15 abril 2009

Na Suécia também não tem... garçom camarada, "chefia", "campeão"!

("Il cameriere", O Garçom, Daphne Brissonnet)


Pondo um peso no lado contrário da balança aqui vai o que é bem legal e não tem na Suécia...

Se eu fiquei incomodada com o pessoal em Roma dando uma de "moito" grosso na furação de fila eu também fiquei emocionada com o jeitão camarada da maioria dos garços dos restaurantes em que paramos para comer.

Falantes, sorridentes e daquele tipo que você pede a conta dizendo "ô campeão!", "o gente boa!", sabe? Igual fazemos no Brasil com aquela intimidade toda? Então, isso é igualzinho na Itália, ao menos foi em Roma. Aliás foi bem mais comum do que tinha sido em Milão, por exemplo, quando visitamos a cidade há um ano atrás. Os garçons e algumas garçonetes de Roma me lembraram muito os garçons dos barzinhos, das padocas e pizzarias de São Paulo. Como o Ailton, eles são atração do lugar e parte do que você gosta no lugar onde vai. 


(O Ailton, um garçom "pop" de um barzinho na Vila Madalena em São Paulo que já teve até reportagem em jornal)

Só para dar um exemplo, em um dos restaurantes, perto do Panteon e do qual infelizmente não anotei nome nem nada, encontramos a Susani. A Susani é uma moça de Santa Catarina que vive em Roma há dois ou três anos. Casada, bonita, sorridente e falante ela papeou com a gente como se fosse amiga antiga. E falar português fez a gente parecer ainda mais de casa e ela também.


(Anders Hylén, 34 anos, é garçom e somelier no restaurante Sant Markus, que fica aqui no centro de Malmö. Ele é fino, educado, bonitão, solteiro?  e... provavelmente pouco falante)


Mesmo que o garçon não seja fino, finésimo igual esse moçoilo boniton da foto, o Andérs que é garçom num restaurante que já fomos duas vezes aqui, na Itália e no Brasil um garçom quase sempre é muito acolhedor. Ele também pode ser meio casca grossa de vez em quando, mas, no geral, é muito gente fina. 

E tem sempre um sorrisão pra você e sempre a curiosidade de saber mais e perguntar isso e aquilo. E puxa papo com a criança e faz uma piadinha... Isso pode até incomodar se você já está há um tempo no lugar e se tá num mal dia, mas pra gente que tá "carente de gente falante" foi uma beleza.

Veja, por exemplo, o garçom italiano Giovanni. Esse ragazzo é amigo da Susani e trabalha com ela lá naquele restaurante sem nome. Depois deles falarem um tempão com o Ângelo e perguntarem muito sobre nós e o Brasil etc, o Giovanni pegou Ângelo pela mão e foi na loja ao lado e deu a ele um bonequinho do Pinóquio. Lindo! Nossa! lindo! 

Eu fiquei mais emocionada do que o menino, porque, claro! Pinóquio é parte importante da minha infância... e claro! porque alguém que você nunca viu na vida, que tem sei lá um salário de quantos euros, vem dar de presente um boneco pro seu filho que ele também nunca mais verá na vida dele, é algo muito especial.


(Ângelo com o boneco que ele chamou de "pelóquio" , presente do "amigo"  italiano Giovanni... Roma, abril de 2009)


O Renato virou pra mim lá no restaurante e me perguntou e eu conseguia imaginar algo parecido na Suécia e eu tive que concordar que não. Impossível. Só se o cara não for sueco. E for... louco. 

Eu não sei se é porque aqui na Suécia os garçons trabalham além da conta. Eles servem, limpam, organizam, cozinham, ficam no caixa etc. Eles não tem tempo de fazer aquela moral de garçom, compreende? Como não há funcionários quase o cara precisa se virar muito pra dar conta do recado... Mas isso não explica tudo, claro!

Eles, no geral, são educados... e sérios. Sem tempo pra papear. Você pode arrancar um sorriso, mas será mais um sorriso educado do que um sorriso assim todo feliz da vida de espontâneo. E se tiver tempo o cara provavelmente nunca vai tentar puxar papo com você, porque sua vida e o que você anda fazendo na ciadade não é da conta dele, entende?

Para um sueco, ficar perguntando sobre sua vida é algo que soa como mal educado. Ele não vê como interesse na sua pessoa, mas como uma invasão. E pior ainda se você é apenas o cliente do lugar.

Esses dias eu encontrei uma moça que vejo há dois (dois!) anos no parquinho aqui perto... Ela me perguntou assim bem suecamente: "Oi! tudo bem? voces estão indo brincar no parquinho?" E eu: "Não... eu preciso ir pra casa cozinhar, porque meu marido..." "Ok, ok... entendi!", cortou ela toda preocupada porque achou que estava me invadindo e que eu já estava dando explicação demais...

Eu ia dizer a ela que meu marido tava no Japão blá blá blá... Putz grila a gente se encontra há dois anos e não pode dizer: "tenho que correr, porque tô sozinha essa semana!"...  Tudo bem que ela não é garçom, mas só para ilustrar melhor...

Isso não é regra. Já teve um  garçom (unzinho) que uma vez quis saber mais da gente num restaurante aqui... Fora os garçons até já consegui papo de mais de 5 minutos com alguns suecos na rua, mas ficando só no tema do post que são os garçons e as garçonetes eu diria que é raro, raríssimo ser diferente...

Vai ver eu só não dei sorte... Vai ver se conheci esse garçom camarada sueco deve ter mais algum perdido... Mas me diga você já encontrou um desses seres "estranhos" por aqui???

9 comentários:

Érica disse...

Acho que essa coisa do garçom não ser camarada e tals vem da cultura sueca. Eu nunca fui na Suécia, mas já pesquisei muito sobre a cultura. E você sabe muito melhor do que eu que eles são muito reservados. Acho que tem a ver também com o tal do "suficiente". Se é o suficiente te servir sem ficar batendo papo, sorrindo, contando historinha, para ele beleza. Ele fez o que ele precisava fazer, "exatamente o suficiente".
E a última. Parece que o povo daí, que mora aí ou nasceu aí, é bem sério no trabalho. Naquele post que você fez esses dias sobre o Super Herói Sr Lixeiro, o rapaz fez o trabalho bem sério. Aposta quanto que no Brasil o rapaz não ia dar pelo menos tchau para o Ângelo?
Escrevi um livro só pela teoria aqui, mas a prática: zero.

Somnia Carvalho disse...

Oi Érica moçoila intrigante!

olha só: eu tenho um problema em escrever sobre o que é ruim, mas eu tô tentando... rs... é que eu sou polyana demais... mas também porque quando eu vejo um defeito aqui eu normalmente entendo o porque e acabo pensando que isso justifica aquilo.

Por exemplo: o sistema de saude. Se voce comparar com o particular caro do Brasil é ruim. Por que? porque voce e tratado como todo mundo. Vai esperar para ser operado, tem que passar pelo clinico, bla bla e demora pra chegar onde quer...

E um sistema muito democratico e justo, mas ele nao da os privilegios que o meu plano de saude brasileiro me dava. Eu nao tenho meu medico, o meu pediatra etc entende?

Isso e ruim... mas e ruim por um ponto de vista...
Pra mim o pior daqui e o clima. Nao o frio exatamente, o clima. O escuro e a falta de sol de 3 meses e o frio e vento com as doenças que voce pega durante 6... então são 6 meses que voce espera pelo verao e pela primavera.

Acho que disso eu falo desde que cheguei... sempre falei dessa coisa do clima... Mas eu tambem sou feliz no inverno... eu consigo aproveitar o lado quietinho e tal, embora seja mUUUITO dificil, entenda, e dificil mesmo, viver 6 meses sem esse calorzao do Brasil... sem essa festa que eles fazem no verao e primavera...

Acho que o resto todo eu consigo passar...

quer mais? eu prometo escrever coisas que nao gosto nessa seção tambem! Alias eu tinha escrito esse aqui sem ter lido seu comentario do outro...

beijocas

Somnia Carvalho disse...

ah Érica!

concordo plenamente! a coisa do ser suficiente é muuuito verdade...

a gente ve isso em quase tudo num sueco. Eles trabalham direitinho, mas ate as 4 e vao embora. Pronto. Isso e suficiente porque ele precisa aproveitar o restante pra estar com a familia...

e por ai vai...

otima lembranca!!!

Érica disse...

Gostei da sua resposta. Porque tudo parece tão perfeito...
Obrigada por responder.

Luciana Håland disse...

Oi Somnia, a viagem foi boa, né?!!!
Aqui encontro uns garcons bem simpáticos, perguntam se a comida está boa, atendem bem, sem pressa e sem estresse, mas claro que não é em todo lugar, mas ainda não tenho nenhuma reclamacão.

Agora uma observacäo negativa lá de Natal. Aqui a gente não paga os 10%, no Brasil sim, mas acho que sem obrigatoriedade, então lá em Natal com a invasão do turismo estrangeiros, os garcons davam prioridade no atendimento das mesas dos estrangeiros, e muitas vezes, numa mesa só de brasileiro, éramos extremamente negligenciados pelos garcons, e quando chamávamos atendiam de forma grosseira. Eu achava isso triste demais e de uma ignorância tremenda, porque nem sempre os gringos consumiam mais do que uma mesa só com brasileiros e nem sempre deixavam gorjetas legais.
Mas acompanhada de gringo, era atendimento cinco estrelas.
Mas também tinha muito garcom camarada, por isso eu priorizava sempre os mesmos lugares onde era bem atendida.

Beijo

Mr.Jones disse...

Entao na Suécia os garçons tem o valor reconhecido? Legal saber. gostei da postagem. e bacana seu blog.
abraços e um belo dia

Beth/Lilás disse...

Ahhh, mas não tem garçons mais simpáticos do que aqui na republiqueta!!!
Ontem mesmo, ao ir no mesmo restaurante que vamos há anos aqui em Petrópolis, nosso garçom querido e antigo deste local, ficou quase 30 minutos de papo conosco na mesa e eu contando o que vi nessas minhas andanças pelos States. O nome dele é Carlinhos, inteligente prá danar o rapaz, adora falar sobre tudo, lê muito e eu sempre trago brindes para ele, mas dessa vez esqueci as canetinhas com corações de NY lá em Niterói.
Ele e a garçonete Luciana são fantásticos, tanto no atendimento, quanto na simpatia ao nos receber lá.
Nos States eles até são simpáticos, mas ficam de olho nas gorjetas polpudas.
Acho que na Suécia é aquilo que a Érica citou, muito suficientes e pronto!
Mas o italiano foi mesmo muito bacana em dar o Pinóquio para o Angelinho, coisa que aí deve ser muito remoto acontecer, aja vista o tal motorista do caminhão de lixo que nem tchauzinho deu pro garoto.
Ah, nós brasileiros, damos tanto valor a esses pequenos atos, né mesmo!
E o bonitão sueco da foto, vai receber um bocado de emails através de você, heim!
beijinhos cariocas

todoyda disse...

Nem sei como cheguei ao teu blog, fui visitando, visitando e quando ví parei aqui pq gostei do "papo".'
Eu achava que americano é impessoal, mas ví que estou completamente errada, perto do que você relata o povo daqui é simpatississimooooooooooooooooooo.
Bom saber que a Beth do Mãe Gaia também de visita, essa mulher é nota 10, já esteve aqui em casa.
Virei freguesa.
bjks
Cristiane

Clawdinha disse...

Queridíssima Somnia...

Visito seu blog sempre que estou meio "assim, assim" sabe? Porque sempre saio mais feliz com seu jeitinho "Pollyana" de ser !
Tb. estamos (meu marido e eu) pensando em morar fora do Brasil daqui um tempo, e adoramos o frio, então...
Mas como não temos babys ainda, fico meio receosa, prefiro tê-los aqui, depois ir...
Gosto muito de vc. viu ?
Torço pela felicidade de vcs. cada vez mais!
Beijão,
Cláu :)