07 maio 2010

Do Brasil e de Cabo Verde: duas almas perdidas e achadas na Suécia

("Artista inspirada", Marc Chagall)

Há vários meses eu conheci bem por acaso uma cabo verdiana chamada Edith, moradora aqui de Malmö também. No encontro casual no meio do circular trocamos umas palavras e email, mas nunca mais nos falamos.

Lembro-me que logo de cara eu adorei ouvir aquele sotaque tão franco de um português de Portugal, o qual me fez tomá-la primeiramente por uma portuguesa. Só depois entendi que a terra da Edith era a mesma de Cesárea Évora, quem aprendi a ouvir na voz de uma amiga do Porto. A terra da Edith tivera os mesmos colonizadores que a minha. Nossa língua a mesma, nossa história tão semelhante. Ambas apaixonadas pelas artes plásticas (ela é artista plástica profissa e professora na rede privada de Malmö), as duas provindas de países quentes, onde a semelhança está no sangue africano que corre nas veias, no ritmo das músicas, no jeito caloroso de ser.

Hoje, voltando com Ângelo num ônibus do centro topei com Edith novamente. Seu sorriso logo se abriu e já sentamos ali juntas para conversar, como só "bons amigos" da mesma terra fazem. Obviamente o mesmo nunca aconteceria se ela fosse mais sueca, terra onde tomou como lar há muitos anos, do que cabo verdiana, sua terra natal.


("No mar", Encontro perefeito entre a voz da cabo verdeana Cesárea Évora e da brasileira Marisa Monte)

Na conversa rapidíssima Edith me fala do quanto gosta do meu blog. Blog? Pergunto eu. Você lê meu blog? Sim. Edith disse ler o blog todos os dias e ainda lamentar (obviamente no belo sotaque portuga) com o marido "ah, a Borboleta não escreveu hoje!".

Como eu disse foi um encontro muito rápido, de minutos. Foi suficiente para eu receber uma injeçãozona de ânimo e alegria, quando a Edith comentou alguns últimos posts e o quanto ela havia gostado deles, como aquele sobre as afinidades eletivas, ou da TV nos locais de saúde e que "us quadrus ixchtão muitu bonss!"

Melhor ainda mais quando vem num dia feio, com Primavera de vetania forte e 7 graus no termômetro. Eu não tinha tido nenhuma vontade de postar esses dias, mesmo tendo feito rascunhos...

Dias ruins e dias bons todo mundo tem... o que nem todo mundo tem é a chance de ter esses encontros casuais energéticamente miraculosos. E eu agradeço por eles... Ouvindo a Edith eu sempre me lembro o quanto de gente anônima interessante tem aí atrás dessa tela, trocando figurinha comigo, apesar de estar quietinho e quietinha, apenas assinalado pela bandeirinha do meu contador...

(A Bandeira do Brasil e a de Cabo Verde, símbolos de uma Pátria encarnada em nós)

"Obrigada pelo blog!" gritou a Edith hoje de dentro do ônibus enquanto eu saía pela porta toda atrapalhada com o Ângelo, sem conseguir responder.

"De nada, Edith!"... Na verdade os três anos em que tenho vivido na Suécia escrever neste blog tem sido um privilégio porque posso falar dessa experiência que grudou em mim... essa Suécia que me mudou para sempre ao mesmo tempo que continuo tão brasileira.

É um prazer ter gente como você e esses outros que por aqui passam... E olha que já me dá até saudade dessa vidinha internacional da Suécia e de tanta história pra contar...

Bum dia pra toduxu vucêis!

8 comentários:

Françoise disse...

Oi minha querida,
Estás triste mulher???? Parece que pela primeira vez senti o seu coração querendo falar algo a mais ....Sei lá, deixa pra lá.... Só o que sei é que a-mo ler "você" , sentimento bom que me invadiu e me viciou...kkkkk..

Bjocas ,

Vou ver se vou à Malmo na quinta da semana que vem , preciso comprar uns moletonzinhos pra Laurinha ir à escola, não tenho achado nada aqui. Maridex me ensinou ir ao Mobilia. Vamos tomar um café????

Françoise disse...

Dúvida: Sabe onde posso encontrar gelatina nessa terra, mas não em folhas , aquela de sabor...???????rsrsrsrsrsr......

bjos

Tati Pastorello disse...

Sabe que às vezes me pego pensando no mesmo. Quem serão essas pessoas que nos leem sem deixar comentário? O que pensam? Como são?
Imagino que estando tão longe a coisa torne-se ainda mais forte. Também adoro o que leio por aqui. E nem sempre tenho ideias do que comentar, mas saiba que estou sempre por aqui. E adoro suas pinturas. Tenho curtido muito esta sua fase plena e criadora!
Beijos.

Jux disse...

Somnia!!!
e por essas e outras que comentário é sempre legal (ok, troll não costuma ser legal).

Meu sótão virtual ainda tem um, dois, quem sabe três leitoras e leitores... e também repito suas perguntas... quem são, de onde vem, o que buscam (bão, se bem que nesse quesito, o guarda das estatísticas mostra cada cousa hihihih)

Adoro sua casinha virtual, tão luminosa, tão cheia de vida, mesmo nos tempos nas longas noites de inverno das terras do norte, é como aquela janelinha iluminada que podemos ver nas noites de nevasca... e isso é lindo!

E no verão... ah! É a varanda para as tarde de sol e céu azul!!!

Indiquei o texto sobre amizade para um amigo maravilhoso e ele amou!!!

Beijukka e lindo fim de semana!!!

Celia disse...

Que coisa boa vc ter encontrado essa pessoa de Cabo Verde e ter gostado tanto. Nós, que moramos longe da familia, ficamos sempre felizes qdo encontramos pessoas assim; que nos sao queridas, que nos dizem coisas positivas, que nos fazem sentir bem.
Boa sorte com sua nova amiga.
Boa semana. Bj

Glorinha L de Lion disse...

Somnia, que delícia esse encontro! Eu me pego escrevendo no blog pensando que só minha dúzia de amigos me leem, quando na verdade zilhões leem a gente...é uma puta responsa! Já pensou nisso? te confesso que já pensei e nem ligo...(deve me achar maluca! e sou mesmo...) continuo escrevendo primeiro pra mim...depois pra minha dúzia de amigos...às vezes, muito raro...escrevendo pensando nos zilhões...muito raro mesmo...mas legal essa estoria que contou...beijos.

Beth/Lilás disse...

Soníssima,
Enquanto centenas só olham e ficam quietinhos, euzinha aqui, sem vergonha, sem medo, sem lenço nem documento, acompanho e escrevo em todos os posts, pois sei que o gostoso de blogar é esta comunhão de fatores, ou seja, um escreve e o outro comenta.
Se bem que comentar em blogs como o seu, sempre escrito com carinho e emoção é fácil, difícil é naquele que não tem conteúdo, que não te dá incentivo para o comentário.
E você, parece uma parabólica aí nesta Suécia, atrai boas pessoas e sempre conversa, interage.
um beijo super carioca

Anônimo disse...

Sonia vc continua ajudando, agora desde a perspectiva do regressado...eu vejo através das sua palavras meus sentimentos futuros...saudade misturada com alegria e dor... dizem que aquele que foi nunca volta, volta outro mais rico, mais humano, cidadao do mundo.
Agora começo a viver a dor da partida e a legria do futuro reencontro...quero curtir cada pedacin... MARINÊZ