09 julho 2009

Me diz suas prioridades e direi quem tu és!

(Iven, Alfred, um suequinho e Ângelo no churrasco de aniversário do Iven, junho de 2009)


Estava listando aqui algumas coisas mais do que básicas para resolver urgente para a festinha de 2 anos do Ângelo que será daqui há dois sábados. 

Eu nunca tive e não tenho pretensões de festas cheias de requintes. Eu respeito quem faça, mas não faz meu estilo. Eu já achava isso e tava aqui vendo uns salgadinhos, cachorro quente, um bolinho que fosse gostoso com direito a docinhos que nem os do Brasil e até já convidei algumas pessoas e faltam outras...

Tudo ia bem, obrigada, até eu decidir agora há dois minutos, dar uma busca no google sobre festas infantis. Pensei, ingenuamente e tolamente falando, que podia vir assim uma idéia super bacana pra eu fazer no dia e que me desse menos trabalho. Idéia de brincadeira, idéia não sei de quê...

Eu não espero ofender ninguém, mesmo, mas a verdade é que fiquei com vergonha. Fiquei envergonhada do que se faz com uma festa infantil e o que as mães buscam provar com a festa dos coitados dos filhos. Logo de cara alguns sites "especializados" davam todo tipo de instrução, inclusive como escolher a temática da mesinha conforme a moda dos desenhos infantis passados na televisão. Fiquei ufa, com uma coisa ruim, sem exagero. Talvez eu seja apenas uma mãe que também usa de meu blog pra fazer campanha a meu favor criticando outras, mas o fato é que achei demais pra mim.

Eu sei. Você pode me dizer: "Sônia, mas as crianças gostam e tal..." Eu sei que elas gostam. E eu sei também porque elas gostam. O Ângelo, por exemplo, nunca viu o Homem Aranha mais gordo, coitado, e tem meia, cueca e chapéu do Spider Man. E ele ainda diz: "homi alanha, bá!". Quem achou bonitinho e ensinou foram os pais deles. Ceis conhecem? Sim, eles mesmos. Sim, porque é super bonitinho um menino com roupa do Spider Man e menina com roupinha das princesas Barbies. Não precisa ter ne-ces-sa-ri-a-men-te alguma coisa de mal nisso tudo, mas acaba tendo.

Parece um efeito corrosivo. 

Eu detesto pompa e circunstância. Tentei fazer nosso casamento ser o mais "normal" possível, tentei fugir o quanto pude dos esquemas, comprando um vestido numa loja "normal", e não fazer os bem casados e não fazer isso nem aquilo, mas ainda assim caí em muitos. E mesmo fugindo lembro-me de que algumas pessoas criticaram o fato de eu ter entrado no salão, esperado todo mundo e dado uns abraços ali mesmo, agradecendo quem veio. Não fiquei rodando  feito barata tonta de mesa em mesa, ao contrário, tentei curtir quem estava feliz comigo e dancei a noite toda. Comi e me diverti, mas lembro de um ou outro reclamando a falta de formalidade e que eu não havia passado na mesa deles. Oi vida...

É cansativo. Pompa e circunstância exige demais e, na minha leiga opinião, não acrescenta nada. Eu adoro ir a qualquer festa de casamento, de criança e tudo o mais, mas quando sou eu preparando, prefiro mesmo o simprão. Não acho que formalidade demais acrescente algo na vida, não acrescenta nem a um adulto, imagina a uma inocente de uma criança para quem o prazer é apenas estar com quem ama, brincar relax numa roupinha de malha, comer umas comidinhas gostosas e dormir na hora que desejar, mesmo que a festa não tenha acabado. Aliás, quando a criança começa a exigir coisas requintadas e priorizar aparência ao invés de diversão algo está bem podre no reino encantado dela.

Então, nesse ponto, é mesmo bem mais fácil fazer uma festinha na Suécia, embora, claro, eu quisesse todo o pessoal com a gente. Aqui até incomoda a informalidade para alguns, no sentido de que não tem toalhinha nas mesas de restaurante, por exemplo, porque dá trabalho e porque precisa alguém pra lavar, secar, passar e tamtamtamtam. Entende? Eu mesma já pensei: caramba! mas podia estar assim mais arrumadinho. Mas não dá, porque para estar precisa daquela senhorinha que fica atrás da casinha do Papai Noel fazendo o serviço sujo pra que todo mundo apareça na festa lindo e imponente.

Aqui não tem a senhorinha, então as festas são festinhas mesmo. São quase nada, se a gente comparar com qualquer festa corriqueira de qualquer pessoa "normal" de classe média brasileira. Tem gente que odeia, tem gente que acha bom e para mim, nesse caso da festinha infantil, tá de bom tamanho. Eu não fui a muitas festas infantis aqui, mas é comum alugar um lugar onde as crianças brinquem, cortem o bolo e pluft. Tchau. É também muito comum pôr um balão na porta de casa, acenando que haverá uma festa lá. Chama-se uns coleguinhas, só as crianças brincam e comem e pluft. Tchau e benção. Não é que eles não se importem. É que eles priorizam outras coisas e fazer uma festa para os outros e preocupando-se com as aparências é o que os suecos - ou talvez seja uma característica mais eruopéia mesmo - não tem. Aliás, já vi umas duas vezes em Copenhaguem, os pais celebrando os aniversários dos filhos nos parques públicos, comendo um piquenique.

Para mim uns balões coloridos, com uns comes gostosinhos e uns brinquedinhos pra criançada, junto com seus pais que eu gosto muito sei que vai deixar o Ângelo e a gente bem alegres. No ano passado, quando ele ainda era pequeno e eu ainda estava meio perdida com tanta coisa, achei mesmo que esse ano eu faria algo maior e tal, mas mudei de idéia quando vi como todos os amigos celebram por aqui e como vi que a gente acaba se sentindo obrigada a celebrar no Brasil.


(Ângelo, Iven e toda a criançada se matando de tanto brincar e gritar, quintal da amiga Nikol, aniversário do Iven, junho de 2009)

Eu concordo se você me disser que tem mãe que consegue fazer bonitinho e tal e fica um dia marcante, que elas gostam de preparar tudo perfeitinho. E que não é só o caso de fazer coisa cara e tal, mas com capricho. Eu respeito, já disse. Eu respeito, mas não quero pra mim a parte do exagero, da imposição, do fazer porque precisa aparecer que se fez algo assim e assado para alguém pensar bem de mim e do meu filho. E do meu marido. Eu não acho que pague a pena, não acho que faça realmente sentido. A vida a dois num casamento não depende da festa do casamento e a vida de uma criança não depende das suas festas de aniversário. Elas são parte de. E tenho certeza de que o que fica mesmo é o quanto se sentiram especiais naquele dia. 

Essa é, ao menos, a idéia fantasiosa que tenho, desde os meus 7 anos de idade, quando tive uma festa (a primeira que eu consigo lembrar) extraordinária de aniversário. Nela, me lembro bem, vieram todos meus quinhentos e vinte e cinco primos e primas e os milhares de tios. Ganhei um liquidificadorzinho de brinquedo do tio Cido, o tio "rico", e lembro de minha mãe fazendo o bolo. Lembro de minha alegria quando vi todos chegarem porque era o meu aniversário. Lembrei disso, inclusive, quando todos os parentes por parte de minha mãe, todos eles pobres, simples e de um coração enorme, vieram me visitar em janeiro passado, quando fiz um churrasco em casa para tentar ver todo mundo. Então, o que me lembro sempre é das pessoas, do jeito com que elas me olharam e me abraçaram, do jeito com que me fizeram sentir especial seja em 1978, seja agora em 2009.

E eu não sei se um dia, olhando as fotos, ele ou mais alguém poderá pensar que a festinha fora simples demais ou sem graça demais. Talvez... Mas se eu e o Renato já achávamos que a celebração do aniversário de dois aninhos do Ângelo seria assim e o Renato também, agora, depois de 2 longuíssimos minutos olhando um ou outro blog de mamães que vivem para preparar as festas de seus pimpolhos ou de gente que recebe pra me dizer qual bichinho tem que ter na festa da criança com quem eu vivo dia e noite e conheço perfeitamente, agora eu tenho certeza de como será. 

Eu sei que pode parecer tão bobo quanto, mas se a gente começa a fazer uma concessãozinha às pompas aqui e outra às circunstâncias lá, a gente vira escrava delas. E agora eu estou mesmo decidida a fechar com meus poucos e nobres salgadinhos e cachorros quentes, a ir na lujinha amanhã e ver umas coisas tipo pratinho, copinho tralalá com ele e ver por qual ele se interessa mais. Tenho quase certeza que será coisa de carrinho, mas a festa é dele e o coitado do meu Angelinho já terá que cumprir protocolo demais pela frente. Por enquanto, um pouco de felicidade e lembrança já bastam. O resto deixa a vida levar, como já dizia o filósofo carioca Zeca Pagodinho.


11 comentários:

myhia disse...

Olha tão feliz!

Luciana Håland disse...

Nem preciso dizer que concordo demais com a simplicidades nas festinhas. Simplicidade é luxo. Aqui as festas são bem simples também, e acho ótimo, até pelo não desperdício de material, a natureza agradece. E realmente, por não ter a senhorinha lá do papai Noel, quanto menos vai ser mais, e acho ainda que as criancas preferem, se soltam, brincam, aproveitam.
Aqui tem umas brasileiras que dariam muito pra ter uma festa a la classe média alta, como não dá, pelo menos tentam, e confesso que cansa até o convidado.
Outra brasileira me contou que uma mãe norueguesa fazia as festinhas assim mais requintadas pro filho, e as criancas não se divertiam, daí num aniversário ela relaxou e fez mais simples e adoraram, então ela comentou com essa brasileira que não tinha entendido porque a galerinha não curtia os aniversários como os nivers do Brasil.
Também sou adepta do simples, acho de mais bom gosto.

Sua festinha vai ser ótima, eles vão se divertir horrores.
Beijo

Beth/Lilás disse...

Querida Somnia,

Aqui mesmo no Rio, as pessoas mais 'descoladas' fazem festas para crianças ao ar livre, como no Parque Lage, por exemplo. Acho que para crianças nesta faixa de idade do seu é o melhor, pois brincam, pulam e nem comem, só param quando estão morrendo de canseira. Gastar aquela papelada nesta idade é uma besteira.
Se bem que, acho um absurdo os gastos que fazem aqui no Brasil, muitas das vezes ficam pagando em montes de prestações, pois uma festa em casa de festas, masis doces, bolos, mágico e o escambau (rss) não sai por menos de uns 5 mil reais. Coisa de doido, mas os pais piram mesmo quando querem fazer ou porque não tiveram em sua infância, ou às vezes são os avós que querem para mostrar ao resto da família, essas coisas de brasileiro.
No seu caso, combina mais com seu lado borboleta de ser uma festa neste estilo e o Angelo vai se esbaldar, podes crer!
beijos cariocas

Eveline disse...

Oi amiga Sonia, Tudo?
Confesso que minha cabeça pira tentando entender as pessoas que fazem festas carrísimas e elaboradas para crianças, deve ser para os pais mostrarem quem pode mais...., fora de propósito. Festa boa é aquela que tem brigadeiro e torta de bolacha e ponto final o resto e frescura. Tenho certeza que o Ângelo terá sempre boas lembraças das festinhas que ele teve, regadas com muito amor e alegria.
Boa festa para vocês que eu já estou aqui preparando a minha afinal faço 40 mas ainda mereço brigadeiro hehehe.
Beijos

Daniela disse...

Eu me lembro de tão poucos aniversários que tivemos, meus irmãos e eu. A grana era curtíssima lá em casa então me lembro que minha mãe comemorava só os aniversários de 3 anos com festas. O meu foi depois pq aos 3 a grana tava muito curta e com 5 anos eu estava em SP para o casamento de uma tia e minhas tias que moram lá bancaram a festa.

Os outros a minha mãe mesma fazia o bolo, com uma cobertura de brigadeiro e balinhas de goma pra enfeitar, pipoca, uma jarra de suco e chamava as crianças da vizinhança.


Eu tinha muita inveja da minha irmã caçula pq ela fazia aniversário em abril e sempre comemorava na escola com todos os coleguinhas. Como o meu é em janeiro, não tinha coleguinhas...rsss

Depois que cresci são saídas pra comer um pizza, ou em casa com a família, nada demais.

Também odeio frescura, pompa e circunstância e depois que morei na Europa acho essa preocupação com aparência, e com "o que dirão" do brasileiro ainda mais asquerosa, irritante e sufocante.

Nem comento muito isso porque sempre tem aquela coisa: "só pq foi morar na Europa fica se achando melhor, só fala em Europa agora".

Enfim.

Tenho certeza que o seu filhinho vai lembrar do carinho, do amor e da diversão. Mais do que da decoração e da quantidade de convidados.

beijo grande.

paolasartoretto disse...

Eu também odeio pompa, para mim o que conta é poder estar perto de pessoas que eu gosto, saborear uma comida gostosa e beber umas bebidinhas. Eu acho que tem muitos pais que usam os filhos como acessorio - para exibir roupas, acessorios e seu bom gosto em decoracao. Isso é o fim.

Tu podia aumentar o post com as festas de 15 anos. Na minha cidade do interior reza a lenda que tem um casal que se separou por causa das dividas da festa de 15 anos da filha. Eu lembro que fui em várias festas de 15 anos super luxo, como bolo vivo, dj, a aniversariante trocando os modelitos - um para receber os convidados, um para dancar a valsa, outro para a hora da buatchi - e achei muito cansativo. Minha festa de 15 anos foi em casa com alguns amigos, assim pude dar atencao para todos e jogar conversa fora sem me preocupar com a maquiagem borrando, vestido apertando ou salto incomodando.

Beijos e bom fim de semana

Anônimo disse...

Muié

Sou fã de carteirinha de festa de aniversário. Não importa se é de 2 ou 80 anos. Sou da opinião que tem que comemorar todos os anos (se possível, claro). E, concordo que, quanto + informal melhor... principalmente em festa de crianca.
Tenho ótimas lembrancas de todas as minhas festas. Sem nada de glamour (nos anos 70 nao tinha buffet infantil...rs) mas cheias de muita diversao. Minha mãe nunca deixou passar em branco, e eu só tenho a agradece-la.
Ou seja, faca do jeito que vc achar melhor pro Angelo e seus amiguinhos... é isso que vale. Pode ter certeza que, ao ver as fotos, vai achar o máximo. :-)

PS. me avisa se precisar de uma mãozinha.

Beijos
Xu

Jowee disse...

(;

Camila Castro disse...

Bolo, brigadeiro, umas "conxinhas" e "espadinhas", de repente, e balões (em SP, bexigas). Precisa mais do que isso pruma criança pequena? Como é que nós crescemos com a simplicidade das festinhas e sobrevivemos todos (ao menos eu, minha irmã e meus amigos)? Concordo 1000% com a simplicidade pro seu anjo, e danem-se as doidas que usam as festinhas de crianças pra mostrar o quanto podem, não é? E o blog da Lola tem um post sobre o rosa/azul pras crianças, e lembrei muito dele enquanto lia este seu post. Uma criança pequena não tem idéia de quem seja Hello Kitty até que a mãe enfie Hello Kitty goela abaixo...

Casei ontem... No cartório, 10 minutos e pronto. Só a família... A recepção (só pq a sogra insitiu) foi simples, para 10 pessoas, ainda só família. Não teria feito nada diferente - sem pompa, sem formalidades, curtinho o carinho das pessoas! Foi genial, nos divertimos à doidado!

Concordo com tudo que vc falou!

E hoje alcançamos 26 graus aqui em Bodø - por algumas horas apenas. O vento cessou, mas o ceu ja tem nuvens...

Abraço e bom final de semana

Lúcia Soares disse...

OI, Sônia! Concordo com o seu texto e com todas as opiniões. Sempre achei que festa de criança tem que ter: crianças, bolo, balões, docinhos, salgadinhos e brinquedos. Nem precisa ser brinquedos de parque de diversão, pula-pula, rede, piscina de bolinhas..Nada, só os brinquedinhos das crianças e um adulto pra liderar alguma outra brincadeira. No caso dos 2 aninhos, eles se interessam por historinhas, fantoches...Alguma coisa que os deixe quietos pra dar uma descansada O resto é com eles mesmos. Sua alegria, seu prazer. Você está certísssima!

Mr.Jones disse...

Oi, passando por aqui p/ te convidar a visitar o meu novo espaço. Que nao tem nada a ver com crianças, e nem maluquices do reino Mr.Jones. ahahah
é o http://absurdosepolemicos.blogspot.com.
Dá uma olhadinha lá e depois me diz o que achou.

abraços