase todas as dificuldades que tive com instalação da casa em si eu recebi ajuda de alguém do prédio. Funcionário, claro, quem fazia uns "bicos" fora do horário de trabalho. Recebi muita ajuda e paguei pela maior parte. Algumas, como carregar sacolas etc, era pura cortesia mesmo. Dos funcionários, claro.

No playground do último apartamento onde ainda ficamos, quando estamos de férias, todas as mães e ou empregadas se sentam juntas para pôr as crianças para brincarem. E não é raro que as conversas comecem com um sorriso simpático e um interesse por quem somos: "quantos anos ele tem?". E aí: "qual é o nome dele?". Emendando com "ainda não fala?", "ainda usa fralda?", "não vai na escolinha?" etc. A simpatia inicial dá lugar a um interrogatório sobre minha vida e de minha família. Salvas as exceções a maior parte parece estar interessada em comparar seus filhos, suas posses com as minhas.

Não sei se cruzaria a porta para pedir "açucar" emprestado (leia-se alguma ajuda), apesar da gente ter esta idéia de que nós somos tão recepetivos e calorosos. Talvez se eu pensasse muito bem antes para quem. Eu sei que pediria para o pessoal que lá trabalha, porque eu sei que posso pagar alguma quantiazinha para ajudá-los a me ajudar. Aqui eu com certeza não pediria. A não ser em casos muito urgentes. E aqui não há o pessoal do prédio. Não há porteiros etc.

Pedir ajuda aqui me faria pensar que eu incomodaria demais e ficaria nítido para eles e para mim mesma o quanto não dou conta das minhas coisas.

Então os vizinhos suecos, de acordo com o ângulo em que olhamos, não estão nem um pouco preocupados comigo ou minha vida. Por outro ângulo, eles também não estão nem um pouco preocupados com o que tenho, o que compro, quem sou, quem fui, o que vou fazer. Não lhes diz respeito a não ser que fôssemos amigos, o que não somos.

Isso tudo significa ainda que viver na Suécia pode doer nos dias em que desejamos ardentemente ser notados. Quando desejamos contar nosso passado e "jogar conversa fora" com a vassoura na mão. O que dá para fazer com vizinhos de outras nacionalidades. Tenho vários "amigos" na vizinhança que são casais dinamarqueses e um casal americano. Sempre trocamos figurinhas e eles sempre parecem interessados em saber como anda a carruagem em casa.

Então, se por um lado há esse "desdém" dos vizinhos suecos, por outro lado, o comportamento deles será maravilhoso quando se sente a liberdade que se adquire quando ninguém se acha no direito de dar palpite sobre o que você fez, faz ou fará. Sobre como você engordou ou emagreceu. Que carro comprou ou deixou de comprar. Suas escolhas e conquistas são suas e você é responsável e tem o mérito por elas.

Não interessa a roupa que você use, o trabalho que faça, o sexo que escolha para partilhar a vida. Desde que seus interesses não se choquem com os deles você é livre - e sozinho - para arcar com sua vidinha. Em outras palavras, a esfera particular, assim como a pública, na Suécia são esferas em que só se misturam quando uma interfere na outra. Até lá eles "matam ou morrem" para mantê-las protegidas.

Repito só que para tudo há exceções. Não poucas, inclusive. No geral, entretanto, é assim que funciona.

E isso é algo o qual a gente aprende rápido.

Ao meu ver restam apenas estas opções para quem aqui vem viver:

É possível não aceitar tal jeito de ser, sofrer com as diferenças entre comportamento de brasileiros e suecos, lamentar a saudade e não se adaptar.

Ou é possível também, apesar do quanto pode ser dolorido de vez em quando, se fixar nos porquês de eles serem assim, entender que o problema não é com a gente, ou que isso não é um problema é o que é, porque é algo enraizado na alma deles e seguir em frente. Não quer dizer que isso não nos tire do sério e que consigamos passar incólumes por tudo, mas me parece ser uma boa saída para quem quer tirar o melhor de cada lugar onde vive.

Com o TEMPO, a convivência, o achar amigos suecos de verdade, o adaptar-se diariamente a gente acaba percebendo que não há um jeito CERTO de ser e viver.

Há o jeito como a maior parte dos brasileiros consegue ser: amáveis, carinhosos, preocupados, sorridentes, intrometidos, bisbilhoteiros. Há o modo como os suecos aprenderam a ser eles mesmos sem saber ser diferentes: intocáveis, frios, na deles, mais carrancudos, respeitosos da nossa liberdade.

O povo de cada lugar vem com o pacote todo. E talvez seja exatamente esta diferença tão marcante que nos deixe também desejosos de conhecer outras culturas. É nisso que reside a beleza de se ser brasileiro e se ser sueco.

12 comentários:

Françoise disse...

Ufa amiga!!!!
Como respondi procê lá no blog, acho que estou é tentando achar culpados pra minha ignorância pela língua e pela extrema ansiedade na adaptação ao País ( no caso sobrou pros coitados dos suecos). Nunca fui mesmo de ficar em portas de vizinhos, pelo contrário, as pessoas lá não me entendiam e me chamavam de nariz empinado e metida , mas na verdade também sempre fui um pouco reservada, alguns amigos até reclamam disso. Também sempre fui muito sozinha desde que casei, só eu e o Marcio pra fazer tudo, meus pais moravam em outra cidade e irmãos tambem e nunca gostei de ajudantes em casa, estragavam minhas coisas e preferia dar conta sozinha. Não sei dar tempo ao tempo e isso tá me deixando irritada, o pior é que são com bobeiras e isso não é nem um pouco legal. Acho que escrevendo acabo me entendendo e tentando melhorar. Aqui a vida é muito mais tranquila apesar da solidão que sinto, o jeito mesmo é não resistir as aulas , a conhecer outras pessoas (e que sejam suecos)pra que eu possa me sentir melhor e um pouco pertencente a este lugar que agora sustenta minha família. Sei que não posso e não devo reclamar, vou melhorar e ficar bem, já está passando.
Entre amar, odiar e me adaptar, por enquanto vou optar pela adaptação tá? Quem sabe daqui alguns meses te escreva dizendo sobre o amor....espero que sim!

Abraços apertados procê!!!

Camila Hareide disse...

Interessante sua reflexão, e nesse aspecto os noruegueses são iguaizinhos. Moramos num prédio de 4 apês. Nos cumprimentamos quando chegamos ao mesmo tempo, ou na lavanderia, mas fora isso, um não sabe nada do outro... A vizinha da frente nem se deu conta que eu chamei a policia quando aconteceu daquele homem ter tentado entrar em casa...

Por outro lado, um dia esqueci minhas chaves no hotel, frio e muita neve, e ela (a da frente) chegou junto. Abriu a porta e insistiu muito que eu esperasse por Lars lá no sofá quentinho dela. Aceitei prontamente, mas estranhei muito... Desde então nunca a vi novamente!

O que os expatriados precisam entender é que não tem saída: adaptação ou morte, caso contrário, o expatriado que odeia tudo ao seu redor se torna seu pior inimigo, e se auto-sabota na tentativa de ser feliz.

Agora, essa fota dessa casinha tá um espetáculo, hein?

beijo

Somnia Carvalho disse...

Querida Françoise,

Este post não é uma tentativa de dizer "olha como a somnia e forte e nao se abala nunca!" ao contrário!

e para dizer o que vc mesma sabe e ja me disse: e dificil separar o que e nossa frustracao do que e deles... e fato que eles sao assim e e fato que se queremos viver por aqui e ser felizes a gente vai ter que aceitar e aprender a conviver... quando isso acontece, e o que eu insisto em dizer, e que as coisas mudam...

o primeiro ano de vida na suecia foi o mais excepcional para mim! eu meio que flutuava entre uma lingua que nao conhecia e tanta novidade... ao mesmo tempo sofria como voce disse em seu post as arguras de ser tao sozinha nesta terra...

foi mesmo cavando a qualquer custo, com todo esforço do mundo de sair todos os dias de casa, ir a parquinhos, grupos de maes, escola, tudo! para fazer amizade E MAIS me sentir util, sentir que eu aprendia, sentir que a recem doutora nao tinha virado dona de casa frustrada... isso tudo contou para que eu tivesse as amigas e amigos que tenho agora...

sao muitos! alguns mais especiais que outros... eles me ligam todo dia perguntando se podemos fazer algo juntos... mas no inverno e mais cada um dando conta de seu tempo mesmo... eles tambem sofrem a vida dura daqui...

Outra coisa que queria deixar claro e que sao exatamente os pontos dificieis da suecia que nao me fazem querer viver aqui para sempre... ajudaram na decisao de adiantar a volta de dezembro...

com 2 filhos, a ajuda e o calor dai eu sei que sera mais facil por um lado pra gente curtir outra coisas... mas eu vou chorando ce sabe? mas eu acho que esse amor com a suecia vem, se vier, com um tempo aqui...

beijocas

Somnia Carvalho disse...

Camilitas,

fota linda nao e??? tambem amo! esse reflexo na agua... o lugar era tao da paz... lembro ate hoje!

eu concordo com voce: a adaptacao e a unica saida para viver de verdade...

eu acho tambem importante que a gente nao sinta culpa de nao ser feliz o tempo todo num lugar diferente.

A GENTE NAO ERA FELIZ O TEMPO TODO NO BRASIL TAMBEM... nem quando via a familia sempre e tal...

e acho que a Fran, por exemplo, que tem ciencia disso nao deve se culpar por odiar os suecos muitas e muitas vezes... todos odiamos! e tambem os norugas! mas e esse ensaio de entender o porque do nosso odio passageiro que faz a gente crescer e se adaptar nao e?

e vamo que vamo!

Monica disse...

Lembrei da minha infancia e da minha mãe - filha de imigrantes poloneses - sempre me dizer "a sua liberdade termina aonde começa a do próximo"... demorei a entender. Mas sempre ficou na minha cabeça. Hoje, morando em uma cidadezinha de 18 mil habitantes no interior de SP, sei bem como isso pode NÃO funcionar! Um abraço!

Luciana Håland disse...

Eu estava lendo seu post e pensando: 'sou sueca'. Ajo e penso exatamente assim, dia desses esse foi um assunto lá pela escola, porque para os meus colegas estrangeiros e minha professora do Vietnã mas que mora aqui desde os 17 anos, é estranho isso de vizinho não abrir as portas e interagir mais, mas para mim vizinho é vizinho e ponto, não é amigo, na minha casa recebo os amigos, näo que algum vizinho näo possa um dia a vir ser amigo, mas raramente rola, se a gente for ver nossa vida no Brasil também, são vizinho, colegas de rua, poucos se tornam amigos.
No Brasil isso de vizinho entrão me incomodava, mas como eu tava por lá era aberta aos papos mais demorados, e vou te contar, nem sempre dava certo, tomavam conta da minha vida, se metiam, fofocavam, então desde há muito percebi que o lance é manter a privacidade. Sem falar que ter vizinhos da porta pra dentro ainda deixa aberto as visitas em horários inconvenientes e com frequência nada interessante, afinal o povo já tá por ali mesmo, sente carëncia, solidão, bate na porta pra um papinho, mas isso nos horários convenientes pra eles, nunca pra gente.

Minha mãe sempre passava a ideia pra gente evitar muitos contatos com os vizinhos, passar tempo na rua, trazer gente pra casa, acho que já vem desde a infância essa minha reserva.

Beijo

Glorinha L de Lion disse...

Oi Somnia, espetacular esse seu post,bem reflexivo e me fez refletir sobre o que estamos vivendo atualmente, acho que em todos os lugares do mundo...o ser humano está ficando cada vez mais desumano...alguém outro dia escreveu sobre isso, em algum blog...sobre como nós, brasileiros éramos prestativos, e mesmo em cidades grandes, as pessoas eram mais solidárias, mais preocupadas com o bem estar do próximo...não acho essa cultura européia melhor que a nossa, acho muito pior...haja visto o pai que manteve a filha escondida no porão por mais de vinte anos, estuprando e fazendo filhos nela...não é possível que os vizinhos não tivessem notado nada, e o outro que mantinha uma menina que sequestrou desde os 10 anos, não me recordo mais direito...será que nenhum vizinho ouviu ou notou nada de estranho na casa ao lado...estamos vivendo um tempo de cada um por si, não é só questão de não se intrometer na vida dos outros...é questão de individualismo exacerbado, de egoísmo, de " os outros que se danem"...acho que culturalmente somos mesmo muito diferentes dos nórdicos principalmente, mas até por aqui, essa insensibilidade está chegando...me lembro de uma vizinha nossa, judia, creio que vinda fugida da guerra, que era muito amiga de minha avó, nos chamava para o lanche da tarde, uma frequentava a casa da outra...eram outros tempos, mais calorosos e mais amenos...acho que é justamente essa humanidade e amorosidade para olhar o outro que, de modo geral, andamos tão carentes e talvez por isso, nos encaminhemos para tempos cada vez mais duros. beijos.

Beth/Lilás disse...

Pois eu acho qu estamos caminhando a passos largos para ficarmos iguais aos suecos neste sentido.
Não se vê mais relações de vizinhos como eram, pelo menos aqui no Rio, cidade onde as pessoas sempre se relacionavam em excesso.
Hoje, moro num prédio de 1 apartamento por andar e quase em nunca encontro um vizinho no elevador.
Quando encontro, somente um bom dia meio sem graça, nunca tivemos relacionamentos mais estreitos, nem mesmo com um novato que veio para o sexto andar, pois antes de fazer a reforma em seu apartamento, pediu-me que mostrasse como tinha ficado o meu quando fiz a minha reforma. Claro, mostrei a ele e sua esposa.
Fizeram a reforma no deles e nunca me convidaram, mesmo depois de encontrá-los no elevador ou garagem, mas nem por educação me convidaram a ver como ficou o deles, portanto, pra mim, hoje, brasileiro mediano está ficando totalmente desse jeito que você fala, só que mais mal educado.

beijos cariocas

Somnia Carvalho disse...

Monica, fiquei maior curiosa pra saber onde voce mora???

sim... em cidade do interior tem como emprestar acucar, cafe e tantas coisas outras, mas tambem tem que se aguentar toda a bisbilhotice... rs...

bem vinda!!!

Somnia Carvalho disse...

Lu querida,

mesmo a gente nao se conhecendo pessoalmente eu tambem diria que vc ta mais pra sueca do que brasileira! rs... e isso e um elogio ok?

eu entendo o que vc diz, manter certa distancia faz bem... e tambem nao precisamos ser amigo do mundo todo... a vida exige certo foco vc nao acha?

na verdade o jeitao dos suecos deixa a gente mal no comeco, mas eu ao menos passei a admirar esse respeito... nao me parece pouco caso, parece mesmo um jeito de viver que nao dependa de aparencias do tipo: como eu sou um vizinho legal, olha eu aqui!

Somnia Carvalho disse...

Glorinha poeta,

obrigada pelo elogio ao post!
sim, acho que vc lembrou de casos horriveis em que a omissao e esse egoismo mostram onde a humanidade pode chegar com isso..

entendo como no rio nao haja esse tipo de amizade entre amigos mais, em sao paulo tambem nao... no interior onde vivi sim, ate hoje minha mae ajuda os amigos da rua e vice versa... mas eu quis comparar malmo que e grande nos padroes suecos com sao paulo que e grande ai...

mas vejo que cada alma tem uma sentenca mesmo: eu entendo o que vc diz e concordo que nao da para ser omisso... mas eu nao acho que os suecos sejam omissos, entende?

aqui, por exemplo, se vc bater numa crianca e algum vizinho ver e ouvir voce com certeza sera denunciado ao juizado... nao se pode bater em crianca... e agressoes nao sao tolerados... apenas em casos extremos e que passa isso...

outro exemplo e que nao se pode fazer trabalho informal, tipo ser faxineira sem registro... tem que estar numa empresa de faxina... se vc sai todo dia pra trabalhar e alguem suspeite que vc ta trabalhando informal pode lhe denunciar... isso ouvi de quem fez tal coisa e morre de medo de ser denunciado... entao as pessoas metem o bedelho, mas quando elas acham que isso e de esfera publica.

entao, eu vejo que o caso la do cara na austria foi horrivel, mas eu vejo mais como excecao... esse reservamento daqui vai ate certo ponto... creio eu.

bom,e spero que vc esteja melhor! ontem nenhum blog do blospot entrou e nao pude ler nada sobre vc la... beijao

Somnia Carvalho disse...

Lilasona,

essa falta de gentileza e terrivel nao?
maior egoista!

e na hora de pedir o favor vem com aquela cara lavada...

isso que eu queria dizer... a maior parte dos suecos nao te chamara pro cafe e cha, mas nao batera na sua porta pra emprestar martelo, entende? nem ver a decoracao... porque eles sabem que isso incomoda ou ao menos os incomodaria... aqui seria um absurdo pedir pra ver o ape! acho que o cara me olharia e diria: nao! eu nao mostro, nao abro minha casa pra estranho! haha...

AHHHH! SO UM ADENDO PARA VOCE E GLORINHA QUE SAO CARIOCAS:... ambas falaram de como no rio esta mudado... eu acho que nas grandes cidades essa coisa de amizade de vizinhos passou... mas eu ainda acho que no Brasil a gente NAO METE A COLHER EM BRIGA DE MARIDO E MULHER ate hoje...

lembro bem de uma amigona minha, vizinha desde crianca, que apanhou, levou tanta surra da mae e berraaaava... nenhum vizinho! nunca ajudou! eu era pequena e chorava em casa pedindo pra ajuda-la... mas em tese ninguem podia se intrometer! entao acho que a camaradagem ficou nos tempos antigos, mas isso de realmente intervir nunca existiu nao...