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"(I've had) the time of my life..."

(O ator Patrick Swayze)

Eu não sei mais porque cargas d'água ontem a noite fui ver uns sites de músicas e aí acabei lendo rapidamente sobre a morte de Patrick Swayze, aquele moço louuuro-lindo que fez eu e muitas outras mocinhas sonhadoras dos anos 80 imaginar um príncipe que dançasse com a gente balançando os ombros e olhando com aquele zoinho fechadinho, como ele fez em Dirty Dancing.

Vi e li tanto e quis escrever um post ali mesmo, mas acabei deixando para hoje de manhã...

Eu sei que é loucura, coisa de gente muito simprinha mesmo, mas eu tinha uma paixão por esse ator. Uma paixão adolescente daquelas que a gente não esquece. Mesmo depois de vinte e tantos anos, toda santa vez que eu via Dirty Dancing repetir na TV eu ficava lá parada olhando.

Certa vez, estávamos em Milão, sim! em Milão, e a TV italiana reprisava o filme. Do quarto do hotel, eu tentava ver rapidamente entre uma troca de fralda e outra do Ângelo, mas desisti depois do Renato passar umas trocentas vezes em frente e dizer: "baita filme velho Sônia! E com esse cara feio!". Há há, claro, baita cara feio!

Eu sei. Filme velho, ator antigo e talvez fraco. Nada disso me interessa. Me interessa pensar que eu amo dançar "The time of my life" e fazer de conta que sou a mocinha feiosinha do filme (qualquer adolescente que não fosse lindíssima deve ter se identificado com ela no filme) voando naquela hora do salto final. Acho maravilhoso lembrar de meu irmão dançando Hungry Eyes, nos bailinhos dos amiguinhos dele nos anos 90, tentando parecer o Patrick.

Eu não sei se tem a ver só com o que a mídia pode fazer com a gente, porque, claro, eu não sei nada mais do Patrick Swayze a não ser o que construí em minhas fantasias a partir de sua vida no cinema. É parte fantasia, porque quando se vai um ídolo é a imagem criada dele que a gente vê morrer.


(Cena do filme "Dirty Dancing", quando o moço pobre e talentoso triunfa sobre a sociedade preconceituosa que o cercava..)

É... Talvez seja só total viagem ou total inocência, mas eu acho que tem um pouco mais que isso. Por exemplo, eu tinha posters gigantes do Michael Jackson (sim, eu confesso) no meu quarto teen, mas eu não senti quase nadica de nada com a morte dele. Quer dizer eu tive pena. Pena por tantos motivos, mas eu estava mais ou menos conformada em pensar que alguém que se arrisca a tomar remédios e ter uma vida louca como a dele não há muito como reclamar quando a morte chega meio cedo.

No caso do Patrick Swayze foi o contrário. Aquele grandão loiro, com carinha de tímido, era casado há 34 anos com a mesma mulher. Eles tinham filhos e ele sempre tentou lá fazer sua carreira subir depois do estrondo que foi Ghost. A Demi Moore conseguiu muito mais, mas ele nunca teve exatamente respeito como ator.

Não me importa o pouco ou o muito sucesso que ele tenha feito.

Me importa que era um cara normal, com uma vida mais ou menos normal, entende? Tinha lá seus desejos e seus talentos. Escreveu sua "She´s like the wind" e cantava, quando jovem, com aquela sua voz rouca. Me interessa pensar nisso tudo e também em sua pessoa real, a que as câmeras não pegavam.

Olhando uma foto da internet, tirada enquanto ele, já bem doente, e sua esposa participavam de um programa televisivo, dá para ver a cumplicidade dela. Dá para sentir no olhar de Lisa Niemi, o olhar da companheira que viveu e viu tudo junto dele. De quem dividiu o café da manhã, os dias ensolarados e os dias escuros. Dá para ver seu pesar, mas também seu apoio. Dá para ver amor. Amor real. E eu já acho que o mundo sempre perde muito quando perde alguém que deixa gente que o ama.

E perder alguém que luta durante um ano e meio contra um câncer no pâncreas não é nada nada fácil.

Ontem, eu me peguei horrivelmente procurando fotos para confirmar o que eu havia lido. Eu não estou mentindo, estou sendo piegamente sincera: eu fiquei muito triste. Pela família, por ele que teve que se encarar não só no espelho e ver que sua beleza e saúde deu lugar há um corpo esquelético e velho depois das sessões de quimioterapia.

Eu pensei no quanto uma pessoa assim precisa aceitar o que o "destino" lhe dá. Em uma entrevista na TV, logo depois dele ter recebido o diagnóstico do médico ano passado, Patrick disse à apresentadora: "Sim eu estou com medo... Sim, eu estou com raiva... Sim eu estou perguntando: por que eu?".

E talvez todo este post meloso seja de novo aquela coisa que falei há pouco tempo: essa vulnerabilidade que nós e as pessoas que amamos temos diante da vida é o que mais causa medo. E o medo talvez venha mesmo de não conseguir aceitar que a vida se esvaia de um corpo cheio de carinho, amor e vida para dar.

Aceitar um câncer, viver com ele, morrendo aos poucos durante um ano não é para poucos. E, embora muitos tablóides reforcem que essa foi a maior luta do ator, eu quero pensar que foi só uma delas. Ele viveu 56 anos e tenho certeza que sua família tem coisas maravilhosas para se lembrar que não sejam só os últimos meses. É com essa lembrança a que prefiro ficar também.


Comentários

Camila Hareide disse…
Também fiquei triste, pois a luta dele foi dura, e acho que quando o artista se expõe dessa forma, fica mais próximo do povão... Assisti Dirty Dancing e Ghost no cinema, também povoaram meu imaginário por um bom tempo.... Mas o filme que o consagrou - pra mim - como ator (e corajoso) foi "To Wong Foo, Thanks for everything. Julie Newmar.", onde ele interpreta a drag queen Vida Boheme. Vc viu? Se não, recomendo...

Veja o trailer aqui
http://www.youtube.com/watch?v=q2lBCSpdbAc&feature=related

Que ele descanse em paz, pois a batalha dele foi feroz...

beijo
Myrna disse…
Oi Sonia!

Também fiquei triste, pra variar até chorei, essa doença é muito triste, ainda mais no caso dele que não tinha cura...uma pena...
Como você, assisto sempre que passa o filme e tenho o vinil que minha mãe me deu quando passou o filme eu eu sonhava com o principe encantado...hehehe bom demais né, pena q não tenho mais o velho som toca-discos....
Um grande beijo pra vocês e que ele descanse em paz
Myrna
Karine Michele disse…
Nossa Sonia, lendo o seu post eu estava me sentindo no seu lugar. Eu fui mais uma a sonhar com Patrick como meu principe encantado.

Eu tenho em casa Dirty Dancing em dvd e volta e meia me pego assistindo novamante como se fosse a primeira vez.

Foi muito triste o que aconteceu, porém, a luta dele foi muito digna. Não é fácil travar uma luta contra o câncer e sem o apoio da família, é quase impossível.

Você está de parabéns e gostaria que soubesse que me fez chorar.

Beijos...
Eveline disse…
Oi amiga
Que triste mesmo, eu achei que ele iria conseguir vencer a doença.
Eu amo Dirty Dancing, esses dias passou na Tv e claro, precisei assistir novamente, hehehe
Ele era uma pessoa "normal" no meio do mundo imaginário, e isso poucos conseguem.
Te cuida
Beijos
Olá!

Hoje meu blog comemora seu 1º ano de muitas alegrias, emoções e laços de amizades!
Agradeço à Deus e à você, pelo carinho, pelo respeito e por deixar meu blog mais alegre e florido!!

bjks
Unknown disse…
Eu também me senti muito triste! Aquele homem dançando era demais, meu Deus! A nossa vida é tão corrida que não consegui conversar com ninguém a respeito da morte dele. Eu queria lembrar momentos do filme, falar da dança, da vida que tinha naquele ator. Mas parece que ninguém quer pensar no assunto, ou não pode perder tempo com isso. Quando tentei comentar com alguém, a resposta era: você é muito sensível, mas eu tive vontade de chorar, porque deve ser muito dificil morrer aos poucos. Sabe, eu não tenho medo de morrer mas tenho muito medo da dor!!! Ele deve ter sofrido muito!!!
Ele relamente não foi um dos melhores atores, mas com certeza deu muito amor para a família e para os amigos.
Lúcia Soares disse…
"To Wong Foo, Thanks for everything. Julie Newmar." é sensacional e mostra um pouco dele masi como ator. Exigiu bastante e ele deu conta. Ghost é aquilo tudo que comove e faz a gente acreditar no amor eterno. E Dirty Dancing é a adolescência pura. Eu adoro, tenho o DVD. Comentei em outro blog,(não me lembro) que nunca vi um filme com a sensualidade tão latente e sem ser "pesado". Delicioso.
Seu texto está brilhante. Tá ficando "fera", viu? Pode começar a "encadernar" isso...Bj
Somnia Carvalho disse…
Camilissima,

sim triste nao!!!
eu nao vi seu link ainda, mas juro que vou ver! e tenho certeza que sera o maximo!

beijocas
Somnia Carvalho disse…
Myrna, jura que ce tinha o vinil? era um dos meus sonhos de consumo de adolescente! rs...

eu adoro ouvir e dancar... mas nao sei como sera agora quando eu lembrar que ele o Patrick do filme e alguem que se foi... estranho isso nao?
Somnia Carvalho disse…
Myrna! vc viu que nao tenho voce de novo na lista? toda vez que mudo os templates e preciso procurar eu vou nos comentarios que as pessoas deixam para conseguir, mas no seu entra no blog vazio! ai preciso do endereco again amiga!!! sorry!
Somnia Carvalho disse…
Oi Karine, quem sabe futura amiga! hehe!

primeiro: seja muuuito bem vinda nessa suecia! mas para qual cidade voce vem mesmo???

segundo: desculpa se fico feliz em fazer voce chorar, e que eu realmente sou meio masoquista nisso... adoro quando as pessoas choram com meus posts!

volte sempre! e entre em contato pelo email, caso voce esteja vindo para malmo_:

borboletapequeninanasuecia@gmail.com
Somnia Carvalho disse…
Barbie, parabens! deixei la no seu cantinho os parabens!!!!
Somnia Carvalho disse…
Cristiane,

primeiro: voce e a cris do blog? eu nao consegui abrir seu link e fiquei em duvida com qual cristiane estou falando!

segundo: e estranho ne? qdo alguem morre todo mundo acha que e falar de um espirito, algo ruim, mas nao e... eu acho que lembrar do que a pessoa foi e maravilhoso... a lembranca e a unica certeza de eternidade que temos!

ainda bem que vc pode dividir aqui o que sentiu, ao menos um pouquinho...
Somnia Carvalho disse…
Lucinha,

a Camila sugeriu o mesmo filme! eu vou pegar na locadora!!! eba!

e verdade... dirty dancing e sensual! a gente fica nas nuvens e o maximo que tem e aquelas dancas todas de esfrega cheio de sensualidade... eu amo ate hoje!!!

vc acha que to fera?

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