10 julho 2010

"Heroes of war"...


("Heroes of war", Rise Against)

Faltam apenas mais treze dias e noites que temos ainda nessa nossa segunda casa chamada Suécia...

O dia é bonito, o termômetro já marca 25 graus, apesar de ser apenas nove da manhã.

Com dezenas de mesas, cadeiras e bexigas começo a arrumar a casa e o jardim para a nossa grande festa de Despedida que é também a festa de aniversário de três anos do nosso Anjo...

Em meio à empolgação com minha fantasia (surpresa) para a festa do Spider Man, o cansaço da barriga pesada e dos movimentos fortes de alguém aqui dentro de mim, vou preparando tudo com carinho... Celebraremos mais um ano de vida de uma pessoinha que significa tanto para nós junto dos muitos amigos que fizemos aqui e para quem diremos já um pequeno adeus.

Enquanto isso, sinto ao mesmo tempo uma onda de lembranças tomando conta de mim... Todas elas muito boas, todas elas muito profundas... Um arrebatamento, um choro do fundo do coração de saudade, saudade de tanto que vivi e do que ainda viveria aqui...

Dizem que os hormônios da gravidez fazem mesmo isso com a gente... os mesmos hormônios que, segundo minha amiga super enfermeira Mariana, são os responsáveis por me dar tanta energia e conseguir encarar uma mudança tão grande prestes a ter um bebê... Sim encaro, embora não sem choro...

E então as lágrimas são de saudade de estar aqui nesta casa com os meus queridos e de estar com as amigas daqui e partilhar o futuro delas, de ver suas crianças nascerem, crescerem ou aprenderem a falar... De viver nessa internacionalidade tão rica, de falar três idiomas ao mesmo tempo para me comunicar, de ouvir histórias nunca ouvidas antes...

Assim como já sinto saudade de ver Ângelo pedalando sua biciletinha sem as rodinhas, de ver outros verões a começar depois do inverno rigoroso... De cuidar dessa pequena família como tive o privilégio de cuidar nesse tempo que passou...

Dou-me conta de quão difíceis são as mudanças, as escolhas depois que temos filhos. Mudar-se antes não era fácil, mas também nunca fora difícil. Nas sete outras vezes que nos mudamos a empolgação sempre ajudava a cortar um pouco as raízes, mas agora sinto-me mas cada vez mais agarrada, vinculada ao lugar onde meus filhos (já falo imaginado o futuro) aprenderam viver e a amar... Sim, eu sei eles aprenderão a amar outros lugares... eu sei...

E mesmo quando temos a mais certeza de que estamos sim seguindo rumo bom, melhor, de que pesamos os prós e contras ainda assim quebrar esse vínculo, romper esse amor diário é tão difícil...

E ao mesmo tempo que as lágrimas invadem meu rosto todo eu vou agradecendo... Por este passado ainda recente, pelo futuro que nos aguarda... Pela oportunidade de poder ter vivido uma vida tão diferente... Pelo vento que balançou meus cabelos na bicicleta, por poder ter ouvido o barulhinho da neve caindo e do meu pé se enfiando na neve branca, por ver a "morte" do verde e seu nascimento de novo...

E assim enxugo as lágrimas, tomo um temperado de manga para aprontar com yogurte natural com o qual os amigos deverão comer as cenouras e os pepinhos crus que aprendi a adorar nessa terra de quase ninguém... Cenouras e pepinos crus na entrada e bobó de camarão no prato principal... É a mistura perfeita entre as duas terras que amo...

A Suécia me mudou completamente e, como disseram mais de uma pessoa esta semana: o que vivi aqui e no que me transformei ninguém nunca mais será capaz de tirar de mim...

E viva la vida!

...

ps: conectei meu Spotify e estava ouvindo esta música aí da qual adoro a voz do cara, o violão, esse tom forte, embora a letra otimamente crítica não tenha nada a ver com meu momento de agora... Acho que todo este toque me pôs ainda mais no xororô, já que foi a mesma música que eu estava ouvindo no dia que voltava sozinha do meu segundo workshop, ainda no inverno de março...

6 comentários:

Ivana disse...

Sonia, querida, te escrevo do celular, por isso nao repare na falta de pontuacao.
Consigo entender sua emocao e sua saudade, porque passei a entender e a gostar da Suecia a partir do seu olhar critico e ao mesmo tempo amoroso para com este povo e esta cultura tao diferente da gente. Tanto isto e verdade, que eu e meu marido estamos planejando uma viagem para o ano que vem, onde ja incluimos Estocolmo que ate eu comecar a te ler com mais frequencia, nem me passava pela cabeca... Portanto, ja sinto saudades da Suecia tambem, de saber do clima, do jeito e da sua historia, contada dai.
Bem vinda entao a este nosso pais corrupto, desigual, machista, alegre e festeiro, lindo como ele so.
Entao venha borboleta Somnia, agora Somniar e desvirtualizar seus amigos do lado de ca.
Beijos!

Lúcia Soares disse...

Sônia Somnia, saudade de vir aqui, mas nãodá tempo. São 3 crianças correndo pela casa, pedindo atenção. Uma da idade do Angelinho e mais dois de 1 ano e 4 meses. Imagine ao frege! rsrsr
Compartilho dessa sua dor, em deixar um lugar que amou tando.
Mas nosso Brasil os espera de braços abertos e Marina será mais uma brasileirinha arretada. (Näo me lembro de ler se Ângelo nasceu aqui ou aí).
Querida amiga, você vai ser feliz onde estiver, por causa da família linda que tem e por sua capacidade de fazer maigos. Vai se assustar com a turma que vai "ïnvadir" suas vidas! rsrrsr
beijos saudosos!

Glorinha L de Lion disse...

Fiquei toda arrepiada lendo seu post, pois me lembrei que senti isso quando me mudei de Penedo (perto de Resende e Itatiaia) com minha filha pequena e voltamos pro Rio. Eu não quis voltar pra lá e vim pra Niterói que é do lado, mas sei bem desse sentimento de tristeza e alegria...e eu tb já estava com meu Gabriel na barriga...Claro que seu caso é mais difícil, pois a Suécia não é logo ali...mas amigo a gente leva no peito onde quer que estejamos. Beijos.

Françoise disse...

Sonildes minha amiga,

Tenho você comigo como alguém que conheco de anos, só faltava encontrá-la pessoalmente. Pra falar a verdade fico triste de passar por aqui e ler sobre sua partida. Sei que deveria ajudar mas a tenho em meu coração de maneira muito especial, você sabe disso.
Sábado fui embora com um baita nó na garganta saindo rápido para as lágrimas não cairem.
Você fez deste país um lugar só seu sabendo viver de maneira intensa cada momento . O melhor é que fez história deixando para nós e todos os que te conhecem muito aprendizado. Você vai mas tudo que lemos ficará pra sempre assim como tuas experiências vividas.

É assim a vida, você melhor do ninguém aprendeu que por vezes temos que nos comportar como as estações pra voltarmos renovados. Vai tirar esta passagem de letra, ah se vai....fique bem.

Abraço bem apertado.

Beth/Lilás disse...

Tadinha, imagino como anda seu estado de espírito!
Gostaria de fazer algo para desentristecer o seu coração, mas também acho que certas coisas temos que purgar para assimilar ou aceitar melhor, faz parte da vida.
Só não deixe essa tristeza afetar de modo que fique deprimida ou doente, por favor.
um abraço forte

Somnia Carvalho disse...

Molerada querida, brigada pela força e pelos comentários!

eu "sofri", se assim posso chamar o fato de ter ficado toda emocionada pensando nas lembrancas passadas e futuras, aquela manha de sabado organizando tudo, mas a tarde quando a festa começou upa le le le! foi uma festanca de arromba!

encarnei Frida Kahlo, dançamos, comemos, rimos...
fizemos planos de como nos encontraremos...

essas coisas... de modosque e isso: altas mudanças exigem altas emoçoes, mas elas sao rapidas e passageiras...

Não Lilasona querida, eu to longe de deprimir amiga, to num momento muito feliz da minha vida... eu e Renato pensamos e valorizamos isso o tempo todo nos ultimos dias... e estamos muito feliz com o que conseguimos e tudo o mais. E isso que vc disse e so purgar e assimilar... eu acho que agora com as caixas espalhadas eu entrei na nova fase... a da mudança total... e agora to mais focada ja no futuro...



beijocas para voces todas!