02 julho 2011

TV aberta e qualidade de programação é um casamento impossível?


("Branco profundo", Michael Kvium)

Assisti (pela primeira vez ao vivo e não pela internet) ao que considero ser o melhor episódio do programa SOS Casamento, da emissora do Senor Silvio Santos Abravanel, no SBT.

Antes, porém, que eu continue este post é preciso fazer meu costumeiro papel de chata e dizer o contrário do que possa parecer. Não. Eu não sou nenhum pouco fã de televisão. Eu não vivo a escrever sobre programas televisivos, mesmo porque quem me conhece sabe qual minha visão sobre o exagero do papel da tevê no nosso país.

Posso dizer, entretanto, que Ana Canosa e a equipe de SOS hoje fizeram eu me lembrar alguns dos porquês.

Eu detesto tentar usar o raro e precioso tempo que tenho em frente à televisão para descansar, me distrair, aprender, me entreter e sentir como minha inteligência está o tempo todo sendo subestimada.

Eu não tenho nenhuma tolerância com piadinhas preconceituosas, agressões de baixo nível só pelo ser, só para conseguir ibope.

Eu opto sempre por outras tantas atividades em detrimento da TV porque mesmo quando me distraio eu não quero minha vida roubada por minutos, horas em frente a um aparelho e gente que nada me traz. Minha vida, meu tempo de lazer, meu ócio criativo me é caro demais para ser disperdiçado com programas de baixa qualidade.

SOS Casamento, como falei antes, começou a partir da idéia de tentar salvar, com a ajuda de uma psicóloga e sexóloga experiente, casamentos à beira do abismo.

Todos sabemos como, apesar de encontros genuínos acontecerem todos os dias, das pessoas se apaixonarem umas pelas outras e se "casarem", o casamento (seja ele oficial ou não) é um exercício de virtudes diário o qual nem sempre, ou quase nunca, estamos dispostos a fazer.

Nós nos perdemos uns dos outros porque a vida a dois, como belamente afirmou Ana Canosa hoje no programa, é mais do que difícil, é dificílima. Fácil é casar. Fácil é falar de amor. E fácil é fazer o oposto do prometido.

Cansaço, frustrações, problemas financeiros, emocionais, de saúde, auto-estima, falta de gentileza e cuidado para com o outro são só alguns dos vilões que põe os muitos amores perdidos e separados como se falassem línguas diferentes, como se não se reconhecessem mais como as mesmas pessoas que um dia optaram por estar juntas.

A equipe de Silvio Santos tem esbanjado criatividade nos programas passados. Mostrou seriedade e ganhou credibilidade ao não entregar, por exemplo, alianças a um casal para quem o castelo bonito por fora ainda estava meio feio e cheio de vaidade e apego por dentro. Emocionou quando ajudou outros a se encontrarem e recuperarem a cumplicidade. Ver no outro não o inimigo na guerra, mas o parceiro, foi algo ao qual vários dos casais do programa conseguiram.

Como? Com milagres? Com boa edição de programa? Com maquiagem?

Não me pareceu.

Os programas têm sido, ao meu ver, muito verdadeiros. As duríssimas verdades as quais os casais precisam ouvir não são floreadas por Ana Canosa. Ao contrário! São ditas com clareza, com coragem, com estímulo.

Por essas e muitas outras razões eu fiquei hoje orgulhosa de pensar que temos num canal aberto um tipo de programação com a qualidade e capacidade de fazer pensar, crescer, melhorar as pessoas que o acompanham.

Aprendi ou reaprendi muito ao longo de 9 programas exibidos até agora. Boa psicologia, tato e criatividade se casaram muito bem.  Neste último, até mesmo Ana Canosa claramente emocionada ao ver as antigas mágoas irem embora ao som de "Como é grande o meu amor por você", e o amor - em todas as formas em que ele é possível - brotando de novo no casal Rodolfo e Luciana.

Loucos para chamarem a atenção um do outro e serem amados, Rodolfo e Luciana, literalmente gritavam um com o outro, se agrediam física e verbalmente tentando caminhos desesperados. Nenhum deles conseguia recuperar o antigo fôlego, lembrar como construíram sua história, o antigo Rodolfo e a antiga Luciana, de quem eles o tempo todo parecem sentir saudade.

Assim como em outros programas foi preciso primeiro reconhecerem cada qual que estavam errados e, com ajuda do programa, no quê estavam errados. Feito isso, foi ainda preciso pensar como poderiam resolver problemas parecidos com atitudes diferentes das do dia a dia. Sem chingamentos, sem mágoa, sem ódio, sem disputa de "esse é meu", "aquilo é seu", sem a necessidade de provar que se está certo, mas com diálogo, com carinho, com gestos apaziguadores e não de revanche os casais, quase todos, conseguiram progredir com as dicas de SOS Casamento.

E as mudanças vieram de sensações fortes provocadas por algumas tarefas criadas especialmente para eles.

De todos, o casal quem mais emocionou pelo mergulho profundo no desejo de mudança foi o dessa noite. Talvez por serem bastante passionais, por me lembrarem tantos outros casais amigos perdidos em suas disputas, mas provavelmente ainda mais por serem tão genuínos, tão verdadeiramente ainda apaixonados um pelo outro é que Rodolfo e Luciana provaram da fruta até o caroço. Parecem ter entendido bem a lição da psicóloga de plantão que os ajudou. Não importa se se é magro ou gordo, tem mais ou menos dinheiro o importante é conseguir se doar e se entregar ao outro porque...


"Sexualidade envolve afeto, auto-estima, auto-imagem corporal, alegria de ser homem ou mulher, independentemente de raça, credo, idade, estado civil e orientação sexual."

Para além do programa e do tema casamento entendo que as lições dadas me levam sempre por muitos caminhos: é preciso se auto-conhecer para entender porque as pessoas reagem a nós dessa ou daquela forma; é necessário jogar fora não só as armaduras, mas as rédes;  ter primeiro a coragem de assumir os próprios erros; não subestimar o outro nem tentá-lo colocá-lo sob nosso chichote. É crucial perdoar quem se ama, caso contrário ao invés de tomarmos os prazeres e alegrias das relações, mergulhamos mais e mais num poço branco fundo, ficamos cada vez mais isolados, menos amamos e menos somos amados.

Hoje recuperei um certo gosto por tentar ver televisão aberta brasileira, porque é bom demais sentar no sofá depois de um dia exaustivo se entreter, rir, chorar e sentir que ao final eu também não sou mais a mesma pessoa quem ali sentou. E isso porque tá na cara que SOS Casamento não tem apenas números e ganhos como objetivo final, qualidade e respeito pela inteligência de quem está do outro lado parecem também importar bastante.

Parabéns e obrigada!

2 comentários:

Beth/Lilás disse...

Bom, Soninha, o negócio é o seguinte:

eu não vejo televisão.

É verdade! Nunca me lembro de ligar a imensa tv que temos na sala de tv e só quem assiste é meu marido, muito pouco também e o filhão que gosta de ver aqueles seriados americanos que sempre tem uns bobos rindo a cada fala.
Eu gostaria imensamente de ver este programa que nos fala, mas sempre estou em trânsito nas sextas-feiras, pois subo para a serra nestes dias e é sempre a noite.
Mas, juro, está na minha agenda para quando eu ficar em casa e lembrar de assistir televisão às sextas-feiras, ok.
Beijão pra Ana e pra todos desta casa.

Lúcia Soares disse...

Gosto de Tv, sempre gostie. Como não somos de sair de casa, acaba sendo a "distração" principal. Gosto de assistir a qualquer programa, experimento, dou crédito, afinal há centenas de pessoas num projeto, acho que sempre querendo acertar.
Como sou adulta e madura, posso assistir ao que quiser, que não me sentirei influenciada, mas é certo que TV e criança, por ex., só são compatíveis em alguns programas e ainda assim sob supervisão de adulto.
Assisti ao SOS, o segundo, por aqui, via internete, porque realmente nesse horário não dá pra assistir, pois com Letícia acordada, desacelerando pra dormir, eu e a mãe ficamos por conta dela. Aí, quando vejo, o programa já passou.
Gosto de assistir seja o que for, mas com calma, sem me dispersar. Vira um momento de lazer, mesmo incompreensível para muitos. Gosto é gosto, né?
Vou assistir a esse episódio, mais tarde (agora não posso) e depois lhe falo.
Ando numa maré de cansaço de marido, não sei se vai passar...Acho que cheguei ao ponto máximo, não tenho vontade de retomar nada!
(é sério!).
Beijo!