05 abril 2009

O Super herói Senhor Lixeiro!

(Sopbil, Caminhão de lixo da Scania, igualzinho ao que roda aqui na nossa rua...)


Todo mundo sabe da fascinação dos meninos por automóveis, caminhões, tratores, aviões, trens etc. A do Ângelo começou há pouco e ele passa o dia olhando seus livros que tenham fotos desses "bichos" todos, fica pra lá e pra cá com as máquinas todas "bruuummm", quer ir passear no "bus" e "sitta bus, mamãe" todo dia. Embora continue brincando de outras coisas, além de carros e máquinas possantes, a verdade é que ele parece ter visto um extra terrestre toda vez que encontra um trator no meio da rua, por exemplo.

Eu não sei exatamente o que ele pensa sobre tudo isso, mas sei que foi só há alguns dias que ele percebeu que havia homens dirigindo, pilotando as tais máquinas, quando mostrei no livro dele.

E não poderia haver nada mais excitante, imagine! do que encontrar um desses indivíduos estranhos, cheios de mistério, personagens dos seus livros e fantasias, na rua, ao vivo e a cores!

Meio entediado por conta de uma virose ele pediu para ir "passiá". Saímos pra caminhar na quadra perto de casa, tomar um sol e ar fresco, ver o céu azulado quando, então, fomos surpreendidos por ummm... caminhão! O caminhão do "ixo, mamãe!".  "Caminhão, ixo!" "Caminhão, ixo!". Repetia ele, correndo na calçada para ver mais de perto.

O caminhão parou. "Parô!". E por surpresa do menino a porta dele se abriu. "Mamãe, homi!" "Homi, mamãe". Sim! Ele mesmo! O Sr. todo cheio de poderes mágicos, o Super Herói Sr. Lixeiro, em pessoa, veio dirigindo aquele caminhão.


(O  herói anônimo que não era o do Ângelo, mas bem que poderia ser)

Ele desceu, discreto e concentrado, muito sueco (embora eu não saiba sua nacionalidade) sem olhar para o menino que o fixava de olhos esbugalhados. Abriu o portão de um dos prédios daqui de volta e trouxe de lá um latão enorme verde, de lixo reciclável. Engatou o latão plástico e... ! "Uau!", fez funcionar toda a engenhoca do caminhão. A máquina toda funcionando, amassando o papel, aquele barulho poderoso. Aquelas coisas de ferro rodando e rodando. Demais! Mas o Super Herói, como quase todos eles, tímido e calado e continuava a executar seu trabalho sem olhar para o menino que estava totalmente fascinado. 

Quando terminou, o Super Lixeiro entrou novamente no caminhã. Não olhou para trás, não pestanejou e não deu autógrafo. Como quem precisava fatidicamente cumprir seu dever ele se foi... "Mamãe, imbora!" "Caminhão fô imbora!". 

"Parô, mamãe!" "Parô!". Sim, o Super Herói Lixeiro que, na verdade, não pára nunca, parou no prédio seguinte, há cem metros e começou a repetir o mesmo processo de antes.

Completamente alucinado, o menino o seguiu, ficou a olhar tudo de novo. De olhos arregalados e a respiração quase contida. E foi assim mais uma, mais duas vezes. Quando finalmente ele chegou no prédio do menino, esse já estava cansado demais para continuar na observação. Então, ele voltou-se para casa e disse cheio de alegria:

"Tchau, caminhão!, tchau homi!". 

O Super Herói anônimo que ama (ou odeia) o que faz diariamente não deve imaginar o quanto cheio de significado seu aparecimento teve naquele dia para a criaturinha chamada Ângelo. Mas os Super Heróis são assim e é por isso que sua aparição é sempre tão inesquecível!


7 comentários:

Beth/Lilás disse...

Que coisa linda este post, Borboletinha!
Li aqui pro meu maridex que achou õtimo também e lembrou de nosso filhote quando era pequeno como o Angelo e adorava carrinhos. Dei todos os brinquedos dele, mas guardei os carrinhos pequeninos para quando ele tiver seus filhos.
Quanto ao gosto dos meninos por carros, levam até a velhice, pois o marido aqui em DC fica até 'zarolho' de tanto que olha para os carros maravilhosos e imensos que passam nas ruas dessa incrível cidade.
beijinhos para vocês

Tina Joy disse...

Hej! Adorei esse post!!!XD
Lembrei dos meus irmãos! quando eles tinham uns cinco anos (eles são gêmeos ho,ho), eles sentavam no cantinho da porta de casa e ficavam olhando os tratores da prefeitura passarem na rua, cada um com seu dedinho na boca, até hoje não esqueço os comentário de cada um a respeito de uma ou outra máquina em particular!tipo: "uau!", "Léo, olha aquele!", "que gandão"...
Muito fofo!!!

hej då och kyssar!

Lúcia Soares disse...

Como uma coisa tão trivial pra nós pode ter uma dimensão dessas pra uma criança, né? Lembrei-me do meu filho, quando pequenininho. Viu o entregador de gás tirar um maço de notas do bolso, pra dar o troco e disse que já sabia o que queria ser quando crescesse...Ahahahah Depois, numa outra vez, viu um trocador de ônibus com aquelas notas todas na mão e disse a mesma coisa...Não é um mundo novo que se abre pra gente, quando se tem filhos? E quando a gente pode descrever, marcar o momento, é melhor ainda!

Somnia Carvalho disse...

Lilas,

a unica diferenca de quando eles crescem e que os carrinhos ficam um pouquinho so mais caros nao e?

Somnia Carvalho disse...

oi Tina!

que legal voce tem irmaos gemeos???

sua mae vai pro ceu diretao ne???

e verdade... eu nao entendo essa fascinacao. Acho que o universo da menina e tao diferente que fica dificil compreender, mas que acho lindo eu acho!!!

Somnia Carvalho disse...

Lucinha fofa,

verdade!!! essa identificacao e tao linda!

sabe que minha sobrinha era assim: ela dizia que quando crescesse e tivesse 7 anos! queria ir morar em São Paulo.. queria morar num apartamento e ser professora..

haha... tudo que eu era... e os seus meninos viam nos moços algo que eles admiravam tambem! e lindo isso!

mas me diz: o que eles acabaram fazendo na vida? fiquei curiosa!!!

Lúcia Soares disse...

Oi, Sônia. Responder post "antigo" é fria...Nem sei se vc vai ler...Tenho 1 filho só. Ele é que fêz as consideraçãoes, mas foi porque viu o "bolo" de dinheiro nas mãos do entregador de gás e depois na do trocador do ônibus. O negócio eram as notas, minha filha! Dindim, aos montes..Rsrsrsr Ele hoje tem 28 anos e é economista. (Tenho, além dele, 2 filhas).