31 agosto 2009

200 milhões em ação? Prá frente Brasil!

(Carrega a bandeira, abraça, grita, canta o hino... o inexplicável orgulho de ser brasileiro...)

Ontem eu ri com um post da Lola, no qual ela contava a má surpresa de ouvir do dono do restaurante onde ela e o marido frequentam, em Santa Catarina, que Fortaleza ficava pertidiBelorizonte. 

Ri da forma como ela contou esse encontro "ininarrável" e achei graça do "maridão" dela sentir-se como que falando com um americano, generalizando, o tipo que acha que o umbigo do mundo é o Estados Unidos e todo o resto é nada ou tão insignificante que não vale a pena aprender.

Hoje, porém, quando algo muito semelhante me ocorreu eu não achei a menor graça. Na verdade, quase chorei de tristeza.

No meio da aula de sueco, eu, uma outra brasileira e estrangeiros do mundo esperávamos pelo tema da aula. Divididos em grupos deveríamos discutir sobre várias perguntas sobre imigração sendo que a primeira era: 

- Quantos milhões de habitantes tem seu país? 

Ao que a colega olha pra mim e pergunta em sueco, levantando as sombrancelhas:

- Três né? 

E eu, tombém em sueco:

- Três o quê? Estrangeiros? Treze?

- Não. Três milhões não é?

- Hãnnn? O número de habitantes no Brasil? Emendei em português pra ter certeza que ela havia entendido a pergunta da professora (embora ela esteja até mais adiantada que eu no sueco). Nããão... Só em São Paulo são mais de 14 milhões!, afirmei sem me lembrar se esse número incluía ou não a grande São Paulo. *

Sim... Somos quase duzentos milhões de habitantes e minha colega não passou nem perto. Não é que ela não aprendeu matemática, estatística ou geografia na escola. Ela não absorveu informação nenhuma. 

Eu me lembro que, quando criança, nos anos 80, em época de Copa do Mundo, os canais adoravam reproduzir os antigos hinos da Seleção, sempre que anunciavam o hino da copa atual. Me lembro bem da letra:  "Noventa milhões em ação pra frente Brasil, salve a seleção!" que era o hino da copa de 70. Na época, com a alegria que é permitida a uma criança eu cantava e amava esse e todos os outros hinos. Eles me davam aquele orgulho ingênuo, mas gostoso. Eu nem sequer podia imaginar os bastidores da Ditadura e nem passava perto de pensar o futebol, que fazia meu pai falar sozinho com o radinho na mão aos domingos, como ópio do povo. Eu não podia entender como e porquê os hinos eram criados. De que maneira eles construíam o imaginário popular, além do meu e como eles poderiam ajudar o povo a se manter parado exatamente no mesmo lugar, apenas engolindo as letras de um Brasil cheio de raça, ginga e campeão em qualquer parada.

A infância passou. Aprendi na escola pública mesmo um pouquinho sobre a ditadura e o resto veio depois. Ainda assim não sou um ás nos números. Sou mesmo bem ruim de memória e vivo esquecendo estatísticas. De qualquer jeito tem alguma coisa que a gente aprende na vida que tem que entrar, entende? Mesmo que eu nunca tivesse estudado depois. Mesmo que minha vida tivesse fadada a ser simples de marré-de-si como é a maior parte do povo brasileiro, não por escolha, mas por ser jogado a margem do rio. Há coisas que a gente precisa pegar senão é prova de que só rodamos no leito do rio como uma folha caída. Não dá para deixar passar tudo que não seja sobre a novela, a roupitia do shopping ou o meu salário do fim do mês como se fosse algo sem importância.

Mesmo que eu não soubesse nada de nada, só jogando por alto e lembrando o hino da seleção eu calcularia que se eram 90 milhões quando eu era pequena, uns trinta e tantos anos a mais devia estar na casa sei lá na casa dos 150? Quer dizer, qualquer um pode conseguir o mínimo, mas não é o que parece porque minha colega, de quem não posso afirmar mais nada, porque vi apenas umas três vezes, acredita que no Brasil, onde ela viveu mais de três décadas, há  3 milhões é que não dá pra ser!

Então sucedeu que eu fiquei maior deprê quando ouvi minha conterrânea afirmando para gente que cresceu em outros cantos do mundo e não sabem nada do Brasil, mas podem um dia dizer: "Ah! estudei com uma ou duas brasileiras e sei algo sobre aquela ilha da fantasia chamada Brasil". 

Interpretei como um sinal do quanto provavelmente milhares dos nossos duzentos milhões estão longe, muito longe de qualquer ação, isso se eu tentar abstrair a minha pequenina experiência e a da Lola em apenas dois dias. 

Percebi também que se tem alguma coisa do que dá para eu realmente me orgulhar ainda é da minha memória que eu vivo criticando.

Depois que eu expliquei para ela, para o grupo e para a professora, ainda com minhas estatísticas atrasadas, dizendo que estávamos na casa dos 180 milhões, alguns me mandaram um olhar estranho. Como é que pode uma habitante afirmar 3 e a outra 180. E adivinha quem por uns minutos ficou com cara de mais viajante na maionese?

Jo. 

E é assim que não caminha a humanidade... brasileira...


...



"Noventa Milhões em Ação
Pra Frente Brasil
Do Meu Coração
Todos juntos vamos
Pra Frente Brasil
Salve a Seleção!

De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil! Brasil!
Salve a seleção!"

Miguel Gustavo
...

* São Paulo, se considerado só a capital possui 10 milhões de habitantes, região metropolitana soma quase 19 milhões. 

30 agosto 2009

Eu agora estou falando pras paredes...?



Queridos e queridas,

eu demorei tanto a responder os comentários dos posts da semana que eu (desculpem ficar cutucando inveja alheia)... huhuhmm... que eu estava em Párrriiii que agora respondendo tudo me senti falando pras paredes.

Tem alguém de vocês que volta pra ler resposta de comentário antigo? Ou sou só eu a doida que acha que sim? Que me culpo e fico pensando nas respostas? 

Bom, não tem problema. O fato é que adoro receber os comentários e adoro respondê-los. Só tenho aquele defeito na minha pecinha interna que só consigo fazer no momento adequado. Falta tempo e falta uma coisa interna que me dá corda e diz: "Hoje quero lavar", "Hoje quero estudar", limpar, trabalhar, escrever, ler, responder comentários...

Sou totalmente sem rotina. Quer dizer isso parece frase de gente doida, já que eu acordo sempre as sete com Ângelo me chamando, passo quatro horas na escola de sueco, cozinho, brinco, lavo, passo e tudo o mais todo santo dia... mas... na medida do possível eu saio o máximo da rotina. 

Adoro escrever e penso dezenas de posts por semana. Eu poderia escrever uns três por dia, já que os tenho prontinho escritos na cabeça! Até com as imagens, mas nao consigo ter a rotina de fazê-los todos os dias. Adoro ler os blogs de vocês e outros, mas tem alguns dias que eu simplesmente fico só num livro, ou num filme, ou num quadro, vou variando... E aí quero ler todos os blogs de uma vez só e comentar e tal!

E assim vai indo... Isso não deve ser lá um problema... Po-ro-ble-ma mesmo é eu (que nem gosto da dupla) ficar aqui me lembrando e cantarolando na cabeça "Chitãozinho e Xororó" enquanto respondia vocês... 

Eu posso confessar que sei umas par de músicas e que certa vez na adolescência e juvenescência já fui de frequentar rodeios bregas? Oioioi! Ou não tem nenhum probleminha já que eu devo mesmo estar "falando às paredes"?


Boa noi-te! Cambio, desligo.

O que se pode aprender no exército sueco?


O marido chegou com esse aprendizado depois do futebol internacional do domingo. Segundo ele, os suecos do grupo disseram que no Exército Sueco eles ensinam que:

Você pode sempre dez vezes mais do que você próprio imagina. Cem vezes mais do que os seus amigos imaginam que você pode e mil vezes mais do que o que a sua mãe imagina que você pode.

Uptdate, segunda-feira:

Eu ando mal não? Acabei esquecendo-me completamente de esclarecer porque achei que a idéia acima poderia ser esclarecedora sobre nós mesmos e o que acham da gente. Quando li pensei em muitas de vocês e do que escrevem em seus blogs, do que superam a cada dia e de quantas vezes se subestimam. 

Lembrei de minha amiga Liana que há uns dois meses atrás dizia nem conseguir subir na bike, quando eu a incentivei a comprar uma. Na sexta estávamos checando o caminho que fazemos todos os dias para ir ao curso de sueco, voltar para casa e buscar nossos pequenos. Ela pedala 24 km por dia e eu entre 16 e 18 km. 

Ficamos bestas com o que conseguimos e como tem sido bom viver a vida na bike, sentir-se livre em cima dela e ainda exercitando-se.

Há dois anos, quando Renato dizia que eu deveria usar bicicleta aqui eu me recusava dizendo que não aguentaria pedalar tanto. Eu não era capaz de acreditar que podia muito muito mais do que imaginava de mim mesma...

Com quantos botões se faz uma homem e uma mulher?

("Life Explained: as diferenças entre homem e mulher", por Cliff Pickover)

É claro que eu não lembro direito o tema, mas estava eu e Renato, meu engenheiro e virginiano marido para quem nunca ouvir falar, falando de alguma coisa. Quer dizer, eu falava de alguma coisa. Ele ouvia. E aí falei de mais algumas muitas e ele ainda quieto. Até que me irritei e questionei se ele não podia ser mais claro ao expressar o que sentia e pensava sobre o assunto, porque pra mim, óbvio! não era tão simples assim aquelas questões patati patatá... 

Daí, mais tarde, ele me veio com essa imagem, rindo feito bobo e disse:

- Esse aí sou eu!

Não aguentei e ri também. Dele. Eita piadinha machista idiota! Ri porque sabia que ele sabia que a piada era total machista e que aquela não era explicação nenhuma daquilo que eu havia pedido antes. E também porque ele sabia que me irritaria. Bom, o caso é que apesar da piada ser repetida, achei a imagem criativa. Não sei até que ponto o autor acredita na definição rasa sobre homens sobre: "complicadas e descomplicados", mas da forma como feita no site me fez rir de como brincou com isso. E o que ainda é pior (ou melhor) é o único botãozinho do homem ligar pra cima e desligar pra baixo.

Acabei trazendo a polêmica imagem, porque achei curioso como ao ver algo assim a gente já assume que a definição simplerrérrima sobre como são os homens seja sempre sinal de que são superiores. Melhores. 

Por que ser simples e ter a função de ligar e desligar pode em algum caso ser melhor do que alguém que liga desliga, aquece e esfria, colore descolore? A verdade é que a idéia machista de que mulher é um rio de complicação é tão forte na gente mesma que quando vi eu ri de raiva do marido, mas ainda assim tive que forçar pra pensar. Sou sim isso aí, mas isso aí não é ruim!

Eu tenho certeza que não posso generalizar, porque conheço homens tré complexos também. Da mesma forma conheço mulheres (algumas, porque eu não atraio muito gente objetiva e simplificada: eu sou filósofa, artista e pisciana!) bem diretas e simples. Entretanto, contudo, todavia... em se tratando de Sônia e Renato, eu tenho a ligeira impressão que somos bem como a imagem acima tenta definir. Ele objetivo, eu subjetiva. Ele pá pum, eu: "então, mas..." Dou e dou voltas, falo da cor da camisa do garçom que estava servindo o restaurante em frente, quando vou falar que o vinho é bom. E nunca digo "tá bom ou tá ruim", sempre explico. É subjetividade pra ninguém botar defeito.

Isso se eu ver por um prisma. Se olhar por outro, a coisa pode ser vista bem mais positivamente.

Eu sou mesma cheia de botõezinhos, mas eles não são sinais só de complicação. São de complexidade. E ser complexo não é necessariamente um defeito. É uma diferença que há entre eu e meu homem. 

Há tantos assuntos em que eu sou moooito melhor que o amore mio, tipo pra achar coisas perdidas (ele é totalmente cego, mesmo de óculos), organizar tudo-quanto-é-tipo-de-coisa, fazer dez coisas ao mesmo tempo, como cozinhar, falar no skype, cuidar do filho, pintar a unha, escrever um post, pôr água nas plantas, arrumar a cama, secar a roupa, falar com a amiga no telefone E chupar cana.

Eu não vejo muito claro uma coisa só como ele, vejo mil coisas ao mesmo tempo, nunca fui e não consigo ser mesmo preto-no-branco. Ele tem a qualidade de se concentrar. Pôe uma coisa na cabeça e sem chance! É o tipo: pague para entrar, reze para sair! Ele vai até o fim, não importa se tá com sono, cansado, gripado, nada! Tem que fazer tese? Faz, caramba! Qual é a complicação? É o tipo que anúncia sempre o que pretende no próximo ano e sempre cumpre! Admiro! Embora ele também canse a gente, craaaro!

Mas tal como eu sou, vejo isso de ser cheia de nhenhenhem ai ai ai na maior parte das mulheres com quem convivo. E vejo também a complexidade que permite ir de lá aqui sem pestanejar. A piada aí de cima é engraçada, mas eu não acho que ela pode ser considerada só no aspecto ruim da coisa. A gente faz aqueeeela enrolação, as coisas são sempre mais complicadas e profundas, a gente quer sempre mais explicações e mais sinais, mas, ao mesmo tempo, a gente dá em retorno toda essa riqueza de botõezinhos, entende?

Quando digo a gente eu digo nós as mulheres que se identificam com o lado de cima do painel da foto. 

E você cara leitora ou caro leitor? Se identifica ou não com a generalização proposta pela imagem? E identifica ou não seu companheiro ou companheira? O que você acha da piada do autor?

Bom, respondam, please, mas é óbvio que eu preciso perguntar uma outra coisinha, porque não me contento com respostas simples, objetivas, diretas e sem graça:

POR QUÊ?


28 agosto 2009

O mesmo de um ângulo um tanto mais largo..

video
(Festa Lagostinha, eu, Ângelo, Kenth, Ângela dançando e Gus se matando de comer lagostinha, vídeo feito no Malmöfestivalen, agosto de 2009)

Pessoal,

Que bom que alguns de vocês viram e gostaram do primeiro vídeo!

Fui revê-lo e percebi que não dá para fazer muuita idéia da população sueca, já que quase todos que apareceram no primeiro viveram algumas boas primaveras. Eles estão fofos naquele primeiro vídeo, mas nesse dá perceber que tem muita gente jovem tombém.

Além disso, a moçoila aqui aparece com Angelinho bastante neste outro vídeo e aparece também o senhorzinho fofo de quem falei antes. Aquele que tem 70 e poucos, corre maratonas, tem uma empresa e sabe o que é site e blog. 

Aqui mais um com uma música mais animadinha, como eu imaginei passar no primeiro post e com uns suecos, eu diria, meio costas largas, se é que as meninas solteiras de plantão me entendem... Tudo bem que não dá para ter uma idéia total, mas dá para ver o potencial da juventude sueca...

Ops! Eu-se-me-esqueci que quem filmou foi meu marido lindão e que ele, a cada três meses, passa por esse blog! uiui! mas é para que vocês tenham uma idéia mais abrangente do pedaço, embora também haja material para os homens leitores tombém..

Ótima sexta e início de fim de semana! Espero ainda voltar por aqui até domingo!

Beijocas! e muita dança aí para vocês também! "Agora vamu lá que eu tô sem tempo!"

26 agosto 2009

Os suecos "frios e sérios" em cenas nunca vistas antes...

video
(O começo da festa que quebra o gelo sueco: festa da Lagostinha, clique e confira o vídeo, Malmöfestivalen, agosto de 2009)

Só depois de dois anos vivendo aqui acabei participando do que, na minha opinião, é a melhor festa sueca: a festa da lagostinha (Kräftor), na abertura do Malmöfestivalen.

Essa época em que o país autoriza a pesca da lagosta (já que a pesca sem planejamento geraria a extinção dessas) há por todo canto milhares de suecos comendo os tais peixinhos. Se não estou enganada, agora restam apenas vinte dias oficiais para que se pare de pescar e comer lagostinha pelo país. 

Os suecos se reunem entre amigos, família ou em festas, como o Festival, para comer toneladas dos crustáceos regados a qualquer bebida que se possa passar pelas mãos. Foi também a única festa sueca em que vi milhares de pessoas bebendo ao ar livre, em praça pública, já que qualquer bebida alcoólica, em espaço público, é "meio que proibido" aqui. 

As mini lagostas não são, também na minha humirrrde opinião, a melhor coisa da festa não. É bontio de ver a decoração, bonito ver os pratos que eles trazem e tal. Que me mande queimar qualquer sueco ou brasileiro que ame comer o bichinho. Eu provei e não gostei. Acabei comendo mesmo os camarões. A lagostinha é forte demais para meu paladar e a imagem de comê-las não é agradável pra mim. Ainda assim, eu a-do-rei a festa se faz com muuuita alegria e, claro, comilança. 


(Prato de lagostinhas que Kenth e Ângela levaram para a comilança, Malmö, agosto de 2009)

O Festival da cidade reúne, há vinte e cinco anos, dezenas de atividades, shows, barracas com comidas internacionais, mas é só na abertura que rola essa super festa. Essa é a disparada a melhor parte do MalmöFestivalen, que você não deve perder ano que vem, já que sobre o deste ano eu estou falando um pouco tarde.

Milhares de suecos, suecas, escandinavos todos com gente de todo canto do mundo que passa visitando a cidade dançando, cantando, comendo e bebendo, não necessariamente nesta ordem.


(O amigo maluco e guloso Kenth que comeu uma tigela inteirinha de lagostinhas na festa, Malmö, agosto de 2009)

Não sei também porquê a maior parte é família e gente velhinha. A festa é mesmo tradicional, embora milhares de jovens também apareçam por lá, como a gente. Apesar disso, a maioria é mesmo gente velhinha que corre maratona, que dança, tira a gente pra dançar na frente do marido, beija agradecendo e tudo o mais! Foi, de fato, a única F-E-S-T-A com cara de festa como a gente conhece da qual participei aqui. As outras celebrações são sempre mais fechadas, entre as famílias e quem é estrangeiro fica meio de fora, caso não organize a sua própria. E mesmo quando é na rua é algo bem comportadinho. Eu  sei que o vídeo acima parece contidinho, e os senhorzinhos e senhorinhas estão assim com cara de bonzinhos e santinhos, mas a cara engana. 

Eles mandam ver mesmo! Eu tirei muitas fotos de um grupo que estava na nossa mesa e fiz algumas perguntas com o intuito de fazer um post mais instrutivo, mas as fotos ainda estão em poder de uma amiga. Essa festa é legal por ser total aberta: acontece na praça central da cidade, (Stortorget), com palco de show, onde outros senhores respeitosos de uma banda tocavam e cantavam músicas suecas invertendo as letras conhecidas por outras sobre encher a cachola.


(Na festa vale tudo, chapéuzinho, boca suja e dança ao ar livre, Malmö, agosto de 2009)

Sempre falando de bebedeira eles se matam de rir e comem os bichos vermelhinhos até se empanturrar. Tiramos muitas fotos com os tais e eu expliquei que era pra colocar no meu "site", ja que imaginei que eles estariam muito desatualizados com o mundo virtual. Ao contrário, um deles me deu seu cartão pedindo pra eu escrever o nome do site que ele iria conferir as fotos depois. 

Nos despedimos cedo da festa que prometia deixar todo mundo pra lá de bombaim e saí pululante, dei beijos nos "véinhos" todos ao meu lado e eles em mim. Abraçamo-nos e foi uma coisa suuuuper gostosa, sabe? Daquelas que a gente não se esquece!



(As amigas Cristina e Ângela e ao fundo os três casais de idosos nota 10 que conhecemos, mas de quem estou sem as fotos agora..., Malmö, agosto de 2009)

Bom, infelizmente já foi por este ano, mas fica o registro para o próximo... E se você vive por estas bandas, ano que vem não perca a oportunidade ímpar de ver que os suecos "frios e sérios"os quais a gente sempre imagina e ouve dizer não se parecem nadica com esses aí com quem topamos na festa, por exemplo.


(Renato, com a boca na botija, provando da loucura pela lagostinha sueca, Malmö, agosto de 2009)


E viva a lagostinha!


...

(Eu estou atrasada com as respostas dos posts ainda. Esse aqui já estava mais ou menos preparada, logo volto continuando as idéias dos anteriores e volto pra responder vocês ainda! acreditem!)

22 agosto 2009

" Je suis en visionaire...", Diário de bordo, parte 1: de Malmö a Paris

(Estação de trem em Paris, foto de Dri Cechetti, agosto de 2009)

Minha aventura começou com um sorriso e um bom dia grande do motorista do ônibus que tomei para ir de casa até a estação de trem.

- God morgon! disse o bonito moço descendente de alguém lá do Oriente.
- God morgon! respondi mais feliz do que sempre estou as seis da matina.

E antes que ele me desse o troco minha péssima pronúncia americanizada do "station" (que em sueco é algo como stárrrônnn) denunciou-me. Então ele emendou em inglês:

- Good travel! 

Sim, boa viagem seria mesmo o que eu teria pela frente e, embora já tivesse estado algumas vezes na cidade luz, eu estava animada como se fosse a primeira. No ônibus só eu e o moço motorista. O ônibus era meu e tudo me parecia possível...

.....

De manhã eu havia dado um beijo de "Eu te amo" no Renato, enquanto ele ainda estava sonolento e já entregue a mamadeira para o pequenino do outro quarto. Com fome ele já havia chamado "mamãeeee" e eu não consegui sair sem antes aquietá-lo. Foi ali que substituí, pela primeira vez, minha pinta no braço (que o Ângelo ama cutucar quanto está tentando dormir, por exemplo) por um elefantinho de pelúcia.

Nossa história com os elefantes começou quando, um dia, brincando nos campos de futebol em frente de casa eu inventei que logo ali havia um elefante passando correndo entre os arboredos, tentando convencê-lo a mudar de rumo e procurar o tal elefante até que chegássemos em casa.
A historinha pegou e toda vez que o menino está entediado em qualquer situação (lojas, mercados, transportes) ele diz fingindo espanto:

- Mamãe! O elefante!  Olha lá o rabo dele...

.....

A viagem foi rápida e eu passei as duas horas do vôo lendo o "Quase tudo" de Danusa Leão. Minha cunhada Dri me trouxera de presente e me incentivara a ler a história da corajosa mulher que ela aprendera a admirar.

O diferente de viajar sozinha é que não se pode delegar função nenhuma ou esperar que alguém preste atenção em algum detalhe que você não tem vontade de prestar. Todas as placas, referências, informações e possíveis problemas ficam por nossa conta. É bom se eu pensar que é o único jeito de se sentir, de fato, independente, mas dá trabalho, claro. 

Ainda que eu saiba bem e viva diariamente no mundo do "auto atendimento" dos países de primeiro mundo, a verdade é que eu acabo não prestando tanta atenção nas viagens, já que muito é mesmo o Renato quem vai fazendo automaticamente. Ele é descolado nisso e gosta de fazer, então só deixo. Nessa viagem, ao contrário, fui percebendo como a relação é quase mesma a gente com uma máquina o tempo todo. Fui experimentando esse"faça você mesmo" ao comprar meu bilhete do trem de Malmö para Copenhaguem. E depois, quando fiz o check-in, sem ir até a fila, sem falar com absolutamente ninguém no aeroporto. E continuou quando fui tomar um café e precisei operar a máquina high tech do expresso, levando alguns minutos para entender todo o processamente. E encerrei a experiência "eu-sozinha-com-as-máquinas" em Paris, quando comprei o ticket do metrô. 

Talvez seja difícil entender onde quero chegar com esse bláblá sobre tecnologia se você já vive aqui, mas se você vive no Brasil pense que é total diferente. Se eu eu comparar com a experiência daí é tanta diferença que é incrível pensar como posso até me esquecer que vivo nessa relação com as máquinas rápidas, eficientes e frias o tempo todo.


(O portão do Palácio de Versailles, maravilhosamente fotografado pela Dri, também antes de minha chegada, agosto de 2009)

Eu adoro viajar. Adoro ver lugares por onde nunca passei. Gosto muito da sensação de estar perdida e boiando num lugar com gente falando outra língua. O novo me excita e me alegra. Acho que a única coisa que se repete sempre na minha vida e eu não me canso são as pessoas que eu realmente amo. O marido eu nunca desejei trocar, por exemplo. Amo e adoro o fato de me sentir "acostumbrada" a ele, mas o resto eu adoro trocar e inovar. Sempre! Ainda assim eu detesto o tempo de espera. Me entedio rápido nos vôos, nos trens e tal e sempre me sinto horrorosamente cansada. O Renato viaja horas e horas e volta com cara boa. Eu viajo duas e já fico de saco na lua, por exemplo. Ces tout la diference entre peixes e virgem! 

Foi assim que decidi aproveitar o tempo escrevendo esse diariozinho de bordo que vocês estão lendo agora e que eu pensei transformar num post, assim que chegasse. Ajudou a passar o tempo e me ajudou a registrar as emoções tais como eu ia sentindo. Se o dirário interessa a mais alguém eu não sei, mas a mim já valeu a pena dividir com alguém.

.....


(A torre Eifel fotograda pela Dri, antes de minha chegada... Paris, agosto de 2009)

Comecei a recuperar numa gaveta perdida da minha memória palavras ou frases do francês que eu um dia aprendi rapidamente na Universidade e com o qual eu havia conseguido passar na prova do meu orgulhoso doutorado. Fiquei assim meio que cerrando os olhos, sabe? Virando o zóinho para a esquerda, numa tentavia inútil de fazer eu me lembrar de algo que me salvasse da famosa chatice dos franceses que odeiam falar inglês, embora eu mesma, acredite, nunca tenha experimentado qualquer coisa do gênero nas quatro ou cinco vezes que estive com eles.

Língua é algo assim. Você aprende. É incrível. Você fala, lê e escreve. Você aprende outra e vira um retardado na antiga. Ao menos assim sou eu. Aprender sueco me fez esquecer absolutamente todo o poquitito que aprendi de outras línguas que um dia vi bem como do francês que agora eu precisava. Ali no trem, as únicas coisas que me vinham à mente foram palavras como "croissant", "petit gateau" e "chocolat". E forçando só vinha uns trechinhos de música suuuper válidos, imagina! "Je te aime mon non plus". Bom, não dava para usar e aquela foi a prova que eu precisava para esquecer de vez de tentar falar francês na França e assumir que eu estava mesmo era com fome e que precisava logo mandar ver nos três itens franceses dos quais eu me lembrara...


(Dri, dona deVersailles , de Paris, de si mesma e do mundo, antes de minha chegada, agosto de 2009)

Desci do trem, puchando minha econômica maletinha pelo Boulevard Saint-Germain e logo avistei Dri vindo de havaianas, vestidinho, óculos escuro e um sorriso brilhante nos olhos. Paris já era dela, a mim restava apenas tê-la como guia e companheira de viagem. Deixar que sua também paixão pelo desconhecido e sua primeira vez na capital mais famosa do mundo me enchessem de torpor e desejo de refazer os locais que eu já fizera antes.

Eu foi assim que se seguiram as horas seguintes...

21 agosto 2009

"Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu volllteeeei!"

("As vedetes de Paris", eu e Dri felizes da vida, posando para fotógrafa do barco que nos levou para ver as "Vedetes", os lugares mais conhecidos da cidade, agosto de 2009)


Querida pooovo brasileiro e queridos leitores todos,

Passei a semana toda bem longe do meu computador. Estive tentando levar a tia Dri para ver algumas coisas ainda antes dela embarcar daqui a pouquinho. Estive cuidando do Ângelo, que havia ficado ótimo e feliz com o pai no fim de semana, mas caiu doentinho na segunda. Vai ver queria chamar a atenção da mãe. E conseguiu. Ele agora já tá bem de novo e serelepe.

A viagem foi sim muuuito boa. Tudo valeu a pena. Dá para notar na nossa cara de felicidade que a fotógrafa do barco captou aí acima? Foi a quarta ou quinta vez que estive em Paris, já não me lembro, mas cada centímetro de tempo que tivemos aproveitamos para andar e ver tudo que podíamos na cidade luz. Vinhos no Sena e crepe de chocolate pelas ruas. De bicicleta, de metrô e a pé fomos explorando cada pedacinho da cidade...

Escrevi meio que um diário de bordo que pretendia postar assim que voltasse, mas a gripinha do Ângelo me deixou total para ele. 

Escreverei breve breve, bem como voltarei para responder os comentários, voltarei para encontrar vocês e tudo o mais. Obrigada por quem me mandou recados vários e se preocupou se tava tudo bem e obrigada pela super participação nos posts abaixo. 

Agora vou para o aeroporto despachar a cunhada que vai deixar muita saudade e quem fez a gente ter vontade de embarcar junto pro Brasil também... ces la vie!

13 agosto 2009

"I love Paris..." sem querer causar inveja...


Pessoar bom de prosa,

A caipira aqui vai alçá voú sozinha amanhã...

Será a primeira vez que viajo e passo a noite sem o meu Ângelo, desde que ele nasceu há dois anos e um mês atrás. Simmm, simmm é verdade. 

Eu sei que pode parecer rííídiculu para quem não tem filho pensar que isso signifique realmente algum passo, mas é. E não é fácil de dar. Ficar sem meu marido nunca foi problema. A gente viveu o namoro de 6 anos sempre separado, cada qual trabalhando, estudando numa cidade. Casados, ele viajava direto e eu tinha as vezes uma semana, duas para programar qualquer coisa que quisesse fazer. Eu também já o deixei para borboletiar pelo mundo, mas com o Anjo mudou tudo.

Esse cordão que eu venho tentando cortar e vou tentar cortar o resto da vida é grosso que só sentindo. E quem primeiro me incentivou a alçar vôo para uma terra que eu amasse e fosse pertinn daqui foi o amorzão da minha vida, o Renato. Como ele não gosta de repetir destinos, mesmo que o destino seja? Parrrriiiii... então, eu repito. 

Estive em Paris pela primeira vez em 2002 com esse amor aí. Desde então nunca mais fui a mesma. Amo a cidade. Acho linda. Não tenho problema com os franceses, embora eu nem fale francês, só engane. E não tenho problema com as baguetes debaixo do suvaco ou mesmo com as baratas que poderiam assustar minha cunhada Dri, que já chegou pelas bandas e com quem vou me encontrar lá.

Paris, para mim, é o lugar mais lindo que já fui... Eu sei que parece clichê, mas é assim... Conheci inúmeras capitais da Europa e é claro que eu não posso comparar com o que não conheço, mas dentro da minha pequenina experiência é demais!

Levou um ano para eu aceitar a sugestão do marido amigo. Agora me sinto conseguindo deixar o Ângelo sem achar que sou a única responsável pela felicidade e bem estar dele. Eu não sou, mas toda mãe é idiota suficiente para achar que é. E consigo achar que ele não vai sofrer e que eu vou ficar bem. Consegui decidir e vou bonitinha com minhas milhas. Ainda tenho dinheiro para gastar que o Estado sueco depositou na minha conta porque, como mãe na Suécia, a gente ganha um salário para cuidar do filho por um ano. Então, ontem chegou minha devolução do imposto de renda. Não é supimpa!? Ainda posso comer uns crepes deliciosos e dar uma bizoiada nuns vestidos coloridos, nuns livros do museu mais lindo do mundo, o Museu D´Orsay. Precisaaar do cheque que chegou eu não preciiiiso, mas é uma delícia saber que é meu.

E só para completar a óperazinha mistura com novela mexicana eu hoje fiquei no maior xororô. Claro! Tem escolha que não passe por indecisões e culpas? Não! E não era só por deixar os dois grandes amores, mas porque tava com saudade de minha mãe, minha família e tal... e tem dias que nem uma viagem a Paris parece perfeita... 

Inventar drama do que deveria ser uma festa só não dá não é? 

Daí pus na minha vitrola moderna o DVD lindíssimo e inspirador da Vanessa da Mata (Multishow ao vivo), que minha sogritia me enviou e sacudi a poeira, dei a volta por cima.

Esse DVD parece que me resgata das profundezas do meu eu. A Sônia que amava a Vila Madalena e seus vestidos e bares descolados. A Sônia que pintava no ateliê da Eloísa e vendia alguns quadros. A Sônia que professora de redação, saia-se bem em qualquer conversa, discussão ou apresentação. A Sônia que um dia caiu de amores pelos impressionistas do D´Orsay e mudou o tema do doutorado de Adorno para Anita Malfatti. E é essa Sônia que vai embarcar no sábado de manhã. Essa que ama de loucura o filho mais lindo do mundo com o marido mais fofo do mundo, mas que pode e deve ter momentos só seus, porque foi por essas e outras que um dia esse triângulo começou...

E eu só tô aqui cantando que nem a Ella Fitzgerald... "I love Paris in the spring time..." lá lá lá...




I love Paris in the spring time
I love Paris in the fall
I love Paris in the summer when it sizzles
I love Paris in the winter when it drizzles

I love Paris every moment
Every moment of the year
I love
Paris, why oh why do I love Paris
Because my love is here


...

Atualizando...

Gentemmm só para dizer que tem tanto comentário legal deste e dos outros posts abaixo e eu havia programdo de responder antes de viajar, mas agora já são onze e tanto da noite e claro que deixei pra arrumar tudo em cima da hora... De modos que agora tenho que ir dormir para madrugar amanhã no aeroporto. Beijos, pensarei em vocês enquanto estiver caminhando pelo Senna, ouvindo francês pela rua e tomando um vinho com a Dri. Depois eu volto pra cada comentário carinhoso que foi feito aqui. Bom fim de semana!

O que você vê nesta obra? "Garota na ponte", de Edvard Munch

(Garota na ponte ('Mädchen auf der Brücke') Edvard Munch, cerca de 1900, foto de Hanneorla)

Infelizmente já se passaram cinco meses desde que eu postei a última tela na seção "O que você vê nessa obra?". O curso de sueco intensivo me tomou todo o tempo de visitas a museus e aí faltou inspiração para continuar, já que os museus me são uma fonte de inspiração para muitas coisas. Entretanto, como disse rapidamente num outro post, estivemos em Hamburg, no norte da Alemanha semana passada e visitei o Kunstalle, um museu muito bom, que me surpreendeu bastante pelo acervo importante que tem. Não gostei e não gostamos de Hamburgo, no geral. Tudo muito grande e difícil de ir, mas do Museu uau! Babei...

Lá pude ver algumas das obras pelas quais sou louca de amor e conhecia apenas de ver e ler nos meus livros. Entre outras telas fantásticas como algumas de Chagall, Kirchner, Rottluf e Nolde, tive o prazer de ser apresentada à "Garota na ponte", de Edvard Munch.

Sobre esse intenso artista norueguês (cuja biografia "Behind the scream", meu Renato me trouxe de presente de Oslo, direto do Museu Munch) há muitíssimo para a gente falar, ao menos tentar. Por agora vou deixar que ele fale por si mesmo através desta tela. Quero primeiro ouvir o que vocês acham, o que sentem ou sabem da obra.


(Detalhe da tela "Garota na ponte" ('Mädchen auf der Brücke'), Edvard Munch, cerca de 1900, foto de Renato Cechetti, Kunstahallen, Hambug, agosto de 2009)

De novo o que vale é o que a obra passa pra cada um. Vocês podem acrescentar o que vêm na obra com o conhecimento que tem de mundo, de outras obras de arte ou do artista. Podem simplesmente dizer se vêem alegria, tristeza, beleza ou feiura, tentando mostrar o que no quadro sugere essa idéia. A cor? O lugar? A forma como foi pintado? O que há nesse quadro de Munch que lhe faz ver o que você vê?

Eu sei que a maioria de vocês não lida com obra de arte no dia a dia, mas é um exercício de reflexão. Pensar uma obra como essa e pensar o que ela passa pra cada um é também auto-conhecimento. A arte fala coisas sobre o mundo e sobre a gente mesmo.


Então, é legal quando vocês dizem se gostaram ou não, mas para gerar conversa e reflexão é é legal que vocês digam também o porquê. Vocês podem se guiar, por exemplo, por alguns detalhes. Alguns de vocês "viajaram na maionese", como vocês mesmos disseram, nas últimas telas, mas isso é já um começo.

Pensem na época também que isso deve ajudar...

Vamos lá! Não me deixem sozinha nesse nosso passeio por museus virtuais! Depois que vocês se manifestarem eu conto como foi ver a obra ao vivo e a gente tenta aprender um pouco mais sobre o Munch juntos. Agora eu passo a tela...

12 agosto 2009

"Na Suécia também não tem" frentista de posto

("Eu sou terrível! Você vai ver!", Super Renato operando uma das máquinas do deserto sueco, região de Ystad, agosto de 2009)


Era uma tarde de sol e céu azul e íamos pela costa sul da Suécia em direção àquele monumento de pedras,  numa pequena cidadezinha depois de Ystad. Tudo ia bem, obrigada, até que Super Renato percebeu que estava sem gasosa. Hummmmm... posto? 

- Procure no GPS* pra mim Sônia, disse ele.

Fuço daqui, de lá, várias indicações e nada... Ai ai ai o que faremos sem combustível aqui no meio dessas fazendas, no meio do nada? 

- Pronto! Achei um posto há 3 km daqui..., disse eu.

- Mas estamos no meio do nada! arguiu Renato que sempre contesta primeiro o que eu falo.

- Vai! Vai! Vai! arguí novamente, já que sempre recontesto o que ele fala do que eu falo.

Passa fazendinha, passa boi, passa boiada... Não vai ter posto nenhum aqui, pensávamos, e esse mulherzinha da máquina deu bola fora...

- Aquiiiii!!!! gritei. Mas tá ... fe...chado???

- Claro que não Sônia! arguiu Renato que blá blá blá, e saiu para abastecer seu carro.

(Renato abastecendo o carro (tia Dri e Ângelo dentro, eu na câmera) no postinho no meio do nada, onde só havia mesmo alguns bois, vacas e ovelhinhas..., região de Ystad, agosto de 2009)

É assim que funciona. No meio do nada havia um postinho. Um postinho fechado. Sem empregados e sem frentista. É assim que sempre é na Suécia e, claro, eu havia me esquecido. O mesmo vale para as cidades. Há o posto, normalmente conjugado com uma loja de conveniência, mas a única mocinha ou mocinho da loja está lá só e somente só para vender os produtos da lujinha. Ninguém vai te ajudar a mecher na bomba, nem vai cobrar o pagamento.


("Sem café. Sem banheiro. Sem lava-rápido. Sem comida. Sem ser mais barato." Campanha de incentivo da Statoil para que os suecos não usem as estações de abastecimento antigas sem infra-estrutura, mas sim as novas que tem tudo, menos? frentista de posto)


Como funciona?

É simples, veja só!

Primeiro você insere seu cartão de crédito na máquina, no caso da que usamos naquele dia, uma que fica solitária no meio do nada, sem seres humanos por perto. Você escolhe a quantia que pretende abastecer e é feito a cobrança no ato. Depois disso você arranca a bomba da outra máquina cheia de combustível e fica na pose de Super Herói Sabe Tudo que nem o moçoilo da foto. Enche o tanque do carro ou não e vai-se embora. 

(A cara das estações equipadas as quais  usamos semanalmente e que tem tudo, menos? vocês já sabem...)



Hãn? Se você nunca fez isso antes e não souber manejar o apareio? Sem problemas! Aconteceu com a gente logo que nos mudamos para cá. Você fica esperando alguém aparecer no pedaço. Talvez outra pessoa que venha abastecer também, como um senhorzinho, por exemplo. Você pergunta a ele em inglês, daí tenta falar alguma palavra em sueco. Pergunta blá blá e ele te olha com cara de que está vendo um ET que nunca fez isso antes. Então ele fala buzumzumbuzumzá. Você não entende nada, mas ele apontou pra máquina e fez gesto de que é só "manejar a coisa você mesmo.

E tá feito.

Na Suécia você aprende rapidinho a ter essa e outras mil e uma utilidades, porque algumas profissões simplesmente não existem, nunca existiram ou desapareceram com o advento das máquinas. E viva a modernidade!? É. Talvez, quem sabe?

...

* GPS (Global Positioning System): é aquele aparelhinnn que se usa no carro para se localizar em qualquer canto e que tem uma mulherzinha, chatinha coitada, inserida dentro dele que nos ajuda (e acha que somos surdos) a achar as coordenadas até nosso destino. De vez em quando ela dá umas bolas foras, mas no geral colabora muito para baixar o nível de stress nos carros das famílias que se perdem pelo mundo afora. Eu recomendo. Na situação narrada acima, por exemplo, ela trabalhou bem que foi uma beleza.

Terceiro concurso de blogueiras da Lola: Maternidade


("Fátima", Chidi Okoye)

Molerada toda,

A Lola encerrou o segundo concurso (que eu infelizmente perdi de me inscrever, já que adoraria saber que eu consigo escrever um texto aceito como feminista) no qual a Marjorie que eu uau! acho booooa (no sentido literário da palavra, não a conheço pessoalmente) demais ganhou. Eu fui tão honesta quanto no primeiro: votei dos dois micros que tenho em casa, já que não conseguia decidir o que fazer. 

Votei na Marjorie (que ficou em primeiro lugar) e na Juju linda Moreira (que ficou em terceiro). PARABÉNS MENINAS!!! Eu eu também queria ter votado no texto da Denise que era sobre um caso da menina abusada pelo pai e sobre o julgamento da Igreja, com o qual eu tinha ficado horrorizada, mas daí pensei que ela já era tom famosa no pedaço que não votei. Cabou que parece que todo mundo pensou o mesmo e a Denise teve pouco voto... Reforço que não foi esse o critério que me fez escolher os dois textos que citei. O blog da Marjorie e aquele texto eu havia lido antes já e já gostava e o da Ju eu tinha achado incrível por trazer o tema do aborto na Suécia. O difícil do concurso é escolher entre textos tão diferentes e bons.

O terceiro concurso é sobre um tema que tenho certeza que muitas de vocês adoram: Maternidade. 

E mesmo vocês que odeiam pensar na idéia de serem mães. Escrever sobre como ser ou não ser mãe, o porquê de ser ou como ser. Tenho certeza que vocês têm textos para inscrever. O pedido é que eles sejam recentes, dos últimos seis meses. (Ah! e creio que deva ter o mínimo de afinidades com questões que a autora do blog defende, como textos que não sejam machistas, por exemplo. Sei lá, penso eu!) Tenho alguns, mas talvez eu até escreva um especial. 

Então fica aqui o convite para participar, para ler e votar novamente.

Boa Sorte!

11 agosto 2009

"You can't always get what you want..."


(Eu, de qualquer jeito, em Varberg, Suécia, agosto de 2009) 



"You can't always get what you want", lá lá lá lá lá laaaa... foi a canção que acordei cantando na quarta-feira, enquanto ouvia meu Spotify e dançava na beira da pia lavando uma mamadeira do Ângelo. Ainda de pijamas, limpando as coisas do café da manhã eu cantei com minha guitarra especial, com cerdas de lavar leite... E me senti rainha do mundo e poderosa. A vida, em dias assim, parece mesmo infinita de vida.

Cantando like a Rollling Stones eu fiquei pensando nos versos e dizendo a mim mesma: "Você não pode ter sempre o que você quer!". Deixei por um tempo de ser a mulher dinâmica e cheia de energia para dar numa sala de aula para ter essa experiência de vida aqui com os meus amores. Tem dias que sinto muita falta, tem dias que penso que poderia viver só para eles a vida toda... 

Mudo o tempo todo e todos os dias...

Na maior parte deles é como na manhã de quarta passada... Fiquei cantando com essa certeza: eu posso ter tudo agora se eu não quiser ter tudo ao mesmo tempo. Eu posso ter tudo o que essa vida na Suécia me permite. Ela não me permite ter minha família adorada por perto. E eu, tampouco, posso encontrar com minhas antigas amigas e visitar meus lugares preferidos. A vida aqui me proporciona outras coisas. Muitas lindas e maravilhosas, como poder receber gente que gosto aqui. Poder mostrar lugares como esses que fomos esses dias a Dri, por exemplo. Tem outras bem difíceis, como saber que logo essa minha vida de "prazeres" e de sol dará lugar a dias como noites. Entretanto, talvez a grande lição seja mesma a de perceber que o que torna tudo tão especial é que a gente não pode ter sempre tudo o que a gente quer...

Sem deslumbres e polianismos, eu só sinto tannnta falta de algumas coisas especiais do Brasil porque não as tenho. E como seu sei, eu tenho a mais absoluta certeza, de que um dia eu vou mor-rer de saudades dessa Suécia, desses "anos dourados" em que o Ângelo ainda é pequeno, de ver o pôr do sol as dez e meia da noite ou de pisar na neve silenciosa... Eu sei disso e eu já tenho saudades e é por essas e outras que eu tenho certeza de que nem no futuro quando eu for de novo a professora maluca eu estarei totalmente completa... Vai me faltar o que tenho agora. Isso não muda. Então melhor é cantar e cantar bem alto com os Stones... Vamos lá! Pegue sua escova de cabelo, o microfone do computador, o controle remoto ou o que seja, clique no vídeo e cante bem alto comigo: 


...

ps: respondi os comentários do último post..

Estive em alguns cantos e lembrei-me de você...




(Com a "Garota na Ponte", de Edvard Munch, no KunstHalle, em Hamburgo, Alemanha, agosto 2009)


O meu sumiço repentino da semana passada está bem explicado aqui. Com a visita de minha cunhada Dri decidimos descer de carro até a Alemanha. Renato tinha uma semana de férias e aproveitamos para deitar sob o sol que estava ma-ra-vi-lho-so...

Os dias da semana que passou foram inesquecíveis. Azuis, quentes e aconchegantes... 

Hoje postei uma tantada de posts que havia tentado colocar durante os intervalos dos passeios, mas não tinha dado...

Vou voltar hoje, com certeza, para responder os comentários do meu último post. 

Em cada canto que passei pensei em contar para vocês... Contar que a Suécia nem minha vida é perfeita. Estão muito longe de ser, mas em tantos dias tudo parece mesmo ser assim... ou ao menos em certos momentos de certos dias. 

Passeando pelo norte da Alemanha e mais para o norte da Suécia eu me dei ainda mais conta de quantas vidas especiais existem por aí... quanta gente vivendo e tocando sua vidinha, gente que não sabe da minha e da nossa existência, e está lá... Pensei em quantas paisagens inesquecíveis há para se ver pelo mundo e o quanto eu ainda quero conhecer...

As vezes me sinto como no meio de uma película e todo mundo deve se sentir assim em momentos especiais...  Algumas são histórias dramáticas e cheias de chororô e nhenhenhê, outas de sorrisos, amores e abraços... 

A única coisa é que percebo que meus momentos especiais não necessariamente precisam de lugares espeicias... Eles podem acontecer debaixo de um chuveiro sozinha cantarolando, passeando sozinha com meu filho lindo de bicileta, lavando louça ou lendo um livro. Vivendo na Suécia ou vivendo no Brasil... a vida é cheia de coisas difíceis e maravilhosas em qualquer canto do planeta... É só conseguir aceitar que não dá para ter tudo que a gente quer ao mesmo tempo... Aliás esse é o tema do próximo post que eu também havia rascunhado numa manhã da semana passada e não havia publicado.

Beijos e ótima terça feira!


(Pôr do sol no Alles Stenar, Suécia, julho de 2009)


(Pôr do sol no Alles Stenar, Suécia, julho de 2009)

(Tia Dri, Ângelo e eu, Alles Stenar, Suécia, julho de 2009)

(No topo do castelo da deliciosa Varberg, Suécia, julho de 2009)


(Testando todos os parquinhos da ilha de Marstrand, Ângelo no gatinho, eu e tia Dri ao fundo,  Suécia, julho de 2009)


(Passeio com direito a cenário de casamento por todos os cantos, ilha de Marstrand, Suécia, julho de 2009)



(Passeio com direito a vistas paradisíacas, Dri na ilha de Marstrand, Suécia, julho de 2009)

"Por onde for quero ser seu par..."

(Ângelo nos ombros do pai, Malmö, abril de 2008)

Eu queria muito ter publicado este post no domingo, mas não consegui. Deveria ser uma homenagem a tempo para o dia dos pais, mas hoje de manhã, vendo o Renato com o Ângelo de novo juntos pensei que deixar de fazê-la por conta da data já passada seria uma bobeira. 

Todas as vezes que vejo como o Renato se debulha de amor pelo Ângelo eu penso o quanto meu pai deve ter feito o mesmo eu eu nem sequer me lembro, porque era pequena demais. 
Eu penso no quanto os pais são figuras tão importantes no crescimento da gente. Como precisamos aprender com seu jeito mais solto e brincalhão. Como é preciso ter seus ombros e seu apoio, como nós nos miraremos em seu amor e em suas exigências, até mesmo quanto nem sequer imaginarmos, pelo resto de nossas vidas.

Meu querido pai já se foi, mas não há um dia sequer que a figura dele, seu sorriso, o choro de sua sanfona e o que vivi com ele não estejam em mim. E é assim que eu quero que um dia o Ângelo se lembre do Renato. Quero marcar com imagens todo esse amor que o pai dele nutre por ele e o quanto ele se dedica. Para que um dia não restem dúvidas, para que não hajam inseguranças e cobranças em vão... O amor é algo que se dá mesmo quando não se espera que a pessoa um dia se lembre...

Parabéns Re, você é o amor da minha vida e tornou-se também o grande amor do Ângelo.
Parabéns a você que passa por aqui e também é pai e aos pais todos de vocês que eu adoro.

Ótima terça feira dos pais!

(Sempre na primeira classe, Ângelo nos ombros do pai, Costa do Sauípem Bahia, Brasil, março de 2008)





("Me leva amor...!", Ângelo e Re no monumento de Ales Stenar, Suécia, agosto de 2009)


("Cólo papai!", Ângelo e Re passeando por Lubeck, norte da Alemanha, agosto de 2009)

("Por onde for quero ser seu par...",  Ângelo e Re brincando em parquinho na Alemanha, Lubeck, agosto de 2009)

O maior craque brasileiro na Suécia, homenagem ao avô


(Ângelo com o uniforme do Palmeiras, desfilando pelos gramados malmoenses, Malmö, agosto de 2009)



(Jogo de cintura e ginga com a bola, quem tem??? Ângelo nos gramados em frente de casa, mostrando tudo que já "nasceu sabendo" sobre bola, Malmö, agosto de 2009)