21 dezembro 2009

Enquanto isso em Malmoeee....

(Sacada de casa depois da primeira nevasca desse inverno, Malmoe, dezembro de 2009)

Chegamos bem em Sampa e logo no caminho do aeroporto, atraves da feia e pobre marginal Tiete, pensei por que era mesmo que eu ainda pensava que valia a pena voltar a morar por aqui e porque tanta gente pode dizer amar este louco lugar.

E ai o dia seguiu assim: almocamos com a familia, passeamos a pe pelo bairro gostoso onde moravamos, cabeleireiro, conversa com amiga, pastel e caldo de cana. Poucas horas depois eu mesma me lembrava qual era a resposta para a minha pergunta da manha...

Estou emprestando o micro na casa da cunhada agora bem rapidinho para mandar um abraco apertado para voces e para postar essa foto do quintal de minha casa, em Malmo, que minha amiga Xu tirou para mim ontem...

Estamos curtindo demais o calorzao daqui. Estou delirando com o sol azul e poder estar de vestido e descalca o tempo todo, mas eu a-do-ra-ria poder estar pisando nesta neve que esta na minha sacada...

Quem e que disse mesmo que nao da para ter tudo de bom ao mesmo tempo agora (isso e uma pergunta, nao consigo usar acentos e simbolos nesse micro!)

16 dezembro 2009

Tudo, tudo de bom para você que esteve aqui este ano!!!


Ao som da voz de uma norueguesa, cuja música deliciosa conheci através do blog da Camilinha estou aqui tentando terminar de enfiar as últimas peças nas malas. Único detalhe é que enquanto ponho uma, Ângelo tira outra, mas assim vamos... Ainda me falta muita coisa, sem contar na zona que se transformou a casa nesses dias.

Sem pensar muito nesse lado prático chato eu estou mesmo é super ansiosa para chegar. Quero ver a família logo ali no aeroporto e abraçar todo mundo, embora eu ache que minha mãezinha não conseguirá aparecer por lá e o abraço tem que ser adiado mais uns dias.

Ontem começou a nevar forte e agora a neve e é levada pelo forte vento lá fora. Incrível como sempre é maravilhoso ver a neve caindo... Ano passado nevou muito no dia que fomos e hoje dizem que começará uma grande nevasca por aqui.

Em momentos assim a vida toda parece perfeita! E provavelmente ela seja mesmo! A gente pensa em quem ama, pensa em encontrá-los e fica feliz por saber que ainda estão todos lá e bem, mesmo os avózinhos e avózinhas que estão mais velhos.

Essa é sempre a parte mais difícil de se viver longe... você não sabe, não tem garantia de que quando voltará de novo todos estarão por lá e tudo estará como antes... Algumas coisas boas não mudam, como o jeito cheio de amor como minha mãe me olha e me abraça, ou mesmo as coisas ruins, como o cheiro da marginal que me conduz do aeroporto até em casa.



O sentimento que antes era muito ambíguo agora já não é mais. Sinto que aqui é minha casa, mas aí também é. Pelo menos por enquanto tenho dois lugares que amo e nos quais me sinto no "lar doce lar".

Este blog não ficará abandonado. Não tenho internet em meu apê em Sampa, mas posso usar na casa dos parentes de vez em quando para dar alguma notícia e falar de feelings dessa experiência do reencontro. Posso visitar vocês talvez rapidinho. Penso só que essa coisa de blog parece meio ingrata. Uns dois dias sem postar significa metade do pessoal passando por aqui e não importa se temos 500 posts escritos. A verdade é que o blog é pro já e posts antigos quase não aparecem. Talvez eu possa postar de novo alguns bem antigos que eu tenha gostado muito.

Por hora, peço desculpas para meus leitores queridos que enviaram suas fotos. Ainda ontem perdi o sono pensando: "não terminei!" "não escrevi o post!", mas cansei de prometer para amanhã e não fazer. Farei, mas não vou fazer promessa para mim mesma e para me sentir tão culpada depois.




O post está maior que o esperado e vou encerrar desejando que vocês tenham encontros e reencontros muito bons e emocionantes esse fim de ano. É bom aproveitar os momentos convencionais para dar aquele abraço em quem a gente ama, mas não se sente a vontade para demonstrações de carinho... Escrever um cartão e confessar amores e culpas, escolher um presente que simbolize mais o amor do que o que você pode comprar, repensar os porquês de sua felicidade não poder ter sido completa o ano que passou e pensar se há algo que está mais em seu poder do que no do outro... E mudar...

A mudança nos faz melhor, faz sentir que não empacamos numa verdade só e que somos os únicos certos, os únicos que sofrem, as únicas vítimas, os únicos ocupados, os únicos que amam... Sair de si e olhar o outro eu creio que seja uma das atitudes mais maduras que podemos exercer na vida.

Obrigado pelas visitas. Obrigado pelo apoio em cada momento aqui. Obrigado por me fazer até acreditar que o que escrevo serve mais do que para mim mesma e obrigado por eu aprender com vocês. Aprendi quando visitei seus posts, aprendi quando recebi comentários...

Obrigado e Bom Natal, Ótimo início de Ano Novo! E que em 2010 a gente se encontre muito mais!

Beijos meus, do Renato e do Ângelo.

...

ps: não tenho tempo de corrigir o post agora... perdoem possíveis erros e idéias truncadas...


15 dezembro 2009

Glögg, pepparkakor e Santa Luzia: os vários Natais suecos do mesmo dezembro

(Kenth, o Papai Noel metade sueco, metade brasileiro, assustador de criancinhas, nossa festa de Natal em casa, Malmö, dezembro de 2009)

Sexta-feira passada, enquanto o Renato celebrava com o pessoal do trabalho o fim do ano, eu recebi em casa dois casais de amigos. Um francês, Jocelyn, namorado da sueca Maria e os dois já conhecidos Gus e Xu. Além de nós, o cheio de cachos, Ângelo.

Me dei conta então que aquele era mais um dos muitos encontros que já tivemos esse mês de dezembro por conta do Natal. Não se trata apenas do nosso famoso amigo secreto. Aliás não é nem comum a brincadeira nessas reuniões.

Comum mesmo é tomar uma bebida típica deliciosa e quentinha, o glögg, que vende mais que água e que parece dar um certo trabalho para se preparar. Disse minha amiga Paulina, uma sueca que nos preparou outras dessas reuniões pré natalinas no domingo, acompanhada de um glögg que ela havia preparado ano passado com sua irmã. A receita que leva de batata e pimenta à canela, passas e vodka é o que não pode faltar em qualquer celebração que antecipe o Natal por aqui.

Normalmente, toma-se a bebida como aperitivo e só aí começa-se a comer toda a mesa de frios, peixes crus em conserva ou batatas, salsichas e almôndegas.

(Nina, a sueca derretida e de voz maravilhosa, cantando uma canção típica de Natal para a gente, nossa festa de Natal em casa, Malmö, dezembro de 2009)

Aliás, ingredientes parecidos como canela, cravo, pimenta é o que também vai numa bolachinha típica tradicional dessa época, a pepparkakor (receita aqui) que também acrescenta gengibre. É tradição que as famílias ensinem as crianças a fazerem suas peppakakor, assim como o pãozinho de Santa Lucia, as almôndegas e outras comidinhas do Natal. Leia um pouco mais com a Denise, que também viveu por aqui e presenciou as mesmas festanças e comilanças e também nesse site bem bacana.

(Ângelo em meio a molecadinha da escolinha. Com frio nas mãos não há brasileirinho que cante a música da Santa Luzia direito!, Malmö, dezembro de 2009)

O clima dessas celebrações é simplesmente delicioso. E há as cantorias, como a da Santa Luzia (que em sueco escreve-se Lucia, e lê-se Lucíía), nas quais a criançada se veste de Luzia, anjos, Papai Noel ou de Pepparkakor, que tem inspiração em histórias infantis.

Na escolinha do Ângelo os pais foram convidados, há duas semanas, a uma tarde com comilança e preparação de cartões de Natal. Eu, Ângelo e todos seus amigos e pais deles usamos purpurina, canetinhas, adesivos de Natal e preparamos os cartões que agora estão na nossa árvore de Natal em casa.

Sexta passada foi o dia da cantoria de Natal e o brasileirinho Ângelo que "se apresentou" em cima do sofá para mim, me pedindo para dizer "Bravo!", sucumbiu ao frio e ficou de muito mau humor no páteo da escola. Não era para menos! Três graus e na correria as "tias" suequíssimas não conseguiram pôr as luvas da molecada a tempo.


(Eu, Ângelo, Nikol e Iven concentrados no Tönten e sua thurma, Eslöv,, dezembro de 2009)

O Natal é por aqui, como em muitos outros países da Europa, a celebração da família. E mesmo a família do menino Jesus, sua mãe Maria e seu pai José foram tema de uma festa com almoço que nós três fomos com nossos amigos alemães (Nikol, de barriga de 5 meses, Nik e Iven) num restaurante, com cara de casa de fazenda, que celebra o Natal de forma típica há 39 anos. Se quiser conferir, tem um vídeo do Renato nesse link.

(A Luzia da festa do Restaurante e seus ajudantes, Malmö, dezembro de 2009)

Com uns cantores velhinhos linnndos, tocando sanfona e flauta, a gente dançou, cantou, bateu palmas, comeu e se sentiu total num clima de Natal Escandinavo. Em meio às festas, presentes, danças e cantorias, a Mamãe Noel, mulher do Papai Noel (Tönten, que se diz "Tommtem", em sueco e cujo nome foi motivo de piada do Renato, claro! já que Tönten lembra...) disse o seguinte:

- Estava todo mundo esperando a chegada do Tönten, mas não é sobre o Tönten que o Natal trata. É sobre Jesus, um menino que nasceu...

(Os dois velhinhos suecos simpáticos que me pediram para escolher uma música e não pararam de falar do Brasil comigo depois, Eslöv, dezembro de 2009)


A Suécia não é um pais religioso. A maior parte de sua população ou é atéia ou se afirma protestante. As igrejas ainda mantém a mesma decoração da época católica, antes da Reforma, mas o suecos adoram manter as celebrações típicas que relembram alguma história do Cristianismo. Todos eles adoram dizer que os suecos típicos vão três vezes à Igreja: quando são batizados, quando se casam e quando morrem, já que quase 90% dos velórios são feitos nas Igrejas.

É verdade que pouca gente é frequentadora de missas e celebrações, mas nessa época, como no Brasil, é comum alguns irem buscar algumas energias e alegrias para o ano que virá. O que me pareceu é que se eles não ligam muito para seguir as normas religiosas eles adoram aproveitar as festas todas e os feriados que a Igreja um dia instituiu.

(Papai Noel sueco é prático, jovem e sem frufru: o Tönten de óculos que cantava e fazia teatro do restaurante, Eslöv, dezembro de 2009)

(Presentes típico para as crianças: o calendário de dezembro em que cada portinha do dia abre um chocolatinho, Eslöv, dezembro de 2009)

Eu agora entendi porque minha amiga Lilás disse num comentário que ainda nem começou a pensar no Natal. Eu celebrarei o Natal no Brasil com minha família e a família do Re no nosso apê no Brasil. Estar com eles é o mais importante pra gente. E me lembro que celebrar na Igreja, quando eu era carola moderninha, era algo sempre renovador também, incluindo o tempo todo do Advento que eu adorava.

Advento significa para os cristãos o tempo de preparação espiritual para o Natal e aqui significa mais ou menos o mesmo, mas com uma prática um tanto diferente. A alegria da Noite do Natal se espalha pelo dezembro inteiro, inclusive porque oficialmente o Natal na Escandinávia começou sábado, dia 13 de dezembro e vai até a Noite do dia 25.

A dica de Madame Sônia é que você tente começar a comemoração do Natal antes. Pegue as receitinhas dadas neste post, convide uns amigos chegados, cante, dance e beba à moda sueca. O Natal fica muito mais divertido que sendo em um dia só e todo o trabalho de correr para lojas em busca de presentes, enfeitar casa e se preparar para a festa acaba rendendo mais alegria do que o que normante rende! Embora, claro, possa render umas gramas a mais também!


(E come e come e come... mesa do restaurante e só o início da festa, Eslöv, dezembro de 2009)


14 dezembro 2009

"Sigam-me os bons!"


Faltam exatos 7 minutos para meia noite e apenas mais um dia para que eu embarque junto com os meus dois para o Brasil.

Então eu deveria ter ido dormir, mas como, depois de vir morar aqui, eu já acho que Natal sem neve não tem graça nenhuma, assim como blog sem comentário e sem resposta aos leitores também não, então aqui vai alguns recados rápidos, já que eu preciso mesmo ir tentar dormir para o dia longo que virá:

1. Respondi os comentários supimpas que vocês fizeram nos últimos posts...

Eu ainda não consegui responder os comentários recentes do post "Nove porteiras" que está no concurso, embora eu tenha ficado super mega feliz com o que vcs escreveram.

Ainda falta responder uns posts que eu gostei muito de fazer e que estão aí abaixo, e cujos comentários foram muuuito lindos e bons. Não consegui, mas ainda tentarei.

2. Passaremos quase um mês e meio na terrinha e vê se vocês pedem para pararem a chuva aí. Tomei chuva aqui os dois meses que passaram inteiros e não aguento mais cinza e chuva. Eu tô precisada de sol, céu azul e calor! Please!!! rs...

3. Obrigada, do fundo do coração mesmo, a todo mundo que votou no meu post lá no blog da Lola. Obrigada por quem também está incentivando o concurso de alguma forma.

A votação e o concurso se encerram no fim do mês, então, se você não passou por lá ainda há tempo. Eu já conferi que há textos muito bons por lá e já fiz "amizade" com uma molerada danada autora dos textos... apesar de eu também não ter dado conta de ler tudo ainda. Apreciem! Sem contar o que vocês ganham conhecendo o pessoal também é um jeito de fazer-se presente na blogosfera.

Bom! Não esqueçam do concurso! Eu vou partir, mas não partam meu coração! ó que brega!!!!

4. Ah! Por último ainda farei outro post de despedida para o Natal, mas infelizmente não está dando tempo de visitar o canto de vocês! Por outro lado, consegui resolver quase tudo por aqui, fechando o ciclo de 2009... É a primeira vez que estou realmente organizada e com as malas quase prontas! eu não procrastinei! oba!

5. Agora um beijo de boa noite! Puss-puss! (acabo de ouvir o Ângelo chorar na cama, sonhando, e chamando por mim no sonho... Engraçado a gente ser a figura central da vida de alguém tão pequenininho.... Fui!)



09 dezembro 2009

Update: sobre os outros blogs e o 2010 da Borboleta

(Eu, na casa da amiga Flávia, num dos trabalhos que "estava fazendo", no gerúndio infinito deste ano, mas que não terminei por conta da falta de tempo... muitos projetos para 2010...)

Pessoal,

Divulguei há pouco tempo o endereço de dois outros blogs meus, mas senti a necessidade de mudar endereço, cara e tudo o mais, depois do workshop que dei e depois de mais uma pessoa me pedir umas pinturas para comprar.

A idéia desse fim de ano, depois de encerrar o curso do SFI (suecos para estrangeiros) que eu estava fazendo e me virar com a língua é de me dedicar ano que vem a aperfeiçoar meu inglês, que eu vi que dá para o gasto, mas que precisa de uns toques para dar os workshop que pretendo. Ensinar é fichinha para mim, mas em português. Em inglês eu ainda patino e, embora eu saiba que domino o assunto, as palavras que digo precisam confirmar isso.

Aprender sueco foi fantástico! Sinto que o aprendizado da língua local me faz entender melhor o que vivo, as pessoas que conheço e é essencial em alguns casos, como ontem quando tive uma reunião na escolinha do Ângelo com a professora e entendi uns 98% do que ela falou, além de poder perguntar, questionar etc. Nas escolinhas (ao menos na que vou) elas fazem questão de não falar inglês com a gente, embora elas saibam. A verdade é que muitas entendem o inglês, mas não se sentem fluentes, daí que você pergunta e elas respondem em sueco. Tive a impressão que elas meio que forçam para que eu fale a língua que meu filho fala na escola... esse foi meu julgamento. Por essas razões todas, vou continuar o sueco num nível avançado, mas apenas durante duas horas por semana e não mais 4 horas todos os dias como fiz este ano.

Além disso, vou abrir aquela empresa no meu nome o que torna a coisa um pouco mais séria e viável. Quero continuar o curso de cerâmica que adorei e que me ajuda a pensar a arte em outras esferas e pintar... pintar e, aí, tentar vender. Não há como vender telas se não me dedico horas pintando.

Então, meu novo blog, onde pretendo incluir apenas os trabalhos e deixar para contato é:

painting and decoration

Exclui dois outros e mantive aquele de fotos, atualizei a apresentação e as imagens. Nele, pretendo manter as paisagens mais marcantes de cada canto que passamos. Não está em ordem cronólogica. Vou inserindo conforme me lembro da foto, inclusive porque temos um arquivo de umas 8 mil fotos aqui.

Se quiserem viajar com a gente visitem:



Sejam sempre bem vindos em qualquer um desses meus cantos.
Ah! inseri os links no alto do canto direito do blog para ajudar na localização, quando tiverem a fim de conferir o que rola por lá.

08 dezembro 2009

A Maternidade no terceiro concurso de blogueiras da Lola: leia e vote!

Do concurso:

Lembram daquele terceiro concurso de blogueiras da Lola do qual falei há um tempo atrás e incentivei vocês a participarem?

Acaba de sair uma lista fresquinha com 25 posts de diferentes blogs que minha amiga* Lolíssima selecionou entre outros mais. Todos eles tem a Maternidade como tema e os assuntos variam muito. Nem todos foram escritos por mulheres mães e os textos são suaves e bem humorados, julgo eu a ler apenas os títulos.

A idéia da autora do blog é incentivar que mais pessoas conheçam o conteúdo de blogs legais escritos por mulheres e provar que, apesar da fama que só os blogs masculinos têm, os femininos não deixam a desejar.

Ao meu ver o concurso também tem o super mérito de dar uma injeção de ânimo na gente, já que ao divulgar o post mais pessoas acabam lendo nosso texto e acabam trocando idéia sobre o que escrevemos. O concurso também ajuda a divulgar os blogs incritos e cria um intercâmbio de idéias muito frutífero. Fato é que com os últimos concursos (o primeiro foi tema livre e o segundo sobre Feminismo) eu entrei em contato com outros blogs e mulheres e passei a fazer parte o conhecer melhor o universo delas e o meu.

Para ler os textos desse visite esse link aqui e vote no canto direito do blog da Lola.


Das participantes:

Entre as vinte e cinco blogueiras está minha amiga* Lu, com o polêmico texto "Filhos, tê-los ou não tê-los", o qual fui eu mesma quem indicou para o concurso. Infelizmente ficou em cima para eu indicar o textão da Lilás sobre sua in-experiência com a Maternidade que ela descreveu no "Uma foto, mil lembranças: a jovem Beth Q.".

Também entre os posts está aquele meu "Nove porteiras: o longo caminho até o paraíso das mães", que escrevi em setembro desse ano.

O que eu realmente peço a vocês é que não votem na Borboleta só porque são minhas amigas e visitadoras do meu humirrde blog ou por conta da cor dos meus lindos olhos. É claro que ganhar voto e ganhar concurso é bom demais, mas é legal saber que quem votou leu outros textos e que comparou para votar, não é?

Sendo assim, vale a pena tentar ler o maior número possível de posts e votar naquele que realmente nos marca mais, sendo ele ou não da Borboleta ou da Luluzinha.

Sintam-se livres para votar em qualquer uma, embora, claro, você deva saber que corre o risco de ser riscado do meu caderninho... para sempre... rs...


Dos ganhos e da divulgação:

Você também está convidada e convidado a divulgar o concurso se quiser. Pode inclusive colar o selinho que tá aí em cima que foi "moá", euzinha mesmo, quem fez. Não julguem a qualidade do meu texto por essa minha obra de arte aí... rs... Eu adorei fazer o selinho... fiz a pedido e incentivo da Lola num exercício de liberdade.

Minha idéia foi destacar a figura da mãe com sua criança, claro, como qualquer imagem sobre o assunto acabe pedindo, mas ao colocar o tema Maternidade escrito em muitas diferentes cores e tamanhos eu quis destacar a variedade e a complexidade de sentimentos e pensamentos que envolvem o tema.


Da "viagem na maionese" no selinho:

Se você fizer uma análise um pouco mais complexa desse selinho vai ver que a mamãezinha não está com aquele ar sublime retratado nas pinturas renascentistas. Nem tampouco está apenas feliz da vida, com cara de que é a mulher mais sortuda do mundo. Ela tem (assim desejava a super artista que a compôs) um ar meio de interrogação. Não dá para ter muuuita certeza do que ela sente.

- "O que eu faço com essa criatura agora?", talvez tenha pensado ela.
- "Maternidade é ótimo, mas..."
- "Eu sempre sonhei em ser mãe, mas agora que sou como devo mesmo me sentir?
- "Eu não sou mesmo a pessoa mais sortuda do mundo? Sou não é?"

Não tenho intenção de que todo mundo "leia" o selinho assim, mas foi assim que imaginei quando fiz o deseinho.

Dessa vez vai todo mundo ler os textos e votar, inclusive aquele rapazinho chamado Renato, sabem? marido da Somnia que não votou no primeiro concurso? Então... até ele! Só falta vocês!

"Enjoyem"! Esse é mais novo verbo do dicionário somnístico.

...

* Hoje eu estava falando com minha colega Belinda, uma africana super simpática e inteligente, que me contou ter um blog, mas que fica desanimada com o pequeno número de comentários. Aí eu emendei e disse em sueco, toda metida:

- Eu tenho uma amiga que tem uns 1.000 visitantes por dia e deve ter uma porcentagem de 5 a 6% de comentadores..., comentei pensando no blog da Lola.

Daí eu pensei comigo: deixa a Lola saber disso! De que eu sou a maior amiga que ela tem na Suécia! rs... A verdade é que essa intimidade, esse carinho que a gente cria por pessoas que nunca vemos vem da forma como nos identificamos não só com seu jeito de pensar, mas de escrever. A escrita tem um poder que só... Então eu me sinto amiga dela e de você e daquele e daquela outra também que sempre me escreve... entende?

06 dezembro 2009

Na Suécia também não tem... branco no Reveillon


Se você é brasileiro ou brasileira conhece, com certeza, a tradição da roupa branca na virada de todo ano novo no nosso país. Diz a lenda que o uso da roupa branca atrai boas energias. A claridade e a luz provindas do branco sempre remetem à paz, harmonia, pureza etc e, apesar de ser um costume tomado por brasileiros de todas as religiões, a raíz dele está na cultura e na religião dos negros africanos que também colonizaram o Brasil. 

Eu, obviamente como boa brasileira, sempre soube que se não fosse de branco eu deveria ao menos escolher uma cor super alto astral ou de sorte, como o amarelo. Ou pôr umas calcinhas novas, também de cores "boas" para garantir um sucessinho. Eu normalmente passo reveillon em alguma praia então eu só tenho na memória gente vestida de branco, amarelo e, no máximo, um azulzinho. Ninguém quer atrair maus fluídos e entrar com o pé esquerdo no primeiro dia do Ano Novo. Ou quer?

Bom, se você estiver cansado dessa tradição e opressão do branco sobre você eu tenho uma sugestão escandinava para lhe dar: faça como os suecos, passe o reveillon de preto.

Simmmm! De preto. Você ouviu direitinho. Não é uma tradição tão forte quanto o branco no Brasil, mas preto é a cor mais usada na virada do ano dos suecos o que me faz crer que ou os caras estão sempre entrando o ano que se inicia com o pézão esquerdo inteiro na jaca ou os mau agouros não pegam em suecos. Ou, provavelmente o negócio do branco não passa mesmo de superstição boba. Vai ver, ainda, só vale em solo brasileiro. 

Não posso afirmar nada disso com certeza, mas posso afirmar que as lojas aqui estão, como todo dezembro, abarrotadas de vestido de festa e roupitias pretas. Muitos véus nas saias, muito tule preto, muito tudo preto! O preto é a cor do inverno. É também a cor da elegância. Imagino eu.

Eu não sou adenda das supertições, mas eu ainda preciso me suecar mais para conseguir vestir preto no reveillon no Brasil. Por outro lado, eu entendo uma coisa: até dá para passar o reveillon aqui, por exemplo, onde em minha cidade o dia começa lá pelas 9:30 da manhã, sem sol, sem céu azul, só cinza e está completamente noite as 15:30 da tarde. Dá para compreender que ninguém va sair de brancoradianteazulanil na rua! Deve cegar quem passa! 

A explicação que eu tirei do âmago do meu ser brasileira-filósofa-artista-meio pancada da cabeça seria:


(Coleção Black Dolce & Gabbana, 2009)

Os suecos, ou talvez os escandinavos e europeus (me conte quem sabe mais) praticamente só usam tons escuros no inverno, com predominância total do preto. Inclusive é muito fácil quase atropelar alguém porque na escuridão há sempre uma multidão a pé ou de bike, num casaco preto. Há alguns que optam por cinza, às vezes marron e bege, mas são minoria. Para dias mais festivos pode haver um roxo, lilás escuro, mas a criatividade não vai muito longe. Preto é o que todo mundo usa por cima e por baixo. Tem a ver com praticidade, já me disseram. Tem a ver com o preto cansar menos que outra cor de roupa, já que usamos casacos de inverno por uns 6 meses e tem a ver com o astral. E tem a ver, como afirmou uma amiga brasileira que vive aqui há cinco anos e desde então adota o preto no inverno, com não aparecer a sugeira.

Preto é a cor do inverno ao passo que branco é a cor do verão. E reveillon na Suécia, é bom lembrar, além de frio também está entre os dias mais escuros do ano. Então o preto não é sair muito da rotina. Apenas se escolhe um modelito mais arrumadinho. Eu acho. As outras cores todas são para a Primavera e também para os dias quentes. 

Sendo assim, algumas das dicas de Madame Somnia para você que está precisando de mais dinheiro, que quer encontrar o seu grande amor ou que quer ser mais bem sucedido no trabalho em 2010 são os seguintes: 

- se precisa encontrar um novo amor: viage para a Suécia no Natal e use branco no reveillon. Com certeza todo mundo vai notar que você não é daqui, que é de país tropical e vai te arrumar logo uma sueca ou um sueco solteiro. Se você é homem use um modelito com ares de capoeira, as suecas ficam caidinhas por esse look descontraído dos morenos brasileiros. Se você é do sexo feminino, use vestido coladinho com salto. Aquele tipo que a gente nem usa muito mais por aí, com elanca (sabe o que é?) porque os homens daqui estão acostumados a ver as suecas só em vestidos balonetes que não marcam o corpo. 

- se precisa de mais dinheiro: fique no Brasil mesmo e vá para uma praia conhecida e cheia de turistas. Vista branco e fique disfarçado no meio de todos. Não desgrude os olhos do chão. Poderá acontecer de que algum estrangeiro que tenha ido sem carteira com medo de ser assaltado e que tenha colocado o dinheiro preso na calcinha ou na cueca preta, perca a grana na praia. Ele ou ela será o azarado, mas você pode começar o ano com o pé direito se o tamanho do azar dele for muito grande.

- se deseja que as coisas mudem no emprego: faça um curso de sueco pela internet, leia o blog da Borboleta Somnia com frequência e tente fazer uma piadinha "an passan" no meio de uma reunião onde seu chefe, por exemplo, esteja discutindo como atingir as metas da empresa para 2010: "Podemos todos usar preto no reveillon como os suecos fazem: assim damos aquela valorizada no PIB, ganhamos consumidores e pegamos todas as loiras do pedaço! ".  E aí faça aquela cara de ó! que engraçado e contagie os colegas. Se não for despedido, sendo obrigado mesmo a arranjar outro emprego e finalmente mudar de vida, você pode até conseguir um bônus maior de Natal, caso conte com um chefe "non sense" que adore piadinhas sem graça ou que ache que tudo que venha dos estrangeiro é bom.

Reveillon de Branco é para quem pode e de preto para quem precisa esperar 6 meses para o início do verão e da temporada do branco. 
 
E você? Vai passar o seu Ano Novo em que cor? Hemmmm?

04 dezembro 2009

Uma foto, mil lembranças: Natal no Haiti e em Penedo, mais dois relatos cheios de emoção

(Camila Castro em seu inesquecível Natal no Haiti, Caribe, 2005)

Bom dia!

Aqui o dia é sem exceção cinza e não tem nada de bonito nele. O que haverá de colorido amanhã será nossa festa de Natal, aqui em casa, com parte dos queridos amigos que fizemos aqui.

Celebraremos com comida, bebida, cantoria, conversa em vários idiomas. O Natal antecipado tem cara de amizade e companheirismo para mim nesse dia.

E é exatamente sobre o Natal e o que o envolve que duas outras queridas blogueiras escreveram sobre "Uma foto, mil lembranças".


(Milla Viegas no Natal fora de hora mais marcante de sua vida, Penedo, Rio de Janeiro, 2007)

A Milla Viegas, no post "Nossa viagem a Penedo", fala de um Natal fora de hora que realizou o sonho de seu pequeno filho e fez ela e marido guardarem a experiência para sempre. Em Penedo, no Rio, Milla conta das lembranças que sua foto lhe traz e deixa a gente cheio de querer estar em família.

Já a Camilinha, minha amiga que mora nas Noruegas e já teve experiências milhares em viagens a bordo de grandes navios pelo mundo, fala de seus Natal no Caribe, longe da família e seu relato a partir da foto tirada no Haiti, junto à crianças muito pobres, dá um arrepio na espinha de ler. É um relato amoroso e verdadeiro.

As duas coincidentemente trouxeram o Natal como tema e eu convido vocês a irem lá nos blogs delas conferir o texto completo. São lindos!

E quem ainda quiser escrever seja bem vindo!
Se quiser e não tiver blog manda para meu email: borboletapequeninanasuecia@blogspot.com

03 dezembro 2009

Uma foto, mil lembranças: A jovem Beth Q.

(Beth Lilás, em foto tirada no Rio, as 32 anos de idade)

O texto que segue é da querida amiga Beth Lilás, a qual muitos de vocês conhecem não só pelos carinhosos comentários aqui, mas pelo blog dela, Suprema Mãe Gaia. Ela, como a Fer, também comprou minha idéia do "Uma foto, mil lembranças" e escreveu esse texto sincero e emocionante e me mandou hoje de presente. Apreciem e dêem pitaco...


"Estão vendo esta moça de lábios carnudos aí em cima, sou eu, aos 32 anos, num dos intervalos de amamentação, logo após o nascimento de meu filho Daniel Ely em janeiro de 1985.

Pois é, tive filho aos 32 anos de idade, dois anos após ter me casado, pois queria curtir um intervalo de tempo com meu marido, interagir, conhecer melhor, saber como é que é quando a gente junta as escovas de dentes para sempre até que a morte nos separe.

Naqueles tempos, eu ainda trabalhava fora e fui assim até meu bebê completar 8 meses e meio na barriga, só parando quando ele nasceu para entregar-me de corpo e alma neste projeto lindo e sublime de ser mãe.

E sabem, eu não fui criada nem direcionada para o casamento e nem para ser mãe, mas sim para estudar e trabalhar fora, ser uma mulher independente , coisa que minha mãe não teve oportunidade nem tempo, logo vieram os filhos e o trabalho de casa que absorveu-a durante toda a vida.

Mas, voltando à foto, a esta imagem de moça que vocês estão vendo e que eu não via, não achava nada legal, estava à beira de uma depressão, mesmo ouvindo do marido e dos amigos que não aparentava ter aquela idade e que eu estava ótima, não adiantava, nada disso me convencia, porque lá dentro da minha cabecinha eu me achava velha, principalmente por ter tido um filho naquela idade toda – 32 anos – imaginem só! Talvez um ranço que ficara na minha memória daqueles tempos em que mulher que não se casava até os 20 e poucos virava titia e parir então com mais de 30 era impossível, perigoso, podendo gerar filhos com problemas mentais.

No dia em que meu marido fez esta foto eu estava meio sonolenta, nem queria ser fotografada, lembro-me bem, porque o Daniel não dormia a noite toda, sempre chorando de fome e eu não fazia outra coisa na vida a não ser pensar em alimentá-lo e fazê-lo ficar satisfeito, consequentemente engordá-lo que era o meu maior sonho, já que tinha uma vizinha no apartamento ao lado que havia tido neném quase na mesma data que eu e o dela, só engordava e dormia como um porquinho feliz e rosado.

Então, eu vivia chorando junto com meu filho e naqueles idos não tinha esse monte de dicas dadas pela TV ou por revistas, como é o caso da tal Encantadora de Bêbes que tem pela televisão e por livro, facilitando a vida das jovens mamães hoje em dia.

Para completar esse estado de ansiedade e canseira, meu marido havia recebido um convite super interessante e vantajoso para trabalhar em outra cidade e a gente tinha comprado um apartamento novinho e mobiliado com carinho, tudo bonitinho, escolhido a dedo e teria que deixar tudo isso. Mas, tínhamos que seguir o que o futuro prometia e que, na verdade, era promissor. Afinal, era a idade das realizações e não se deve desperdiçar esse tempo.

Só que ele foi antes e ficou uns três meses indo e vindo nos finais de semana, até achar um outro imóvel para levar a nós dois, sua pequena grande família. Nesse ínterim, ficava com o filhote durante a semana e não dormia direito, sempre nas tentativas de todas as maneiras de amamentá-lo com saciedade, mas não sei se por causa desta minha ansiedade toda, da mudança em nossas vidas, dos palpites que ouvia de um lado e de outro da família me atazanando, tanto para enfiar logo uma mamadeira bem cheia no biquinho dele ou então que eu não desanimasse e continuasse com o peito, pois era a melhor forma de se alimentar um bebê. Era pitaco demais na minha vida!

Enfim, o que me resgatou disso tudo e, parece incrível, resultando na solução imediata para este e outros probleminhas, foi a nossa ida para a tal nova cidade, longe de tudo e de todos, onde fomos então uma família, - papai, mamãe e filhinho – ficando assim mais unidos, desfrutando do prazer de morar numa cidade pequena e em crescimento, tranqüila, onde fizemos novos e bons amigos que até hoje nos relacionamos. Desse modo, pudemos fazer do nosso casamento um relacionamento sólido e amoroso, tudo o que uma mulher sonha, mesmo involuntariamente.

Hoje, olhando esta foto que achei no baú de fotografias em Petrópolis, vejo que eu era tão jovenzinha, que tinha ainda tanta vida e era saudável e que não fosse minha burrice e medo de engravidar novamente, poderia ter tido mais um ou dois filhos até, já que meu casamento só foi progredindo, tanto financeiramente quanto em amor. Eu não sabia que teria ao meu lado alguém tão querido, tão precioso, tão cuidador, amigo e amante nestes 26 anos de casados.

Escrevo para incentivar a você que me lê e ainda não se decidiu a ter um filho, talvez por se achar velha quanto eu me achava, nada disso! Muitas mulheres atualmente têm seus filhos a partir de mais de 30 anos, algumas até com 40 e poucos, priorizando o trabalho e suas realizações profissionais e, claro, tudo isso foi a partir de um processo de desenvolvimento técnico da Medicina, com bons exames e análises que propiciam mais segurança para as mulheres realizarem este maravilhoso sonho. Procure seu médico e exponha suas ansiedades e sonhos neste sentido.

Boba eu, né! E diz aí, eu tinha a boca mais bonita do que a Angelina Jolie, não acham?

por
Beth Q. – bebedora de mate gelado com limão e colaboradora deste site"

02 dezembro 2009

"Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso..."

(Quando eu assobio eu também chupo cana. Festinha da Gigi e encontro com amigos no fim de semana retrasado, só para não perder o costume... Malmö, novembro de 2009)

No meio da minha pouco pacata vidinha na Suécia eu ando ultimamente apenas com uma música na cabeca:

"Alguma coisa acontece no meu coração...
Que só quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João..."

Eu fico cantarolando Caetano o tempo todo porque falta bem pouco para eu ticar quase tudo que me restava fazer e começar a fazer as malas. Daqui duas semanas estarei pousando na cidade mais controversa por onde morei até hoje.

E isso tem me deixado super ansiosa. Desejo de ver todo mundo de novo... apertar forte cada um dos meus e rir com quem gosto depois... Sentir o calor na pele e pregar o olho no céu azul celeste.

Ticados:

Já passei na prova nacional do inglês. Dei o workshop que foi bem, obrigada!
Antes de ontem fiz a prova nacional do sueco e vou saber o resultado amanhã. Devo ter passado, então não tô nervosa.
Hoje encerrei o curso de cerâmica.

Para ticar:

Amanhã vou fazer um de decoração de Natal.
Aí só falta visitar mais umas escolinhas para ver para onde Ângelo vai ano que vem. E acertar umas encomendas artísticas aqui.
Escrever os últimos trabalhos do curso. Ir às aulas até a véspera de ir para o Brasil.
Responder os comentários dos últimos posts aí atrás e escrever uns 13 posts que não desgrudam da minha cabeça.
Terminar preparativos para festa do Natal que terá sábado aqui.
Comprar presentinhos.
Fazer as malitas.
E... oj!

Bom... aí será a Ipiranga, a São João, a Paulista e tantas outras avenidas da minha avessa São Paulo que vão tocar o meu coração.

E pode ir preparando a feijoada aí Brasil que logo a Somnia tá chegando!

30 novembro 2009

Na Suécia também não tem... abraços e beijinhos para qualquer um


Muito curioso que semana passada fiquei pensando em escrever um post curto sobre uma cena rápida que presenciei no workshop que dei lá na Sony Ericsson para as dezessete pessoas suecas que lá estavam.

Um dos rapazes havia saído no meio do trabalho e voltou tempos depois porque havia ido ao dentista. Essa saída e como isso ocorreria no Brasil é tema para outro post, mas o moço simpático e sorridente chegou depois e comentou com seus amigos que estava meio que chocado.

O que vocês achariam de receber um abraço, perguntou ele, nada mais nada menos do que da senhora sua dentista?

- O quê? Perguntaram vários e riram ao mesmo tempo.

- Hãnnn??? perguntei eu para mim mesma sozinha, porque inicialmente não entendi bulhufas da piadinha.

Meu! qual o problema!? Daí me lembrei rapidinho que uma outra amiga sueca tinha me dito que achara muito estranho quando nosso médico (eu e ela vamos ao mesmo - fantástico!- maroprata, tipo de quiroprata) Björn havia lhe dado um baita abraço no fim e que isso a constragia um pouco.

- Quê??? Te constrange?! Meu! Eu adoro! Hahá... E é verdade.

Esse médico e seu jeito incrível de ser e trabalhar também é tema para outro post, mas esse outro episódio me veio rapidamente à mente e aí entendi a piada do rapaz do worskhop.

Falei com ele que para mim simplesmente não fazia sentido a graça, já que seria natural ou ao menos não encararíamos como problemático que nossa dentista de anos, como é o caso dele, nos desse de repente um abraço de despedida.

Então isso tudo é curioso e mais ainda quando agora pouco li o post da minha amiga Ju. A Ju que já vive há mais tempo que eu na Suécia relatou um caso onde ela foi a abraçada por uma sueca e como isso lhe causou estranheza, já que a gente já sabe que em sueco não há abracinho, amassadinha quando a gente conhece pouco. De jeito nenhum! Beijinho? Por favor, tenha modos! Você pode até ser bem compreendido, mas pode fazer o outro virar uma fera com tanta intimidade sem porquê.

Quando você não é íntimo de um sueco ou sueca apenas lhe dê a mão e aperte firmemente. Sem triturar os dedos e sem mostrar falta de interesse. Simplesmente com confiança. E olhe nos olhos. Para eles é bem importante olhar nos olhos, inclusive quando se brinda alguma coisa... Isso aliás que também é tema para outro dos milhares de posts que eu sempre tenho em mente para escrever.

Ah! Só por curiosidade: no meu workshop fui abraçada por cinco pessoas das dezessete. Recebi abraço apertado da mocinha que chorou, de outros mocinhos e da gerente. Abraço e beijo. Então, vai lá entender a regra! Não precisa ser íntimo, mas vai ver a gente pode quebrar o gelo logo de cara ou vai ver há mais exceção na regra de comportamento sueco do que se conhece. Ou vai ver ainda nem todo sueco e sueca é igual um ao outro assim como nem todo brasileiro e brasileira também não o é!

E viva a diversidade! E as demonstrações de carinho!

Beijinho, abracinho e fungada no gangote da brasileira que precisa se controlar pra agir que nem sueca...

26 novembro 2009

"Always on my mind": sobre meu workshop e o que a arte pode fazer em nós

(Alguns objetos pessoais para criar uma atmosfera agradável e a programação da tarde escrito do jeito antigo, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Era cinco e trinta e quatro da tarde e a cidade já caía numa escuridão imensa. Da estrada eu via muitos pontos acesos nas casas e nas empresas ao redor e o farol do meu carro iluminava a estrada negra.

Ao som dos Pet Shop Boys cantando "Always on my mind" na rádio local, o dia todo e alguns momentos especiais iam passando pela minha cabeça tão rápido quanto a paisagem ao meu lado.

Em casa me aguardavam Ângelo e Renato e eu dirigia em direção a eles e atrás de mim ficara o grupo de 17 pessoas, todos suecos e suecas, que estavam no meu primeiro workshop de pintura na Suécia.


(Puxa sofá de outra sala, espalha livros, empresta tapetes e muda a cara séria da sala de reuniões, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Enquanto meu carro avançava sobre a paisagem negra da Escandinávia pensei em minhas primeiras turmas de redação em 1998, no Brasil, e no frio na barriga que senti nas primeiras vezes.

Pensei também nas primeiras aulas de pintura que tive, há sete anos, com minha agora amiga Eloísa. Nos cursos do MAM, em que a gente criava de tudo com as tintas e os papéis. Lembrei dos museus por onde andei pelo mundo e das telas maravilhosas que pude ver ao vivo. E também do quanto eu um dia iamginei ser a pintura apenas para alguns bem dotados.

Me vieram à mente ainda s aulas na universidade e de como eu me escondia entre as prateleiras da biblioteca de letras lendo Fernando Pessoa sentada no chão. Pensei nos dias solitários que passei com minha escrivaninha e Anita Malfatti, preenchendo páginas e páginas de um longo doutorado.

E, por último, me veio a expressão no rosto daquelas 17 pessoas, até então desconhecidas, com as quais tive contato ontem. Seus olhares e sua ansiedade para ouvir o que eu tinha a dizer. A forma como as suecas sairam literalmente correndo para pegar as telas maiores e iniciar sua pintura. O jeito dos moços sorridentes e brincalhões constatando que haviam se sentido muito bem durante todo o tempo e que os colegas todos deveriam ter uma tarde daquela.

E assim como num filme eu lembrei de todos me elogiando e me agradecendo no final e pensei como é normalmente fácil para a gente reconhecer que os outos são bons, mas por que será que é tão difícil aceitar que a gente mesmo possa ser essa pessoa admirável, digna de elogios?

Foi o que tentei falar ontem um pouco. Todo mundo é capaz de criar. O mais difícil não é o desenhar e o pintar em si, mas estar aberto para olhar para as coisas de um jeito novo.

O workshop foi um sucesso. Assim foi o que a amorosa gerente do grupo me disse inúmeras vezes. Falando em inglês, apesar de todos eles terem o sueco como primeiro língua, eu falei rapidamente sobre algumas teorias de desenho e pintura e como liberar a parte do cérebro que cuida da criativade de um jeito mais rápido e fácil.

Exercícios de desenho com fundo musical, conversa e partilha, pintura com ajuda individual. O grupo pôde criar o que queria e fui ajudando individualmente cada um.


(Os integrantes da equipe de Gunilla na primeira atividade de desenho, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Meu inglês tropeçou em alguns momentos, mas deu para o gasto, embora eu tenha sentido que preciso ler mais, praticar mais para ter um vocabulário mais rico. Apesar de que isso não parece ter sido um problema. Animados, alguns disseram querer começar a pintar mais em casa. Outro simpático rapaz saiu decidido a fazer um curso de pintura no período da noite, depois do trabalho e voltar ao seu antigo hobby que era pintura. Outros propuseram que eu desse o workshop para mais grupos e que façamos exposições nos prédios da Sony Ericsson em Lund com todas as pinturas feitas durante os encontros. Uma das moças, linda e tímida, chorou e me abraçou, como normalmente os suecos não o fazem quando não conhecem alguém. Confessou que teve duas perdas há alguns meses e está passando um período difícil. A pintura tinha a ajudado a liberar seus sentimentos e projetar um mundo mais branco no futuro. Entre tumultos negros e sangue uma figura ia em direção a luz...



(A empolgação masculina não perdeu em nada para a feminina, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Outros faziam piadas com sua tentativa de pintar e não se sair tão bem. Eu ia aqui e ali. "Sônia, please, can you help me here..." E tudo foi tão bom.

No volante e na escuridão eu me senti extremamente aliviada, feliz, orgulhosa de mim mesma e até um pouco poderosa. No bom sentido. Poderosa no sentido de que a gente as vezes percorre um caminho e percorre e percorre e de repente vê resultados. Senti uma coisa gostosa como a que sentia quando estava na frente de 120 alunos nos pré-vestibulares do Brasil. É algo realmente bom saber que sei algo que o outro quer aprender. Saber que posso partilhar o que aprendi nos livros, na vida durante esses anos.

Aprender é fantástico, mas ensinar, para mim, é fantástico e meio. Ter a sensação de que posso acrescentar alguma coisa na vida do outro e talvez mudá-la um pouquinho é bom demais. E tenho até um problema obsessivo de quando estou aprendendo algo novo eu já penso em como posso ensinar aquilo.

A sala de reuniões da grande empresa sueca ontem parecia um ateliê de pintura no Brasil. Mudei tudo, tirei móveis, coloquei outros, levei livros, flores, música, pinturas e telas. E minha amiga Xu que, por acaso trabalha numa outra área, estava lá para me dar uma super ajuda. Na Suécia não tem a moça que faz o café, nem o moço que carrega os móveis, nem a que faz a limpeza depois. Fiz, fizemos tudo sozinhos. Desde a tranformação, que uma outra loirinha disse que nunca mais se esquecerá, quando estiver em uma reunião na mesma sala, até a limpeza total. No fim, ficaram alguns para me ajudar e inclusive levar todo meu material até o carro.
Isso é bem legal nos suecos. Ninguém acha que a parte dele, mesmo que ele seja um super gerente, não inclua pôr a mão na massa.


(Charlotte em seu momento criativo, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

E é assim. Como tudo na vida o workshop passou. E espero, creio que outros virão. Tenho planos e é isso que me leva sempre adiante. Muitos. E ontem, cantarolando no carro eu pensei neste post e em dizer uma coisa para vocês hoje: que o sentimento que eles todos tiveram ontem não foi proporcionado por mim, sem falsa modéstia. O que eles sentiram tem a ver com a transformação maravilhosa que a arte pode fazer conosco.

Criar é algo que simplesmente nos modifica por inteiro.

Ontem me lembrei de coisas remotas que já fiz como curso de pintura em guardanapo, quando era bem adolescente. Do curso de pintura art noveau em espelhos com uns 18. De quando cantei em corais na mesma época e como decorava os salões das comunidades onde organizávamos encontros. Lembrei-me com saudade do curso de dança flamenca em Campinas, quando eu tinha uns 25, dos de pintura e o atual de cerâmica.

Em todas essas experiências eu me senti como que flutuando para um outro mundo. A arte, qualquer que seja, pode tirar-nos desse mundo e transportar-nos para um mundo melhor. Um mundo de sensações e possibilidades. E a única coisa que precisamos fazer é experimentar. Tentar.


(E a bagunça estava formada, Workshop de pintura da Somnia, Lund, novembro de 2009)

Você pode tentar qualquer coisa. Não precisa ser pintura. Nem desenho. Pode ser qualquer outra atividade criativa. Você pode cantar num coral, pode fazer oficinas de escrita, pode fazer decoupagem e transformar seu móvel velho. Pode se inscrever num curso de bijouterias perto da sua casa. No Brasil há simplesmente um leque enorme de cursos, alguns grátis inclusive, para se fazer e aprender. Juro para vocês! Não consigo imaginar minha vida sem essas sensações. Não consigo imaginar minha vida sem literatura, sem música, sem filosofia, sem arte, sem pintura. Não mais. Antes disso tudo eu sempre vivi bem sim, mas esse portal mágico só se abriu depois de eu ter me aberto para isso tudo.

E se você resolver provar tenho certeza que não vai querer mais voltar atrás... como eu e talvez como alguns suecos e suecas simpáticas que tive o prazer de conhecer ontem.

...

ps: eu consegui decorar quase o nome de todos eles, mas como não pedi autorização para escrever o post, apenas para as fotos, eu não estou citando os nomes de cada um.

Uma foto, mil lembranças: Uruguai na memória

(Fernanda em sua viagem inesquecível ao Uruguai)

A Fer, socióloga, pesquisadora e feminista engajada, do Athena do meu destino, escreveu um gostoso post com inspiração na idéia do "Uma foto, mil lembranças" que criei esses dias.

Em suas lembranças de pesquisadora ela tomou o Paraguai e como se sente todas as vezes que se lembra da viagem que fez ao país vizinho do Brasil e do qual sabemos muito pouco...

Vale a pena ler mais lá com ela, clicando aqui!

Obrigada Fernanda por tomar a idéia e fazê-la mais bonita!

E se você criou o seu texto ou criar me mande o link para eu divulgar aqui, combinado?

24 novembro 2009

Você vai se vacinar? sobre a atual pergunta mais dita e mais ouvida na Suécia


Desde que o tempo mais frio chegou, em agosto, os casos de pessoas com "svininfluensa", a gripe suína, tem aumentado na Suécia bem como nos países vizinhos.

As autoridades médicas imaginam que os meses críticos, entretanto, ainda estão por vir. São os meses mais frios nos quais as pessoas ficam mais tempo dentro dos lugares sem ventilação e quando os vírus se espalham mais facilmente.

Foram 15 casos confirmados de mortes no país até agora e o governo sueco tem vacina para toda a população. A idéia era ter uma vacinação em massa diminuindo as chances de propagação do vírus, mas alguma coisa mais ou menos inesperada acontece.

Metade da população residente na Suécia, incluindo os estrangeiros, está dividida quanto a se vacinar ou não. Os suecos tem uma cultura de não tomar remédios. Em gripes normais, com diarréia, vômitos etc é normal que os médicos recomendem apenas repouso e água.

É bem possível que você se sinta totalmente frustrado tentando convencer seu médico de dar um remédiozinho para algum mal para o qual você já concluiu necessitar de medicação. Remédios só em casos muito especiais. O corpo precisa criar imunidade, é o que eles acreditam.

Os suecos quando doentes isolam-se em casa e isolam suas crianças. O importante é sempre não disseminar o vírus e assim a população foi criada. O que acontece agora é que essa população que aprendeu a ter "medo" de provar remédios e esperar que o corpo cumpra seu papel sozinho, bem como a natureza, está dividida.

Inclusive metade dos profissionais da área de saúde do país não querem ser vacinadas, apesar de serem obrigados a vacinar os pacientes. A falta de testes com a vacina é o que mais assusta quem não quer tomá-la, mas sobretudo a idéia de que a vacina pode criar um vírus ainda mais forte para o futuro. Assim, crê essa grande parte, é melhor a natureza dar conta de erradicar o vírus.

Mesmo entre meus amigos brasileiros e não brasileiros, ou entre os colegas do curso de sueco, ou entre os pais dos alunos da escolinha do Ângelo estão tomando decisões diferentes. A pergunta que todos se fazem e todos estão fazendo para mim é:

- Você vai se vacinar?

Minha resposta, ainda que titubeante é: sim, eu vou me vacinar. Renato já se vacinou e quando a vacina chegar para as crianças de dois anos, Ângelo também irá.

O fato é que nós pegamos gripes fortes aqui, a influenza comum (febre, vômito e diarréia), que no Brasil normalmente chamamos de viroses, todos os finais de ano. Nos últimos dias muitos amigos, filhos deles e até nós aqui temos tido gripes assim. Hoje estou em casa com Ângelo doentinho e rezando para não ficar doente também e conseguir ir dar meu workshop amanhã.

Outro ponto é não se apavorar com o que já é frequente e separar o que é uma gripe forte comum da gripe suína. O mais importante é analisar como a pessoa foi exposta e se há risco de contaminação com o vírus. Em caso de dúvidas é preciso ligar para o médico da família ou para o Vårdcentral (espécie de posto de saúde) a qual pertencemos.

Minha cultura brasileira não me deixa muito em dúvida. Prefiro tomar a dose que pode ajudar o corpo a se sentir mais forte diante da gripe suína do que não tomar, embora seja também verdade que muitas pessoas aqui, inclusive que eu conheço, tiveram gente na família com gripe suína comprovada por testes, e se curaram como qualquer outra gripe.

O Brasil, assim como em muitos países aqui, não tem dinheiro para comprar a vacina para toda a população. Estou num lugar onde estão me oferecendo isso, onde o governo pôde pagar pelas vacinação em massa e onde quem foi vacinado no máximo teve dores musculares e sintomas normais da gripe.

Se você reside na Suécia e tem registro no país receberá em casa um carta com local, data e horário de sua vacinação. Você poderá escolher qualquer dia daquela semana para se vacinar caso não possa ir no dia indicado. Não é preciso telefonar para avisar.

No início algumas pessoas reclamaram de filas, mas as pessoas que conheço não esperaram quase nada para serem vacinadas.

Um outro dado é que até agora a maior parte das vítimas fatais da gripe suína aqui estava no grupo de risco. Apenas duas pessoas não eram do grupo de risco e, segundo os médicos, foram fatalidades que também acontecem.

É esse o argumento de minha amiga Nikol, por exemplo, para não vacinar a si, o filho e o marido. Eles estão em dúvida, mas, o argumento dela é um conhecido: todos os anos morrem dezenas de pessoas de gripe, a diferença é que agora estamos contando mais os casos, por conta da gripe do porco. As pessoas que morreram continuam pertencendo aos grupos de risco de todos os anos... Então eles acreditam que o melhor seja não tomar um coquetel de gripes para se prevenir de outra.

Bom, como eu disse, as opiniões são muitas e são bastante divergentes.

E você? Mora na Suécia? Vai se vacinar? Se vacinaria se o seu país tivesse um programa de vacinação em massa? Por que?

...

Em alguns sites você pode se informar como anda os casos da gripe no mundo. O dilema dos suecos tem sido o mesmo da Austrália e outros países, por exemplo.

Austália: vaccineinfo.net

No Brasil, achei bom este site aqui:


Nesse site do governo sueco é possível achar inúmers e boas informações a respeito da epidemia e da possível pandemia de gripe suína. Há também informações sobre os casos na Suécia e como a gripe tem se manifestado nas escolas e empresas. Você pode copiar o texto e traduzir no google tradutor, se quiser: Svininfluensa.com

18 novembro 2009

Em noite escura e de lua cheia...

(Conde Rrrenat Carrneirr, Le Vampirry Brasilery na Festa do Haloween na casa da pobre donzela Mônica, Lomma, outubro de 2009)

Há muitos e muitos séculos atrás, quando a noite caía, o escuro tomava conta das cidades e a população malmoense se aconchegava no quentinho do seu lar, reza a lenda que, Rrrenat Carrneirr, Le Vampiry Brasilery que havia emigrado para as Escandinávias, deixava seu esconderijo e aterrorizava as mocinhas, as senhorinhas e todos os que pela frente dele passasse...





Em noites frias, com ventania, céu escuro e lua cheia, Rrrenat Carrneirr juntava sua tropa sedenta e invadiam casas e mais casas, trazendo apenas a desorrdi para os lares da pacata e fria Escurécia...




Juntamente de sua esposa, a ex do finado Adams Gomes, Sonícia Adams, Conde Rrenato tem elaborado mais e mais invasões às pobres famílias inocentes...




Dançando, pulando e comendo as malfadadas lagostinhas vermelhas eles passavam a noite celebrando a chegada do mestre Le Vampirrr. E não havia nada que os fizesse desistir. A noite ia cheia de absurdos vampirísticos, como na última em que Conde Rrenato Carrneiro invadiu a casa da ex-mortal Mônica, uma capixaba moradora da pacata cidade de Lomma.

Ao som de trilhas dracolinas como "Panela velha é que faz comida boa", a trupe celebrou seu Haloween e prometeu voltar à vizinhança no próximo ano...

Em dias de ventania assim, os escandinavos não tem medo que suas casas caíam, não tem medo que o frio os congele, nem o escuro os atormente... Eles temem apenas que ele, Conde Rrrenat, Le Vampiry Brasileiry, resolva aparecer e comer todas as lagostas que eles pescaram o verão todo, trazer sua trupe faminta e ainda palitar os dentes na mesa, na frente de todos sem modos nem compustura ...

Em noites assim, melhor manter as janelas bem trancadas...