13 junho 2011

A Corcunda de Notre Dame


(Lembrem-se crianças: não existe perguntas idiotas, apenas interlocutores)

Tem pelo menos quatro coisas das quais eu me lembro muito bem a respeito da minha infância na primeira escola:

1) Eu era muito alta e muito magrela,
2) Eu era fraca fisicamente e vivia mais internada do que em sala de aula,
3) Eu era extremamente cdf, isto é, adorava estudar, sentava nas primeiras carteiras, tirava ótimas notas apesar do item número 2 e
4) Eu já era corcunda.

Com estas características dá para imaginar como eu não era popular com a turma da sala, embora fosse a queridinha de muitas das professoras.

Eu era, por assim dizer, uma aluna fácil. Eu me matava para aprender, para recuperar notas, para provar onde residia meu valor etc. Até aí nada demais. Eu era só uma garota boba do interior tentando, de forma literalmente torta, ganhar meu lugar ao sol.

Exatamente pelo fato destes itens terem meio que caminhado comigo minha vida toda eu sinto que atribuo grande dose de culpa aos meus educadores daquela época por pelo menos quatro outras razões:

1) Nunca me disseram na escola que ser magra e alta seria uma enorme vantagem para mim no futuro, pois dificilmente eu precisaria lutar com balança e comida, enquanto provavelmente o fariam as escolhidas para serem a "moça bonita" da parlenda da laranja baiana.
2) Nem me alertaram para o fato de que crianças adoecem o tempo todo e ser doente numa fase da vida não necessariamente condena a gente para o restante inteiro dela.
3) Ou que desejar ardentemente ter algum livro em casa para ler ou gostar de estudar era algo bom devendo eu seguir meu desejo desesperado por aprender, aprender e aprender.
4) Que se encurvar toda para não tapar a frente do colega de trás era um jeito excelente de ter incríveis problemas de coluna na fase adulta.

Eu, cuja idéia sobre pessoas com problema na coluna do estilo "bico de papagaio" fossem só velhinhos e velhinhas de 97 anos estou enfrentando muitas dores nas costas, braços e mãos nas últimas semanas.

Sim, já estou me tratando e também pensando com meus botões e dores: as professoras e professores dizem as coisas que realmente são importantes para nós quando ainda somos pequenos e nós é que somos idiotas demais para não entender ou grande parte delas, na verdade, vive num mundo de faz de conta?

A gente vive repetindo que a escola piorou em muitos sentidos, como na capacidade de dar aos alunos formação ampla sobre o mundo, capacidade crítica de ler e escrever, mas ando pensando se no quesito olhar mais para os alunos e pensar no futuro de cada um deles de forma mais carinhosa não seja hoje muito melhor do que no passado?

Ou eu é quem continuo idiota demais?

9 comentários:

Beth/Lilás disse...

Chiii, tadinha, continua mal!?
Eu já lhe disse, isso é a fase de segurar neném o tempo todo, tira e bota no berço, dá banho, limpa, veste, dá comidinha, ufa ... haja costas!
E não tem essa de olhar com carinho para criança brasileira, mesmo em escolas caras, não acredito que haja este 'olhar' aqui em nosso país. Somos da cultura do olhar pro próprio umbigo, não há um olhar maior, carinhoso, a começar pelos nossos governantes que não têm este carinho com seu povo. É só observar como ainda é crítica a área de saúde no país.
Te cuida garotinha, senão quando chegar na minha idade a coisa vai ficar complicada.
Melhoras e uma ótima semaninha!
bjs cariocas

Sergio disse...

Eu concordo com a Beth: não acho que de uma maneira geral os professores consigam enxergar o aluno como um todo, mesmo nas escolas particulares. É claro que nada se compara ao descuido total das escolas publicas, mas mesmo as escolas particulares pecam muito no cuidado. O fato de se "convidar" um aluno que vai mal na escola a se retirar da escola no próximo ano, mostra muito bem esta falta de preocupação com o individuo.
Acho que nas escolas particulares a preocupação é somente com o nome da escola e com o pagamento da mensalidade. Na pública, bem...
É claro que existem exceções em tudo, mas mesmo estes professores bem intensionados sao barrados pelo sistema e seu poder é limitado.

Mari disse...

Foi a Mari que comentou ai em cima...

Lu Souza Brito disse...

Acho que depende muito Somnia. Eu estudei a vida toda em escola pública. Meus sobrinhos estudam e hoje vejo que as escolas, por mais que errem em mil coisas, estão sim comprometidas em formar cidadãos melhores, em ver as crianças além do "mais um aluno que precisa ter notas". Eu vejo os tipos de atividades que são propostos, as reflexões e chego a conclusão que nao tive nada disso.
Falta muito? Claro que falta. Varia de escola, professores, direção? Claro que sim. Mas os novos professores já tem uma mentalidade diferenciada, é o que eu acho!

Somnia Carvalho disse...

Lilássss, estou muito melhor hoje! Tomei uma injecao ontem e dormi muito bem! Tudo parece melhor hoje!

sim, eu preciso me cuidar do tanto que pego as criancas!

sobre a escola, respondo no proximo comentario junto com o das meninas...

Somnia Carvalho disse...

Mari, Sergio, hihi..

eu vejo que diferenca entre escola publica e particular e grande em alguns sentidos, como na forma e comprometimento com a crianca e o que ela deva aprender... mas tambem ja dei aula em escola particular e muitas vezes e so fachada... pagar nao necessariamente significa qualidade ne?

Somnia Carvalho disse...

Lu, na verdade eu acho o mesmo que voce... fiquei pensando e desejando que hoje em dia uma professora na sala de aula seja capaz de dizer ao seu aluno ou a sua mae que uma atitude dele vai gerar algo ruim no futuro...

eu como voce estudei a vida inteirinha em escola publica, incluindo universidade, e vou dizer que na escola primaria foi muuuito ruim... aprendi sim o que precisava, mas as professoras estavam cansadas, queriam seu salario, a molecada nunca colaborou...

hoje vejo uma consciencia do individuo maior, um comprometimento com a causa educacional mesmo... mas acho que talvez nossas criancas estejam muito dispersas, nao e? a prova e o enen em que a maior parte nem consegue interpretar um texto...

ainda bem que algo melhorou nao?!

Lúcia Soares disse...

Sônia, melhoras pra você. Com a coluna é preciso tomar cuidado, em qualquer idade, pois a maioria do tempo nossa postura é errada mesmo.

Sobre a educação nas escolas, atualmente, é claro que há casos e casos. Há boas escolas, que realmente se preocupam com a criança e há as que não estão nem aí, só cumprem o calendário.
E o principal problema nem é tr ou não boas escolas. Elas próprias lutam para encontrar pessoal qualificado, pois nossos professores, de maneira geral, são muito mal formados. Falo "de cadeira", sou professora de formação e me desencantei há anos de dar aulas. Tenho uma sobrinha e também uma cunhada, que são professoras.
Uma, de escola minucipal. Super profissional, uma moça realmente capacitada.
A cunhada trabalha em escola particular, é autora de livros que a própria escola adota, é absolutamente engajada na questão da educação.
Depois de ter visto o vídeo da professora Amanda, que foi mostrado em vários blogs (se não viu, me fala, procuro e envio pra você), acredito que temos jeito, que ainda seremos um país culturalmente bem formado. Tenho fé!
Beijo!

Lúcia Soares disse...

http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA&feature=player_embedded

Soninha, já fui lá e "catei" o endereço do vídeo pra você.
Não dá vontade de abraçar e beijar muito essa moça? Eu assisti o vídeo e chorei, chorei, pois é muito triste nosso problema educacional.
Fizeram um "auê" com o vídeo, a moça foi no horrível "Domingão do Faustão", mas não vejo nada mais noticiado, uma pena, pois esse vídeo deveria ser institucional!
Beijo!