30 julho 2007

Curiosidades sobre a Suécia (Parte 4): Sociedade "servi-servi"


(Crédito do desenho: (http://siankeegan.typepad.com/sian_keegan/images/2007/03/16/swedish047_copy_3.jpg)

A CURIOSIDADE:

Estava aqui lendo emails e pensando num post, mas não longo demais. O motivo vocês já sabem qual é e ele repousa no berço agora. Vi o Renato passar para o banheiro, levando roupinhas do anjo para lavar. Aqui na Suécia, como em vários lugares da Europa, dificilmente há lavanderia dentro do apartamentom, porque os prédios da cidade, como aqui em Malmö, são bem antigos e a arquitetura não incluía este item na casa. As máquinas de lavar e secar quase sempre ficam dentro do banheiro (que normalmente são bem grandes). Aliás um detalhe que agora já gosto bastante, porque a roupa sai do corpo, as vezes, direto para a máquina de lavar.

O que há nos prédios é uma lavanderia gigante com grandes máquinas para todo os moradores. É uma vantagem a mais se você as tem dentro de casa, porque pode organizar suas lavadas como preferir ao invés de ter que agendar a lavada para cada semana o que, inclusive, não é problema para os suecos acostumados a essa organização. Minha vizinha de porta, Brigitta, mora aqui há 27 anos, teve três filhas aqui e usa a máquina do prédio sempre, quase como um ritual.

Entre as tantas coisas que nos chamam a atenção neste país, quando comparamos com a nossa vivência no Brasil, é o fato de que praticamente tudo é você próprio quem faz. E a gente já tá tão suequinho que essa atitude que descrevi do meu super marido se tornou natural entre nós dois. É uma sociedade "servi-servi" (sel-service), como diz o pessoal mais simples no Brasil.

Alguns pontos ajudam nisso, como comentei num post anterior:

Os trabalhos manuais são caros aqui, muito caros. Isso porque a maioria da população tem acesso à boa formação e acaba escolhendo outras funções, o que concorre para que os poucos que desempenham essas funções sejam bastante requisitados e cobrem o valor que seu trabalho vale.

Na verdade, uma coisa que o Renato sempre comenta é como é curioso que a maior parte do serviços que ainda existem no Brasil simplesmente não existirem mais aqui. Isso nós notamos logo que chegamos quando nós mesmos tivemos que achar o carro alugado num estacionamento gigante onde não tinha nenhum funcionário. Depois, pagamos o pedágio entre a Dinamarca e a Suécia na estrada com cartão e a catraca abriu sozinha. Tivemos que entender como e onde se deixava o carro porque precisávamos pagar para deixá-lo na rua... e por aí vai...



Há, entretanto, um fator que influencia ainda mais esse auto serviço: para a maioria dos suecos, deixar que alguém de fora cuide de suas coisas, como lavar, passar, cozinhar, tomar conta do bebê etc. é algo que vai contra seus princípios. Primeiro, porque mostra que ele não é capaz de cuidar de sua vida e sua família e de tarefas que julgam ser simples, já que estão acostumados a fazer isso desde pequenos. Segundo, porque vou pagar para outra pessoa, que deveria estar tendo tempo de cuidar da vida e da família dela, para cuidar da minha. E, terceiro, a questão de que esse é um trabalho caro e eu posso empregar esse dinheiro em coisas que eu não possa fazer. Essas foram coisas que notamos, mas também foi dito pela própria Brigitta, professora primária aqui.

Então, se você vive por aqui, não importa muito se é o prefeito da cidade, uma professora, uma cabelereira, um gerente etc. Você, como todo mundo, cuidará de suas tarefas domésticas.

No início foi estranho e complicado, agora estamos já habituados. Praticamente em tudo, você põe lá as moedinhas, lê as instruções e resolve você mesmo. Não. Não tem a mocinha para tirar dúvidas. Ahn? Não. Não tem o rapaz que te ajude, caso você não consiga. Há instruções em sueco para quê? Só seguir o manual! E como as velhinhos que vão ao caixa conseguem tirar sua aposentadoria? Todas elas estão habituadas a esse sistema há muito tempo e como velhinhos suecos tiveram formação no passado para se virarem sozinhos. Até mesmo os passeios, os supermercados etc eles fazem sozinhos, ajudados apenas por um carrinho onde velhinhos e velhinhas (de 60, 70, 80 ou 90 anos de idade) se apóiam e rodam a cidade todos cheios de independência.

(Centro de Öland, maio 2007)

Um comentário:

Glacy Oliveira disse...

Very good this edition, thanks a lot!
kisses from Brazil.