28 outubro 2008

O que nosso esporte preferido diz sobre nós mesmos


Dias atrás, eu voltava da academia depois de fazer uma aula de boxe pela primeira vez. Minhas amigas, Ângela e Xu-Muié, haviam posto fogo na minha fogueira, mas acabaram não podendo comparecer na aula. O resultado foi que fiz parceria com uma professora que não se importou que eu era iniciante e me socou horrores. Tudo de briiiincadeirinha forte.

Fiz a aula tudo bonitinho. Dei os socos, levei socos e me senti bastante forte depois. Foi bom pro meu corpo e tudo o mais, mas eu voltei pedalando, pelo canal frio e a cidade escura, com uma idéia certeira na cabeça: boxe? nunca mais!

Nos longos cinco ou seis minutos que dura a pedalada da SATS até minha casa eu matutei bastante sobre o seguinte: o nosso esporte preferido diz muito sobre quem somos, mas por que será que a gente vive se enfiando em atividades que são exatamente o contrário daquilo que desejamos?

Cheguei à conclusão que sou o tipo que aguenta uma natação. É tranquilo, relaxa, faço no meu tempo e saio toda revigorada. Gosto e curto fazer yoga ou um "pilates med boll". Meu corpo agradece a cada aula. Trabalho cada músculo com gosto e a aula também me acalma. Por outro lado, eu preciso de aulas animadas, com música e ritmo. Aulas nas quais me divirto e ao mesmo tempo sinto que estou exercitando meus músculos, sinto a adrenalina correndo nas veias e uma energia danada depois que termino. 

Mas por que uma pessoa que é louca por Body Combat pode detestar o boxe, por exemplo? Foi a questão que a Xu e Ângela me trouxeram.  Minha teoria é porque o body combat simula a luta, mas mistura diversão e dança junto. Tem ritmo, exige maior sensibilidade do que força. E sensibilidade, baby, é algo que em uma mulher, pisciana, filósofa, artista não falta. O boxe exige um preparo físico muito maior, mais concentração e é bem pouco divertido. Parece mais trabalho que diversão. 

Minha segunda teoria é de que o boxe exige um tipo de personalidade que não tenho. Os socos são mais repetitivos e é menos dinâmico do que o outro exercício. E eu preciso de coisa nova o tempo todo quase. Não tô dizendo que toda a mulherada que faz aula comigo no body combat deva gostar de literatura, artes e filosofia como eu. Provavelmente um monte, odeie. A chave seria ver o que cada uma gosta nessa aula e isso talvez explique o jeito que cada uma seja. Talvez sejam as mesmas diferenças que fazem um Nacho libre ser apaixonado por luta livre, mesmo sendo ele tão diferente dos seus adversários. Para o ingênuo Nacho, era a idéia de ser um super herói com a luta que o fascinava, não os socos ou a vitória apenas.


(Cena do filme "Nacho Libre," 2006)


Só pra ilustrar: quando falei da aula de bicicleta pra Xu eu enfatizei como eu delirava com as músicas e me sentia subindo ladeira, descendo ladeira e uma coisa incrível tomando conta de mim. Como a figura do professor cinquentão animado era importante, porque ele vibrava a cada canção e passava uma vontade de querer pedalar. Ela fez a mesma aula e me disse: "Não senti nada disso. Senti foi uma dor terrível na....". Região pélvica foi o que ela quis dizer. E a Xu é o tipo animadassa também e que curte um body combat de montão.

Não sei direito, mas sou do estilo que não consegue ter alguém tipo o Gordon do Hell's Kitchen me dizendo: "vai", "Termina", "é pra ontem!" "Isso tá horrível!". Me incomodava apenas tentar assistir o programa. Posso dançar até "boquinha da garrafa" num sala com cem alunos, se isso me ajudar a explicar a matéria, e invento mil modas pra deixar o pessoal ligado na aula, mas não aguento aluno mal educado ou que acha que pode destratar colegas e coisas assim.

Talvez o segredo de achar a tal famosa "vocação" e ser feliz seja apenas esse: conseguir primeiro perceber que tipo de pessoa somos e, então, escolher que tipo de coisa realmente gostaríamos de fazer. Pra que fazer advocacia se você sempre adorou pesquisar insetos? Por que se matar dentro de uma sala de aula quando você queria mesmo era correr em maratonas? Ou por que perder seus dourados anos dentro de uma empresa se o seus sonho sempre foi estudar filosofia e ajudar os outros a pensar sobre a vida?

Foram questões assim que passaram pela minha cabeça naqueles gostosos cinco ou seis minutos em cima de minha Madalena, que aqui tem me permitido sentir prazer com um esporte que, pra mim, sempre foi chato: pedalar. Com ruas planas e ciclovias, nada de stress e cansaço, a Somnia é só alegria...

5 comentários:

Anônimo disse...

Muié,

Curti este post. Principalmente porque hoje nós não fomos "malhar" e eu tô aqui, bem sedentária, comendo, tomando vinho, assistindo tv, com o laptop no colo (rs).
Preciso dizer que VOCÊ me fez gostar de Body Combat. Thx! Eu sempre achei que minha praia tb era natacão; mas indo na Sats com vc e Angela, peguei gosto pelas aulas animadas... que eu fugia em SP. (hehehe)
Pelo Boxe, nós te devemos esta. Mas eu jurava que vc, fã número 1 do Body Combat, ia amar Boxe tb. Desculpe a nossa falha... rs.
Enfim, gracas a vcs duas to me mexendo e, por incrível q pareca, to gostando. Mas ainda não sei o motivo que me faz gostar tanto do pillates quanto do body combat. Acho que é a amizade mesmo!

Beijos
Xu-Muié

Beth/Lilás disse...

Uia, menina!
Vai ficar forte e sarada desse jeito!
Muito bom! Mulher tem que se cuidar.
Aliás tô indo agora prá minha aeróbica.
bjs cariocas

Ah, fiz um post sobre brasileiros e expats. Vê lá!

bjs

Beth/Lilás disse...

Ih, eu fiz um comentário aqui, mas acho que não entrou!

Foi mais ou menos assim: Você faz muito bem em mexer o corpo, principalmente nesta época do ano.
Também me exercito, mas faço aeróbica e musculação prá sustentar os músculos que já ameaçam desabar. rsss
Box, não! Acho que o tal Body combat deve ser muito legal e até gostaria de fazer uma aula um dia!
Pilates fiz no ano passado, mas coo precisava perder calorias, voltei prá aeróbica.
Agora, o melhor mesmo é pedalar sua Madalena! Quem dera pudéssemos fazer isso aqui no Rio!
bjs cariocas

Somnia Carvalho disse...

Hey Lilás!!! ou eu deveria lhe chamar de Beth, a fofa?
rs...

não foi erro seu, nem incompetência da blogosera, foi um pane meu messss... eu li os comentários e achei que tinha publicado. Como não tinha tido tempo de responder só agora vi que nem o seu, nem o de outras pessoas que comentaram os posts antigos haviam entrado!

sorry! tá tudo aí agora!

Sobre a acadiiimia: eu gosto de ir, mas eu criei o gosto. Sabe que sem mentira nenhuma, minhas duas primeiras preocupações são a saúde mental que o exercício me dá e a disposição física. Daí ficar sarada vem - ou não ! haha... junto...

tenta fazer body combat! e o pilates foi sugetão seria da fisioterapeuta, ela disse e eu comprovei que e otimo!

Somnia Carvalho disse...

Muié,

queria tanto uma auto-análise-psicológica dos seus porquês, mas ce fugiu deles! hihi...

vc precisa tentar o box pra me falar direito o que acha e aí tenho mais material pra pensar viagens na maionese...