Pular para o conteúdo principal

"A persistência da Memória": Dali, Freud e nós no mesmo barco

(A persistência da memória, Salvador Dali)

Há pouco estava descascando laranjas limas para a sobremesa e uma memória muito forte me veio à mente: meu pai, no dia em que morreu, descascando e chupando várias pequenas laranjas limas.

Esta foi uma memória constrúida. Eu não estava presente, minha mãe quem me contou isso e eu somei àquilo que eu já conhecia sobre meu pai e seu amor por esta fruta. Entretanto, a partir do dia em que ouvi a narrativa de minha mãe, mais de 7 anos atrás, eu nunca mais fui capaz de chupar laranja lima sem "reviver" esta cena. É como se eu tivesse construído-a para mim de forma a acabar acreditando que eu estava presente quando meu querido pai teve uma parada cardíaca na cidade onde eu cresci, mas não mais morava... É pacificador, me tranquiliza.

Ao contar isso, minha amiga Elo me contou uma memória persistente dela sempre que executa a mesma tarefa... E outra, Daníssima, pelo facebook, disse pensar em mim sempre que ouve a música "Dancing queen"...

Imagina o quanto de nossa vida consciente tem de inconsciente? O quanto somos de construção do passado? O quanto negamos da interferência de nossas vivências e daquilo que ouvimos mas tais "experiências" estão em nós todos os dias, minutos, segundos de nossa existência?

Pois eu fiquei louca para vir aqui filosofar e psicologizar com vocês:

Há alguma memória que vocês sentem retornar com frequência e qual a situação motivadora desta memória? Revivê-la é algo agradável ou desagradável?


Comentários

Beth/Lilás disse…
Ah, não! Não é a Daníssima que pensa em ti quando ouve esta música do ABBA.
Eu também!
Noutro dia inclusive, indo pra Petrópolis e esta música começou a tocar eu falei de você pro WL, disse-lhe justamente isso que ela me lembra você e aquele dia que foi ao cinema ver o filme com suas amigas e que me encheu de vontade de ir também, e fui, lembra?
Eu costumo mesmo ligar pessoas à músicas, a certos lugares, mas não me recuerdo agora. Quando lembrar volto aqui. Gostei do tema! hehe
bjs cariocas geladéssimos
Xu disse…
Baby, por conta de tantas outras amigas suecas... infelizmente não lembro só de vc, ao escutar Dancing Queen. Mas "I want to break free" do Queen... ah, essa sim tem a SUA cara! Sem contar "Odd to my family" q até me arrepia qdo penso na música... vc sabe bem pq. :-)
Outra coisa q me traz lembrancas é cheiro... dos meus perfumes. XX (by Hugo Boss) me lembra o meu primeiro apê em Malmö. Acqua de Gio, minha primeira primeira viagem a Portugal.
Acho ótimo este tipo de lembranca!

Ah, posso falar uma coisa do Gus: bolo de milho = Somnia!!!!

Bjs
Lúcia Soares disse…
Sônia, memória não é comigo! rsrs
Mas claro que várias vezes no dia a gente pensa em algo ligado a alguém.
Música, por ex., sempre relembra uma situação ou uma pessoa.
Falando só de Pai, lembro-me do meu ao ouvir Tim Maia; ao chupar jatoticaba; ao ver frando com quiabro..(não gosto de quiabo, mas faço, e aí é "fatal" lembrar-me dele.
Músicas me levam a meu distante passado de adolescente, por isso acho que ouço tão pouco...Porque nem sempre é bom recordar.
Beijo!
Lúcia Soares disse…
"jatoticaba", conhece? rsrrs
Jabuticaba, direto do pé...Hummmm
SOMNIA,
'meus amigos falam que quando ouvem essa música, lembram de mim...

Olha, esse lance de memoria é algo, realmente, marcante...
essa semana, eu fui a Noruega...Quando desviaram o caminho e desembarcamos em BUD, cai no choro.:Meu avô materno, um pescador analfabeto colecionava livros de gravuras e estórias de pescadores...Um deles, era sobre pescadores noruegueses..:E ao me deparar com uma cidade que nunca tinha visto, exceto na minha infancia quando ele falava para mim...foi algo que marcou...
bjs e dias felizes
Somnia Carvalho disse…
Ah entao "Dancing queen" e a minha musica! rs... por falar nesta mesmo se eu ouvir aquele comecinho sabe? eu ja me transporto automaticamente para a epoca da faculdade, nossas festas... sinto uma certa magia que nem mesmo vivi... e eestranho!

vem contar suas memorias que to curiosa! achei que ce teria um monte!
Somnia Carvalho disse…
Nossa Baby o Queen vai ser agora forever a gente lembrando daquelas festas na casa nova! rs...

e ode do my family depois daquela tela e tantas fotos de voces agora e voce e gus pra mim, embora tenha sido e seja ao mesmo tempo meu pai e minha mae...

lembrancas misturadas...

os cheiros acho incrivel! foi bom voce lembrar! comigo sao shampoos, alem dos perfumes... como mudo muito eu me lembro sempre do momento, e como se eu me transportasse na epoca em que usava... na suecia achei um que eu usei em meados de 90 no brasil e quando usei la eu me vi no banheiro da moradia estudantil!

beijoca! Ah! bolo de milho foi demais! hehehe
Somnia Carvalho disse…
Lucinha voce nao lembra? ou nao gosta de lembrar?

jaboticaba claro? amoooo! me lembra viagens a braganca paulista no sitio de uma amiga... eu ela e mais uma pegando aos montes e eu ficando por 5 dias sem ir ao banheiro despues! haha

quiabo! eita comida mineira! lembra minha mae...

então! imagina se a gente tem essas memorias conscientes e se tanta coisa feita num unico dia tem ligacao com o passado, da maneira como sentirms e vivemos! entao imagina como nossas escolhas estao pautadas pelo passado e memorias???
Somnia Carvalho disse…
Grace, que lindo! fiquei arrepiada e emocionada!

entendo perfeitamente essa sensacao, embora eu nao tenha tido contado direito com meus avos paternos na infancia... eles eram duroes e distantes, achei emocionatne essa sua relacao com o seu...
Lu Souza Brito disse…
Oi Somnia,

Meninaa, também lembro de você quando ouço a musica Dancing Queen. Ahahha.
Eu sou muito de lembranças também.
Cheiro de frango com quiabo, como citou a Lucia, além de bolo de fubá e biscoitão de polvilho lembra minha mae e a casa de Minas.

Toddy me lembra infancia.
Chupar manga escorrendo pelos cotovelos me lembra toda minha infancia.

Mas tem outras lembranças também...tem uma amiga senhora que ama Rod Stewart. Só ouví-lo que lembro dela.

Beijooos
Mari disse…
Eu tenho varias destas memórias, principalmente relacionadas a minha mãe, coisas que ela sempre fala em determinada situação e quando me vejo na mesma situação eu repito.
Por exemplo, todo dia de manhã eu acordo as crianças cantando: "bom dia, bom dia, bom dia, hoje eu estou tão feliz." Não consigo mudar, porque minha mãe sempre fazia isso quando nos acordava. E quando eles acordam antes de mim, eu sempre digo: "bom dia luz do dia". Quando faço pipoca, me lembro da minha mãe cantando a musiquinha e quando faço café eu canto a musica do casaco marrom. Minha mãe sempre faz as coisas cantando e dependo da tarefa, as músicas que ela canta me vêm a cabeça e eu não consigo deixar de cantar.
Danissima disse…
ah, eu preciso falar da Moradia... Eu nao dou conta de mexer nesta memoria... quer dizer, eu quero que ela fique apenas na memoria, assim como a Unicamp.
Quando vamos a Campinas, Barao Geraldo, eu faço questao de nao passar perto da Moradia e nem entrar na Unicamp. So de chegar perto, da um aperto no coraçao. Foi um momento tao bom, mas tao cheio de emoçoes. Temos um amigo que mora bem pertinho da entrada da Unicamp. Quando o visitamos, fico torcendo para nao errarmos a entrada da rua dele para nao ter que passar pela entrada da Unicamp. Esquisito, ne?
Acho que tem a ver com a minha despedida de la.

Postagens mais visitadas deste blog

"Ja, må hon leva!" Sim! Ela pode viver!

(Versão popular do parabéns a você sueco em festinha infantil tipicamente sueca) Molerada! Vocês quase não comentam, mas quando o fazem é para deixar recados chiquérrimos e inteligentes como esses aí do último post! Demais! Adorei as reflexões, saber como cada uma vive diferente suas diferentes fases! Responderei com o devido cuidado mais tarde... Tô podre e preciso ir para a cama porque Marinacota tomou vacina ontem e não dormiu nada a noite. Por ora queria deixar essa canção pela qual sou louca, uma versão do "Vie gratuliere", o parabéns a você sueco. Essa versão é bem mais popular (eu adorava cantá-la em nossas comemorações lá!) e a recebi pelo facebook de minha querida e adorável amiga Jéssica quem vive lá em Malmoeee city, minha antiga morada. Como boa canção popular sueca, esta também tem bebida no meio, porque se tem duas coisas as quais os suecos amam mais que bebida são: 1. fazer versão de música e 2. fazer versão de música colocando uma letra sobre bebida nel

Mãe qué é mãe mesmo...

(Picasso, Mãe e criança, 1921) Mãe qué é mãe mesmo... Já deu uma de cientista e foi até o quarto do bebê só para checar se ele respirava. Já despencou de sono em cima dele, feito uma galinha morta, enquanto amamentava. Já caminhou pela casa na ponta dos pés, como uma bailarina, só para não acordar o pimpolho. Mãe qué é mãe mesmo... Já perdeu a conta das mamadas e esqueceu qual o peito deveria dar. Já deu oi pro lindo rapaz que dormia ao seu lado e dormiu antes de continuar a conversa. Já adquiriu habilidades múltiplas como comer com uma mão só e fazer xixi com o bebê no colo. Mãe qué é mãe mesmo... Ama e odeia, ama e odeia. Às vezes chora e muitas vezes sorri. É ao mesmo tempo carrasca e heroína. Mãe... é uma garota crescida com uma boneca de verdade nos braços. Precisa de atenção e carinho tanto quanto seu brinquedo.

O que você vê nesta obra? "Língua com padrão suntuoso", de Adriana Varejão

("Língua com padrão suntuoso", Adriana Varejão, óleo sobre tela e alumínio, 200 x 170 x 57cm) Antes de começar este post só quero lhe pedir que não faça as buscas nos links apresentados, sobre a artista e sua obra, antes de concluir esta leitura e observar atentamente a obra. Combinado? ... Consegui, hoje, uma manhã cultural só para mim e fui visitar a 30a. Bienal de Arte de São Paulo , que estará aberta ao público até 09 de dezembro e tem entrada gratuita. Já preparei um post para falar sobre minhas impressões sobre a Bienal que, aos meus olhos, é "Poesia do cotidiano" e o publicarei na próxima semana. De quebra, passei pelo MAM (Museu de Arte Moderna), o qual fica ao lado do prédio da Bienal e da OCA (projetados por Oscar Niemeyer), passeio que apenas pela arquitetura já vale demais a pena - e tive mais uma daquelas experiências dificilmente explicáveis. Há algum tempo eu esperava para ver uma obra de Adriana Varejão ao vivo e nem imaginava que