12 agosto 2009

"Na Suécia também não tem" frentista de posto

("Eu sou terrível! Você vai ver!", Super Renato operando uma das máquinas do deserto sueco, região de Ystad, agosto de 2009)


Era uma tarde de sol e céu azul e íamos pela costa sul da Suécia em direção àquele monumento de pedras,  numa pequena cidadezinha depois de Ystad. Tudo ia bem, obrigada, até que Super Renato percebeu que estava sem gasosa. Hummmmm... posto? 

- Procure no GPS* pra mim Sônia, disse ele.

Fuço daqui, de lá, várias indicações e nada... Ai ai ai o que faremos sem combustível aqui no meio dessas fazendas, no meio do nada? 

- Pronto! Achei um posto há 3 km daqui..., disse eu.

- Mas estamos no meio do nada! arguiu Renato que sempre contesta primeiro o que eu falo.

- Vai! Vai! Vai! arguí novamente, já que sempre recontesto o que ele fala do que eu falo.

Passa fazendinha, passa boi, passa boiada... Não vai ter posto nenhum aqui, pensávamos, e esse mulherzinha da máquina deu bola fora...

- Aquiiiii!!!! gritei. Mas tá ... fe...chado???

- Claro que não Sônia! arguiu Renato que blá blá blá, e saiu para abastecer seu carro.

(Renato abastecendo o carro (tia Dri e Ângelo dentro, eu na câmera) no postinho no meio do nada, onde só havia mesmo alguns bois, vacas e ovelhinhas..., região de Ystad, agosto de 2009)

É assim que funciona. No meio do nada havia um postinho. Um postinho fechado. Sem empregados e sem frentista. É assim que sempre é na Suécia e, claro, eu havia me esquecido. O mesmo vale para as cidades. Há o posto, normalmente conjugado com uma loja de conveniência, mas a única mocinha ou mocinho da loja está lá só e somente só para vender os produtos da lujinha. Ninguém vai te ajudar a mecher na bomba, nem vai cobrar o pagamento.


("Sem café. Sem banheiro. Sem lava-rápido. Sem comida. Sem ser mais barato." Campanha de incentivo da Statoil para que os suecos não usem as estações de abastecimento antigas sem infra-estrutura, mas sim as novas que tem tudo, menos? frentista de posto)


Como funciona?

É simples, veja só!

Primeiro você insere seu cartão de crédito na máquina, no caso da que usamos naquele dia, uma que fica solitária no meio do nada, sem seres humanos por perto. Você escolhe a quantia que pretende abastecer e é feito a cobrança no ato. Depois disso você arranca a bomba da outra máquina cheia de combustível e fica na pose de Super Herói Sabe Tudo que nem o moçoilo da foto. Enche o tanque do carro ou não e vai-se embora. 

(A cara das estações equipadas as quais  usamos semanalmente e que tem tudo, menos? vocês já sabem...)



Hãn? Se você nunca fez isso antes e não souber manejar o apareio? Sem problemas! Aconteceu com a gente logo que nos mudamos para cá. Você fica esperando alguém aparecer no pedaço. Talvez outra pessoa que venha abastecer também, como um senhorzinho, por exemplo. Você pergunta a ele em inglês, daí tenta falar alguma palavra em sueco. Pergunta blá blá e ele te olha com cara de que está vendo um ET que nunca fez isso antes. Então ele fala buzumzumbuzumzá. Você não entende nada, mas ele apontou pra máquina e fez gesto de que é só "manejar a coisa você mesmo.

E tá feito.

Na Suécia você aprende rapidinho a ter essa e outras mil e uma utilidades, porque algumas profissões simplesmente não existem, nunca existiram ou desapareceram com o advento das máquinas. E viva a modernidade!? É. Talvez, quem sabe?

...

* GPS (Global Positioning System): é aquele aparelhinnn que se usa no carro para se localizar em qualquer canto e que tem uma mulherzinha, chatinha coitada, inserida dentro dele que nos ajuda (e acha que somos surdos) a achar as coordenadas até nosso destino. De vez em quando ela dá umas bolas foras, mas no geral colabora muito para baixar o nível de stress nos carros das famílias que se perdem pelo mundo afora. Eu recomendo. Na situação narrada acima, por exemplo, ela trabalhou bem que foi uma beleza.

19 comentários:

Camila Hareide disse...

Na Noruega também não! E nem cobrador de ônibus! ;p Assim a gente passa mais vexame ainda, sem ter um tiozinho ali só pra aquilo!

E ainda assim a taxa de desemprego é inferior a 4%! Com pouca gente fica fácil, né?

beijo

Luciana Håland disse...

Aqui também não, como disse Camila, mas sabe que acho bem razoável não ter, imagino os coitados no inverno, não dá.
Em Natal já tinha uns ônibus sem cobrador também.
Beijo

Beth/Lilás disse...

Bem, a tendência é que este comportamento cresça e se expanda pelo planeta, mas países como o nosso, cheio de mão de obra barata e sem nível educacional, ainda é um celeiro de empregos para essa gente.

Mas, dona Brabuleta, "nóis até sabe o que é um GPS e já tem até nas vendinha daqui, o pobrema é que se o tar apareinho mostrar uma forma de cortar caminho, a gente pode se ferrar, ou mió, dar dentro de uma favela, oppps, favela não, comunidade (não se pode mais chamar de favela) e aí acontece o que se sucedeu com uns pobres gringos aqui no Hell de Janeiro.
Tú soube dessa? Foram metraiados, coitados!"

Beijos cariocas

Celebrity disse...

How much is gas there?

Irene disse...

Nas maiores cidades brasileiras encontramos alguns serviços que não há funcionários para te atender mas,são raríssimos.Acho até cômico para não dizer triste quando entro num elevador e lá está um ser humano a sua disposição para apertar um simples botãozinho!!!Me diga que experiência ele está adquirindo com este trabalho?Qual sua aprendizagem?

Se eu ainda estivese dando aulas certamente usaria este seu texto informativo na minha sala de aula e levantaria um bom debate entre os alunos sobre o valor e a valorização do trabalho. Lembrei muito de um filme de charles chaplin onde ele só apertava parafusos.

BEIJOS!!! No pequeno torcedor palmeirense!!!
Vavá Irene!!

Irene disse...

oi Sonia eu estou na casa da tia Irene e eu li seu texto gostei muito!!!
Beijos Isabela

Lúcia Soares disse...

Ai...eu e máquinas não nos damos muito bem...Pra sair assim, aventurando pelo mundo, é melhor que eu me faça acompanhar, porque sozinha me estreparia...Ainda mais sem saber a língua do lugar, por exemplo. Gosto muito de tecnologia, n~çao...Não pra tudo, claro. Há coisas que são imprescindíveis. Tô me enrolando, só pra dizer que há coisas boas nesse "primeiro mundo" mas ainda assim gosto mesmo é desse Brasil, mal amado, cujos governantes não estão nem aí pra nada. Tanta gente precisando de escola, profissionalização, esperança, pra não conseguir apenas apertar botões de elevador, como disse a Irene (sogrita?) Bj

Eveline disse...

Oi amiga, tudo?
Sabe que aqui esses serviços como frentista ainda é muito utilizado, mas serviço bancário eles estão partindo pra modernização. Sinceramente deve ser mais fácil abastecer o carro que muitas vezes fazer algumas operações bancárias só com auxilio do F1. E olha que não sou das piores no teclado, mas mesmo assim as vezes não consigo concluir o serviço sozinha.
Ou seja empregos sem grandes conhecimentos ainda existem, enquanto os que requerem um pouco mais qualificação estão cotados a peso de ouro, hehehe. Coisas de Brasil!!!!
Beijos
Eveline

novavidanovelhomundo disse...

Primeiro de tudo: e se a pessoa atràs do volante no confia no tal GSP? Poisé, da ùltima vez que usamos um meu namorado nao sabia como se chegava no tal lugar, mas tinha certeza que o GPS estava de birra, nos levando pro lugar errado! O resultado é que no levou até a porta do lugar, mas enfim...
Sabe que eu gosto dessa coisa de faça voce mesmo? Claro que é conforto zero, mas a gente se sente mesmo super-heroi! O ùltimo post que escrevì fala mesmo dessas "pequenas conquistas", e a minha ùltima foi cortar a grama com a màquina, ontem! Terminei suja, suando, com grama por tudo, mas feliz, e dando mais valor pro jardineiro da minha mae no Brasil!
E outra, quem tem boa vai a Roma, Estocolmo ou onde quiser ir, nunca um sueco me negou uma ajuda ou explicaçao!

Marilena disse...

Aqui no Canadá geralmente não tem.Por enquanto eu só vi no posto shell onde vc pode escolher se quer um frentista ou se faz vc mesmo. Mas nos outros postos é sempre self service. As crianças acham o máximo!!!

Somnia Carvalho disse...

Camila e Lu,

ainda tambem nao tem nao ne!
pois e... esses paises aqui sao bem parecidos mesmo!

acho que tem a ver com o inverno, tem a ver com ser carissimo pagar alguem pra ficar la parado esperando um louco aparecer...

verdade.. imagina no inverno entao!

Somnia Carvalho disse...

Lilas,

sim, acho que a tendencia e se espalhar o uso das maquinas, mas se permite arriscar dizer: pra chegar no niver que ta aqui vai levar umas muitas mas muitas decadas no Brasil, se chegar!

tem a ver com o tempo como as meninas falaram, mas tem mesmo a ver com o quanto e caro manter a mao de obra no pais. E no Brasil fica quase sem sentido investir na maquina que custaria muuuito mais se tem o servico barato da pessoa.

pois e pois e

Somnia Carvalho disse...

Celebrity,

Gas here costs more or less 12 swedish kroner (1,70 in dollar or 2,79 in reais) one liter.

why?

Somnia Carvalho disse...

Irene,

Esse seu comentario foi lindo, obrigada! fiquei super feliz com ele e fiquei super maus de ver que eu nunca chegava a responder esse post porque tinham varios outros comentarios e fui viajar... bom...

que otimo que vc gostou do texto! fico feliz porque eu gostei dele tambem.

Sim, e verdade... embora eu saiba que os coitados que trabalham em profissoes que nao valorizem o que sao e poderiam ser sejam terriveis e embora eu saiba da necessidade de se empregar gente que nao tem emprego algum me incomoda ver que as maquinas criadas podem mesmo fazer o servico bem feito e que no Brasil ainda usamos gente pra fazer atividades totalmente sem sentido.

A do elevador no shopping la de sao paulo me deixa com siricutico... e fico pensando como aquela pobre pessoa pode se conformar com aquilo... mas e claro que eu nao to na pele dela, vai saber se e meio que a unica saida? e dificil, mas e dificil tambem ver que as pessoas sao menos que maquinas...

Somnia Carvalho disse...

Isabela!!!!

entao agora eu tenho uma leitora tao jovenzinha de 9 anos e ja tao participativa! que otimo que vc gostou! leia mais e comente mais!

Somnia Carvalho disse...

Super Lucia,

sim e muito dificil no começo!
a gente pasta muito! me sentia a mais burralda do planeta! e tem coisa que ainda apanho!

mas no fundo e super pratico! em muitos casos irrita porque voce quer ajuda e nao tem e tem que aprender sozinho... irrita no comeco sim...

tambem gosto de calorzinho humano, mas como eu disse acima tombem: nao suporto ver no que transformam a pessoa so porque o servico dela e mais barato...

Somnia Carvalho disse...

haha Eveline!

demorei pra entender o que vc queria dizer co F1... haha

eu odeio banco... o-dei-o!

e aqui nao tem fila! ai que maravilha! nao tem porque todo mundo faz sozinho mesmo...

eu acho que da trabalho que so! mas com o tempo noooossa! e tao bom nunca pegar fila na vida! hehe

Somnia Carvalho disse...

Mariel

e dificil imaginar esse seu rostino e corpinho empurrando uma maquinona de cortar grama! suannndo! haha... eh vida dificer a dos escandinavos nao!

eu tambem sou assim que nem voce: eu reclamo que da trabalho mas adoro me sentir assim forte, independente! falei disso num outro post tambem...

eu acho que gente como vc e um exemplo de que a gente pode e na verdade a gente se acostuma a ter gente pra fazer cada coisa pra nos que so quando nao temos mais e somos obrigadas a nos virar sozinhas e que ate da meio vergonha pedir ajuda...

eu to penando com a sujeira do meu quintal e jardim, com as aranhas e nao quero chamar ninguem pra limpar... ja limpamos 3 vezes sozinhos, o mato cresce que e uma coisa e me sinto suuuper mal de pagar alguem pra fazer.. nao pelo dinheiro em si mas do tipo: e se e uma merda o servico como posso achar que o outro pode ter que fazer pra mim se a casa e minha?????

loucura nao????

Somnia Carvalho disse...

Marilena

acho otimo quando vc traz a realidade dai do Canada! eu sempre falo da suecia ou da europa como sendo toom diferentes e dai da pra ter uma ideia que no fundo paises de primeiro mundo se parecem muito!

otimo! brigadao!