04 novembro 2008

Que jogo você prefere: "Just Ping" ou "Ping Pong"?

(Parece que como eu, ela não resiste a jogar um "Ping Pong")


Nikol, uma querida amiga que fiz aqui, usa uma expressão divertida para me explicar o que ela sente por determinados tipos de pessoas. 

O tipo número 1 é aquele que irrita porque, numa conversa por exemplo, faz com que o jogo seja apenas "Ping", quando você tá louco para que seja "Ping Pong". É aquele que não faz a conversa render porque é tímido, ou porque tem preguiça ou porque é chato demais e acha qualquer assunto sem graça. Uma conversa típica com o número 1 seria:

- Noossa! (diz você para ele, com cara de surpresa e de simpático) Você trocou a decoração dessa sala não foi? Está super bonita!
Ao que o sujeito responde sem mudar suas feições:
- É, troquei.  
- Ahnnn... É... e você disse que estava fazendo um curso novo não era? Super legal, porque é bom mesmo pôr a cabeça pra funcionar...
- ahã... É... (Continua ele com cara de jogador desinteressado).

O número 1 faz você fazer o papel do "Just Ping", sabe? quando você tá jogando a bolinha sozinho? Isso porque ele não te manda "Pong" nenhum. Você fica lá ansiando pelas bolinhas para que você não seja o único a se esforçar para manter uma conversa decente. Mas nada... 

O número 2, ao contrário, acaba fazendo com que você faça queira o jogo "Just Ping", mesmo quando você é como a Nikol, que adora fazer um jogo legal. O número 2, segundo minha amiga, não merece que você se importe em jogar as bolinhas de volta. Seria mais ou menos o tipo de pessoa que joga com as palavras, usando-as de maneira a te deixar sem vontade de jogar ou constrangido de querer continuar o jogo. 

Normalmente Nikol, alemã (organizada e séria) com raízes sérvias (mais parecido com jeitão animado brasileiro),  põe nessa categoria gente que fala demais ou que confunde poder se expressar com liberdade de falar o que quer da maneira que deseja. 

Gente assim ela faz questão de deixar jogando sozinho. Ela não se irrita, não perde tempo no jogo, não faz "Pong" para dar trela pro jogador. Ela deixa a bolinha cair do lado e põe a raquete na mesa. 

A Nikol talvez seja sábia. Eu ainda não sou tão boa jogadora. Eu sou o tipo "Ping Pong" em quase toda situação. 

Quando eu tinha oito anos, no primeiro dia de aula da segunda série, o Adriano, um menininho muito miudinho que era o primeiro da fila dos meninos, atrás de mim, a última das meninas, me olhou lá debaixo e disse:

- Oi Girafa! Ao que os outros meninos morreram de rir. 
Cansada das piadinhas da infância, me virei num segundo, sem dizer nada e fiz:
- Plaft! mandei um tapa na cara do coitado que chorou à beça. Eu mandei um "Pong" nele e virei o "leão bravo" da classe antes das aulas sequer começarem.  

Quando eu tinha uns quatorze anos, um homem de uns cinquenta tentou dar uma de esperto pra cima de mim, no ônibus apertado. Eu não tive dúvida. Virei pra ele e falei alto pra todo mundo ouvir:

- Se toca! Sai pra lá, seu velho-nojento-sem-vergonha! 

Na semana passada, conheci uma sueca mal educada, caso raro aqui. Uma senhora de muitas décadas de vida, cara de muito mal amada por todo mundo, fez assim com os braços, tipo "sai", incomodada, meio que empurrando a mim e a Jana do corredor da loja vazia, por onde ela queria passar. Esperei uns minutos, fui lá no corredor onde ela estava  testando milhares de gorros e tentei pegar um atrás dela. Quando a criatura me olhou sem sair do lugar eu não disse nada, mas fiquei gesticulando da mesma maneira que ela, meio que dizendo: "então, agora eu é que quero passar, você me dá licença!"

Adoro a teoria da minha amiga calma e pacífica Nikol e acho que ela tem razão. Certos jogos não merecem ser continuados. Se a gente tem que tolerar ser "Just Ping" para gente sem jogo, de vez em quando, é preciso aprender também a deixar aqueles que não sabem fazer um jogo legal no papel jogando bolinhas brancas sozinho. Talvez aprender que certos jogadores não merecem os nossos "Pings" e que outros não merecem os nossos "Pongs" porque, independente do resultado, o importante é como decidimos jogar ou não a partida. 

4 comentários:

Beth/Lilás disse...

Querida barbuletinha!
Eu sou tal qual você - Ping Pong.
Você duvida disso?
Principalmente, fiquei mais ping pong ainda, depois dos meus enta e poucos anos. haha
beijos cariocas

Somnia Carvalho disse...

ô Dona Betiiii,

Cê choveu no molhado... acha que eu tinha alguma dúvida que vc é o tipo Ping Pong? hahá... eu já sabia! eu já sabia! rs.....

Anônimo disse...

Sonia, sempre fui daquelas que via a bolinha de ping pong quicar pegando fogo do meu lado e eu dava uma sopradinha e deixava passar...agora com mais idade, menos paciencia e com mais senso de justiça e auto defesa nao perco uma raquetada. Tem gente me estranhando...mas eu estou lucrando com isso. Percebi que as pessoas confundem gente boazinha com gente idiota. Aprendi a ser sincera primeiro comigo mesma. Bj. Pinta New Ping Pong

Somnia Carvalho disse...

Dona Pinta Maioral!!!!

A-do-rei saber disso! Sempre olhei pra você pensando: como é que ela pode saber jogar e deixar a bola passar rolando??? porque você é inteligente, tem percepção, mas acho que, como qualquer pessoa mais tímida, você se sabotava quando ficava calada em momentos cruciais do jogo.

Preciso marcar um super encontro com essa nova e ainda mais demais Pinta... que tal em dezembro???