30 agosto 2008

Ai que saudade danada me dá de vez em quando...

(Ângelo com os primos Luana e Júnior, Brasil, fevereiro 2008)


Dia bonito. Céu azul. Sol. Sem vento. 

Vamos levar o Ângelo num enorme zoológico que tem aqui. 
Conversando no café da manhã, eu e Renato estávamos falando de todos vocês. Minha mãe, Irene, Caetano, meus irmãos, Dri, Vanessa, a família toda... as crianças. E deu uma sôdade danada... Não vejo a hora de estar nos braços de todos vocês de novo.

Um lindo Nelson Gonçalves para o sábado choroso e cheio de amor.


Memórias do café nice


"Ai que saudade me dá
Ai que saudade me dá
Do bate-bapo do disse me disse
lá no café nice ai, que saudade me dá

Ai que saudade me dá
Ai que saudade me dá
Do bate-bapo do disse me disse
lá no café nice ai, que saudade me dá

De Cadilac chegava o Chico Alves
Logo no samba queria entrar
O Ismael só na de pão com manteiga,
esquecia a nega, pra poder ficar
E eu no samba, varava a madrugada
O café Nice era um pedaço do céu
Num canto batucava João de Barro,
Lamartini, Pixinguinha, Almirante e Noel

...mostrava a carne e o que é que a baiana tem
Ari Barroso no piano, reclamava
que Donga fez um samba que nao é de ninguém
E o Metralha varava a madrugada,
o Café Nice amanhecia em festa
Cartola afinava a viola
que pena que agora a saudade é o que resta."


Nelson Gonçalves

28 agosto 2008

"Mudaram as estações" , tudo mudou...

(A esquina de casa, no meio da tarde, de algum dia do verão, 2008...)

Hoje eu sei que não dá para entender o porquê dos suecos, e outros povos, mudarem radicalmente seu comportamento de acordo com as estações do ano. A verdade é que só dá para entender se você sente a mudança, literalmente, na pele.

Mesmo sabendo disso, pensei que algumas fotos podem tentar dar uma idéia de como a vida acaba sendo outra, quando uma estação chega e a outra vai embora.

Aqui, três fotos do caminho de árvores que passa pela minha rua. Nele a gente passeia de bicicleta, leva o Ângelo no parquinho, encontra as pessoas, toma caminho para cruzar a cidade... Mas ele é um em cada estação e faz com que a gente que vive por aqui, também mude conforme o tom das árvores e a cor do dia...

Estamos quase em setembro e a paisagem que está como essa aí de cima, vai perder cor e volume. Hoje foi um dia lindo, depois de alguns com muita chuva, mas o verão mesmo já se foi e os dias estão começando a esfriar e a ficar cada vez mais curtos. As noites, em breve, serão longas.


(A mesma esquina de casa, as cinco horas de uma tarde de outono... março, 2008)

Os 35 graus que a gente tomava na praia aqui da cidade já estão sendo substituídos por 18 no termômetro. Logo serão zero, depois -1, -5, -10...

É o inverno escandinavo à nossa porta... É hora de começar a imbernar, comprar coisa legal pra casa e ficar quietinho e só acordar no próximo verão... no ano que vem...


(E, de novo, a esquina de casa, as três da tarde, no azul escuro que ela vai ficar a partir de novembro, foto de fevereiro de 2008)

27 agosto 2008

Na Suécia você come...

(Lanchinho típicamente sueco que você pode comer no café da manhã, no almoço e no jantar. Fonte: Anne´s food)


Hábitos estranhos de gente esquisita... 

Se estiver na Suécia você precisa se adaptar ao padrão sueco de alimentação. Esqueça arroz e feijão juntos. Esqueça pão francês de manhã. Esqueça aquele monte de queijo em cima de seu espaguete. E, claro! esqueça as picanhas e o montão de carne que você come todo dia no Brasil...


Esse povo viking tem hábitos um tanto diferentes dos do brasileiro, alguns muito saudáveis, outros nem tanto, que deixam a gente perplexo quando chega... 


- Almoço entre 11 e 11:30 e jantar das 17:30 às 18:00.

- A maioria das refeições frias.

- Peixes quase sempre crus.

- Lanchinho com camarão cru, pepino e pimentão no café da manhã.

- Pimentão, pepino e champignon em tudo quanto é coisa.

- Pimentão, pepino e champignon em todas as pizzas, não importa se você pediu ou não.

- Pizza feita por suecos, turcos, gregos, libaneses, chineses, menos por italianos.

- Massa sem parmesão.

- Pimenta em todas as massas.

- Banana a preço de salmão.

- Salmão a preço de banana.

- Batata grande, batata pequena, batata marron, batata vermelha etc.

- Feijão só se for de várias cores, frio e no meio da saladinha. 

- Café sem açúcar.

- Creme em um monte de sobremesa.

- Muffin de chocolate, maça, canela, framboesa, morango, banana e tudo mais que der pra fazer na receita.

- Comida japonesa sem sashimi.

- Sushi em toda esquina.

- Pão preto, pão marron, pão com sementes, pão com grãos, pão disso, pão daquilo.

- Frutas amarelas e tropicais totalmente sem gosto.

- Morangos, framboesas e todas as "berrys" totalmente deliciosas. 

- Água como acompanhante da refeição.

- Suquinho fraquinho, sem açúcar como substituto da água, se preferir.

- Almôndegas na segunda, na terça, na quarta, na quinta.... com molho agridoce.

- Café com Leite, na maior parte das vezes, ao invés de café preto.

- Café da tarde às 13:00. Ops! Vou parar por aqui e tomar o meu.

Alguma dúvida? Você pode perguntar pra Anne, uma sueca que adora cozinhar e tem um blog só sobre comida, ou perguntar para a Super Somnia que ela manda ver na experimentação. 

Vou continuar comendo e anotando para ter material para um próximo post.

26 agosto 2008

Eu sou brasileiro e ...



O Ângelo tem um método muito bom para vencer a carrancudice e o mau humor das pessoas. Ele sai pela rua, em seu carrinho possante, ou caminhando sozinho, distribuindo sorrisos e tchaus para todo mundo.

Piora um pouco se a pessoa fizer de conta que não tá vendo. Aí ele encara mesmo, volta, passa à frente, dá um sorrisão barulhento e não tem quem aguente. Até hoje só vi duas pessoas resistirem a isso. E elas pareciam bem de mal com a vida e com o mundo.

No restante, o Ângelo faz muita amizade. 

Um amigo nosso, o Gus, disse que ele parece adivinhar quando há um monte de tiazinha sozinha por aí. É verdade! Embora ele ganhe a mulherada de tudo quanto é idade e até tchauzinho dos homens, se for tiazinha, assim mais velhinha, capenguinhas tadinhas, aí ele se esmera em fazer caras e bocas quase que dizendo: "Não acredito!!! Você também tá por aqui! Que legal! Você é demais!!!" E as velhinhas suecas se derreeeetem que é uma coisa! Volta e meia sou parada por "senhorinhos" e "senhorinhas", daqueles que andam com um carrinho de ajuda, vindo falar com ele e comigo. 

O mais legal é que, além de ele não se deixar vencer pelo cansaço, ele ainda sai com uma cara do tipo: "Nossa! eu sou tão legal! Todo mundo faz tchauzinho pra mim na rua!"

Embora nascido na Suécia, o Ângelo não nega a raça: ele é brasileiro, simpático, feliz e "não desiste nunca". 

23 agosto 2008

Há chuva lá fora, mas aqui dentro...

(Jack Vettriano, The singing butler)

Eu tava aqui faxinando, num típico sábado sueco, enquanto a chuva cai lá fora, e acabei vendo o recado da Glorinha, uma leitora das Minas Gerais, que passou pelo Borboleta esses dias. Me emocionei com ela, como me emociono com tantos recados de vocês. Reproduzo abaixo o comentário da Glorinha ao post "O primeiro vôo do Anjo" e minha resposta. E viva os encontros virtuais e profundos! Um beijo e ótimo sábado para vocês!
 
....

"Olá linda criatura!... Uma borboleta realmente...
Que bom ter te encontrado por aqui...
Eu sou uma mãe já bem calejada... passei por 65 primaveras... apesar de ainda me sentir uma criança!
Fiquei maravilhada ao dobrar a esquina e te ver! Você resplandeceu na minha tela imediatamente... como um cometa! Sério...
Eu estava aqui... sózinha no meu cantinho, pesquisando com imensa ansiedade assuntos sobre a Suécia... e então vc apareceu!
Foi como se eu me visse há 10 mil anos atrás... Eu era tal como vc... e tudo o que eu sentia vc veio hoje colocar em palavras, como num filme...
Tenho 3 filhos homens, com 36, 33 e 30 anos, respectivamente... mas vc não vai acreditar... para mim, eles continuam os mesmos, desde que os coloquei no colo pela primeira vez...
E hoje, o mais velho está neste momento aí bem perto de vc, em Stocolmo, a passeio... (está verdadeiramente apaixonado pela Suécia!)
Ele terminou um relacionamento de 10 anos e se encontrava muito perdido e sem chão... então resolveu largar um excelente emprego para passar algum tempo fora. Escolheu a Irlanda, porque lá ele conseguiu com facilidade um visto para permanecer por 1 ano, estando matriculado em um curso de inglês. O objetivo é, na verdade, ter um tempo para ver se encontra um trabalho na área dele (IT), fora do Brasil.
E eu aqui... querendo saber tudoooo.... querendo ver tudo que ele possa estar vendo... sempre procurando na internet para descobrir o que tem de interessante nos lugares que ele tem ido...
O meu filho do meio está casado a pouco mais de 1 ano e mora aqui na mesma cidade (Belo Horizonte-Minas Gerais), e o caçula ainda mora comigo, graças a Deus! Não tenho netos. Fiquei viúva a 1 ano atrás e me sinto bastante sozinha ainda... não sei se este sentimento vai melhorar... parece inacreditável que melhore... (perdas necessárias?...)
Me emocionei bastante com você! E tem gente que não acredita que se possa conhecer realmente o íntimo de uma pessoa pela internet – Eu conheço você! Pode acreditar... Você é límpida e transparente como cristal.
Que Deus a conserve sempre assim... aberta, feliz, comunicativa, apaixonada pela vida e pelas pessoas... e lembre-se... como disse alguém nos comentários do seu blog “...o tempo passa muito rápido e quando vemos ...”, então... viva todos os momentos com intensidade e prazer... eles ficarão na sua lembrança para sempre!"
Beijos da nova amiga
Glorinha


...
(Monet, "Madame Monet e seu filho")


"Querida Glorinha, bom dia!

Hoje é sábado e está chovendo desde a madrugada. Parece que os fogos que celebraram o fim do Festival de Malmö ontem levaram consigo o verão e os dias bonitos.

Estava fazendo uma faxinona aqui em casa, enquanto os meus dois "rapazes" foram dar um passeio. Abri rapidamente meu blog e bumba! que surpresa gostosa num sábado chuvoso de faxina! Tive que parar para responder...

Você diz que eu sou sincera, mas que sinceridade e abertura em suas palavras! Quase chorei aqui emocionada de saber que, através do blog e apesar da distância física, posso conhecer gente assim como você!

Acho que me vi no futuro também, tentando seguir os passos do Anjo, tentando captar o que ele ainda viverá, a partir do que você disse de seus meninos.

Por enquanto ainda estou na fase dessa primeira separação. Todos os dias quando eu o deixo na escolinha e o Ângelo chora dizendo: mãmãmãmã eu me debulho em lágrimas pelas escadas afora.

Depois passa. Sempre tenho a certeza de que isso é o melhor que posso fazer por ele e por mim nesse momento. E sempre que volto e encontro-o tão feliz entre as outras crianças, todo orgulhoso, todo cheio de novidades e palavras novas para falar eu me sinto recompensada pelo meu "sofrimento" e sei que vale a pena.

Então, embora eu saiba que você deva estar sofrendo aí, nessa distância do seu "menino" maior, que está aqui em Estocolmo, só posso dizer que ele escolheu muito bem o lugar onde reconstruir essa nova morada... Estocolmo é uma cidade lindíssima. Linda! É romântica, tem uma atmosfera especial por causa das águas e dos barcos espalhados pela cidade. Tem muitos estrangeiros, muitos brasileiros vivendo lá, então, ele logo vai se sentir em casa...

Espero que você possa receber muita alegria vindo da realização dos seus filhos. E desejo um fim de semana acolhedor, como são os dias chuvosos, mas iluminado e cheio de energia boa, como são os ensolarados. 

Um grande beijo, Sônia."

21 agosto 2008

A Suécia e algumas histórias (1): um irlandês na cadeira ao lado


Eu recomecei as aulas de sueco e, na mesma sala, gente de todo canto: França, Espanha, Colômbia, Japão, Tailândia, Alemanha, Romênia, Inglaterra, Grécia, Macedônia, África do Sul, Arábia Saudita e e Irlanda.

Mesmo em meio a esse pessoal tão diferente pra mim, acabei notando a presença de Darryn, um irlandês falante. Com o meu parvo conhecimento sobre a Irlanda eu apenas tinha a idéia de que os irlandeses são homens. Nunca penso em irlandesas, por exemplo. Sempre imaginei que eles gostam de beber muito nos pubs irlandeses e depois brigar com os torcedores ingleses, em estádios de futebol. 

Também fantasiei que eles são durões e machos-machistas, por causa do musical e do filme do Billy Eliot que, descobri com o irlandês da sala, nem é feito na Irlanda, mas no norte da Inglaterra. Não sei de onde eu tirei essa idéia! Coisas muito estúpidas que alguém pode saber sobre outro país, mas era isso mesmo. Eu parecia alguns gringos que acham que todo brasileiro vive de sunga na Amazônia.

Bom, fora a idéia abestalhada, o Darryn me pareceu apenas um aluno irlandês aplicado, mas eu fiquei lá imaginado sua história de vida, assim como tentei imaginar de outras pessoas da sala, inclusive de uma ou outra mais chatinha.

(Um pequeno e belo país chamado Irlanda)


É fato que em qualquer curso ou aula há sempre quem é mais calado e espera que a professora lhe pergunte algo. Sempre tem o aluno metido a saber tudo e o aluno que realmente sabe tudo ou se aplica em saber. Tem o aluno folgado, o aluno engraçado e simpático e por aí vai. E, depois de uns dois dias, acabei fazendo amizade com os franceses simpáticos, os espanhóis falantes e esse irlandês cheio de tirar dúvidas com a professora.

O Darryn, muito simples, vai de bicicleta na aula, como quase todo mundo. E, num desses dias, foi com uns chinelos que arrebentaram no meio da rua. Então, ele chegou arrastando-os, assim com se fosse bem pobre de marré-de-si. E na maior, mostrou pra todo mundo e disse no seu inglês carregado: "Essa porcaria arrebentou no meio da rua! hahaha!"

E teve um outro dia que ele foi destradado pela aluna metida a ser cool em qualquer situação, quando se recusou a ir sentar do lado dela e fazer os exercícios. Foi quando ele explicou, com muita naturalidade, que precisava ficar só do lado esquerdo da sala para enxergar a lousa, porque só tem um lado da visão. E foi essa mesma visão que o fez trombar com uma garçonete esses dias e derrubar toda a bandeja da moça no chão. Enquanto ela e outras pessoas o olhavam com cara de desdém, ele apenas dizia todo atrapalhado e sorrindo: "Mil desculpas, mil desculpas!!!"

("Sex billion to one", retrato da Miss Universo Rosanna Davidson, Darryn Lee, 2008)


Bom, sueco vai, conversa vem, acabei fazendo amizade com o irlandês. E, usando os diálogos do exercício, acabei descobrindo que o rapaz simples, falante e que trata bem todo mundo, inclusive o povo mais chatinho, é um grande artista na Irlanda. Grande, do tipo que se deu bem. Daqueles que já expuseram muito, que saem nos jornais etc. Darryn Lee pintou gente famosa do mundo todo e fez dinheiro com arte, o que é muito, muito raro acontecer. Além disso, ele reproduziu com perfeição, durante anos, as obras do italiano Caravaggio para inúmeros museus.

Rapidamente percebi que, apesar de seus chinelos quebrados, ele deve ter mais dinheiro do que o pessoal que o desdenha pode imaginar, embora eu não ache que isso seja uma qualidade em uma pessoa, mas algo que eu sei que ele poderia usar para sentir-se o ó do borogodó na sala de aula, mas não usa.

Hoje eu ri muito com esse irlandês e um francês, o Jocelyn, gente muito fina, finíssima, enquanto comia um espeto na barraca da África, aqui no Festival de Malmö, antes de pegar Ângelo no Dagis. Num grande palco tocava Buena Vista Social Club e senti um profundo agradecimento por aquele momento. Fiquei querendo voltar pra casa e dividir com o Renato que vive me trazendo histórias do pessoal do trabalho ou de suas viagens.

Fiquei lá pensando, com meus botões, como tem gente legal e que vale a pena em todo canto do mundo. E fiquei feliz que hoje eu possa saber um pouco mais sobre a Irlanda e os irlandeses. Feliz de poder conviver um pouco com essas pessoas e aprender mais. Feliz e imaginando o dia em que vou me lembrar desses encontros todos como sendo parte desse tempo meu, do Renato e do Ângelo nessa Suécia tão cheia de graças e de histórias. 

20 agosto 2008

Busy, busy, busy...

(Festa da Lagostinha no Festival de Malmö, 2008)


Há duas semanas retornei às aulas de sueco que eu havia parado desde que Ângelo nasceu.

Toda manhã deixo-o às nove no Dagis e vou pra Folkuniversitet. Saio, almoço rapidinho e pego-o às duas da tarde. Por conta disso, da adaptação dele na escolinha, da vida toda pra se cuidar e do Festival de Malmö, eu apenas pensei inúmeros posts sobre tudo isso que tem acontecido, mas não consigo sentar para escrevê-los. 

No curso estou estudando com gente do mundo todo. É extremamente interessante, embora também exaustivo. Da escolinha e do festival estou tirando umas fotos para fazer os tais posts...

Apesar do cansaço, tenho tentado ir ao Festival toda vez que dá, principalmente (ou quase só) nas atrações infantis, como teatro, show de música, clow etc. A verdade é que a gente sabe que depois dessa imensa festa a cidade vai ficar bem quietinha e mais vazia. E a gente sabe que já é quase hora de se despedir do verão, porque o inverno já tá batendo à porta...

Sendo assim, tô saindo agora com Ângelo. Vou encontrar minha amiga Nikol e o amigo do Ângelo, o Iven, e aproveitar o que ainda resta desse verão sueco.

Até amanha!!!

18 agosto 2008

"Foi numa festa "chêdicubalivre"" ...


Sábado a gente pegou aqui uns álbuns antigos e matou saudade dos velhos tempos...

Do visu do Re, quando eu o conheci nos anos 50, com um corte de cabelo curtinho e bigodinho.
Do meu visu trash dos anos 80, quando a gente usava calça santropeito e blusa de ombreira.

Nos lembramos da época em que participávamos das reuniões contra a ditadura e ele usava os óculos, fundo-de-garrafa, pretos, combinando com muitos ternos xadrezes, logo no início dos anos 70. 

A gente nem lembrava do look Chitão dele e dos nossos Black-Power...

Baita álbum legal esse que a gente viu no sábado!!! 

Há-Há-Há!

....


Agora, falando sério: a gente riu prá caramba, no sábado, montando esse álbum tré rrre-dí-cu-lu de looks de vários anos. Fiz a brincadeira no site "Year book your self", por sugestão de um blog que eu adoro, "How about orange" e foi diversão grátis. Até me lembrar de músicas antigas e "modais" eu me lembrei. E me lembrei como eu cantava tudo errado e achava que tava abafando no salão... 

Super divertido ainda mais se você é do tipo que gosta de mandar tudo às favas, de vez em quando, e só ficar falando abóbrinhas e rindo à toa. De minha parte, acho muito saudável!

E vendo nosso álbum pronto fiquei pensando o que a moda não faz com a gente! Ou não faria, caso tivéssemos mesmo vivido todas essas épocas! 

Pior foi o Renato completando: o duro é quando a gente vai fazer o álbum e vê que o style da gente tá parado há uns 10 ou 20 anos atrás! Hahá!

Mas eu acho que a gente tá mais para o vinho... parece que melhorou com o tempo! E se isso não é verdade, não me importa! Adoro fantasiar!!!

Há-há-há! Ótima segunda-feira pra todos!

15 agosto 2008

Dá uma passada lá no Malmöfestivalen!!!


Hoje começa uma super festa por aqui: o Malmöfestivalen. Têm barracas de comida do mundo todo, dança, show, um montão de atrações malucas e diferentes como pagar para derrubar um cara na água fria do canal.

Têm milhares de pessoas na cidade e turistas de tudo quanto é lugar!

E você não pode perder!

Hoje no início da noite eles irão comemorar com um grande show na Sgortoget, a Praça Central da Cidade, então, passa lá que a gente se encontra! E se você só puder ir amanhã, ainda pode conferir a festa pelo clicando no link ao lado direito do blog: Web cam -  Ao vivo de Malmö - e veja que a suecada até sabe como fazer uma festa animada também!

A gente se encontra!!!

13 agosto 2008

"You are the dancing queen..."


(Sábado passado, na discoteca domiciliar da minha amigona Xu-Muié, onde a gente se sentiu as "Dancing Queen" da noite, comemorando o aniversário dela, Malmö, agosto de 2008)

Ontem, foi a segunda vez que fui ao cinema na Suécia. Eu e mais uma comitiva de seis mulheres fomos juntas ver o filme "Mamma Mia", aqui em Malmö. Baseado no famoso musical de mesmo nome, o filme conta uma história que foi toda construída a partir da trilha sonora do ABBA. 

E, apesar de eu nem ser fã de musical, nem de comédias, "Mamma Mia" já sai valendo a pena porque traz quase todas as melhores músicas do inesquecível grupo sueco. O filme é basicamente para se ouvir e sonhar em sair pelas Discotecas dançarolando...

Da mulherada que tava comigo, quatro eram brasileiras (Ângela, Xu, Cristina e Mônica), uma alemã, Nikol, e uma sueca-alemã, Nina. A gente fez festa do começo ao fim e nos sentimos as "Dancing Queen" da noite. E, tal como a Meryl Streep e suas amigas no filme, parece que toda mulher já brincou de ser vocalista de um grupo como ABBA, já pegou o shampoo e fez de microfone e morreu de rir ou chorar junto com as mulheres mais chegadas de sua vida.

Eu me lembrei de amigas queridas que conheci ainda na Universidade, Lud, Daníssima, Wal, Dri, Érica e outras, com quem eu peguei o guarda-chuva e fingi ser uma star italiana ou sueca. Por outro lado, foi muito especial ver que encontrei aqui essas amigas com quem posso dividir momentos tão ridicularmente deliciosos, como os de ontem.

Foi ainda mais especial a nossa situação. Das sete, cinco são mães e as que não fizeram  malabarismos para pôr os bebês no berço ou dar de comer antes de sair, trabalharam o dia todo e saíram correndo pro encontro. Todas havíamos contado com o super apoio dos maridos para ter esse momento feminino e sabiam do valor de estarmos ali juntas.

A gente riu feito criança e dançou pelas ruas de Malmö. E pra finalizar, teve choro, muuuito choro da Nina, a única sueca que vi chorando até hoje. Ontem foi aniversário dela e porque a gente cantou parabéns em português, inglês, sueco várias vezes e porque, desde que sua bebê de dois anos nasceu, ela tenta ter esse espaço pra ela, mas não conseguia, ela chorou e agradeceu.

Talvez para uma outra pessoa uma saída seja apenas uma saída, mas não acho que foi nosso caso ontem. Quando a gente se casa tem que lutar para manter um laço de sociabilidade com os amigos e o mundo, mas ainda é bem tranquilo. O difícil mesmo é conseguir manter essse espaço, não perder a identidade, depois de ser mãe, ou pai, e ter tanta responsabilidade. E você precisa de um pouco mais de vontade e esforço quando vive num lugar onde metade do ano faz frio e neva...

De modos que, talvez por isso, ontem a noite foi muito mais que isso pra mim e para as minhas amigas da Comitiva da Esperança. E provavelmente por essas mesmas razões, a gente combinou tornar esses encontros mais frequentes e motivar os maridíssimos a fazerem o mesmo entre eles. 

Pensando com os meus botões eu acho que sair em Grupo do Bolinha ou da Luluzinha, se divertir falando bobeira e voltar feliz pra casa, de vez em quando, faz um bem danado à saúde, à auto estima e à admiração que o outro - marido ou mulher - tem pela gente.

Ah! eu tava me divertindo tanto que esqueci de tirar fotos, mas já tinha separado as que estão neste post para falar de amizade, de sentir-se feliz da vida, quando a gente pode ser a gente mesma na companhia de amigos queridos.


* Abaixo, a letra da contagiante "Dancing Queen" e do lado direito do blog, um vídeo super nostálgico com o grupo. Pegue o pote de catchup ou o cabo da vassoura e se transforme na "Dancing Queen" de hoje...

...


Dancing Queen

"Friday night and the lights are low
Looking out for the place to go
Where they play the right music, getting in the swing
You come in to look for a king
Anybody could be that guy
Night is young and the musics high
With a bit of rock music, everything is fine
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance...

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Youre a teaser, you turn em on
Leave them burning and then youre gone
Looking out for another, anyone will do
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance...

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen"

...


11 agosto 2008

O que você sabe sobre São João da Manteninha?

(Vista do alto de São João da Manteninha, Minas Gerais, por onde eu "passei" esses dias...)

Desde que comecei este blog eu tenho tido várias alegrias diferentes com ele. Uma delas eu tentei explicar hoje, na resposta aos comentários do post "O primeiro vôo do Anjo". Eu tava falando lá de como é bom poder pôr pra fora algumas das coisas que penso e sinto e ter alguém aí do outro lado para trocar essas experiências, alguém para ouvir, nem que seja lendo.

A outra coisa muito legal tem vindo através desses widgets, esse negocinho aí do lado direito,do qual eu já falei esses dias num outro post. Esse que marca a cidade e o país visitante do dia ou coisas assim. É muito divertido ver as centenas de lugares diferentes, os quais eu nunca antes ouvi falar, passando ali na telinha...

Na sexta-feira teve um visitante de São João da Manteninha. E me deu uma coisa danada de gostosa saber disso. Eu nunca tinha ouvido falar em São João da Manteninha, por isso fui no wikipedia e tentei achar algo. Trata-se de uma cidadezinha de Minas Gerais. Agora me falem se São João da Manteninha não tem tudo a ver com Minasss?!

Além do mais me faz lembrar minha família que é tudo mineira! Meu querido e já ido pai, nasceu em Lavras. Minha mãe em Capelinha. E ela sempre disse, assim com um "sutaque mineirin": "Capéliinha". Lindo demais!

E São João da Manteninha é um nome assim doce que nem não sei o que sô! Fiquei imaginando quem seria essa pessoa moradora desse pequeníníssimo povoado que acessa esse blog. Talvez nem seja assim um leitor, apenas alguém que caiu aqui por acaso, mas é muito legal. Eu já tô melhor em geografia, depois desse negócio todo. 


(Encontro bem real com Lígia, a portuguesa sorridente e simpática, para quem meu blog é "muito giro", julho de 2008)

E, por falar em encontros virtuais que o blog tem me proporcionado, esses dias tive um não tão virtual assim. A Lígia, uma portuguesa, de Setúbal (se minha memória não me falha agora), muito gente boa, entrou em contato comigo, por sugestão do Pedro. Ela começou a ler o blog e como se mudou a pouco para Malmö, trocamos idéia por email e, no fim das contas, tive o prazer de conhecê-la e tê-la aqui em casa. Parecia que a gente se conhecia há um tempão e o seu português me soou tão familiar e gostoso.

São coisas especiais que um espaço como esse na internet pode proporcionar. Espero que mais gente de cidadezinhas tão fofas quanto São João da Manteninha e mais gente curiosa, de lugares curiosos, continue cruzando meu caminho. Ou eu o deles... Adorei ter estado em São João da Manteninha! Que venha a proxima viagem agora!

 

10 agosto 2008

O que amolece mais o coração de um homem?



O que amolece mais o coração de um homem?
Um filho.

Depois que o Renato se tornou pai ele vive por aí com o Ângelo, rolando no chão ou na grama e rindo feito moleque. Ele não esquece de contar o tempo, quando coloca o menino nas costas.
E vive cobrindo-o de beijos, sem pensar se tem alguém olhando.

Depois que o Renato se tornou pai ele esquece quais são as suas necessidades e pensa primeiro no seu Angelinho. E o que ele vai comer e beber, o que ele vai vestir e a que horas vai dormir.
E volta correndo pra casa no fim do dia como quem voltou para um parque de diversão.
E se mata de brincar com o seu moleque como se fosse um de seus amigos de infância.

Depois que o Renato se tornou pai ele pensa o tempo todo o que pode ensinar,
E ampliou sua área de interesse para tudo que tenha a ver com educação e lazer com crianças.
E sempre tem uma história a respeito do filho de alguém para me contar, a qual ele achou muito interessante.

Depois que o Ângelo nasceu o Renato se tornou ainda mais amoroso,  carinhoso, dedicado, realizado e feliz do que eu jamais o tinha visto ser.

E, apesar de hoje não se comemorar o Dia dos Pais aqui na Suécia e a gente ter quase esquecido da data por falta de propaganda, ainda dá tempo de dizer "Parabéns" ao Renato e obrigado. Parabéns por ser o pai que é para o Ângelo e por me lembrar o quão carinhoso e dedicado meu pai também foi comigo, embora o tempo tenha se encarregado de apagar um pouco a memória.

Parabéns ao pai dele, o Caetano, em quem tenho certeza que ele se espelhou para ser o pai que é. Parabéns aos nossos amigos queridíssimos todos daí do Brasil que tiveram filho no ano passado, quase junto com a gente. Parabéns a todos os maridos das amigas, os conhecidos e os leitores pais do blog. 

Parabéns porque uma das coisas mais bonitas de se ver na vida é como vocês têm a capacidade de amolecer o coração e tornar-se alguém ainda melhor, quando têm alguém para chamá-los de Pai.

Um beijo na bochecha de todos vocês e um abraço bemmm apertadinho, do jeito que o Ângelo dá na gente.

...

ps: no link ao lado, você pode ouvir e cair no chororô com "Pai", do Fábio Júnior. 

08 agosto 2008

O primeiro vôo do Anjo


(Eu e Ângelo, poucos minutos antes do Renato cortar o cordão umbilical que nos uniu por 9 meses, 16 de Julho de 2007)

O que chamamos de senso de identidade é a certeza de que nosso eu mais profundo, mais forte e mais verdadeiro persiste através do tempo, a despeito da mudança constante. É a sensação de um eu verdadeiro mais profunda do que qualquer diferença, o eu para o qual todos os nossos outros eus convergem... Todos nós, no começo, precisamos de uma mãe que nos ajuda a ser, a mãe que nos ajuda a estender o braço e reclamar o que nos pertence, a mãe que nos ajuda estabelecer uma certeza central - tão certa quanto as batidas do nosso coração - de que nossos desejos e sentimentos são nossos... 

Judith Viorst, "Perdas Necessárias


Eu sempre ouvi de algumas amigas que o primeiro dia em que deixaram seus bebês na creche ou na escolinha foi devastador. Elas me falavam sobre a tristeza e o vazio que tomava conta de suas vidas naquele curto momento entre o deixar a criança nas mãos de estranhos e sair de fininho para uma vida sem ela.

Me falavam também de terem ficado observando seus filhos pelo vidro... de abafarem o choro ou de soluçarem quietinhas, absolutamente sozinhas do lado de fora. 

O fato é que eu ouvi com carinho essas amigas, mas nunca consegui entender esse sentimento de verdade. É algo que você tenta compreender, mas a falta de experiência não absorve.

Essa semana foi a primeira semana do Ângelo na creche-escola. Aqui na Suécia só existe essa opção quando a criança completa 1 ano de idade. Antes disso, não há opção particular ou pública. Os pais são pagos pelo Estado para estarem com seus filhos, na licença paternidade ou maternidade. E quando elas vão para o "Dagis", elas aprendem a cuidar de si próprias, terem muitas atividades no mesmo dia e a se desenvolverem cada vez mais como pessoa.

E, então, os primeiros três dias dessa semana foram agitados, mas foram bem mais fáceis do que eu tinha imaginado e do que haviam me contado. Até ontem, Ângelo não havia chorado. Eu havia estado junto com ele na maior parte do tempo, para fazer a adaptação da primeira semana.

Naquelas duas primeiras vezes em que disse: "Tchau Ângelo, a mamãe vai sair agora e volta depois para te pegar" nem ele, nem eu choramos. Parecia que precisávamos mesmo desse tempo. Ele, de brincar, conhecer mais gente, explorar o mundo pelo qual ele é tão fascinado. Eu, de um tempo apenas para respirar pelas ruas sozinha. Um tempo para pensar em mim e cuidar de mim. Haviam sido, porém, meia hora no segundo dia e uma hora no terceiro. Eu estava bem tranquila e a professora elogiou muito o Ângelo. Então, hoje, será o primeiro dia em que ele vai comer junto das outras crianças, brincar fora da sala e conhecer outros meninos e meninas. E foi o dia de deixá-lo por três horas e não ficar junto dele com a professora.

Tudo parecia apenas agitado e corrido até aquela mesma hora da qual minhas amigas haviam me falado. Pela primeira vez ele chorou um pouquinho, embora logo tivesse se distraído lá com as crianças no parquinho. Quanto a mim não foi a mesma coisa. Senti um choro preso na garganta, talvez algo como contou minha mãe ter sentido quando deixei Sumaré, e minha sogra, quando o Renato deixou Santo André. Naquele tempo, ambos fomos viver em Campinas e estudar na Unicamp, onde nos conheceríamos e nos apaixonaríamos. Senti a mesma solidão e dúvida que tomou conta de minhas amigas quando deixaram seus bebês no primeiro dia da creche.

E que tristeza boba. Uma sensação de que estavam arrancando Ângelo de mim, embora eu mesma tenha decidido por isso. Embora eu mesma tenha ansiado por fazer zilhões de coisas esse ano todo que passou. Todos meus planos de voltar a trabalhar, estudar, pintar, namorar o pai dele, arrumar a casa, tomar café com as amigas, sentar na frente da TV por alguns minutos, tudo pareceu muito ridículo agora de manhã. Ridículo e sem sentido. 

E mesmo eu tendo trabalhado minha vida inteira, desde os 13 anos de idade. Mesmo eu tendo me ocupado durante 35 anos de minha vida sem essa pequena e maravilhosa criatura que é meu filho Ângelo, eu pareci não ter lugar no mundo. Como se eu tivesse apenas cuidado dele minha vida toda e nada mais tivesse feito. Nem as aulas muito agitadas que eu dava no cursinho, nem o mestrado ou o doutorado, nada parecia ter algum valor naqueles minutos depois de deixá-lo ali.


(Eu e Ângelo, ainda com um pedaço do cordão, no aniversário do Kian, filho de minha amiga Paulina, julho de 2008)

Quem era aquela Sônia? Quem é essa nova Sônia? Minha identidade pareceu perdida. Quem eu sou e que novo lugar eu tenho agora no mundo que não seja mais só ser a professora barulhenta, a esposa carinhosa ou a amiga "psicóloga"? Que devo fazer que não seja cuidar do Ângelo: fazer-lhe a comida, a mamadeira, trocar a fralda, dar-lhe abraços e dançar com ele durante o dia todo?

Há ainda o que eu possa fazer que seja tão valioso que fazer crescer saudável uma criatura?
Há ainda o que eu deseje fazer que não seja sentir sua pele macia no meu rosto e ouvir sua voz delicada? 

Tudo isso me acometeu por alguns quarenta ou cinquenta minutos hoje de manhã.

Andei um pouco sozinha. Falei com meu companheiro de viagem pelo telefone e chorei muito. E aí uma nova luzinha foi se abrindo de novo... Sim, a gente está criando nosso Anjo para o mundo, ele disse. E eu sabia que, assim como nossos pais um dia fizeram, a gente deve fazer com ele. Sim, ele vai continuar nos amamdo e nós a ele, embora a gente deixe espaço para ele começar a ser essa criatura mais única e independente de nós. A vida continua. Provavelmente ainda melhor, porque eu posso voltar e unir-me a minha identidade esquecida desse um milhão de anos que foi o ano que passou. Melhor e mais feliz, porque nenhuma mãe consegue ser tudo o que um filho precisa por mais que o ame e ele precisa se completar com outras pessoas do mundo. Mais completa porque eu preciso ser mais do que a mãe do Ângelo. Preciso ser a Sônia, que também é a mãe do Ângelo. A Sônia que ele, há algumas semanas entendeu que eu sou, ao ouvir o pai me chamar assim.

E, então, eu me recompus. Olhei adiante e senti o mesmo que minhas amigas e nossas mães: apenas um profundo amor e a certeza de que se a cada dia mais o cordão será cortado, o amor, porém, nunca diminuirá. Caminhei rumo à casa mais aliviada e conseguindo enxergar muitas possibilidades que o amanhã reserva para mim, para o Ângelo e para o Renato e entendi perfeitamente o que minhas queridas amigas tentaram me dizer em seus momentos de perdas necessárias.


(Ângelo, um pouco mais independente, comendo seu danoninho sozinho, agosto de 2008)

07 agosto 2008

"As esverdeadas e as enrugadas"

(Ilustração de Annelie Carlström, fonte: Gringo, número 3, 2008)


No ano passado, a curiosa frase de minha sobrinha Luana, "Eu pioro quando tomo sol", me motivou a escrever o texto "Black is Beautiful". Naquela ocasião me chamava a atenção o fato de que aqui, na Suécia, o que ocorria parecia ser exatamente o contrário: as meninas loiras, as quais a Luana, de 7 anos, já havia aprendido a venerar, tingiam seus cabelos de preto ou marron. Passavam horas estiradas ao sol (natural ou artificial) para tentar ter a pele que ela, Luana, não aprendeu ainda a ter orgulho.

Há uns dois meses, eu tava comprando um sushi pro jantar e dei de cara com a revista sueca "Gringo" e, apesar de meu sueco não ser lá essas coisas, consegui entender o artigo e achei extremamente curiosa a relação entre o meu texto e o de Elaine Bergqvist. Mais fantástica ainda pensar na semelhança entre a Elaine criança e a minha sobrinha Luana. 

Pedi, então, à minha querida amiga Juliana, que me ajudasse com a tradução do texto, a fim de publicá-lo aqui no blog. Ela fez mais que isso e me ajudou a entender perfeitamente cada palavra escrita da autora. Não é uma tradução super literária, mas a gente se divertiu fazendo a uma mão e meia (uma dela, meia minha) e pensando as relações todas com a cultura brasileira.

Espero que gostem do texto tanto quanto nós gostamos.


...

"As esverdeadas e as enrugadas"

"Por que vocês frequentam o Solarium até empalidecer? Por que vocês se deitam no sol como peixes mortos, durante todo o verão? Talvez não seja correto que uma pessoa com raízes brasileiras coloque essa pergunta? O fato é que todos nós já escutamos a frase: "Black is beautiful", mas "White is also beautiful". Eu acho que está na hora de nós refletirmos isso, antes que a metade da população sueca aparente ter sessenta e cinco, aos trinta anos. 


(Solarium muito comum em qualquer esquina da Suécia, onde é possível ficar com a pele bronzeada em apenas alguns minutos)


Eu cresci com os contos de fadas da década de 80, nos quais a Branca de neve tinha uma pele branca e linda como neve, e bochechas rosadas. Ao me olhar no espelho, como uma garota de cinco anos de idade, eu percebi que eu não era como ela, a linda Branca de Neve. Ao contrário, eu parecia Alfons Åberg, depois de ter caído em uma poça de lama.


(Alfons Åberg, personagem de livro infantil sueco)


A Cinderela tinha os cabelos compridos e louros, mas eu tinha o cabelo bombril. Os meus amiguinhos da creche diziam que parecia algodão. Entretanto, os livros não falavam nada sobre Princesas de cabelo afro. Os bruxos é que tinham. E aquela não era uma comparação nada agradável para uma criança de cinco anos descobrir. 


(A famosa, loira, amada, admirada ou odiada Cinderella)

Para mim, a semelhança era muito óbvia e surpreendente. Eu não chegava nem perto das lindas princesas dos contos de fadas. Eu parecia o bruxo "vaffödårå trollen" da Ronya Rövardotter e outros bruxos dos quais as princesas defendiam as outras princesas. E assim, eu jogava os livros e deixava o meu temperamento brasileiro vir à tona. Depois eu corria para a cozinha e punha para fora minha frustração em cima da minha mãe: "Eu quero ser branca mamãe!" 

Agora eu sou mais velha e aprendi a admirar a minha cor de pele. Eu também percebi que os contos de fada mudam. O ideal não é mais o mesmo. Agora as princesas têm os peitos grandes, são queimadas de sol e são loiras. Que combinação perfeita! São elas que conseguem os olhares, trabalham como apresentadoras de programa de TV e ganham as competições de "Reality show". Quando essas princesas morrem, elas ganham mais atenção da mídia do que notícias de massacre e fome. Além disso, muitos são os que imitam essas princesas da mídia. Nem todo mundo se deixa levar pelo silicone, mas quase todos pelo tom "amarronzado" de pele. Alfons na poça de lama é o que tá na moda. Todo mundo tem quer estar bronzeado.

Em muitas partes da África as pessoas invejam a pele delicada das suecas. Elas usam produtos químicos  para clarear a pele que, com o tempo, resultam num tom esverdeado. O Incrível Hulk é o resultado. Se continuarmos dessa forma, o branco e o negro desaparecerão. Surgirá um grupo de enrugados e outro de esverdeados."




Elaine Bergqvist, autora do texto, vive na Suécia. 
É escritora e consultora de Retórica.



Juliana Marina Hjörringgaard, tradutora do texto, 
é carioca, estudante de informática e vive na Suécia há cinco anos.

....


* a primeira imagem é parte do texto de Elaine, as restantes foram acrescentadas por mim para ajudar na leitura do texto.

** ano passado eu coloquei apenas a letra da canção da Elis com o mesmo título desse post, mas acrescentei agora a canção no link do lado direito, para quem quiser conferir a beleza da composição e a relação dela com os dois textos citados aqui. 

03 agosto 2008

Nada melhor do que um dia após o outro. Nada melhor do que o verão após o inverno...

(Eu, entregue à farra ontem, no Parque Aquático Tosselilla. Foto: Renato Cechetti, Suécia, julho de 2008)



Amanhã


Amanhã!
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar

Amanhã!
Redobrada a força
Prá cima que não cessa
Há de vingar

Amanhã!
Mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar

Amanhã!
A luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar!
Há de imperar!

Amanhã!
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é prá vicejar

Amanhã!
Apesar de hoje
Será a estrada que surge
Prá se trilhar

Amanhã!
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar

Amanhã!
Ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno!
Será pleno!

(Guilherme Arantes)



(Alguns cantos mágicos do Parque Tosselilla. Foto: Somnia Carvalho, Suécia, julho, 2008)


Eu sempre gostei muito do Guilherme Arantes e de suas composições, desde minha adolescência... mas, ontem e hoje, eu me lembrei especialmente dessa música. E nem sei se o Guilherme era considerado cabeça ou popular demais, para a crítica da época, mas, para mim (que continuo apaixonada por ser brega), foi e continua sendo pura poesia... 

Hoje a temperatura já mudou por aqui: está mais baixa e o tempo chuvoso... Por isso, apesar de ser bom pensar que o tempo cura tudo e esperar que amanhã sempre seja um dia mais bonito e mais ensolarado, também é bom conseguir ver poesia no dia de hoje e vivê-lo gostosamente, enquanto o amanhã não vem...

Um domingo muito poético para vocês também!
...

* ouça e veja o vídeo dessa música no link de canções, ao lado direito deste blog.

01 agosto 2008

Semana Mundial da Amamentação: um post coletivo para comemorar e incentivar o aleitamento materno


Comemorando a Semana Mundial da Amamentação e a blogagem coletiva de 1 de agosto, da qual a gente falou aqui outro dia, aqui vai um post, criado a partir de algumas valiosas contruibuições que recebi. 

Muita gente me escreveu dizendo não ter criatividade etc, mas que apóiam muito a amamentação materna e o incentivo do blog. Mas não precisa criatividade! Basta pôr  o que sente, que é bonito do mesmo jeito. Contem um causo, digam algo que sintam sobre esse gesto. Tudo vale a pena...

Aqui vai um texto, sensível e verdadeiro, da Janaína, de Brasília, que está na foto maior acima, amamentando a Carolina, a bonequinha de cor-de-rosa da foto. Abaixo dela, minha amiga Daniela, de São Paulo, amamentando o Felipe e ao lado, eu, com Ângelo. Todas nós fomos felizardas de poder amamentar nossos bebês assim que eles nasceram, uma experiência transcendente e prá lá de recomendável. O resultado excelente a gente pode ver na carinha de felicidade e saúde deles e na de abobadas, nossa.

Fiquem a vontade pra mandar mais alguma coisa até quarta-feira, dia 06. O outro post será publicado no dia 07, quinta-feira que vem.


...


Ato de amamentar...

Eu confesso, que quando estava grávida da minha filha Carolina, ouvi bastante comentários de pessoas que não aprovam a amamentação, por motivo estético e etc...
Eu por ser mãe de primeira viajem, ficava, às vezes, até com medo de amamentar minha filha
por ouvir tantas historias macabras...

Mas, quando a minha pequena nasceu, a primeira coisa que fiz, quando ela veio para perto de mim, foi amamenta-la. Eu me senti tão especial... foi um momento inesquecível para mim!
Ela tinha acabado de nascer, e sugava com uma força, com os olhinhos abertos, e eu pensando: nossa parece que já esta até acostumada a mamar... e que fome!!

Com o passar do tempo, ela já nem precisava sugar com tanta força. Era tanto leite que decidi doar. Liguei, no hospital maternidade, onde ela nasceu, e me informei como proceder.
Eu me sinto muito orgulhosa disso, pois sei que ajudei muitos bebezinhos com o meu leite, não só a minha adorada filha. 

A Carolina, parou de mamar com 8 meses, assim, sem mais nem menos, ela largou!
Que dia triste,! Até hoje eu me lembro de implorar pra ela mamar, mas, ela já estava decidida. NO more mama!! rs

Por tudo isso, eu gostaria de deixar meu depoimento para todas as mulheres, deixar registrada a experiência linda que tive ao amamentar. Coisa, aliás, que pareço não ter palavras para descrever!

É uma das melhores experiências na vida de uma mulher!