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Um Romeu para a Julieta: Parte 2: Gláucia e Daniel

("O beijo, Gustav Klimt)


Trilogia das Relações Lindas, Saudáveis e Possíveis:
Um Romeu para a Julieta: Parte 2: É preciso olhar e ver


Era uma vez uma menina Gláucia e um menino Daniel.

Em comum eles tinha o "d" mudo que o povo de Jund-aí fala. Tinham também quase o mesmo endereço.
Um era vizinho do outro e por assim foi por quase vinte e cinco anos. Vizinhos de frente, na maior parte do tempo, mas, além disso, nada mais os unia.

E assim o tempo foi passando.
Da escolinha e das brincadeiras de Princesa e Príncipe - que a gente imagina que ela pode ter tido - até à universidade, a menina Gláucia se manteve distante do menino.
Embarcou para Campinas, depois São Paulo, estudou as letras e as poesias, mas o romance ela deixava para as aulas e não para a vida.
Depois de um ou outro relacionamento, a idéia de encontrar um Príncipe, parece, foi, aos poucos, deixando seu mundo prático e independente.

E entre tantas idas e vindas do destino, entre tantas alegrias e tristezas, Gláucia se contentou em ser essa mulher que no amor, não mais acreditava. Viajou o mundo e voltou. Foi feliz e triste, e um dia supirou-me, enquanto lanchávamos na USP:

- Eu tô cansada, Sônia. Queria encontrar alguém especial. Queria um relacionamento duradouro e bom.

O que nem a menina Gláucia sabia, muito menos eu poderia imaginar, era que Daniel, um Príncipe "especial" e paciente, esperava-a também naquele dia para vê-la novamente fechar seu portão.

(O menino Daniel, há algum tempo atrás)

O que ela sequer poderia imaginar é que esse alguém sonhado por ela era o mesmo menino que há tantos anos vivia ali em frente à sua casa.


(Glau, ainda vendo apenas estrelinhas...)


O que eu sei, depois disso, é que, certo dia, a Glau não só olhou, mas viu o Daniel.

E de repente, talvez porque ela tenha se aberto novamente, o Daniel se mostrou mesmo como esse Príncipe "especial". O tipo de homem que, um dia, descreveria assim a paixão e o "conhecer" dos dois, quando uma amiga lhe pedisse umas palavras para publicar num blog. O tipo de namorado e, já futuro marido (sim! eles estão planejando tudo pra loguinho) me comoveria tanto com seu depoimento.

(Glau e Daniel, felizes da vida)

....

(Quando li a história escrita pelo Daniel, eu tava ouvindo a canção "Come here", de Kath Bloom, trilha de dois filmes maravilhosos: "Before Sunrise" e "Before Sunset". Se quiser sentir a deliciosa sensação, clique no link ao lado do blog.)

"Dizer que o mundo dá voltas é mais um provérbio sem muito a revelar, agora, "viver" que o mundo dá voltas é espetacular. Digo isso com todas as palavras, pois de uma vida sem muita graça, aquela mesma de ir para o trabalho de manhã, voltar correndo a tarde, ir para a escola a noite e chegar acabado quase de madrugada, depois de uma bebidinha com os amigos, nos finais de semana, passar para uma verdadeira estória, um conto de fadas, daqueles tipo "Disney"... tudo mudou. É assim que eu descrevo o início de uma verdadeira reviravolta em minha vida..

Quando criança notara uma garota séria de poucas palavras, mas de uma vida de certamente brilhante, que morava em frente de casa. Vi quase toda sua trajetória: seus amores, suas desilusões, seu choro com o fim de um romance até à perda de brilho, com a morte de seu irmão.

Por muitos anos nossas vidas eram apenas ligadas com o simples fato de morarmos na mesma rua, pois encontros não existiam, conversas tão pouco, o mais próximo que cheguei foi ficar aguardando- ela guardar seu carro enquanto eu chegava da escola. Uma espécie de segurança.

Sempre me encantei com o brilho que um dia vira em seu olhar, mas que há tempos estava sumido...cheguei a encontrá-la uma vez na casa de um primo dela que, por mera coincidencia, era meu melhor amigo. Mas não pense que isso ajudava...
Parecia que a vida estava aguardando o momento certo, e foi isso que ela, a vida, fez. Aguardou o momento certo,

Quando menos esperei, ela descobriu sobre meus encantos pelos "ois", "obrigados" e pelos "tchaus" feitos com a mão que o destino nos proporcionava ocasionalmente. Enfim, no tão sonhado momento, ela me descobriu, abrindo assim uma chance de poder abrir as janelas de nossos corações, e eu então poder atravessar de uma vez por todas aquela rua que fazia sete metros parecerem sete voltas em torno do planeta...isso sem contar que esta distância se tornaria ainda menor, quando então as janelas do coração dela voltaram a estar abertas para o amor..."

...

Para vocês, a história linda, real, perfeitamente possível, da minha amiga Glau e do querido e especialíssimo Daniel.
Mais uma prova de que ser muito feliz e encontrar alguém muito certo pra gente não precisa ficar apenas no mundo infantil das fantasias.

Comentários

Art in Shapes disse…
Somnia, que história! Pode ter certeza que as histórias que você coloca aqui me dão a maior motivação para encontrar alguém bem bacana. E pode ter certeza que quando isso acontecer você poderá publicar no seu blog a minha história de amor possível! Não vejo a hora!

Bjs

Dani
1daystand.blogspot.com
Somnia Carvalho disse…
Dani, querida,
recebi seu email, tô na loucura, mas obrigada por tudo!
e esses posts têm sido especiais para você! e para as amigas desacreditadas! hahaha...

claro que sua historia saira aquiiii! claro!

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