29 setembro 2008

Nossa noite estrelada

("Noite estrelada", Vincent Van Gogh, 1889)


A Lilás deixou comentário super sincero a respeito de meu último post de "gosto amargo". A ela e a quem mais se sentiu com nó ruim na garganta, dedico esse aqui. 

Lilás,

Há esperança sim. 
Somos nós mesmos. 
Mais nada.
E mais ninguém.

Só de nós,
Só em nós,
mora quieta
alguma chance
de mudança.

Um beijo pra todos vocês e uma terça-feira cheia de coisa boa, como essa poesia do Drummond...

...


Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples. 
Nossa dor não advém das coisas vividas, 
mas das coisas que foram sonhadas 
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, 
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável, 
um tempo feliz. 

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos 
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos 
de ter conhecido ao lado do nosso amor 
e não conhecemos,
por todos os filhos que 
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, 
pela eternidade. 

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco, 
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema, 
para conversar com um amigo, 
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe 
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias 
se ela estivesse interessada 
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, 
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, 
impedindo assim que mil aventuras 
nos aconteçam, 
todas aquelas com as quais sonhamos e 
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, 
mais me convenço de que o 
desperdício da vida 
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.


Carlos Drummond de Andrade

4 comentários:

Jana! disse...

Pois é..
eu li o post antigo.. e não entendi pq não quis comentar..
deu um nó na garganta mesmo...
:/
Mas, heim.. adorei o poema!

E, tô de passagem comprada p/ aí;;;
saio dia 20, chego dia 21..
bjão!
boa semana p vc!

Somnia Carvalho disse...

Uêêbaaaaaaaaa!

21 de outubro? me manda seu endereço e telefone assim que chegar menina! você e sua bagagenzinha fofa... vou te encontrar assim que você tiver assentado sua poeira e puder.

um beijão e ótima ótimíssima viagem!

desculpa pelo nó... odeio ser esse tipo...

Lilás/Beth disse...

Tá bom, Drummond entrou nas veias e vou dormir mais tranquila.
É mesmo como ele disse: ..."na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade..."

Acho que amanhã farei um passeio até o centro do Rio, arriscando-me num busão, para almoçar com uma amiga que me convida há tempos e eu não tomo coragem.
Vou pensar!

beijos garotinha.

Somnia Carvalho disse...

Não me pareceu convincente Lilás! rs...

um dia depois do outro e um post depois do outro deve ajudar... espero! beijos