Pular para o conteúdo principal

Na Suécia também não tem... problema de jogar papel no vaso


Toda vez que eu volto aos posts desta sessão "Na Suécia também não tem" eu pareço receber uma avalanche de idéias, das mais interessantes às mais idiotas e besteironas.

Estando no Brasil eu tenho vontade de escrever um post da série a cada meia hora de tantas diferenças e nuances marcantes entre o meu país e o país da minha amiga Victória. E vou tentar dar um fim em um que me atormenta cada santa vez que consigo ir ao banheiro aqui no Brasil.

"Não jogue papel no vaso sanitário" é um recado recorrente em banheiros públicos, mas eles simplesmente não servem para quem viveu tanto tempo jogando o papel exatamente dentro do vaso porque lá esta era a única opção aceitável e correta.

Na Suécia a gente não jogava papel higiênico no cestinho ao lado do vaso. Cesto servia apeans para outro tipo de lixo que não fosse papel. Simples assim e algumas das razões são:

- o papel higiênico, como qualquer outro papel, é biodegradável. Todo sueco e sueca sabe então que o papel   será praticamente dissolvido todo na água ou separado numa estação de tratamento.
- não existe residência na Suécia que não esteja vinculada a uma estação de tratamento de esgoto, por isso jogar o papel no lixo é muito mais ecológico que jogá-lo em sacolinhas plásticas. E sacolinhas plásticas sim são as vilãs da história.
- o país trata seu esgoto, transforma-o em lama. 60% do esgoto sueco volta a ser reaproveitado na agricultura. Então mesmo que o papel não seja de todo dissolvido ele será com certeza reaproveitado no tratamento.
- na Suécia não existe mais vasos ou bacias sanitárias antigas. Como país de primeiro mundo e um dos mais responsáveis no trato da água a troca dos antigos aparelhos por novos é regra e obrigação. Descarga que disperdiça litros e litros de água e ainda não é capaz de dissolver o papel não tem vez.

Pensei nisso também esses dias em que paguei uma conta alta num bistrô lindo, mas cujo banheiro empregava aquelas caixas antiguíssimas, que ficam no alto totalmente anti-ecológicas.

Com a prática diária em mais de quatro anos é de se esperar que eu tenha adquirido o hábito tranquilo de usou, tchum! papel no vaso! Faço isso sempre! mesmo quando não devo porque é muito automático!
O chato é ter sempre que ver aquelas plaquetinhas atrás de mim me acusando de anti ecológica e sem noção, quando na verdade minha atitude é que seria a correta se bares, restaurantes etc se prestassem a trocar suas descargas por outras mais modernas. E mais chato ainda é receber puchão de orelha do Ângelo. Ele anda me vigiando e assim que jogo o papel no vaso ele me chama atenção dizendo como ando fazendo "tudo errado", pois ele aprendeu na escolinha daqui a fazer o certinho agora...

ojoj...  haja paciência e memória para adquirir e perder hábitos!

E você? qual sua prática com o papel e o vaso?

Comentários

Luciana disse…
Somnia, lá em Natal, no bairro onde eu morava, a gente podia colocar papel higiênico no vaso, mas nem toda cidade já tinha passado por saneamento básico, em outros pontos da cidade tínhamos que jogar mesmo no cesto, pois papel higiênico no vaso poderia vir a ser um grande problema. Alguns brasileiros aqui pensam que o problema é o tamanho dos canos, mas claro que o problema são as fossas, a falta de saneamento em vários pontos do Brasil.
Eu acho péssimo isso de cestinho cheio de papel higiênico podre.
O pior no Brasil é que pessoas que moram em bairros onde não tem saneamento vão à casa de quem tem e não encontra o cesto e puf, papel no chäo, kkk
Minha mäe não coloca cesto no banheiro, o que eu acho errado, afinal muitas vezes se usam algodão, absorventes...

Em muitas partes do Brasil também não tem problema de jogar papel no vaso.

Beijo
Jux disse…
Entao Somnisssima!
Quando viajei para o Canada em 2006 (divisor de aguas em tantos sentidos: minha primeira viagem de aviao, meu primeiro visto e carimbo no passaporte, minha primeira ida ao exterior e outras cousas marcantes), eu me deparei pela primeira vez com a cultura do "papel higienico no vaso". Desde entao adotei e aboli, ainda qdo morava no Brasil, o infame e nojento cestinho de lixo com "papel de bunda" como diz minha mae!
Aqui na Alemanha o habito eh o do papel no vaso tb, mas o banheiros geralmente tem um cestinho pequeno, para absorventes, cotonetes e afins...
Aqui em casa nem esse cestinho tem, pq faz mais de 1 ano que uso coletor menstrual, ou seja, praticamente nao produzo "lixo do banheiro" :D

E a Lu estah certissima: nao tem nada a ver o mito de jogar papel no vaso X dimensao da tubulacao de esgoto. Quando fiz o curso tecnico em Edificacoes aprendemos, dentre outros, a projetar instalacoes hidraulico-sanitarias e posso garantir: se os tubos sao grandes o bastante pra deixar fluir os cocôs da vida, como eh q um papelzinho higienico carimbado vai dar problema?

O que pode dar entupimento eh jogar cabelo nas tubulacoes, pq eles se enroscam e prendem tudo mesmo, feito rede de pesca :D

acho que eh isso!

beijukkka e cheiru nas criancas fofas :D
Josy disse…
haha,

Nas 2 vezes que estivesse na Suécia tive que ser bem cuidadosa quanto a isso,morreria de vergonha caso esquecesse e colocasse o papel no cesto, e o meu namorado sempre perguntava rindo: "Onde você jogou o papel?".
Mas em algumas casas não tinha o cestinho no banheiro,então me perguntei o que as mulheres arrumam quando estão naqueles dias...

Abraços
Lúcia Soares disse…
Sônia, detesto lixeirinha de banheiro! Prefiro usar as abertas, para que se veja o que está ali: cotonetes, algodões, absorventes (bem enroladinhos...), fio dental, etc.
Para mim, papel é no vaso sanitário, há anos!
Somnia Carvalho disse…
Lu, tambem acho peeeesssimo papel podre do lado do vaso! não tem banheiro que fique decente com eles! rs... o problema é mesmo ter que se adequar! mesmo se não uso, as visitas usam! ainda que o vaso em casa seja adequado para se jogar dentro dele...

snif
Somnia Carvalho disse…
Jux,

informacao e a base de qualquer atitude melhor! e acho que no fundo, fora a gente ter tantas privadas antigas horrorosas seja por falta de interesse ou falta de dinheiro para troca-las, nos somos pouco informados sobre como descartar o papel..

o lixo todo na verdade! voce deve ter percebido isso no canada e na alemanha tambem! por exemplo, ate hoje o brasil nao tem sistema de tratamento de esgoto! nossa merda toda e jogada nos rios e mares ate hoje! nao e innnncrivelmente horrivel isso?

legal esse curso,a doraria ter mais conhecimento nessas coisas tambem!
Somnia Carvalho disse…
Josy e verdade! quando a gente ta fora os visitantes ficam meio na situacao inversa: e tanto costume que quando ve ja jogou do lado do vaso, achando que tem cesto!

mas tambem acho que precisa ter cesto para outros lixos! e necessario e ecologico tambem!
Somnia Carvalho disse…
Lucinha verdade? pra ser sincera gente no brasil jogando no vaso sanitario era so coisa de gente assimmmm como dizer diferente...

ou com casa super bem equipada etc...

na casa de meus parentes, amigos o normal e mesmo jogar no cesto... antiquado ne?
Beth/Lilás disse…
Bão, eu sempre jogo no vaso aqui de casa, mas tenho lixeirinha nos banheiros porque não jogamos cotonetes, algodão ou outra coisa que possa entupir o encanamento, isso não!
Mas, agora, com tantos bueiros explodindo no Hell de Janeiro, a gente fica até com aquele medão né!
haha
Concordo plenamente contigo, muito mais higiênico inclusive, jogar no vaso do que acumular em cestinhos, cruuuuzes!
beijos cariocas
Camila Hareide disse…
Sonildes, essa do papel higiênico é faltade informação mesmo, e em muitos lugares tem sempre a desculpa de que entope os canos. Se tudo fosse modernizado, isso seria totalmente desnecessário. Acho podre, uó, o fim da picada lixeira de banheiro pra jogar papel usado, credo, eca. E pra limpar aquele troço depois? Mas a maior ambiguidade é que se joga de um tudo na privada, menos o papel usado! Nas férias no Brasa vi uma matéria do SPTV, onde o moço da estação de tratamento da Sabesp mostrou de embalagens de Yakult a bolos de cabelo, engrenhando tudo no maquinário que filtra os detritos sólidos. Um horror. Nos navios, as descargas são por um sistema de vácuo, e são sensíveis demais, e por carregar tripulação de vááááários lugares do mundo (alguns de vilas sem privada, pense nisso!), pra educar a tripulação a não jogar cascas de fruta e preservativos (!) na privada, tinha uma frasezinha, Only 3 Ps down the toilet: pee, poo and paper.

Mas que se "deseducar" é difícil, ah, isso é!

bj e parabéns pro Ângelo!
Xu disse…
sua bruxa! me empolguei na leitura do brabuléts e ignorei meu spaghetti cozinhando... resultado, passou do ponto...rsrsrsrs
então, na casa dos pais do Gus, em São José, a regra sempre foi jogar papel no vaso... igual a Lucinha.
aqui em Tokyo a regra é a mesma, mas não sei dizer quanto resto do Japão.
agora, vc conversou com nossa amiga Ju pra falar sobre o tratamento de água e esgoto da Suécia?!?! tá por dentro hein muié!(rsrsrsrs)

bjs
Larissa Bergamini disse…
O problema é que aqui no Brasil nem toda a tubulação vai pra rede de esgoto!!! Ainda existe muita rede ligada nos rios e mesmo sendo biodegradável o papel, vai zilhões de hormônios, vermes, doenças e etc pras águas!!! Se vc tem certeza que sua ligação está ligada corretamente pq não aderir mais se vc mora de aluguel em uma casa que vc não faz idéia pra onde vai o encanamento eu não acho uma idéia muito válida!!!!

Postagens mais visitadas deste blog

"Ja, må hon leva!" Sim! Ela pode viver!

(Versão popular do parabéns a você sueco em festinha infantil tipicamente sueca) Molerada! Vocês quase não comentam, mas quando o fazem é para deixar recados chiquérrimos e inteligentes como esses aí do último post! Demais! Adorei as reflexões, saber como cada uma vive diferente suas diferentes fases! Responderei com o devido cuidado mais tarde... Tô podre e preciso ir para a cama porque Marinacota tomou vacina ontem e não dormiu nada a noite. Por ora queria deixar essa canção pela qual sou louca, uma versão do "Vie gratuliere", o parabéns a você sueco. Essa versão é bem mais popular (eu adorava cantá-la em nossas comemorações lá!) e a recebi pelo facebook de minha querida e adorável amiga Jéssica quem vive lá em Malmoeee city, minha antiga morada. Como boa canção popular sueca, esta também tem bebida no meio, porque se tem duas coisas as quais os suecos amam mais que bebida são: 1. fazer versão de música e 2. fazer versão de música colocando uma letra sobre bebida nel

Mãe qué é mãe mesmo...

(Picasso, Mãe e criança, 1921) Mãe qué é mãe mesmo... Já deu uma de cientista e foi até o quarto do bebê só para checar se ele respirava. Já despencou de sono em cima dele, feito uma galinha morta, enquanto amamentava. Já caminhou pela casa na ponta dos pés, como uma bailarina, só para não acordar o pimpolho. Mãe qué é mãe mesmo... Já perdeu a conta das mamadas e esqueceu qual o peito deveria dar. Já deu oi pro lindo rapaz que dormia ao seu lado e dormiu antes de continuar a conversa. Já adquiriu habilidades múltiplas como comer com uma mão só e fazer xixi com o bebê no colo. Mãe qué é mãe mesmo... Ama e odeia, ama e odeia. Às vezes chora e muitas vezes sorri. É ao mesmo tempo carrasca e heroína. Mãe... é uma garota crescida com uma boneca de verdade nos braços. Precisa de atenção e carinho tanto quanto seu brinquedo.

O que você vê nesta obra? "Língua com padrão suntuoso", de Adriana Varejão

("Língua com padrão suntuoso", Adriana Varejão, óleo sobre tela e alumínio, 200 x 170 x 57cm) Antes de começar este post só quero lhe pedir que não faça as buscas nos links apresentados, sobre a artista e sua obra, antes de concluir esta leitura e observar atentamente a obra. Combinado? ... Consegui, hoje, uma manhã cultural só para mim e fui visitar a 30a. Bienal de Arte de São Paulo , que estará aberta ao público até 09 de dezembro e tem entrada gratuita. Já preparei um post para falar sobre minhas impressões sobre a Bienal que, aos meus olhos, é "Poesia do cotidiano" e o publicarei na próxima semana. De quebra, passei pelo MAM (Museu de Arte Moderna), o qual fica ao lado do prédio da Bienal e da OCA (projetados por Oscar Niemeyer), passeio que apenas pela arquitetura já vale demais a pena - e tive mais uma daquelas experiências dificilmente explicáveis. Há algum tempo eu esperava para ver uma obra de Adriana Varejão ao vivo e nem imaginava que