26 março 2009

Dicas para leitura da "Desolação" de Kirstine

(Para ler uma obra é preciso olhar de pertinho, de forma bem interessada, como essa mocinha dinamarquesa fez no museu quando visitou a obra de Kirstine, in: the Dannetes)


Eu tentei adivinhar o silêncio no post do Vang Gogh, mas agora já tô começando a achar que me precipitei achando que o coitadinho do meu "quase clássico" Vang Gogh fosse o problema. 

A terceira tela que coloquei essa semana na seção "O que você vê nessa obra", da dinamarquesa Kirstine Roepstorff recebeu comentário da atenta e participativa visitante de museu Lilás e ? De mais ninguém!

Ou vocês não gostaram nadica de nada da tela e me "guinoraram" completamente ou ela é tão cheia de sentidos que vocês têm medo de bancar os "bobolóides" e falarem asneiras. Se é a primeira opção eu posso dizer que, embora não se trate de uma pintura, no sentido convencional do termo, é uma obra que tem muuuito a dizer. E tenho certeza vale a pena a gente tagarelar sobre ela!

Se for a segunda, aí que não tem boi mesmo. Vocês precisam dizer e precisam dizer tudo que passa pela cabeça de vocês! Vamos ao nosso debate! Tentem pensar em algumas questões para jogar aí nos comentários. Tentem não se deixar levar por aquele meu post super longo do Michael Kvium. Não precisa dar uma de expert e nem chatonildo igual eu dei. 

A não ser que o motivo da falta de participação na mesa redonda de bar virtual seja a correria do dia a dia e também o fato de que a gente tem "coisa muito mais importante e prática" para tratar. Eu concordo que não dá muito tempo de ficar comentando em blog, mas ao menos eu "agarantio" que essa questão é também bem prática e que sai muito do âmbito de "discussão sobre arte".

(Detalhe de "Desolação da besta, Kirstine Roepstorff, 2002)


Você pode começar pensando algumas coisas como:

- Qual seria o motivo de Kirstine não ter pintado a tela com as bandeiras e as imagens? qual a diferença de fazer uma costura, colagem de banners, recolhidos por vários lugares e juntá-los sob forma de uma tapeçaria (ou seria uma bandeira?) numa parede?

- O que os banners e essa obra em tecido lembra? Lembra pintura ou lembra cortina de retalhos ou...?

- As imagens da obra dizem o que para você? Não precisa tomar todas, pegue algumas e pense porque elas estariam ali juntas? 

- Kirstine está fazendo altuma crítica? A quem? Ou ao que? Ela está desolada tanto quanto a "besta", ela está "pstorff" (sorry, mas eu tinha que fazer o trocadilho besta) com alguma coisas também? com o que seria?  O que na tela dá sinais disso?

- A Lilás chamou atenção para as bandeiras várias que há na obra. O que elas podem significar nesse contexto da obra? 

- As quatro frases espalhadas pela obra são provocantes e questionadoras (“Your comfort is destroying my comfort, your freedom is opressing my freedom, your power makes me powerless, my rules eliminate your rules”). Que tipo de pensamento elas lhe trazem à mente? O que exatamente você acha que elas denunciam?

- Qual relação você vê entre a obra e seu título? 

- O ano em que foi feita a obra pode dar alguma dica a mais para que a gente a leia?

Começando com perguntinhas simples assim (não todas, selecione algumas para pensar) você pode escrever o que lhe passar pela mente. Não se deixe abater! E lembre-se que eu pensei em vocês quando vi essa obra de arte no Statens Museum. Quando li esses dizeres da tela eu tive até um arrepio. Fortíssimos!


6 comentários:

Lúcia Soares disse...

Ichiiii!!! Vai sair bobagem! Mas vou tentar.Não sei o que a artista quis dizer! "Emendando" um banner no outro, de diferentes países e/ou objetos/figuras, poderia ser uma chamada para a união dos povos. As frases são lindíssimas e verdadeiras. Mas não sei o que ela quis dizer. Que cada um é um e em vez de nos unirmos estamos sempre em conflito? Não sei, mesmo. Só "chutei". Como artista, certamente você tem como interpretar a obra. Eu não consigo.

Somnia Carvalho disse...

Lucinha, os países representados nas bandeiras são da Inglaterra e dos Estados Unidos, e então a gente pode pensar o que esses paises tem em comum?

foram paises dominadores, conquistadores e em tantas formas exploradores dos paises dominados.

Cuba e sinal do socialismo. Voce pode pensar no Che que tambem esta num outro banner, pode pensar no Fidel. O socialismo tenta ser uma ideia contraria ao capitalismo, um sistema onde haja liberdade. E a questao e pensar: ha diferenca entre os dominados e dominadores?

Nao sabemos o que a artista pensa ela mesma, mas a gente pode pensar por nos.

As frases talvez se a gente pensar assim:

Lucia voce pode ser livre... o problema e que quando voce usa de sua liberdade, voce fere a minha. Em que casos isso acontece? Pensando na sociedade de forma geral?

Eu realmente nao sei sobre a bandeira da argentina... sobre os outros banners to respondendo nos comentarios do post anterior para a daniela... beijocas e valeu muito a participacao! manda ver brasa! nao tem resposta pronta!,

Nadja Saori disse...

São retalhos de uma vida, ao que me parece.
A primeira coisa que notei foi a bandeira da argentina ao canto.Ã costura para mim indica um certo desapego a uma só patria, talvez uma falta de pátria màe ou uma globalização iminente da vida.
ë algo que está presente em todos os locais. Os diversos tipos de comunismo jogados ao lado de outros icones, que em nada com eles se parecem.

Nào tinah ainda visto antes seu post, me desculpeeee!!!
Desculpe também pelas besteiras que estou falando, acho que a gente sempre puxa sardinha para o lado estudado na nossa vida hehehe
beijooos

Beth/Lilás disse...

Barbuletinha, surtei!
kkkkkkkkkk
Pensei tanto sobre este íntrinsico painel que acho que fundi a cuca!
Conclusões malucas, veja só:
Desolação = angústia, tormento, aflição, destruição.
Besta = anti-Cristo, demônio
Hitler e seu nazismo pode ser esta tal Besta e ficou desolado quando viu que perdera a guerra.

Serão estes símbolos uma mostragem dos problemas do fim dos tempos?

A Globalização tem mostrado também a muita verdade destas frases citadas, como por exemplo "my rules eliminate your rules', que é o caso do consumo geral de produtos chineses, feitos sem regras ou cuidados com as pessoas escravizadas para um trabalho mal remunerado e desgastante fisicamente.

E a frase 'your comfort is destroying my comfort', faz-me lembrar o conforto usado nos países ricos, como aquecimento ou refrigeração que tem super aquecido o planeta e trazendo catástrofes à áreas nunca antes atingidas.

Puff! Pirei na batatinha!

E o que a bandeira da Argentina está fazendo aí, pelamordeDeus!

Explica logo, tô ficando doida!

bjs cariocas

Somnia Carvalho disse...

Hey Nadja, acho que a idéia de pensar na globalização e nos bens todos que a gente sempre achou que ela traria pode mesmo ser uma chave de interepretação boa!

o que nos prometeu a tal da globalização? divisão das riquezas, um mundo mais equilibrado, lutando por direitos parecidos. Pensamos em unificar trabalhos, moedas, economia, tornar o mundo mais igual... mas????

Legal sua ideia!!!

Somnia Carvalho disse...

Lilassss,

adorei sua piração! nao foi na maionese não! não mesmo! muito boa sua análise do grande paradoxo que se tornou o mundo moderno, cheio de promesas de igualdade...

as potencias continuam a explorar, o mundo continua a sofrer e as contradições estão por toda parte. Tudo bem que vc suou a camisa benhê, mas valeu muito a pena! rs...