Pular para o conteúdo principal

"Quando eu era criança pequena lá em Barbacena"...


(A suculenta e irresistível siriguela, pela qual cometi alguns pecadinhos)

"Quando eu era criança pequena lá em Barbacena"...

Eu subia no pé de manga, no fundo do quintal para brincar a tarde toda com minha irmã, a Sandra.
Eu trocava garrafas de guaraná por pirulitos coloridos, grandes e redondos.
Eu disputava quem chegaria primeiro até a perua do padeiro, eu ou minha vizinha, a Sandra Mara.
E pulava o muro da Eleonor para roubar siriguelas e da Dona Maria para comer fruta do conde.

"Quando eu era criança pequena lá em Barbacena"...
Eu brincava de pega-pega e queimada na rua com a mulecada,
E gritava pela minha mãe, quando rasgava o tampão do dedão do pé no asfalto.
Eu gostava de me arriscar e ia sozinha para a escola, 
E arrumava briga na saída com todo mundo que me chamasse de Olívia Palito.

"Quando eu era criança pequena lá em Barbacena"...
Eu nunca era escolhida como a moça bonita na brincadeira da "Laranja Baiana",
Eu nunca recebia beijo no "beijo, aperto de mão e abraço", só aperto de mão, mesmo quando acertava a pessoa,
Eu sempre perdia no "passa anel",
E ainda tinha que ouvir elogios dos meus namorados para a minha irmã.

"Quando eu era criança pequena lá em Barbacena"...
Eu gostava de varrer a casa para minha mãe,
E ficava toda orgulhosa quando diziam que eu e ela parecíamos irmãs.
Eu tomava banho no fim da tarde e saía de cabelo molhado até a frente de casa 
E esperava meu pai apontar na esquina, quando voltava do trabalho.


"Quando eu era criança pequena lá em Barbacena"...
Eu vivia doente e faltava bastante da escola,
mas só tirava A e B em todas as matérias, igual minha amiga muito estudiosa, a Zilda.
Eu fazia umas mulherzinhas em papéizinhos e sonhava em ser desenhista fashion e fazer croquis,
Mas também tava bom se fosse bailarina, pianista, cantora ou dançarina de jazz.

Quando eu era criança pequena lá na minha Barbacena, na pacata Sumaré,
eu era a mesma sangue quente e briguenta e a mesma incorrigível sonhadora 
que continuo sendo hoje.


(Desenho de Mariana Massarani)

Comentários

Anônimo disse…
Eu preferia os dias em que voces pulavam o muro de casa para me ajudar a lavar a louca e depois brincarmos...Bons tempos que nao voltam mais...

bjs saudosos

Sandra Mala
adorei a história ... quisera eu também ter sido criança pequena lá em Barbacena. ... bjZ . :o*

Postagens mais visitadas deste blog

Azulejos em carne viva? O que você vê na obra de Adriana Varejão?

( "Azulejaria verde em carne viva" , Adriana Varejão, 2000) Gente querida, Domingão a noite e tô no pique para começar a semana! Meu grande mural preto, pintado na parede do escritório e onde escrevo com giz as tarefas semanais, já está limpinho, com a maior parte "ticada" e apagada. Estou anotando aqui o que preciso e gostaria de fazer até o fim desta semana e, entre elas, está finalizar a nossa apreciação da obra de Adriana Varejão , iniciada há dias atrás. Como podem ver eu não consegui cumprir o prazo que me dei para divulgação do post final, mas abri mão de me culpar e vou aproveitar para pensar mais na obra com vocês. Aproveito para convidar quem mora em São Paulo a visitar a exposição da artista, em cartaz no   MAM , Museu de Arte Moderna, no Parque Ibirapuera, com entrada gratuita e aberta ao público até 16 de dezembro deste ano. ("Parede com incisões a La Fontana", Adriana Varejão, 2011) Para "apimentar" a dis...

Violeta Paz é que eu me chamo!

("Violeta Paz", detalhe da tela que fiz hoje, inspirada pela postagen lilás, Somnia Carvalho, abril 2010) Semana passada eu fui contagiada pelo vermelho de vocês e tentei, tentei ardentemente criar uma tela em vermelho... Eu queria mostrar como essa cadeia de influência, essa rede que se chama internet pode nos afetar negativa ou tão positivamente. Depois de ler a história do vermelho cabelo da avó da Glorinha eu queria pintá-la... queria pintar sua força e sua ingenuidade. Queria pintar sua feminilidade e queria pintar o amor de sua neta por ela. E como minha tentativa de expressar em cores o que sentia não funcionava fui tentando outras telas. Tentei em três telas diferentes algumas idéias... criar uma tela em vermelho (a partir de uma foto preto e branco) da minha sogra Irene no dia de seu casamento sendo pega pelo meu sogro Caetano, num ato espontâneo de amor... Depois tentei uma dançarina de tango e parei na metade... Depois minha linda amiga Liana ...

Na Suécia também não tem... bebê com brinco na orelha

("Não tem brincos: é menino ou menina?", criança sueca posa para grife Polarn O. Pyret ) Nove em cada dez vezes que alguém no Brasil tenta ser simpático com uma grávida ou alguém com um bebê de colo a pergunta é sobre o gênero da criança. Menino ou menina? Já repararam? Embora essa pareça ser a única pergunta possível para tanta gente, a verdade é que ela diz muito sobre nosso modo de ser e pensar e a importância que damos ao sexo e a escolha sexual de uma pessoa. Tomemos outra situação: quando alguém olha para um bebê menino nas ruas no Brasil você acredita que haja alguma expectativa quanto a algum sinal, uma marca, deixando claro e evidente se tratar de um menino? E quando encontra uma menina? Bom, fato é que nossa menina Marina agora tem 8 meses e eu simplesmente não tenho condições de contar as dezenas de vezes em que fui parada nas ruas em São Paulo por alguém perguntando se tratar de uma menina ou de um menino.  Até aí nenhum problema! Bebês no começo não ...