17 junho 2011

Hej! Eu tenho que te dizer uma coisa e precisa ser hoje!


("I feel good", James Brown)

Hoje faz exatos 10 meses e 17 dias que eu embarcava em Copenhaguem cheia de malas para voltar ao Brasil! Ou seja, quase 1 ano!

Hum? E daí? Por que estou falando de um dia tão quebrado assim?

Porque foi hoje, minha gente, somente hoje, depois de tantos meses de volta que tchum! Aconteceu! Eu finalmente me readaptei!

Não! Eu não estava vegetando o ano que passou e nem fiquei parada. Na verdade eu não parei um minuto correndo atrás de pôr a vida toda em ordem de novo...

Não quer dizer que eu tenha apenas sofrido estando aqui até agora também. Não! Eu vivi, eu sorri, eu fiquei feliz por estar com os velhos amigos e a família querida e com minha pequena e amada familinha. Uma coisa, no entanto, eu não posso negar: eu nunca tinha conseguido estar feliz de ter voltado. Sempre foi nestes meses todos um misto de raiva com frustração. Uma chatice vindo de dentro e me fazendo olhar para tudo aqui e pensar: "lá era muito melhor!" No fundo doía em mim olhar para tantos problemas e se sentir incapaz de resolvê-los... Doía a saudade dos amigos de lá e não ter de volta uma vida tão cheia de novidades como era a vida sofrida, mas encantada da Suécia.

A verdade, amigos e amigas, é que deixar o Brasil em 2007 e ir viver na gélida Suécia não foi nem um pouco difícil. Ao contrário do que tanta gente pensa ir embora é muito fácil porque quando se muda tudo é novo. Desde a rua detrás da sua casa até o vizinho com quem você cruza num elevador... A língua, a comida, os cheiros, os sons, tudo! A gente se encanta, tem o que contar e coisas a descobrir. Difícil sempre é voltar ao mesmo. Voltar às pessoas com seus velhos problemas, ler as repetidas críticas nos jornais, assistir aos antigos programas e sentir que o tempo vivido fora pareceu 20 anos para você de tanto vivido, mas tanta gente aqui continuou exatamente na mesma lida, na mesma vidinha e não sentiu falta de nada. Então, voltar requer muito, mas muito mais paciência e dedicação. Requer perceber-se a si mesmo como estagnado, porque não readaptar-se também é continuar na mesma...

Bom, vocês ouviram minhas lamúrias nestes meses todos e elas foram muitas! Não estou dizendo que agora vou começar a dizer "ai que lindo meu Brasil brasileiro, meu mulato estrangeiro"! Não é isso, mas senti hoje, enquanto olhava pela janela do ônibus em direção ao quiropraxista e depois caminhando pelas ruas das Perdizes, meu antigo bairro aqui em São Paulo, sentindo os cheiros das padarias, o sol quente do nosso inverno, ouvindo os brasileiros sem odiá-los, sentindo-me finalmente brasileira que eu sou capaz de cantar novamente o Brasil (e não só a Suécia) em versos!

No final tudo dá sempre certo, porque a gente sempre se acostuma seja ao frio da Suécia ou aos problemões do Brasil.... O melhor, porém, é quando a amargura de ter que adaptar-se dá lugar a uma alegria tranquila de ter se readaptado.

Obrigada pelos ombros largos e ótima sexta-feira!

5 comentários:

Lu Souza Brito disse...

Ei Somnia, que bacana!
Imagino que a readaptação seja mesmo um processo dolorido, mas você, mesmo nos posts que faz as comparações entre os paises, ja demonstra sim que é uma pessoa aberta a mudanças e que nao sofre além do necessário.

Sabia que sempre comento com meu marido sobre o que leio aqui sobre suas impressoes Brasil / Suécia?

Esta semana assistia ao JN que mostravam os depósitos de lixo tóxico subterraneas (no fundo do mar) que a Suécia está construindo. Estações avançadas. Inclusive já perceberam o grande negocio e vão construir outra bem maior - a mais de 500metros abaixo do oceano, para "alugar".
Vejo, leio e penso em você. Daí meu marido perguntou: "Não é onde morava sua amiga? ahahahahah.

A gente passa a ler e saber tanto da vida dos nossos companheiros blogueiros que quando percebemos, já nos referimos a eles como se os conhecesse pessoalmente.

** Desculpa pelo comentario imenso e totalmente fugindo do seu assunto, mas é só para dizer que adoro suas escritas, suas aventuras e modo de ver / viver a vida narrado aqui tão detalhadamente para nós.
Beijooos

Camila Hareide disse...

Clap, clap, clap! Batendo palmas pra sua lucidez, Sonildes! Fico feliz com a sua felicidade!

beijo e sodade

Danissima disse...

Vc poderia escrever um guia de readaptaçao... que tal?
Mas sobre as musicas, vc ja pode cantar:
"moro num pais tropical", enquanto eu canto em dezembro "vai, meu irmao, pega esse aviao, vc tem razao de fugir assim desse frio..."

Marcia Lima Gomes disse...

Oi querida! Faz tanto tempo que eu não vinha aqui que nem sabia que você tinha voltado a viver no Brasil. Como eu admiro o seu jeito de traduzir a vida em palavras. Tudo o q vc faz muito sentido. É aquele velho sentimento do imigrante que nunca mais se sente em casa em lugar nenhum, né? Longe a gente sente saudade de casa. Em casa, a gente sente saudade do que ficou longe. Assim a gente vai aprendendo a conviver com as nossas ansiedades, somando e subtraindo... Boa sorte na sua nova vida no Brasil!!! Beijos.

Beth/Lilás disse...

E eu só tenho a dizer - Felicidades sempre, aqui ou lá ou em qualquer lugar que escolherem viver suas vidas!
bjs cariocas