30 junho 2010

A vida num container

(Navio carregando containers como os que levarão nossa mudança de volta para o Brasil)

Gente boa toda,

Estou há 13 dias de sair dessa casa, já que ficaremos uma semana em hotel, e 23 de ir embora definitivamente (buááááá) da Suécia...

Cá fico entre a finalização de algumas telas que preciso entregar e também de algumas encomendas que recebi no dia da vernissagem, de parte do empacotamento da mudança, da burocracia, das reuniões para ver com amigos a Copa do Mundo, do desejo de se esticar ainda como suecos ao sol, já que a temperatura tem ficado entre 25 e 28 graus...

Entre as coisas que havia me prometido fazer estão também as telas das vencedoras de um concurso que fiz em março e estou publicando no post seguinte...

Por essas coisas vocês já sentem que virão as desculpas pelo sumiço da leitura e dos comentários nos blogs de vocês, assim como respostas aos comentários estimulantes que vocês me deixam aqui...

Ah! e também tem a gravidez... hihi... que apesar da energia que me dá, também me deixa andando como tartaruga e fazendo tudo a passos lentos e com o xororô à flor da pele...

Estou num misto gigante de excitação, alegria com tudo que irá mudar, com chegar novamente aí, misturada com uma tristeza monstruosa de deixar a vida aqui, as pessoas, o lugar, tudo... Faz uns dois dias que ando num buááá danado toda santa vez que me despeço de alguém, já que muitos amigos e conhecidos estão tirando férias e não mais os verei...

É isso... vou escrevendo o que não consigo resistir e tentando ver o que ainda dou conta até fechar as caixas todas, na mesma certeza que tive há tempos, enquanto vivia as durezas daqui, de que "Everything´s gonna be alright".



("No one", Alicia Keys)

E obrigadão por ainda estarem aí comigo!

27 junho 2010

Se depender da torcida organizada na Suécia...

(Ângelo no meio da "multidão" que assistiu o jogo depois da vernissagem do domingo passado, Malmö, junho de 2010)


Ao som do "Yellow submarino", dos Beatles, uma das músicas preferidas do Ângelo e que ele havia pedido pra pôr na vitrola, esta torcida organizada representada por gente do Brasil, da Suécia, Grécia, Polônia, Sérvia e Alemanha se reuniu aqui em casa depois da vernissagem e garantiu a festa...

Pena que nossa torcida não garanta os gols, mas se depender da organização e da animação do pessoal aqui o Brasil já ganhou esta Copa também!

E amanhã a gente se junta de novo porque "we all live in a yellow submarine!", yellow submarine, yellow submarine..."


(Xu e Li, as Tietes contratadas para o show, Malmö, junho de 2010)

(Todos juntos num só coração, 3a. fila: Fanny, Tobias, Gus, eu, Conrad,
Ângela, Kenth, 2a.: Filip, Mõnica, Jéssica, Thiago, Jacek, Dorota, 3a.: Gigi, Xu, Ângelo, Nik, Li e Alekssandra, Malmö, junho de 2010)


(Quem quer uma vuvuzela na orelha?, Gigi com a vuvuzela maior que ela, Malmö, junho de 2010)

(E manda o surdo no ouvido dos suecos Ângelo! Malmö, junho de 2010)

26 junho 2010

A começar pelas flores? vernissagem, parte 1


A começar pelas flores eu diria que minha vernissagem foi um sucesso!!!

Essas são as flores que ganhei no último domingo...
Flores apanhadas no jardim, compradas numa floricultura ou num mercado próximo por amigos e amigas queridas os quais fiz no tempo vivido aqui...

Doze pacotes trazidos com forte abraço que espalhei pela casa em seis diferentes vasos e fizeram minha alegria na semana que passou com tanto colorido...

Toda hora eu passava por eles e sorria por dentro ou por fora. É simplesmente tão bom receber flor de alguém como gesto de carinho, como parabéns, como qualquer coisa! Até hoje não entendo uma querida amiga da época da universidade quem não via sentido nenhum em ganhar flores...

Ao contrário pra mim, elas funcionam como chá de ânimo sempre! Casa com flor parece coração cheio de felicidade... Amei tanto que estou secando e já usei outras sequinhas em colagens de duas pinturas que estou fazendo esta semana...

Então, a começar por tanta cor e alegria vinda delas eu já tenho muito a agradecer...
Vocês também não acham?








Obrigada amigas e amigos!!!
E ótimo sábado de Midsommar cheio de flores para vocês que passam por aqui hoje também!!!

25 junho 2010

Será que a gente se faz entender?

(Iven e Ângelo, na festa de aniver de 4 anos do Iven, jardim da Nikol e foto dela, junho de 2010)


Pés saindo das sandálias
Pés descalços
Pés enfiados na areia
Pés pro alto...

Dá para entender o espírito do verão daqui?

Não? E a cara enfiada na areia fresquinha?

Então... é isso que eu tento explicar sobre a chegada do verão, mas acho que Iven, Ângelo e amigos conseguem expressar melhor... Em atos!


24 junho 2010

Finalmente um dia de verão! E ainda em tempo de...

(Eu e Marina, em frente da tela "Isabelle, heter Jag!", que fiz com base em uma outra de Isabelle Tuchband, na vernissagem de domingo, junho de 2010)


Pessoas querillldas todas,

Hoje é 24 de junho e estou com um frio terrível na barriga: falta apenas 1 mês para eu deixar de ser a Somnia Borboletiando na Suécia, a Somnia que vem somniando nesta terra por onde nunca imaginei passar antes há quase quatro anos...

Quinta-feira, véspera da celebração de um grandioso feriado sueco, o Midsommar (que será oficialmente no sábado este ano), no qual se celebra o solstício de verão. Antes de ontem foi o dia mais longo do ano aqui. Tivemos amarelo e vermelho do sol no mar até umas onze e meia da noite e agora os dias começam a se encurtar novamente.

Hoje é também o primeiro dia real, na minha brasileira opinião, de calor dos bons (suecos, claro! porque deve estar uns 21 (graus no sol)*. Saí toda vaporosa, sem precisar de moleton leve ou nada, sem vento, só o sollll raiando no céu, só a suecada e todo povo que aqui vive andando pelas ruas de shorts, chapéu e sorriso no rosto.

Ângelo está tendo um aniversário antecipado na escolinha, já que muitos amiguinhos vão sair de férias agora... Estamos, eu, as amigas e amigos todos, numa coisa enloquecedora de querer aproveitar o dia, de querer encontrar todo mundo...

E, embora eu esteja voltando para o país do sol em 4 semanas dá um nó enorme na garganta de pensar que não estarei mais aqui em breve... que não viverei a chegada do verão com tanta intensidade como os suecos sabem fazer... Ainda parece tudo tão irreal. Ainda parece que vivi minha vida toda aqui, embora eu seja a figura encarnada da brasileira que muitos amigos estrangeiros daqui puderam conhecer...

É difícil ouvir minhas amigas daqui dizendo: "vocês não podem ir...", "vamos sentir tanto a falta de vocês!"...

Bom, fora o clima de despedida acho que talvez só a perda do sol, do verde, da liberdade de sair quase sem roupa, e deixando o corpo sentir a energia boa que essa época pode causar é que se pode entender o valor de ter ganho isso tudo de novo.

Creio que é a disparidade tão enorme entre os dias de verão e de inverno que nos cause tanto deleite. No inverno, nossos dias começam, sem sol, cinza no céu, as nove e meia ou dez da manhã e terminam lá pelas duas e meia ou três da tarde. Às nove da noite o corpo quer se entregar à cama... Dormir doze, treze horas nunca parece suficiente... No verão, entretanto, temos passarinhos cantando e o céu já raiando lá fora as três da matina e indo morrer no mar nunca antes de onze da noite. E aí é tanta energia brotando que fico acordada entre seis, sete da manhã até meia noite, sem problemas!

Amanhã, quando se celebra realmente o feriado, haverá shows em parques, piqueniques públicos e shows públicos... Nos juntaremos a um montão de amigos no Folketspark e dançaremos em volta do tronco de árvores lotado de florzinhas de verão...

O mesmo que fiz há 3 anos e meio, também de barriga, mas sem conhecer uma santa alma, depois de uma chuvona danada e muito, muito perdida no país e na cidade onde eu depois sentiria como sendo meu segundo lar...

Já entendo o que as músicas cantam... o que os grupos ao meu redor conversam entre si. Já entendo porque faz sentido celebrar o solstício e tantas coisas mais.

É isso que o tempo faz com a gente... o tempo lá fora, o tempo aqui dentro...

Quero postar sobre a vernissagem e visitar vocês sim!!!, mas tiengo que sair já já de novo! Tanta coisa ainda por fazer, finalizar e ver antes da partida! E paremos de conversa porque é hora de viver lá fora!!!

Beijos enormes!

Somnia.

* Update (17:03): Faktiskt! Na verdade está fazendo 25 graus lá fora! calorzão de deixar feliz qualquer um por aqui!

22 junho 2010

Celebrando a liberdade? Sobre o casamento da Princesa Victoria e as escolhas que todas nós devemos fazer todos os dias


(Indo contra a corrente, a Princesa Coroada da Suécia Victoria entra com seu seu pai, o rei Carlos Gustavo XVI, para celebrar seu casamento, Suécia, junho 2010, fonte: Boda Real)

No ano de 1976, numa sexta-feira a noite, às vésperas do casamento do jovem Carlos Gustavo e a bela Silvia, o grupo ABBA era o único grupo pop a se apresentar na cerimônia cheia de pompa, circunstância e música clássica. Brincando de rei e rainha, os quatro cantores suecos diziam para os noivos tomarem a vez deles, se soltarem, relaxarem e dançarem, porque eles eram os donos da festa! O evento era parte das celebrações do último grande casamento real que a Suécia assistia até sexta-feira passada.




("Friday night and the lights are low...", ABBA no dia do casamento do rei Gustavo com princesa Silvia, 1976)

Foi para os noivos daquele ano que "Dancing Queen" foi criada e provavelmente naquela noite nem o grupo, nem os noivos e convidados imaginariam que até nos trópicos nós passaríamos a dançar esta música por décadas e décadas em outras cerimônias de casamento ou não.

Sexta-feira, 18 de junho de 2009, deixei marido e filho e pedaleis algumas quadras até a casa da amiga sueca Helena, onde tantos outros suecos e mais uma brasileira se reuniam para assistir a tal prévia que concorria com jogo da Copa do Mundo na minha casa e em muitas outras.



(Famoso pré-concerto de casamento, na véspera do casamento de Victoria e Daniel, choro para lá e para cá..., Suécia 18 de junho de 2010)

Há gente que fez questão de não ver. Há gente que viu e teve mais argumentos contra a idéia fácil de se apoiar de que manter uma família real num país parlamentarista é desperdício de dinheiro público...

Eu, por minha conta, já que a coisa estava ali acontecendo, tratei de presenciar o evento, junto de amigos que provavelmente nunca mais verei, num dia em que o país celebrava um dos maiores eventos, também políticos, das últimas décadas.

No último post (para o qual as respostas foram muito boas!) perguntei sobre o que vocês achavam da decisão de Victoria, que nascida e crescida num país onde as leis tentam colocar mulheres e homens no mesmo plano, havia decidido entrar com o pai e não com o noivo Daniel na Igreja. Esse é o costume de décadas aqui e inclusive Victoria só estaria celebrando tal momento como Princesa Coroada, porque esta mesma lei a tratou como "digna de", apesar de ter nascida mulher.



(Victoria enxuga as lágrimas do marido, Suécia, junho de 2010, fonte: Boda Real)

Após as discussões a opinião pública parece ter dado a vez à liberdade da mulher em questão. Victoria entrou sim com o pai na Igreja e, apesar de não ter seguido a moderna tradição de seu país democrático, seguiu seu desejo pessoal. Talvez o amor e o respeito pelo pai, talvez a jogada política de colocar o velho rei - quase esquecido desde seu casamento em 1976 - na mira da câmera novamente. Fato é que por aqui só se fala na beleza de Victoria, na sua simpatia, na emoção tão contida do noivo que desabrochou em dois momentos em muitas lágrimas enxugadas pela noiva.

Milhares de pessoas se sentiram como convidadas no casamento tão especial e sentiram como se dele tivessem participado de fato!

Só vi o casamento pelo youtube, porque estava fazendo compras para a minha Vernissagem e não cheguei a tempo, mas tal como na sexta a noite me emocionei que nem me emociono em casamentos verdadeiros. Vocês podem acompanhar a versão curta que coloquei aqui ou ver outras na internet... Poderão também ouvir em sueco (que eu acho lindo!) a cerimônia que quase todos nós sabemos de cor em português...

Talvez você ache coisa de programa de Amaury Júnior (como meu romântico Renato achou), talvez se emocione como eu...

Fato é que não sei bem a razão, mas eu fico sozinha enxugando lágrima em situações onde sinto amor verdadeiro. Talvez porque eu estivesse exatamente preparando minhas telas, cujo tema são casais apaixonados e no dia de seu casamento, para a vernissage. Talvez ainda, e creio que seja este o motivo mais forte, porque eu tenha me lembrado de 2002, quando entrei com meu pai numa Igrejinha minúscula em Indaiatuba.

(Principais cenas do casamento de Victoria e Daniel e sua entrada com o pai, Suécia,19 de junho de 2010)


Depois de 6 anos de namoro com o moço da minha vida e de nós dois termos situação muito parecida: independentes finaceiramente há anos dos pais, vivendo cada qual em seu canto, juntamos nossas economias para ir morar junto. A idéia de apenas um churrasco informal e uma troca de alianças no meio da partida foi cedendo lugar para mais e mais "tradição". Na época eu lutava para não cair nas amarras do que queriam que a gente fizesse e acabasse perdendo o que era realmente importante para nós dois.

Nesta luta, vestido curto decotado, comprado na MOficcer com meu suado dinheirinho de professora de cursinho. Igreja no meio do campo, casamento celebrado pelo meu amigo de anos, Pe. Mansur, e corte de qualquer formalidade que não fizesse sentido pra gente. Pensando em marcar minha independência e a revolução pessoal que fiz para ser eu mesma, cogitei com minha mãe que iria entrar sozinha na Igreja. Não achava sentido em entrar com um pai, quem eu sempre havia visto como sendo bastante machista e quem sempre me criticava por ter saído de casa para ir estudar e e casar tão "velha" com 31 anos de idade.

Meu pai quando soube por minha mãe da decisão da filha mais velha, baixou a cabeça em sua tristeza e nada respondeu. Passei a pensar em meu ato, pesar o quanto aquele símbolo mudaria o que eu havia sido até e feito até então... e fui mudando de idéia.

Levei meu pai para escolher camisa, terno e vi seu orgulho junto de mim. Dentro do camarim dei-lhe um abraço apertado e disse: "tá bonitão Seu Zé!", e vi estampado um sorriso naquele homem rústico, crescido na roça e que pouco havia aprendido a manifestar seus sentimentos. Ele estava feliz e eu também.


(Eu e Seu Zé, no dia do meu casamento, janeiro de 2002)

Minha entrada na Igrejinha de Indaiatuba foi maravilhosa, embora até então eu nunca tivesse tido a fantasia de que assim o fosse. Senti-me Victoria, princesa, tudo que podia ser... Meus amigos e minha família reunida, apesar da chuva, num dia tão especial para eu e Renato. A alegria tão profunda em meu pai me tomando pelo braço me fez pensar que se ele ainda achava importante me "entregar" para o futuro marido, então assim ele pensasse. Eu havia feito isso eu mesma muito tempo antes e sabia porque estava ali...

Verdade é que eu o amava, assim como amava Renato e não queria magoá-lo em nome de um ato que provasse o que já estava mais que provado.

Um ano e dois meses depois meu pai faleceu. Teve uma parada cardíaca fulminante e recebi a notícia de meu irmão pelo telefone. A dor de tê-lo perdido foi imensa na época e, gracias!, deu lugar para um sentimento muito tranquilo e profundo com o tempo.

Agradeço tanto por eu ter cedido na época porque talvez a culpa tivesse me consumido ainda mais... E não sei se eu me perdoaria... Talvez porque, como eu mesma já entendi há certo tempo, "há certas lembranças que nem as manchas do tempo conseguem apagar"...

E foi pensando nesta liberdade, em tantas questões que fazem diferença para um e não para outro, que provavelmente eu veja na decisão da Princesa Coroada da Suécia uma decisão pessoal a ser respeitada, embora eu acredite que nós mantenhamos sim uma idéia machista de ter que ser levada por quem cuidou de nós e entregue a quem cuidará...

A história dos casamentos arranjados durou centenas de anos e está sim representada no ato que ainda mantemos nas nossas cerimônias. Eu não apóio esta idéia, mas eu creio que casar ou não, entrar com o pai, o noivo ou não, tudo isso pode adquirir significados diversos, dependendo de quem ou como é feito.


(Eu e Renato, entre as nossos desejos e o desejo de agradar os que se ama, no dia do nosso casamento, janeiro de 2002)

Se acho que vou me casar e meu marido tem a obrigação de me sustentar e eu de manter seu prazer e tranquilidade, então mantenho a tradição machista. Não dá para pedir que alguém que se case vendo no seu noivo a figura do patriarca use de símbolos que não lhe façam sentido.

Apesar de achar horrível eu respeito. Não penso assim e usei do mesmo símbolo, resignifiquei né Iara? Vai entender! É mesmo mais complicado do que deveria ser, como afirmou a Daniela nos últimos comentários.

O que sinto é que deve valer é a opinião de quem está no jogo: o noivo e a noiva. Porque melhor do que celebrar tradição ou modernidade é celebrar liberdade. E nessa eu creio que é uma coisa!

...

Ah! para ver fotos exclusivas feitas por uma brasileira na Suécia, clique no blog da Grace Olsson, e confira tudo o que ela fez para conseguir imagens lindíssimas da festa em Estocolmo no sábado.

Outro vídeos e texto em espanhol (sugerido pela Érica) vocês podem conferir neste link oficial do casamento.

Mais opiniões e diferentes links foram sugeridos também pela Dani, cujo comentário está no meu último post. E se você também escreveu sobre o assunto, partilhe o link com a gente nos comentários!

18 junho 2010

Entrar com o pai ou o futuro marido na Igreja? O que uma noiva deve desejar?


(Princesa coroada da Suécia, Victoria, fonte: The Local)

Em 1980, uma lei na Constituição da Suécia, colocou na sucessão do trono do Rei Carlos Gustavo XVI e da Rainha Silvia, não o filho, como até então deveria ocorrer, mas sua filha mais velha, Victoria Ingrid Alice Désirée.

Esse marco histórico nas leis do pais significava mais um passo em direção à igualdade de direitos entre homens e mulheres pelas quais o pais é conhecido por lutar, já que os primogênitos passaram a ter os mesmos direitos, independente de seu sexo.

A Princesa Victoria é filha do Rei Carlos Gustavo, cuja geração de Gustavos têm reinado na Suécia há séculos, com Silvia, uma nobre cujo pai era alemão e a mãe brasileira, embora o papel dos monarcas no país seja limitado nos assuntos políticos, já que são os Ministros os responsáveis por cuidar do assunto.

Foi, inclusive essa descendência brasileira que já levou a própria Victoria aos morros do Rio (sua avó era de Toledo) e escolas pobres no Brasil e a ser notícia também em nosso país ano passado.

E foi dessa maneira, então, que Victoria, nascida em 1977, tomou o lugar do suposto futuro rei, sei irmão, nascido em 1979, passando a ser chamada desde os 3 anos de idade de princesa coroada da Suécia.

Amanhã, dia 19 de Junho, Victoria, que também é a princesa mais popular e querida da história do país escandinavo, irá se casar com seu ex-personal trainer, Daniel Westling, que também tem família nobre e passará de duque a Príncipe, após a troca das alianças.

Quem ganha o título de Príncipe é ele, o homem, e no futuro de rei, quando Victoria um dia assumir o posto.

Há muita discussão envolvendo o casamento dos dois jovens nobres, incluindo a mais interessante delas, se Victoria deve ou não seguir uma moderna tradição sueca da nobreza: a de entrar com o marido na igreja e não com o pai. Para os suecos entrar, de mãos dadas com o marido, significa, acima de tudo, estar ciente do que se quer quando se está casando. Significa que a noiva não será levada como uma "coisa", um objeto pertencente ao pai (o que foi verdade por gerações) e que passará a ter outro dono que é o marido.


(Victoria e seu noivo Daniel, fonte: The Local)

Victoria pôde escolher seu marido, como qualquer mulher moderna o pode hoje em dia. Apaixonou-se por ele numa academia de ginástica e isso parece ter sido a maior razão da união dos dois até agora. Ela foi livre (ao menos até onde se tem notícia) em sua decisão e essa liberdade foi conquistada historicamente por muitas outras mulheres. Foi conquistada com suor e lágrima de gente que lutou para que ela tivesse, por exemplo, o título no lugar do irmão.

E essa conquista é simbolicamente representada na entrada da noiva na igreja ao lado de seu futuro companheiro. Os suecos entendem que a tradição cuja maior parte das noivas no Brasil segue, por exemplo, é arcaica e expressa uma desigualdade entre mulher e homem que eles não querem e não podem aceitar.

Isso não causaria discussão se o problema todo não fosse que o desejo a princesa coroada Victoria é de entrar ao lado de seu pai, o rei Carlos, e não de Daniel. A pergunta das últimas semanas vinha sendo então se ela estaria ou não "autorizada" a seguir apenas seu coração, quando há toda uma história de conquista do país com relação aos direitos entre mulheres e homens e quando, ao fazer isso, ela supostamente apóia uma outra tradição que não esta moderna.

O babado vai ser quente. Milhares de pessoas se hospedaram numa das capitais mais lindas do mundo, Estocolmo, só para tentar ver o casamento. Hóteis lotados, ruas abarrotadas de gente, e milhares de suecos e não suecos em frente à Tevê amanhã para acompanhar o grande momento histórico. Isso sem contar todos os milhares de objetos com fotos dos noivos, estampados em pratos, canecas, guardanapos de papel, cristais etc e que estão sendo vendidos em todos os cantos das cidades. É um momento histórico do qual as pessoas não querem esquecer.

Algumas das nossas amigas suecas organizaram várias festas e vão acompanhar em grupo não só o casamento, mas o show o qual será exibido hoje à noite em homenagem aos noivos. Foi nesse show, também tradicional, que um dos grupos pop mais famosos do mundo, o ABBA, de origem sueca, ofereceu de presente ao rei Carlos Gustavo e sua futura esposa, Silvia, a música "Dancing Queen", que dançamos há décadas também no Brasil.



("Dancing Queen", ABBA, música em homenagem ao rei Carlos Gustavo e a rainha Silvia, 1976)

Victoria será a primeira a se casar após a mudança de lei de 1980.

Então, na segunda eu volto, contando como foi e também retornando nessa discussão, ao meu ver, super interessante sobre liberdade de expressão, conquistas entre gêneros etc. Por hora, preciso finalizar um montão de coisas para minha vernissagem que inclusive iria acontecer amanhã, mas que por conta do casamento de minha amiga Vitorinha, eu tive que mudar para domingo.

Até lá queria deixar vocês com duas perguntas:


- Você acha que o mais correto é entrar com o pai na igreja ou com o noivo?

- Você acha que a princesa Victoria deve seguir a tradição do seu país, por conta do posto que ela representa, ou seguir seu desejo pessoal?


Ótimo fim de semana!!! E rezem para não chover nem no casamento da Vivi nem na minha vernissagem! O tempo anda difícil por aqui!

16 junho 2010

Welcome to "www.wix.com/somniacarvalho/painting"

(Fazendo arte no Castelo Gummingehus, Suécia, junho de 2009)


Já há algumas semanas eu venho trabalhando no meu primeiro site de pintura, na tentativa de dar uma cara mais profissional para o que ando fazendo no meu mundo de arte.

Fiz várias tentativas diferentes e fui aprendendo enquanto fazia, já que tudo isso é bem novo para mim. Até cheguei numa cara que me agradava razoavelmente, mas a parte de comprar domínio e instalar uns breguetes chatos e estão demorando muito porque para isso eu preciso de ajudar dos universitários!

Além do que há meu perfeccionismo latente e minha necessidade de ter prazo podem perpetuar esta atividade! Cada qual é maníaco ao seu jeito não?!

Me dei conta que se não publicar corro o risco de passar anos com o projeto parado porque uma cor ou um detalhe não me agradam...

Então aqui vai, em primeira mão, para vocês o endereço do site, onde espero suas visitas:




E não se preocupem em me mandar só elogios! Eles serão muito bem vindos, claro! Eu gosto! mas estou mesmo a fim de ouvir palpitada. Dêem pitacos: se incomoda o site com música (há várias), se entenderam como acessar os links, como abrir as páginas, se gostaram do visu, se dá para entender meu propósito, se isso, se aquilo...

Não vou dar muita dica senão não saberei se vocês conseguiram achar o que procuravam.

Isso talvez me ajude a ser mais objetiva quando for fazer uma mudança após a vernissagem e também para pensar se vale a pena comprar o domínio com meu nome puro. Entende?

Um abraço apertado cheio de tintas que estão nos meus dedos e ops! borrei toda sua roupa! Ferlot mig!

Seja Bem vindo! Bem vinda!!!


Texto da Borboleta em jornal de Uberaba!?! Ueba!

("Taking Back the Neighbourhood", Ilustração de Rob Machida)


Gente boa!

Estava aqui atualizando meu site de pintura, cujo endereço pretendia publicar para vocês ainda hoje, e dei de cara com um texto meu num jornal de Uberaba, o UberabaNEWS.

Meu texto publicado foi aquele em que conto sobre como os suecos se portam como vizinhos e como eu vejo isso na comparação com o comportamento dos brasileiros ("Na Suécia não tem..." como emprestar açucar do vizinho).

O título que deram no jornal foi outro: "Uma análise profunda da vida na Suécia por uma brasileira" (clique no título para ver o post reproduzido no canal). Tem lá meu nome citadinho bonitinho e só pedi na cara de pau que eles façam um link com o blog... rs...

Foram vocês minhas leitoras e leitores já conhecidos os responsáveis por esta divulgação ou foi mesmo acaso?

Fiquei tommm feliz que antes de divulgar o site venho fazer propaganda do ocorrido e do jornal que eu não conhecia, mas por onde a partir de agora vou sempre passar.

Bye Bye, so long, very well!!!

15 junho 2010

Eu, meu umbigo e meu barrigón

(Eu e Marina, Festa de 40 anos do Martin e da Sofia, Hjärup, 2010)


É extremamente difícil (ao menos para mim!) pensar em outra coisa que não em si mesmo e em tudo que envolve a gravidez quando se está nesta situação "embarazada".

Depois dos enjôos que nos tiram do ar por um tempo vem a barriga crescendo, toda aquela lista de 3.975 sintomas e reações que as grávidas sentem, mas sobretudo o neném se mechendo depois o umbigo saltando, e nossa atenção voltada literalmente para ele.

Tenho pensado em tanta coisa, tenho falado de outras, mas cada vez que sento aqui para escrever, para fazer todas minhas centenas de projetos tem alguém me cutucando fortemente.

Ela não gosta que eu a amasse nesta posição e parece não gostar já de outras coisas mais...

Me dei conta que estou agora com pouco mais de seis meses e meio, no meio da semana 26, e nunca mais falei disso de forma explícita aqui no blog e foi exatamente uma cutucada fortíssima da senhorita Marina que me moveu a escrever este post.

Verdade é que eu tenho "vernguenza" dessa coisa de tirar foto quando tá grávida e mostrar a barriga pra todo mundo ver!, embora eu me orgulhe muito dela e embora eu sempre goste de tirar fotos... Por outro lado, esses dias até minha santa mãezinha me perguntou se minha barriga estava muito grande ou não... Eu esqueço de mostrar pelo skype também... E acho chato pacas ficar postando foto minha de barriga. Parece aquelas grávidas sem noção achando que o mundo gira em torno do centímetro que cresce suas barrigas...

Ainda assim, o risco...


(Eu e a Borboleta cor de rosa descansando no banco do jardim, Festa de 40 anos do Martin e da Sofia, Hjärup, 2010)

Sim, a Marina deve estar com uns 30 cm e, embora eu já tenha ganho uns 5 kilos e meio (segundo o peso de 1 semana atrás), ela ainda está na faixa de 1 kilinho. Magrinha, porque é nestas semanas que os bebês começam dar aquela encorpadona.

O incrível (não é receita, é apenas constatação) é que todas as idéias que nutri esses últimos dois anos de pintar uma tela assim, outra assado, e que vivivam emperradas têm se manifestado essas semanas todas.

Cheíssima de energia mesmo e de vida... mas, como eu disse, bem centrada no que tenho que fazer... Deve ser um aspecto animal da maternidade se manifestando... A gente pensa na cria, pensa em como vai cuidar dela, arruma seu canto (o que eu obviamente não vou poder fazer por mais uns 2 meses ainda).

Então é isso... Para as amigas reais e virtuais, para a mamacita, eu bem ser vergonha de barrigón cheio de Marina...


14 junho 2010

"É tempo de...": uma homenagem a quem fica...

Click to play this Smilebox greeting: Homenagem Amigos Suécia

Felizmente em três anos de Suécia fiz muito mais amigos do que consigo postar nesta homenagem (apenas simbólica) onde só cabem 8 fotos...

É uma tentativa simples de deixar registrada nossa passagem e alguns dos muitíssimos momentos inesquecíveis que tivemos aqui, dizer "obrigada, do fundo do coração", a cada um que conheci e me ajudou de alguma forma a aproveitar melhor este tempo ido.

Ainda falta pouquinho mais de um mês, mas para mim é como se o trem já estivesse quase chegando...

Abraço grande apertado para os da foto, para os das outras centenas de fotos que tenho e para quem nunca registrei foto alguma, mas guardo aqui no coração,

Somnia.

...

(Clique na imagem e tenha um pouquinho de paciência para ver as imagens e o texto...)

Ando muito a pensar em despedida...


("Encontros e Despedidas", Milton Nascimento)


Encontros E Despedidas

"Mande notícias
Do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando...

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero...

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Prá nunca mais...

Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir...

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida...

A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...

Lá lá Lá Lá Lá...

A hora do encontro
É também, despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida..."


13 junho 2010

Quem não nega a "raça"?


(Ângelo, Iven e convidados, aniversário do Iven, Malmö, junho 2010)

Muitos meninas e meninos estiveram reunidos hoje no aniversário do filho da minha amiga Nikol, o Iven. No meio de todos eles, ali sentado um carinha total relax com picolé na mão, entre uma menina sérbia-sueca, o aniversariante Iven, duas inglesas-suecas-alemãs e outro pequenininho sueco-grego.

(Ângelo com a amiga que fez na festa e parece ter achado graça das piruetas dele, aniversário do Iven, Malmö, junho 2010)

E entre os representantes do mundo todo qual o único que ri fazendo caras e bocas, joga as pernas pro alto, faz careta para a câmera e faz toda a criançadinha se juntar ao seu redor achando graça dele?

O do boné amarelo, claro! Brasileiro, nascido na Suécia, que não nega a "raça", a ginga e a origem tropical, de jeito maneira!

12 junho 2010

Renato na Broloppet: meia maratona na ponte que liga a Suécia e a Dinamarca, hoje!


(Vista aérea da ponte Oresund e dos corredores)

Dez anos atrás uma das maiores pontes do mundo, Oresund, era construída acima e abaixo do nível da água unindo dois países escandinavos, Dinamarca e Noruega.

Antes mesmo de sua inauguração uma corrida com 80.000 participantes marcou o início de uma bela história de uma corrida peculiar. Broloppet (bro significa corrida e loppet, ponte) é a única corrida no mundo onde os participantes correm debaixo da água, já que a parte inicial da ponte, em Copenhaguem, fica abaixo do nível do mar Báltico, e também em cima, do lado sueco.

Perdemos a corrida anterior (inclusive as versões simplificadas de 2002 e 2006), mas a Broloppet de 2010, com certeza, ficará na nossa - sobretudo do meu Renato - para sempre.

Praticamente há um mês de irmos embora e fecharmos este ciclo de vida de quase 4 anos vivendo nas Escandinávias, ele estará lá, entre 30.000 outros corredores e corredoras.


(Vista da ponte Oresund e dos corredores, do ponto inicial, na Dinamarca)


O mega evento (que é possível de ser acompanhado em tempo real neste link da SVT), com organização impecável (desde a inscrição feita há quase 1 ano, passando pelo envio de todo o material do evento por correio além da organização de hoje) só está ameaçado de não ter tantos expectadores por conta do vento terrível que está fazendo onda no mar mais plano que já vi na vida.

20 kilômetros, vento de 50 kilômetros por hora, numa ponte aberta dos dois lados, alguns picos de chuva e 15 graus no termômetro? É preciso muita animação e espírito esportivo, o que não tem faltado para o meu corredor daqui de casa.



(Renato em fim de treino para a Broloppet de 2010, na semana passada, ao menos uma foto do sacrifício já fica garantida! Malmö, 2010)

Lá pelas 6 da tarde vamos esperá-lo na linha de chegada (praticamente em frente de casa), rezando, claro, para a chuva não aparecer e para conseguirmos enxergá-lo no meio da multidão... Fotos, cartazes etc para marcar o aniversário de 10 anos da Oresund e a participação super simbólica (e séria, já que o moço treinou como profissa!) do Re neste evento.

O cronômetro da rede de tevê tá marcando 19 minutos para o início da transmissão da corrida, então deixa eu me preparar para ver (ou imaginar estar vendo) o papis do Ângelo e o meu eterno namorado fazendo bonito...

Feliz Dia dos Namorados Rê! Te amo!

10 junho 2010

"All we need is love!", amor é tudo o que a gente precisa...


(Meus sogros Irene e Caetano, numa das fotos mais lindas que conheço de casamento, creio que em 1974)


"When I'm feeling blue, all I have to do
Is take a look at you, then I'm not so blue"


"Quando eu estou me sentindo triste, tudo que eu tenho de fazer é olhar para você, então eu não me sinto mais triste..."

Sim, ando sumida...

Meu sumiço tem a ver com muitas coisas, quase todas boas, mas sobretudo como essas coisas boas e tanta mudança (física e emocional) têm tomado o tempo. Além do que o desejo de querer viver tudo o que não vivi ainda aqui e aproveitar até a última gota as pessoas que passaram a fazer parte de minha vida desde que cheguei. Isso tem consumido quase toda minha atenção e aí não sobra energia suficiente para escrever ou ainda acompanhar com carinho quem gosto de ler.



("All you need is love", Beatles)

Estava aqui, porém, no meio de uma dessas atividades, preparando uma tela, algumas delas para a vernissagen que vou fazer no dia 20 em casa. Trata-se de um projeto que intitulei "All we need is love" (Tudo o que nós precisamos é amor), sendo uma clara referência à música dos Beatles "All you need is love"...

Junto de minhas idéias flutuantes tem estado também o conteúdo do blog de vocês o qual li nos últimos dias. Neles muita alegria, muito desejo, mas sobretudo muita ansiedade, medo, tristeza, desilusão etc parecem sempre rondar os dias de cada um e talvez tudo isso junto seja o tema deste post.


(O casal que me inspirou o projeto "All we need is love", Lúcia e Gabriel, janeiro de 2010)

A idéia do projeto citado teve início no casamento de dois jovens amigos brasileiros, no qual participei em janeiro passado. A leveza, o amor tão casual e o jeito informal, embora intenso, de tratarem a ocasião me marcou... Marcou também a música tocada na saída deles do jardim onde celebraram a troca de aliança, o sorriso dos dois, as rosas vivas em cor de rosa, o vestido de renda da Lúcia...

E assim me pus a pensar em casamento. Por que nos casamos? Por que nos juntamos uns aos outros? Por que muitas noivas ainda vestem branco quando este não caracteriza mais virgindade nem tem mais a ver com a tradição de seus pais e avós... Passei a pensar muito e a relembrar casamentos em que fui, casamentos em que vi em fotos... E tanta coisa me veio à mente...


(Eu e Renato, no dia do nosso casamento, janeiro de 2002, foto de Rafaela Azevedo)

Fiz uma primeira tela teste com uma foto do meu próprio casamento. Eu e Renato num abraço amoroso, fraternal, cheio de sinais e promessas de amor e amizade que tentaríamos sustentar pelos anos que viriam...

E, desde então, tenho tido idéias mil na cabeça e feito outros testes. Centrando apenas em algumas dessas, penso que todos nós seres humanos sofremos de uma carência enorme de amor.



("The scene of love", Michael Nyman, a música cenário para o filme "Piano", no qual a necessidade de amor é dolorida e mostrada em silêncio... )

Sofremos de falta de amor desde que nascemos, clamando e gemendo para ser acariciado junto ao seio de nossa mãe. Depois sofremos a falta de amor no nosso quarto, sozinhos, enquanto adolescentes. Choramos as espinhas, o cabelo desajeitado, os amigos que não fazemos, a sociabilidade que desejamos ter como prova de que alguém nos ame suficiente, apesar do quão horrível pareçamos no espelho.

Com o tempo esta preocupação dá lugar a um querer ser alguém, querer ter certeza de que poderemos sim ter o sucesso sonhado por nossos pais e por nós mesmos... E às vezes conseguimos um tanto disso, outras não...

A verdade é que normalmente essa falta de alguma coisa passa a ser falta de alguém. Alguém que enxugue nossas lágrimas e nos dê abraços apertados antes de dormirmos. Alguém, um amigo, uma amiga, um companheiro, uma companheira que nos afague tanto quanto nossa mãe nos afagou e nos lembre de que, apesar do que somos ou não conseguimos ser, ainda somos amados tanto quanto qualquer criaturinha que vem a este mundo indefesa.

O amor é nossa necessidade suprema.



("A groovy kind of love", Phil Collins, tema musical que desde sempre tem me inspirado)

E a necessidade de amor se manifesta nas mais variadas formas e súplicas: a precisão de ser elogiado, de ser querido, de ser aceito, de ser reconhecido, de ser comentado, de ser lido, de ser visto, de não ser esquecido...

O casamento, a união - formal ou informal - entre pares significa, ao meu ver, o quanto acreditamos no amor e o quanto precisamosda confirmação do amor. O quanto nosso branco do vestido ou das vestes pode ser visto como espelho de um tipo de ingenuidade que sobrevive aos desalentos, aos desamores, à falta de sucesso, ao desejo de que nem brigas, nem doenças, nem o tempo e a morte nos separe do amor. Do amor ao outro e do amor a nós mesmos.

Estou com algumas fotos antigas aqui... Algumas de amigos, outras de familiares de amigos ou meus... e ouvindo algumas músicas cujo tema seja o amor para me inspirar na criação das telas...

Daí entra os Beatles, Elvis (na voz de Norah Jones), Phil Colins, Michael Nyman... Sempre seleciono e faço a tela ouvindo uma determinada música. Minha idéia é ver o quanto a obra que imaginei criar se soma à canção que ouço no momento. E minha animação é perceber o quanto sou quase sempre movida pela música tanto quanto pela foto e pela idéia inicial tida... Há um casamento entre pintura e música... Entre meus sonhos e os sonhos daqueles que tenho como objeto. Entre minhas alegrias, conquistas, dores e perdas com as deles...


(Anéris e Rubens, o avô e a linda avó de minha amiga Xu, celebrando amores e promessas, início dos anos 40)


Com as fotos dessas pessoas estou a pensar o quanto elas amaram. O quanto desejaram ser especiais e o quanto o conseguiram, apesar de não acreditarem.

Nossa existência e nosso passado, longínguo ou próximo, não morre. Ele permanece vivo e nós permanecemos vivos porque existiu ou existe amor que nos enlaçou uns com os outros.

E eu creio, ou ao menos ando nisso pensando, que é exatamente essa necessidade que faz com que lutemos ardentemente para que o amor sobreviva. E é essa a razão pela qual devemos tentar com todas nossas forças sustentá-lo e preservá-lo nas pessoas que nos são caras.

Não devemos desistir de amar e ser amados porque...

"All we need is love..."





All you need is love

"Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
There's nothing you can do that can't be done.
Nothing you can sing that can't be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game
It's easy.
There's nothing you can make that can't be made.
No one you can save that can't be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be you
in time - It's easy.

All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
There's nothing you can know that isn't known.
Nothing you can see that isn't shown.
Nowhere you can be that isn't where you're meant to be.
It's easy.

All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
All you need is love (all together now)
All you need is love (everybody)
All you need is love, love, love is all you need."

Beatles

08 junho 2010

"Agora você sabe como eu me sinto..."

(Minha irmã Sandra com Júnior, o verdadeiro amor de sua vida, Brasil, dezembro de 2009)

Sentadas no anfiteatro do Konvux (escola pública de sueco) de Malmö eu e minha amiga Liana acompanhamos, em outubro de 2009, o último capítulo de uma série de tevê sueca que as professoras haviam nos passado chamada Leende Guldbruna Ögon (Olhos castanhos sorridentes). A série fazia parte do programa do curso, mas para nós a história dos estrangeiros crescidos ou moradores da Suécia que encontraram na música uma forma de se orgulharem de quem eram nos pegou entre rios de lágrimas genuinamente brasileiras.

Minhas lágrimas naquela final tinham também outra razão de ser: a música tinha Sandra, o grande amor de Lennart, personagem central, negro, adotado quando pequeno por pais suecos e que, apesar de amá-la intensamente, também sofria de preconceito e por isso não acreditava poder ser correspondido. Sandra era muito diferente dele. Sueca, loira, professora, mais velha...

A letra da música fala de um amor que ele guardou em segredo, mas que acaba sentindo que era hora de revelar. Ele pede para que Sandra se entregue e este amor e confessa o quanto amou em silêncio. Bem ao estilo exageradamente apaixonado das Dansbandmusik, estilo de música sueca que poderia se assemelhar ao nosso sertanejo, Lennart se declara muito tempo depois de ter ensaiado dezenas de vezes fazer o mesmo e não ter tido coragem.

Sandra é o nome de minha irmã, a Preta de quem já falei aqui. Ela, como Lennart, é genuinamente romântica e exagerada. É batalhadora, segue tentando chegar num lugar melhor para si mesma e sua família, segue acreditando nos amores prometidos, segue sonhando ser a rainha do baile... Acerta, falha, falha e acerta... Acredita e desiste, começa de novo e vai...

Não sei quem de nós é mais apaixonada e sonhadora...

Prometi a mim mesma naquela manhã de outubro que publicaria esta música em homenagem a ela aqui no blog. Tempo passou e meu amor ficou guardado para mim mesma... a choradeira, a homenagem... como Lennart guardou seu amor por sua amiga Sandra.

Sexta passada, dia 04 de junho, minha irmã fez aniversário. Entre todas as correrias e vai e vens da vida esqueci de ligar para o Brasil. Senti tanta culpa e pensei como é que podemos às vezes dar toda nossa atenção para quem gostamos, mas simplesmente esquecer quem amamos?

Ontem quando fui me desculpar, cheia de remorso minha Sandra deu quase a mesma resposta da Sandra de Lennart: não se preocupe... eu sei de seu amor, eu sei que não pode ligar e eu estou aqui...

Então, ainda em tempo, antes de minha volta, quero deixar meu desejo daquela manhã registrado...

Parabéns Preta! Feliz Aniversário atrasado! E aqui para você a música brega e linda que me fez chorar por você na aula de sueco...



( "Sandras sång", música da banda Lennartz, da série de TV sueca "Leende Guldbruna Ögon", sobre Dansbandmusik)

Sandras sång


Lämnade en kärlek som jag aldrig vågat pröva.
Hon blev kvar och jag försvann, nu står jag här och undrar,
Vad vi kunde haft tillsammans
Men känslorna är starka, dom har aldrig gått att döva.
Ensamheten går väl ann, men jag kan aldrig klara,
att se dig dansa med nån annan.


Saa-aa-andra, inte någon tjej som alla andraa-aa.
Nu så vet du hur jag känner.
Saa-aa-andra, inte någon kärlek bland dom andraa-aa.
Nu så vet du hur jag känner.

Undrar om det som jag lämnat kunde vatt den stora,
kärleken dom pratar om som alla verkar söka,
kommer kanske aldrig veta.
Längtan börjar bli för stor, finns inget kvar och förlora.
Dagarna dom kryper fram, jag klarar det inte mera.
Tror vi måste va tillsammans.


Saa-aa-andra, inte någon tjej som alla andraa-aa.
Nu så vet du hur jag känner.
Saa-aa-andra, inte någon kärlek bland dom andraa-aa.
Nu så vet du hur jag känner.

Saa-aa-andra.
Höjning:
Saa-aa-andra, inte någon tjej som alla andraa-aa.
Nu så vet du hur jag känner.
Saa-aa-andra, inte någon kärlek bland dom andraa-aa.
Nu så vet du hur jag känner.
Saa-aa-andra.

(Lennartz)

04 junho 2010

"Na Suécia também não tem"... como emprestar açucar do vizinho

("Minha casa, meu templo", casinha típica sueca de cidades pequenas, onde ficamos de férias para pescar lagostinha, Småland, setembro de 2009)

Semana passada, em mais uma de minhas idas ao mercado aqui do bairro onde moro, topei com um casal de idosos suecos que são vizinhos de frente do apê onde vivo, há mais de um ano.

Emiti um sonoro "hej hej!" toda sorridente porque a gente se cruza diariamente no corredor, apesar de não ter intimidade com eles e praticamente não ter tido uma conversa com eles desde que me mudei. Meu "oi", assim de cara, fez o casal se assustar. Os dois baixaram a cabeça e continuaram em direção ao mesmo mercado.

É claro que o evento me irritou profundamente naquele minuto e nem conseguia saber se eles haviam ou não me reconhecido. A cada passo que dava em direção de casa eu fui me lembrando do quanto já havia pensado em escrever mais sobre vizinhança, mas sempre adiara, porque normalmente acabo no mesmo raciocínio e aí a raiva perde o sentido.

Lembrei também de que esta "frieza" dos vizinhos é uma realidade a qual tomamos consciência assim que chegamos na Suécia. Algo que não necessariamente vai mudar com o passar do tempo.

Os suecos são amantes da privacidade. Eles tomam irritantemente conta da vida deles o melhor que podem e esperam que você faça o mesmo. Sem pedir ajuda, claro, porque eles não lhe pedirão.

Quando jovens, aos 18 anos, mais ou menos, eles são "expulsos" de casa pelos pais. Terminado o colegial é hora de cada um se responsabilizar por sua vida. Ter seu próprio espaço (ainda que isso signifique morar em condições muito inferiores e simples das que os pais viviam), pagar suas contas, dar conta da faculdade, de seus namoros e amizades sozinhos.

Os pais entendem que tal situação forçará o crescimento e amadurecimento dos filhos. Os filhos desejam tal independência porque entendem que viver sobre o mesmo teto que os pais significa estar sobre suas regras, o que não faz mais sentido quando se encará esta fase como já adulta.

E isso acontece mesmo com a maior parte das jovens e dos jovens.

Fora de casa eles irão arrumar um trabalho (garçons, vendedores, caixas, ajudantes de várias atividades) com o qual consigam se sustentar. E é aí que começa mais claramente essa obrigação e também necessidade de manter a vida pessoal reservada.

Esta mesma semana fui servida num restaurante por um menino sueco jovem, lindo e de família com nível social bom. Ele é neto de uma amiga que vive aqui. Apesar de ter tido opção de ser modelo e viver um pouco na farra no Brasil, ele voltou e optou por ir à faculdade, trabalhar e levar sua vida como os outros jovens suecos levam. Seu jeito discreto de ser se encaixa tão perfeitamente aqui que não conseguiu se adaptar com o jeito que achamos perfeito daí.

Acontece que um sueco dificilmente se comoverá (salvas maravilhosas exceções que encontrei quando cheguei e narrei aqui e ali) com nossos problemas de adaptação no país ou com problemas diários que possamos ter. Se não consigo instalar algo em casa, se não sei onde fica o lixo reciclável do prédio, se preciso de ajuda braçal ou emocional, se tenho medo da aranha gigante que está na entrada do prédio e tenho medo de matar...

Isso não é com eles. É um problema meu que me pertence e com o qual eu preciso lidar.

A olhos brasileiros isso pode ser lido como falta de cavalheirismo, egoísmo, frieza, desinteresse, grosseria. A verdade é que os suecos não nos subestimam, ao contrário, eles entendem que somos capazes de instalar a torneira, dar conta do inverno rigoroso, matar a aranha sozinha ou carregar a sacola do mercado. Não importa se sou jovem, mulher ou uma velhinha de 85 anos. Ainda porque o comum é que as pessoas em tais situações recusem ajuda ou preferências, daí não existir tais filas preferenciais as quais, no Brasil, entendemos como algo obrigatório e de direito de todos.

Se eu pedir ajuda simples eu terei. Normalmente com simpatia, mas talvez a ajuda será "é só você ler este manual aqui!".

Obviamente não se trata de um exército de robôs escandinavos. E não estou falando de amigos e amigas suecas, mas de vizinhos. Eles tentam ser simpáticos na medida do possível. Normalmente lhe recebem com um sorriso e um "Hej!" também sonoro, exceção para o casal amargo da minha porta em frente e outros. Há exceções para ambos os casos: no primeiro lugar onde vivi no centro da cidade, um casal de professores suecos com 3 filhas adolescentes (todas elas viviam em algum canto do mundo estudando e trabalhando) fez questão de nos receber para um café de boas vindas. E foram tão amáveis que nos enganou um pouco sobre como seriam os próximos vizinhos que viríamos a ter.

Quebrar esta barreira fria não é fácil. Quando se consegue não se tem mais um vizinho para dar "oi", mas um amigo fiel e companheiro para a vida toda, desde que você queira.

A vizinha de quem falo me dava boas vindas e nossa comunicação meio falha (eu não falava sueco e ela falava pouco inglês) nos permitiu algumas trocas no ano que lá morei. Quando saí ela repetiu muitas vezes que eu a telefonasse para visitá-la e tomar café no jardim, quando fosse verão. Nunca o fiz, embora tivesse prometido que sim.

A diferença que eu vejo no comportamento dos meus vizinhos suecos e brasileiros são muitas. E não são.

Vivi 5 anos na cidade de São Paulo em três apartamentos diferentes. Meus vizinhos, os porteiros e todos me recebiam calorosamente. Ao menos aparantemente. E a cada vez que descia do prédio alguém me perguntava se estava indo tudo bem etc. Em todos esses lugares, sem exceção, as vizinhas de frente se ofereceram para me convidar para um café de boas vindas. Um dia! A gente precisa marcar, diziam. E o tempo passou. Vivi, elas perguntavam como ia a vida, o Ângelo etc, mas nunca tomei café na casa de nenhum vizinho no Brasil.

A promessa não parecia ser uma dívida a ser paga. Não nego, porém, que o jeito de receber crie na gente uma sensação de maiora colhimento, já que como brasileiros temos esta necessidade de ser bem recebidos e até amados, mesmo que, na prática, isso não signifique algo tão diferente do que é com os suecos.

No mais quase todas as dificuldades que tive com instalação da casa em si eu recebi ajuda de alguém do prédio. Funcionário, claro, quem fazia uns "bicos" fora do horário de trabalho. Recebi muita ajuda e paguei pela maior parte. Algumas, como carregar sacolas etc, era pura cortesia mesmo. Dos funcionários, claro.

No playground do último apartamento onde ainda ficamos, quando estamos de férias, todas as mães e ou empregadas se sentam juntas para pôr as crianças para brincarem. E não é raro que as conversas comecem com um sorriso simpático e um interesse por quem somos: "quantos anos ele tem?". E aí: "qual é o nome dele?". Emendando com "ainda não fala?", "ainda usa fralda?", "não vai na escolinha?" etc. A simpatia inicial dá lugar a um interrogatório sobre minha vida e de minha família. Salvas as exceções a maior parte parece estar interessada em comparar seus filhos, suas posses com as minhas.

Não sei se cruzaria a porta para pedir "açucar" emprestado (leia-se alguma ajuda), apesar da gente ter esta idéia de que nós somos tão recepetivos e calorosos. Talvez se eu pensasse muito bem antes para quem. Eu sei que pediria para o pessoal que lá trabalha, porque eu sei que posso pagar alguma quantiazinha para ajudá-los a me ajudar. Aqui eu com certeza não pediria. A não ser em casos muito urgentes. E aqui não há o pessoal do prédio. Não há porteiros etc.

Pedir ajuda aqui me faria pensar que eu incomodaria demais e ficaria nítido para eles e para mim mesma o quanto não dou conta das minhas coisas.

Então os vizinhos suecos, de acordo com o ângulo em que olhamos, não estão nem um pouco preocupados comigo ou minha vida. Por outro ângulo, eles também não estão nem um pouco preocupados com o que tenho, o que compro, quem sou, quem fui, o que vou fazer. Não lhes diz respeito a não ser que fôssemos amigos, o que não somos.

Isso tudo significa ainda que viver na Suécia pode doer nos dias em que desejamos ardentemente ser notados. Quando desejamos contar nosso passado e "jogar conversa fora" com a vassoura na mão. O que dá para fazer com vizinhos de outras nacionalidades. Tenho vários "amigos" na vizinhança que são casais dinamarqueses e um casal americano. Sempre trocamos figurinhas e eles sempre parecem interessados em saber como anda a carruagem em casa.

Então, se por um lado há esse "desdém" dos vizinhos suecos, por outro lado, o comportamento deles será maravilhoso quando se sente a liberdade que se adquire quando ninguém se acha no direito de dar palpite sobre o que você fez, faz ou fará. Sobre como você engordou ou emagreceu. Que carro comprou ou deixou de comprar. Suas escolhas e conquistas são suas e você é responsável e tem o mérito por elas.

Não interessa a roupa que você use, o trabalho que faça, o sexo que escolha para partilhar a vida. Desde que seus interesses não se choquem com os deles você é livre - e sozinho - para arcar com sua vidinha. Em outras palavras, a esfera particular, assim como a pública, na Suécia são esferas em que só se misturam quando uma interfere na outra. Até lá eles "matam ou morrem" para mantê-las protegidas.

Repito só que para tudo há exceções. Não poucas, inclusive. No geral, entretanto, é assim que funciona.

E isso é algo o qual a gente aprende rápido.

Ao meu ver restam apenas estas opções para quem aqui vem viver:

É possível não aceitar tal jeito de ser, sofrer com as diferenças entre comportamento de brasileiros e suecos, lamentar a saudade e não se adaptar.

Ou é possível também, apesar do quanto pode ser dolorido de vez em quando, se fixar nos porquês de eles serem assim, entender que o problema não é com a gente, ou que isso não é um problema é o que é, porque é algo enraizado na alma deles e seguir em frente. Não quer dizer que isso não nos tire do sério e que consigamos passar incólumes por tudo, mas me parece ser uma boa saída para quem quer tirar o melhor de cada lugar onde vive.

Com o TEMPO, a convivência, o achar amigos suecos de verdade, o adaptar-se diariamente a gente acaba percebendo que não há um jeito CERTO de ser e viver.

Há o jeito como a maior parte dos brasileiros consegue ser: amáveis, carinhosos, preocupados, sorridentes, intrometidos, bisbilhoteiros. Há o modo como os suecos aprenderam a ser eles mesmos sem saber ser diferentes: intocáveis, frios, na deles, mais carrancudos, respeitosos da nossa liberdade.

O povo de cada lugar vem com o pacote todo. E talvez seja exatamente esta diferença tão marcante que nos deixe também desejosos de conhecer outras culturas. É nisso que reside a beleza de se ser brasileiro e se ser sueco.