20 julho 2010

"Dream about me": ainda sobre o amor de Sonildes e Suécio

("Girl in a Hundertwasser Landscape", Belinda Billylee)

Já passavam das onze e meia da noite e Sonildes fritava de lá pra cá, daqui pra lá na cama. Apesar do cansaço terrível o sono não vinha e ela se pegou tentando adivinhar o que aconteceria na próxima semana. Que tipo de sensação a tomaria quando estivesse finalmente não mais vivendo com Suécio? Sentiria muita saudade? Desejaria voltar? Choraria sem parar como quem perde um grande amor ou esqueceria voluvelmente como se tudo não tivesse passado de um de seus sonhos malucos?

Não sabia... Não conseguia saber...

Restavam-lhe apenas mais quatro noites antes de partir definitivamente para perto de Brasil de novo e cada noite a menos era um passo a mais perto do seu tão próximo futuro e, ainda assim, tudo lhe parecia apenas história para alguém dormir...

A história de Suécio e Sonildes havia se firmado quando ela, decidida a viver só um de seus dois amores, havia escolhido provar da companhia, da calmaria, da segurança e da maturidade de Suécio. Por muito tempo ela havia vivido entre o alegre e festeiro amor de Brasil e o sóbrio e profundo amor de Suécio. Tinha os dois quase ao mesmo tempo. Deixava um quando se cansava do outro e assim ia bem obrigada até perceber que precisava experimentar muito do pouco.

E havia sido assim nos últimos anos. Dia e noite, dia após dia. Somente ela e Suécio.

Franzindo a testa debaixo do edredon macio, Sonildes tentava lembrar de quanto tempo exatamente havia estado ali, mas um pensamento se seguia de outro e outro... Ah! Sim! Algumas memórias do dia em que chegou, de suas primeiras semanas na cidade de Suécio, de seus passeios de mãos dadas, da conversa deliciosa no fim da noite... Uma memória se sobrepunha à outra e ela mesma se esqueceu de novo de tentar calcular o tempo.

A vida ao lado de Suécio desde que deixara Brasil era tão intensa que às vezes Sonildes tinha dificuldade para se lembrar de como vivera antes... A verdade, porém, é que isso não era novidade. Sonildes era o tipo de pessoa a qual tomava um leme e seguia em frente. Ia, ia até se pegar pensando: como é que era mesmo antes de eu chegar aqui?

Havia sido assim quando deixara a casa dos pais para viver um casamento informal com Brasil. E também da mesma maneira quando vivera entre os dois amores de sua vida, sem conseguir se decidir por um ou por outro, como se tivesse sido de ambos sua vida toda.

Era como se a única vida que tivesse fosse somente a atual... Sempre! E tem isso algo de errado?, perguntou-se ela como se falasse com alguém.

Sonildes não sabia. Ou não se importava. Ou não estava de fato interessada em saber.

O que sabia e a coisa com a qual agora ela se importava realmente era que sua vida mudaria de novo. E muito. E que ela sentiria saudades demais do seu loiro, de olhar calmo azul a tomar-lhe a mão nas noites frias...

E por que era mesmo que ela havia decidido ir embora e deixá-lo? Hummm... ah! por muitas coisas que agora já não pareciam mais ser tão significativas assim... mas provavelmente deveriam ser senão ela não teria optado por partir, afinal de contas era desmemoriada, mas não maluca...

Ah! sim! aquelas coisas todas!, quase exclamou em voz alta. Claro! Havia uma porção delas! Fato era que Sonildes não se lembrava muito bem. Ela normalmente não se lembrava de todas as coisas mirabolantes as quais pensava e sentia. Era como se no verão ela se esquecesse que também era possível o inverno. E quando esse chegava sentia como se não fosse possível viver sem seus casacos, gorros e cachecóis... A vida e os sentimentos subiam e desciam tão rápido que ela realmente se esquecia. Mas também não estava a fim de pensar nisso... Não agora. Agora ela precisava era dormir.

Virou-se pela milésima vez na cama e ajeitou o travesseiro deitando novamente de frente para Suécio que já dormia profundamente. No escuro foi procurando por uma das mãos do quase ex-companheiro e encaixou a sua mão direita dentro da grande mão esquerda dele.

O corpo dele era quente. O cheiro era suave e a respiração profunda.

Sonildes queria ficar ali quieta sem precisar pensar na próxima semana. A próxima semana viria de qualquer maneira e ainda era futuro... O melhor a fazer era viver o presente curto que lhe convinha e dormir ali bem colada a Suécio enquanto podia...

E então ela fechou os olhos e sorriu para si mesma, meio que sussurrando no ouvido dele: "Dream about me..."

7 comentários:

Françoise disse...

Ahhhhh, adorei Sonildes!!!!E não é que estou acordada, agitada e sem sono?
Adorei te ler nas madrugadas, rs.....
Agora durma bem com o Suécio e deixe que as emoções do futuro brotem no momento certo.... Aproveite cada segundo como sabe fazer melhor do que ninguém,

Abraço forte!

Dri disse...

Sô, também não consegui dormir essa noite porque não parava de tossir. Tenho umas insônias produtivas e pensei em escrever um texto pra você durante a noite. Permita-me bater asas na borboleta. Fiquei pensando sobre uma fictícia carta que a Rainha Silvia escreveria a sua Embaixatriz Deslumbrete caso soubesse da partida:

"Querida Embaixatriz Deslumbrete,

Soube hoje pela manhã da sua repentina partida. Pensei em pedir que marcassem um encontro. Em seguida, mudei de ideia. Preferi registrar o que sentia por meio deste texto. Queria dizer que me emocionei com a alegria com que abraçou e aqueceu meu gelado país. Senti-me grata por ver como recebeu meu povo, como divulgou uma terra ainda pouco conhecida no seu verdadeiro lar. Então, parei para pensar porque você amaria tanto uma pátria passageira. Não precisei refletir muito. Porque a beleza e o afago oferecidos por essas terras estão também nos seus olhos. Nesse momento, a tristeza pela sua partida deixou espaço para esperança. Você vai levar toda a sua alegria, toda a sua paixão intensa por onde passar, porque um paraíso não será um paraíso se não o olharmos como tal. Reconfortei-me nesses pensamentos.
Você não estará aqui, mas já conseguiu com que muitos estivessem mesmo nunca tendo estado. Obrigada por seu trabalho de Embaixatriz. Continue levando pra onde quer que você vá seu olhar sonhador e carinhoso de sempre. Minha querida, bata asas!

Com admiração,

Rainha Silvia"

Camila Hareide disse...

Sonildes, você é o máximo! Muito talento aí, fia... Vai pensando em um apanhado de textos pra escrever seu livro... Nem que seja apenas distribuído pros amigos teus, de Suécio e Brasil!

beijos

Eveline disse...

Oi amiga, tudo? Ando meio sumida, mas sempre dando uma espiadinha no teu blog.
Adorei o texto, fantástico, as noites de insônia para mim são angustiantes, mas você conseguiu transformar em romance. Lindo de verdade.
Boa sorte no regresso, pense que o melhor de tudo é regressar para os braços da família. Beijos

Glorinha L de Lion disse...

Oi Somnia, adorei teu amor, agora, qual deles é o marido e qual é o amante? Nem vc mais sabe.
E a carta da "rainha" Sílvia, mostra bem o que vc fez pelo Suécio...mostrou-o a todas as suas amigas...isso não se deve fazer, pois ao elogiá-lo demais corre-se o risco de perdê-lo pra outra...com certeza outras brabuletas tomarão teu lugar e teu amante, um tanto "pegador", claro que aceitará o amor de outras, mas vc terá sempre um lugarzinho especial no coração desse louraço de olhos azuis. Beijos

Somnia Carvalho disse...

molerada querilda,

e bom dar uma olhadela aqui e ver que vcs ainda estao ai! rs...

estamos num hotel ha 7 noites e ficaremos ate o voo de sabado... estamos numa maratona de ver gente daqui ainda... muitos encontros, muita coisinha pra fechar, resolver...

estou um bagaço da laranja, muito, muito cansada... e embora eu queira nao consigo passar no blog de nenhuma de voces, nem ler nada... saimos cedo e voltamos muito tarde todo dia...

e isso! fim de um ciclo!

um beijo enorme! a gente vai se falando!
ah... eu nao pretendo finalizar o borboleta... vou vendo onde vai dar, porque eu sempre tenho tanto pra falar que acho que nao faz sentido terminar so porque nao to na suecia...

beijos

Mari disse...

Estou louca para acompanhar o reencontro de Sonildes com Brasil!!! E adorei saber que a borboleta vai continuar contando suas historias.